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Figura 4 – Imagem de Nossa Senhora da Ajuda de Araçatiba. Fotografia de Rubens Teixeira. Madeira Policromada– século XVIII. Dimensões de aproximadamente 1,30 metros de Altura. (Fundo documental do IPHAN). Fonte: Banco de Dados do LEENA/UFES, acervo do PET Cultura, em 28/01/2012.

Para descrever a iconografia da imagem de Nossa Senhora da Ajuda faz-se necessário utilizar a análise feita pelo Frei Róger Brunório, em visita técnica já mencionada acima.

Imagem do século XVIII, aos pés da Santa Nossa Senhora da Ajuda estão cinco seres celestiais, o de corpo inteiro é um anjo e os outros quatro que só têm cabeça e asas, são querubins. No centro estão três Querubins que se olham formando um jogo simétrico, dando um tom de cumplicidade. O outro Querubim está olhando para Santa Nossa Senhora da Ajuda, no mesmo momento em que a Santa olha para o horizonte, como se estivesse apontando o caminho a seguir. O anjo que está do lado esquerdo olhando para baixo e parece estar segurando algum objeto que estava na mão da Santa. Este anjo é móvel, podendo ser tirado e recolocado no conjunto da imagem. A Santa porta um objeto na mão direita, que com o tempo se perdeu (BRUNÓRIO, 2013).

Segundo o Frei que fez a análise iconográfica, pode ser um Cetro, uma Palma ou uma Oliveira.

A imagem inteira forma a letra "S". Partindo da cabeça da Santa, passando pela sua mão direita, indo até o querubim que está olhando para ela e indo em direção do anjo. Dando um sinal de movimentação típica do barroco. A movimentação da arte barroca é possível ser percebida no véu da santa, sendo que a maior parte está do lado esquerdo, mas há também uma parte no lado direito (BRUNÓRIO, 2013).

Outro destaque a se fazer na comunidade de Araçatiba é o antigo porto, que servia para escoar a produção desta fazenda. Na imagem abaixo, ainda é possível vê-lo em atividade durante o início do século XX.

Figura 5 – Porto e entreposto comercial de Araçatiba, Viana, ES. 1907/1908. Fotografia de Eutychio d’Oliver. Fundo documental do IPHAN-ES, coleção Eutychio d’Oliver – Um olhar sobre o Espírito Santo do início do século XX. (A foto tem uma marcação escrita, datando o ano de 1910, porém foi uma intervenção que o documento sofreu, mas não é essa a data da fotografia, conforme já citado).

Ainda na primeira metade do século XX, era possível ver a importância do porto de Araçatiba como um ponto para escoar a produção do entorno da fazenda Araçatiba, que neste momento já não tem a mesma importância comercial que tinha no período em que esteve sob domínio dos Vieira Machado. Segundo a matriarca da comunidade de Araçatiba, Emiliana Coutinho da Silva, moradora da comunidade e

nascida em 1932, o canal, na época de sua infância, funcionava como o único meio de transporte que ligava Araçatiba à capital Vitória

Naquele tempo devido à dificuldade não tinha condução, tudo era através de canoa. Os canoeiros vinham lá de Jacarandá, passava por aqui. Eles levavam as mercadorias pra Vitória. Ali onde era o Extrabom, ali tinha as barraquinhas, que amarravam as canoas. Naquele tempo era muito falada as Lojas Pernambucanas. Compravam tudo lá! Roupas de noivo. [...] Então aquela Vila Rubim que vocês vêem agora, tudo bonitinho. Quando eu era criança as canoas chegavam ali. Eles levavam tudo daqui: era milho, arroz, feijão, farinha, galinha, banana, laranja, vendiam tudo na Vila Rubim. Então essa viagem durava três dias (SILVA, Emiliana Coutinho. [Maio de 2011]. Entrevistador Marcos Aurélio dos Santos Vertelo – acervo PET Cultura UFES).

Através do canal, os moradores de Araçatiba e do seu entorno, como os da fazenda Jacarandá, transportavam seus produtos em canoas feitas de tronco de árvores até as margens da baia de Vitória na Vila Rubim. Trazendo de lá produtos diversos que abasteciam o comércio local. Havia nas margens do porto de Araçatiba um entreposto comercial (Figura 6), que, no início do século XX, servia como distribuidor de produtos vindo da capital e comercialização da produção regional.

Figura 6 – Foto do antigo entreposto comercial. Provavelmente da década de 1940. Fonte: Banco de Dados do LEENA/UFES, acervo do PET Cultura.

Dada as limitações impostas pela imagem acima é possível notar a presença de uma comunidade majoritariamente negra. Se tratando de um período histórico, que a ausência de documentação dificulta o acompanhamento étnico da comunidade, tal

informação extraída desta imagem serve, para supormos que no pós-abolição a comunidade negra de Araçatiba permaneceu neste território da Santa.

Esta hipótese é fortalecida com a observação da imagem abaixo, que revela uma presença negra servindo de mão de obra no início do século XX.

Figura 7 – Engenho de Araçatiba, Viana, ES. 1907/1908. Fotografia de Eutychio d’Oliver. Fundo documental do IPHAN_ES, coleção Eutychio d’Oliver – Um olhar sobre o Espírito Santo do início do século XX. (A foto tem uma marcação escrita, datando o ano de 1910, porém foi uma intervenção que o documento sofreu, mas não é essa a data da fotografia, conforme já citado).

Na imagem acima é possível ver a presença de negros carregando cana de açúcar. Todos parecem fazer pose para o fotógrafo e ao fundo está à locomotiva que movia o alambique. Provavelmente a mesma descrita por seu Iosni, no depoimento abaixo

[...] Naquele triângulo era o alambique da cachaça Araçatiba. E quando eu era criança, tinha uns treze anos, peguei muita cachaça ali [...]. [...] Teve um cidadão aqui [Indiviso – Bairro do município de Viana, próximo a Araçatiba], há anos [...], veio procurar se eu sabia dizer aonde estava a locomotiva que movimentava o alambique da cachaça Araçatiba. Diz que não sabia. Lembro muito da máquina, porque as vezes estava lá na hora do almoço e escutava: Piiiiiiiiii, dava aquela buzinada e a peãozadatava lá na roça. Lembro demais, mas não sei para onde foi [...] (OLIVEIRA, Iosni Elias de. [Dezembro de 2013]. Entrevistadores Marcos Aurélio dos Santos Vertelo; Bruna Wandekoken; Rubens Teixeira – acervo PET Cultura UFES).

No relato acima, seu Iosni, morador do bairro do Indiviso, vizinho da comunidade de Araçatiba, localizada no município de Viana, fala que no triângulo que separa a entrada de Araçatiba e o caminho que vai em direção à Indiviso e Jacarandá ficava o alambique Araçatiba. Vale ressaltar que Iosni nasceu em 1924 e, no seu relato, ele ia à Araçatiba quando tinha aproximadamente treze anos. Logo é possível considerar que este alambique ainda estava em funcionamento nas décadas de 1930/1940.

Após fazer uma análise do patrimônio material da comunidade de Araçatiba, faz-se mister uma imersão na memória de uma das descendentes dos negros herdeiros das terras de Nossa Senhora da Ajuda, a fim de mostrar a face imaterial da herança dessa comunidade.

3.4. HERDEIROS DA TERRA DA SANTA: EMILIANA COUTINHO DA

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