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Thymio en mode pisteur

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ACTIVITE 3 Thymio en mode pisteur

A mobilidade (RISTOFF, 1999) decorrente do trânsito de estudantes pelo ensino superior passa a adquirir maior visibilidade a partir da expansão do número de instituições e de cursos pelo país, assim como pela criação de novos formatos de cursos, com diferentes terminalidades e em campos inovadores de atuação. A intensa circulação de informações, no estágio de desenvolvimento em que nos encontramos, vem despertar o interesse na descoberta por novas áreas de atuação, inserindo os sujeitos em contextos múltiplos e simultâneos, como também o mundo do trabalho demanda novas habilidades e competências para determinadas colocações profissionais. Considerando ainda a adoção de mecanismos padronizados de seleção para ingresso, a exemplo do Sisu e do Prouni, a experimentação e o trânsito de estudantes pelo ensino superior passam a ser sutilmente impulsionados, resultando numa aparente evasão de estudantes. A própria organização do ensino superior também facilita o exercício desse trânsito, isto é, após o ingresso em determinado curso, a transferência para outro é menos desgastante do que a submissão a um novo processo seletivo, como igualmente o aproveitamento de estudos pode diminuir o tempo de formação no novo curso escolhido. Essas características ganham ainda mais relevo ao consideramos que a educação superior é destinada a indivíduos a caminho da vida adulta (ou mesmo adultos), etapa em que já usufruem de uma maior liberdade de escolha e também de autonomia para a tomada de decisões (VIEIRA, 2007), atributos estes valorizados socialmente e que expressam a capacidade de lidar com incertezas numa fase da vida em que as escolhas estão sempre sujeitas a mudanças.

As situações evidenciadas, a despeito de poucas exceções, a partir da escuta dos estudantes que se voluntariaram a participar desta pesquisa, ilustram as compreensões apresentadas por Ristoff (1999) e por Vieira (2007). A passagem pelo BI, seguida do ingresso em outro curso da educação superior, alguns deles inclusive na própria UFBA, demonstram que a expansão desse sistema, nos últimos anos, permite um trânsito entre opções curriculares, marcado pela experimentação e por uma busca por certezas quanto ao futuro

profissional. É a situação descrita por Cíntia (BIH-N), por exemplo, ao frequentar outro curso de graduação, participar de um estágio e também ser aluna do BI, o que a obrigava a estabelecer uma escala de prioridades, resultando no descarte de uma vaga numa instituição pública de ensino: “Ficou puxado dar conta das três coisas. [...]. Aí eu deixei o BI, porque era mesmo minha última opção [...]”, para, em seguida, frequentar outro curso da UFBA. Também Mônica (BIH-N), após duas experiências sucessivas em cursos de graduação – “não me encontrei em nenhum deles” – chega a um terceiro – “[...] não tinha uma área específica [...] eu podia escolher o curso depois” –, ainda sem certezas quanto às suas aptidões... e a um quarto – “eu decidi largar e fazer vestibular de novo. Era um fardo já.” –, esse dado como certo: “[...] Como eu já trabalhava com eventos, organização e tal, e gostava, eu acho que a minha era produção cultural mesmo.”. A configuração trazida por Fábio (BIS-N), cuja compreensão inicial ensejaria como improvável o reingresso num curso superior, também demonstra que mesmo situações adversas podem ser superadas: “Eu fui vendo que eu tinha que arrumar um emprego, porque o dinheiro não dava para me manter em Salvador [...] Em 2010, eu comecei a fazer [o curso de] Fisioterapia, pelo Prouni [...] a bolsa é integral, 100% [...] Trabalhar e estudar não é fácil. Tem que ter muita disciplina. Mas eu já passei por tanta coisa, que eu nem penso em desistir de nenhum dos dois.”.

É importante também observar a condição exposta por Tereza (BIH-N), evidenciada pela sua condição física, com dificuldades de locomoção, e para a qual boa parte das instituições ainda não estão preparadas para lidar. A construção dos prédios, muitos deles concebidos décadas atrás, não levou em consideração as condições de acessibilidade que facilitem o livre trânsito de pessoas com deficiência e que necessitam de atendimento especial. Da mesma forma, a capacitação de servidores técnico-administrativos e docentes para atendimento a este público ainda é insipiente.

Uma atualização da Tabela 1 (seção 5.2) foi feita no mês de novembro/2013 e pode ser conferida a seguir:

Tabela 3 - Dados sobre a oferta e a ocupação de vagas nos Bacharelados Interdisciplinares da UFBA, campus Salvador, no ano de 2013 (turma 2009)

Curso Turno Vagas

ofertadas Vagas preenchidas no Processo Seletivo (1) Vagas ocupadas em 2013-2 (2) Vagas com estudantes inscritos em 2013.2 (3) Vagas com estudantes graduados Evasão (E2009) (%) BI em Artes Diurno 100 82 19 12 27 43,9 Noturno 200 157 56 40 44 36,3 Total: 300 239 75 52 71 38,9 BI em Ciência e Tecnologia Noturno 100 96 19 9 44 34,4 Total: 100 96 19 9 44 34,4 BI em Humanidades Diurno 100 94 18 13 44 34,0 Noturno 300 295 47 24 121 43,1 Total: 400 389 65 37 165 40,9 BI em Saúde Noturno 100 100 3 2 54 43,0 Total: 100 100 3 2 54 43,0 Total Geral: 900 824 162 100 334 39,8

Fonte: SIAC – Sistema Acadêmico/UFBA; Módulo Colegiado. Acesso em 21 nov. 2013. Elaboração do autor. Nota: (1) Vagas ocupadas no ato da matrícula na universidade, no ingresso do aluno;

(2) Número de alunos ativos no semestre 2013-2 (após colações de grau, cancelamentos de matrícula, desistências oficiais de curso, jubilamentos, etc.); engloba todos os alunos em situação regular e os que já atingiram parcialmente os critérios para jubilamento;

(3) Alunos com matrícula em componentes curriculares em 2013-2.

Os novos dados da ocupação de vagas revelam que houve um ligeiro aumento na taxa de evasão para alguns cursos (BIA-D, BIC-N, BIH-N e BIS-N). A retenção, embora tenha reduzido em cerca de 46,0% entre 2012 e 2013, ainda é um valor significativo, considerando que os estudantes atualmente matriculados completaram aproximadamente cinco anos de vínculo com a instituição.

Ao final de 2013, o curso com a maior taxa de evasão era o BIA-D (43,9%) e o menor, BIH-D (34,0%), embora esses percentuais estivessem bem próximos dos verificados para os demais cursos. A variação negativa da taxa em alguns cursos pode ter sido motivada pela reintegração de alunos, a pedido, à instituição. A maior taxa de diplomação estava no BIS-N (54,0%) e a menor, no BIA-N (28,0%). Uma observação importante é que, das 162 vagas ainda ocupadas em 2013, 61,7% correspondiam a estudantes inscritos em componentes curriculares, o que por hipótese, permite afirmar que eles estão a caminho da diplomação no seu curso.

Mantendo-se equilibrada a quantidade de estudantes ativos nos cursos, isto é, não sendo registrados eventuais casos de reintegração, um acréscimo no número de formandos

não implicará na redução das taxas de evasão. Isto acontece porque a figuração de um aluno na condição de “ativo” ou de “graduado” não interfere no cálculo, isto é, estar em qualquer uma dessas categorias não resulta em evasão para o curso, de acordo com a metodologia utilizada para o cálculo neste estudo.

Outro aspecto a ser observado é que, ao final de 2011, três anos após o ingresso nos BI, apenas 208 estudantes haviam se graduado. Em 2013, esse valor aumentou para 334, com um acréscimo percentual de 60,6%, com indícios de crescimento posterior. O uso de metodologias que utilizam a duração do curso como referência para o cálculo da evasão permitiria considerar que esses 126 estudantes, mesmo diplomados, não teriam concluído seus estudos. Obviamente, não se trata de empregar uma metodologia que diminua ou que potencialize os indicadores relacionados ao desempenho dos cursos e das instituições, mas sim, de utilizar métodos que representem com fidedignidade o que de fato acontece no cotidiano do ensino superior.

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