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Timer/Counter1

Dans le document Programmable Flash (Page 74-85)

(...) Não posso jogar bola, andar de skate e empinar pipa, mas eu faço tudo, não estou nem aí. A bola pode pegar no meu óculos e quebrar, o skate, uma vez eu caí e quebrei o meu óculos, o pipa pode cortar o pescoço, mas eu empino, sem cortante.

(...) Risco é uma coisa perigosa, para mim como luz forte no meu olho, eu não posso tomar muito sol, fico com dor na cabeça e ardência nos olhos. Fico mais exposto quando brinco e quando alguém chuta a bola no meu olho. Diminuem quando eu não estou brincando com a bola, ou skate. Para mim, esses riscos são normais (...)

(...) Quanto à proteção, eu sou teimoso, eu só não tenho o skate, do resto eu faço tudo, eu empino pipa, jogo bola. Eu faço tudo, eu sou teimoso. Quando alguém mexe comigo, que vem me bater, eu ponho a mão na frente, para não pegar no meu óculos. Também, eu uso boné, empino sem cortante e, às vezes, fico sem jogar bola, mas jogo quase sempre. Proteção é, também, eu me cuidar, mas eu não sei explicar (...).

(...) Em relação ao futuro, eu quero ser baterista e DJ. Eu acho legal. Quero, também, ser professor de bateria (...)

Síntese

O participante destaca o risco em brincar, no qual ele próprio pode ser prejudicado com as brincadeiras, principalmente, em quebrar os óculos, seu principal recurso para enxergar, porém, apesar da consciência, ignora e brinca. Além de considerar a luz e sol forte nos olhos, também, um risco. A proteção é não brincar, mas aparenta ser algo, muito difícil. O participante procura adaptar, na medida do possível, alguns cuidados com as brincadeiras, mas não fica sem elas. Para o futuro deseja ser professor de bateria e DJ.

3.3.5. Dados de identificação do participante 5

Idade: 19 anos.

Escolaridade: Ensino Médio (completo). Escola comum ou especial: Escola comum. Reside com quem? Pai, mãe e uma irmã.

Causa da deficiência: Seqüela de uma varicela.

Idade da manifestação da deficiência: Foi na infância. Decorrência de uma varicela (catapora), que afetou a córnea, deixou uma cicatriz. Fiz tratamentos, mas os médicos não sabiam ao certo o que eu tinha, e eu fui perdendo a visão. Por incompetência dos médicos, pediam para eu voltar daqui a um ano, para a consulta só que não era questão de tratamento, porém, como não tinha condições de passar em médicos particulares, foi gerando a baixa visão. Hoje em dia, só transplante de córnea, porque, eu tenho ceratocone e leucoma. Minha visão era bem pior, de 5 a 10%, no momento estou enxergando bem, agora estou fazendo tratamento no hospital São Paulo, e estou usando lentes de contato, melhorou bastante, estou enxergando, mais ou menos 20%.

3.3.5.1. Transcrição da entrevista da participante nº 5.

(...) Na saúde, a poluição de São Paulo, é um fator de risco, mexe com a minha vida, me prejudica muito, porque eu tenho renite que quando atacada irrita aos olhos, gerando conjuntivite alérgica. A baixa visão piora, fica mais baixa, ainda. Tenho que usar remédio e colírios. O local de moradia e a falta de segurança são riscos que podem prejudicar a minha vida, como vou fazer uma faculdade e chegar à noite em casa?

(...) O risco de não conquistar meus objetivos. Tenho medo de chegar aos meus quarenta anos ou mais, olhar para trás e achar que tudo o que fiz não valeu a pena. Por isso, aproveito ao máximo possível todas as oportunidades, mesmo que

me digam que isso não vai me levar a lugar nenhum, mas, aprendizado você leva para sempre, ninguém te tira. Acho-me insegura nas questões de estudo e trabalho, às vezes tenho capacidade para fazer, mas não me acho capacitada. Exijo muito de mim, sem limites (...).

(...) A família tem que apoiar a pessoa com deficiência. A minha família apóia muito, mas tenho medo disso não acontecer para sempre, porque, isso vai acontecer até uma certa idade, depois você separa e vai viver a sua vida. Eu sou muito apegada a minha família, eu considero isso um risco (...).

(...) Me percebo mais exposta, quando estou sozinha, por causa da deficiência, sempre fui muito dependente da minha mãe, mesmo enxergando pouco me sentia super insegura de não acertar os lugares. Agora melhorei bastante. No momento, não tem o que eu me sinta insegura. Os riscos aumentavam quando eu tinha que tomar decisão sozinha como: primeiro dia na escola, procurar emprego, coisas da faculdade. Tenho medo do que eu não conheço do novo, fico insegura, mas eu me viro. Diminuem quando eu vejo que não é aquele bicho de sete cabeças e me integro com aquele grupo. Em princípio, me sinto insegura e isolada, por não ter amizade naquele lugar, começo a contar isso começo, a puxar conversa, fazer amizade me integrar (...).

(...) A adolescência foi mais difícil para mim, em relação a escola, em relação aos professores, que ao falar que não enxergava eles diziam: senta na frente, troca o óculos, na próxima aula veremos o que fazer, e assim passava o tempo. Isso para mim foi muito difícil. Eu tinha que me virar e pegar o caderno dos colegas. Penso que isso me prejudicou muito, porque tenho dificuldades em disciplinas até hoje, como é o caso da matemática, que você precisa ver a conta e como eu não consegui ver, ao falar com o professor, ele achava que não era da conta dele. Fator de risco é isso, pois, muitas vezes, fui impedida de aprender por incompetência dos profissionais da escola. Eu me esforçava e queria aprender e não tinha condições para isso (...).

(...) Nem tanto incompetência do professor, ele não tinha informação necessária para trabalhar com uma pessoa com deficiência. Sugiro palestras em

escolas públicas e privadas, que os ensine como conduzir uma pessoa com deficiência, como tratar e os recursos existentes (...).

(...) Me protejo, ao se comunicar, conversar, fazer amizades. Sempre fui muito tímida, tenho medo de me isolar, de voltar ao passado. Antes, eu não conseguia interagir com as pessoas, isso me incomodava (...).

(...) Eu sou a minha proteção no momento. Estou deixando de esperar pela mãe e pelo pai. Estou tomando coragem, quero fazer faculdade e trabalhar. Há alguns anos atrás, isso era impossível para mim (...).

(...) Em relação às questões escolares, eu me protejo ao me capacitar: aprendendo o sistema de voz, o Braille, o sistema que tem lupa e outras coisas. Quando eu chegar na faculdade e encontrar um professor igual ao que eu tive no ensino médio, já estou preparada para conseguir aprender, mesmo que o professor não me ajude (...).

(...) Qualidade de vida para mim é a pessoa que estuda, trabalha, tem sua família, tem momentos de lazer, que pratica esporte, que vai ao cinema e teatro. Esses lugares que oferecem momentos de alegria (...).

(...) As expectativas em relação ao futuro são: trabalhar, começar a fazer uma faculdade de Psicologia, arranjar um namorado, ajudar os meus pais a terminar a minha casa (...).

(...) Em relação ao namoro, eu sou lenta em perceber que a pessoa gosta de mim, só quando algum amigo me alerta, que eu percebo. A pessoa com deficiência tem dificuldades nesta parte. O namoro é muito aquela coisa de você vê e como você não enxerga ou enxerga pouco, você nem percebe que a pessoa está te olhando. Dificulta nisso. Além da maioria se prender em casa e não querer sair (...).

(...) Observe você, não vai ver deficientes visuais andando no shopping, no parque. Há pouco tempo atrás, fomos ao parque e andamos de pedalinho, bicicleta, fomos o centro das atenções, mais é uma coisa incomum, que você não vê. Acho que devemos ser levados mais para parques e baladas. A família mesmo prende em casa, por não enxergar à noite, ser perigoso. A pessoa com deficiência deixa de

curtir a vida só porque não enxerga muito, ou tem a cegueira total. Eu vou curtir a minha vida (...).

Síntese

A participante menciona riscos relacionados à poluição, que geram conseqüências, e prejudicam, ainda mais, a baixa visão. Menciona, ainda, o local de moradia, a falta de segurança do bairro onde mora, e o risco em não conquistar seus objetivos. Não ter o apoio da família no futuro, também, a preocupa. Demonstra certa insegurança, em tomar decisões sozinhas, que possam ser significativas, em relação ao seu futuro. Além do medo do novo. Aparenta estar em uma fase de busca pela independência e superação das novidades do presente e superação, em relação às dificuldades vividas no passado. Os riscos diminuem, quando consegue superá-los. Ainda, sente-se prejudicada, em relação às questões educacionais, por considerar que os professores não estavam preparados para lidarem com crianças, deficientes visuais, por não terem sido capacitados para isso. Protege-se nos relacionamentos interpessoais, não se isolando e ao buscar capacitar-se com os recursos existentes para baixa visão, podendo assim, aprender mesmo que não a ajudem. Qualidade de vida relacionada a estudo, família, trabalho e momentos de lazer. Para o futuro menciona o trabalho, estudo e namoro. Menciona a dificuldade em observar e ser observada, em situação de paquera. E a restrição do não sair, que muitos se isolam, por cuidados são impedidos de sair e não podem curtir a vida.

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