• Aucun résultat trouvé

5.1. Funções do Gestor

O gestor analisado neste trabalho coordena a atividade da OAL nos serviços centrais. Antes de ser coordenador nos serviços centrais, desenvolveu a carreira docente, foi inspetor de carreira e coordenador regional. Esta equipa dos serviços centrais coordena 130 inspetores que desenvolvem a sua atuação no terreno.

A atividade da OAL tem como principal objetivo, segundo o gestor, a “

verificação do cumprimento dos normativos por parte das escolas que prestam serviço público de educação.” (Entrevista, pág. 2). Por sua vez, a atividade

apresenta como principais fases: a conceção, o planeamento e a formação dos inspetores; a execução, designadamente a intervenção nas escolas; a avaliação; e a realização de um relatório nacional.

[31]

No que se refere às funções desempenhadas pelo gestor X, estas correspondem a cada uma das fases da OAL estando, portanto, associadas a cada uma das fases.

Como principal função este gestor X desempenha a coordenação da atividade, o que implica várias ações/tarefas: a calendarização de todas as fases da atividade, a realização dos instrumentos de trabalho e de apoio para os inspetores de terreno (guião, caderno de apoio, mapas de turmas e de distribuição de serviço docentes, bem como o relatório nacional), a preparação e a realização da formação aos inspetores de terreno de cada área territorial da IGEC e de outros técnicos, o apoio e a coordenação dos inspetores do terreno durante a fase da intervenção nas escolas, o apoio às escolas durante a intervenção, mas também ao longo do ano letivo através do esclarecimento de algumas dúvidas, a validação dos dados a nível nacional para que sejam fidedignos, o tratamento dos dados e a elaboração do relatório nacional.

5.2. Papéis do gestor

Para uma análise mais profunda das funções desempenhadas pelo gestor serão utilizados os três tipos de papéis- interpessoais, informacionais e

decisionais- apresentados por Mintzberg (1986 [1975,1990]).

Os papéis interpessoais definidos por Mintzberg (1986 [1975,1990]) estão subdivididos em três grandes papéis: o de Símbolo, que corresponde ao facto do gestor ter de cumprir deveres de natureza social, cerimonial e legal; o de Líder, que tem a ver com todas as relações que o gestor com os subordinados e o de Agente Ligação, em que o gestor desenvolve com as pessoas exteriores à organização uma rede de contactos, em que as informações e favores são trocados para benefício mútuo dos intervenientes.

Neste sentido, e tendo em conta as funções definidas pelo gestor, podemos referir que o gestor X desempenha papéis interpessoais, particularmente de símbolo, nomeadamente nas reuniões que se realizada com os coordenadores regionais, três vezes por ano, e na ação de formação que se desenvolve em cada área regional com s inspetores de terreno, ou seja, cumpre deveres de natureza legal e social.

Quanto aos papéis informacionais subdividem-se em: observador ativo, em que o gestor está continuamente a analisar informações vindas de diversas

[32]

fontes; difusor, em que o gestor repercute a informação externa para a organização e faz passar a informação interna de um sector para outro e como

porta-voz, em que o gestor deve transmitir as informações a diversos grupos

exteriores à organização.

Consideramos que estes três papéis são os que estão mais relacionados com os papéis desenvolvidos pelo gestor em análise. Como observador ativo, o gestor X recebe informação externa proveniente de diversas fontes importantes para o desenvolvimento da atividade da OAL; como difusor, o gestor X transmite, por exemplo, a informação que recebe através dos coordenadores regionais para o seio da IGEC; como porta-voz procede à transmissão das informações aos diversos grupos da organização, exemplo deste trabalho é a elaboração do relatório.

Relativamente aos papéis decisionais definidos por Mintzberg (1986 [1975,1990]) estão subdivididos em empreendedor, regulador, repartidor de

recursos e negociador. Enquanto, empreendedor ao gestor compete ter a iniciativa de assegurar a conceção de uma boa parte das mudanças controladas na organização. Como regulador, o gestor deve intervir quando a sua unidade se encontra um estímulo inesperado para o qual não há respostas programadas claras. Como repartidor de recursos, o gestor encarrega-se da afetação de todas as formas de recursos organizacionais. Como negociador, o gestor intervém quando a organização deve realizar uma atividade importante de negociação com outras organizações.

Quanto a este tipo de papéis, o gestor em análise agrega os papéis de

regulador, reparador de recursos e negociador. Como regulador, intervém

mesmo quando não há uma resposta modelo, o que se verifica, a título ilustrativo, quando, no dia-a-dia do gestor, especificamente perante as dúvidas dos inspetores de terreno que necessitam de uma decisão refletida em tempo útil. Como repartidor de recursos, o gestor procede à afetação dos mesmos com alguma flexibilidade atendendo a uma gestão adequada. O papel de

negociador é evidente, pois tal como o próprio refere, uma das competências

da coordenação desta atividade é a negociação, nomeadamente com os coordenadores regionais e com os inspetores de terreno: “No que se refere às

[33]

argumentação e, também, de negociação para a coordenação desta atividade”

(Entrevista, pág. 7).

5.3. Fases do trabalho do gestor

Após a análise das funções/tarefas do gestor X, centramo-nos na caracterização das fases da OAL.

No que se refere à primeira fase, a conceção, existe um conjunto de tarefas que são desenvolvidas praticamente todos os dias, a saber: a leitura do Diário da República; a calendarização diária para o respetivo dia; a leitura de documentos e mail; contacto por telefone e mail com os diferentes intervenientes para marcar as reuniões que se desenvolvem para a apresentação de propostas e de instrumentos de trabalho; a elaboração de quadros e grelhas de registo para os inspetores; a planificação das ações de formação aos inspetores de terreno através da procura das metodologias ativas e participativas, bem como o levantamento de situações reais que ocorrem e o desenvolvimento das formações nas respetivas áreas territoriais.

Na segunda fase, a execução, salienta-se as seguintes tarefas: os contactos com os coordenadores das áreas territoriais e inspetores de terreno; o apoio aos coordenadores das áreas territoriais e inspetores de terreno e a reflexão contínua sobre os problemas que vão surgindo durante a intervenção.

Por fim, na terceira fase, a elaboração do relatório, as principais tarefas prendem-se com: a validação dos dados através do cruzamento de dados para identificar dos possíveis erros que podem ter ocorrido na recolha e inserção dos mesmos, a sua análise e a elaboração do relatório nacional.

A complexidade e a exigência das tarefas do gestor X obrigam a que haja necessariamente uma planificação das mesmas. O gestor X refere que, no início, a OAL é calendarizada e aprovada pela chefia, sendo feita a calendarização a curto, médio e longo prazo. No entanto, é uma planificação muito condicionada à publicação que vai ocorrendo no âmbito da organização escolar.

Questionado sobre os meios de contacto, o gestor X considera que não existe necessidade de reuniões com os inspetores. Contudo, ressalta: “com os

inspetores coordenadores das áreas territoriais reunimo-nos três vezes por ano, mas se surgir necessidade poderá haver mais reuniões.” (Entrevista, pág.

[34]

9). Por sua vez, estas reuniões são uma mais-valia porque é aí que se faz o balanço da atividade da OAL do ano anterior e que se planifica o novo ano. É, também, nestas reuniões que são desenvolvidos alguns aspetos que decorrem do feedback dos coordenadores das áreas territoriais. Com as novas tecnologias e a necessidade de evitar despesas para o erário público, as reuniões são substituídas por mail e/ou contactos telefónicos:

“Habitualmente, utilizamos o mail e/ou o telefone para contactar com os

diversos atores envolvidos nesta atividade. No entanto, como já foi referido, também há reuniões presenciais com os intervenientes nesta atividade. As novas tecnologias são facilitadoras de uma melhor comunicação entre os intervenientes da atividade.” (Entrevista, pág. 9).

Os contactos diretos com as escolas não são habituais nesta atividade. Normalmente a linha de contacto é a seguinte: “as escolas contactam os

inspetores de terrenos, estes contactam o coordenador correspondente da sua área territorial que, por sua vez, nos contacta diretamente.” (Entrevista, pág.

9). Todavia, existem escolas que contactam diretamente os coordenadores da atividade, nos serviços centrais, para tirar dúvidas sobre o preenchimento de mapas ou a saída de novos normativos.

No que se refere à importância da atividade no seio da IGEC, o gestor salienta a sua relevância com base na informação valiosa que oferece à tutela:

“Esta atividade, na nossa perspetiva, tem muita importância no sistema educativo porque fornece informação privilegiada aos responsáveis pelo Ministério da Educação e Ciência, a tutela, sobre a organização e a gestão das escolas, bem como sobre as condições de aprendizagem dos alunos, tendo em conta os aspetos referidos.”

(Entrevista, pág. 10).

Igualmente, o gestor X refere a influência da OAL no desempenho das escolas por ser uma atividade que se considera formativa e que transmite muita informação e confiança às escolas e aos seus atores, uma vez que melhora os seus procedimentos, nomeadamente, a nível da constituição de turmas, da distribuição de serviço docente e da elaboração dos horários dos docentes e alunos.

As tarefas e funções inerentes ao trabalho do gestor X são de natureza complexa e diversificada, exigindo não só uma elevada capacidade de organização e de negociação, como de reflexão. É, ainda, de salientar uma tentativa de melhoria da atividade e da sua concretização (Entrevista, pág.10).

[35]

CAPÍTULO II: DESCRIÇÃO DAS