An Overview of THEOS
THEOS UNIQUE FEATURES Security
A imagem corporal é a ideia mental que a pessoa tem do seu corpo em qualquer momento e baseia-
se nas percepções passadas assim como nas actuais.
Este quadro mental do corpo de alguém desenvolve-se com o tempo e deriva de sensações interiores, alterações de postura, contacto com os objectos e pessoas exteriores, experiências emocionais e fantasias. A imagem corporal é formada pela interacção entre o fundo perceptual e o fundo experimental. O fundo perceptual consiste em todas as experiências sensoriais presentes e passadas, ao passo que o fundo experimental consiste em todas as experiências, afectos e memórias. A imagem corporal é influenciada pelo crescimento cognitivo assim como pelas alterações no corpo que dão origem a estímulos físicos. Estes estímulos podem ser internos ou externos ao corpo e incluem estímulos vindos do ambiente social e físico.
Três níveis de experiências corporais desempenham um papel no desenvolvimento da imagem corporal: somáticas, comportamentais e topológicas.
Os estímulos somáticos incluem sensações neurológicas, metabólicas, endócrinas e hormonais. Este nível sensorial de experiência é observado em bebés que reagem a estímulos internos. À medida que um bebé toma conhecimento da separação do ambiente, tornam-se evidentes os aspectos comportamentais do desenvolvimento da imagem corporal que envolvem variáveis perceptuais, cognitivas, motoras e de personalidade. Durante a adolescência, os estímulos topológicos, por exemplo, as sensações superficiais e as características físicas das superfícies do corpo, tornam-se influentes. A modificação da imagem corporal de alguém ocorre com novas percepções e novas experiências.
Durante todas as fases de crescimento e desenvolvimento e com as mudanças no estado de saúde, a imagem corporal está continuamente a ser alterada.
A imagem corporal forma um aspecto do auto-conceito do indivíduo. A importância da imagem corporal do auto-conceito variará principalmente de acordo com a natureza e intensidade dos valores e emoções nelas investidos. O EU, é aquilo que uma pessoa é, ao passo que a auto-imagem, é aquilo que uma pessoa pensa do EU. Um factor essencial no desenvolvimento da auto-imagem é a imagem corporal. A imagem corporal é uma experiência inter-pessoal do corpo, incluindo as atitudes e os sentimentos da pessoa. A imagem corporal de alguém torna-se um standard que influencia a realização e a maneira de pensar sobre si mesmo.
Muitos standards sociais e culturais influenciam o desenvolvimento da imagem corporal. As atitudes da sociedade, pais e irmãos, vão-se reflectir na maneira como as pessoas encaram os seus corpos.
Dado que a imagem corporal é uma percepção dinâmica, constantemente em mudança, a alteração na estrutura, função ou aparência do corpo exige modificação da imagem que um indivíduo tem. A ideia da imagem corporal perturbada surge de observações que as pessoas com estrutura, função ou aparência alteradas podem não perceber e adaptar-se ao corpo como ele existe.
O internamento hospitalar e a intervenção cirúrgica, são experiências complexas que provocam respostas psicológicas de adaptação podendo vir a constituir uma situação dramática no percurso existencial do indivíduo. Assim, a colocação da pessoa num ambiente diferente do seu habitat, conduz a um certo isolamento social e afectivo.
A cirurgia é uma experiência única para cada doente, dependendo dos factores psico-sociais e fisiológicos subjacentes presentes em cada experiência.
Assim, não há duas pessoas que reajam de igual modo a operações semelhantes, nem uma pessoa reage sempre de maneira igual a diferentes cirurgias.
A cirurgia é uma experiência importante para o doente e família, é um agente provocador de stress, que produz tanto reacções de stress psicológico (ansiedade, medo), como fisiológicas (endoendócrinas).
A cirurgia é uma ameaça potencial ou real para a integridade corporal de uma pessoa e pode interferir com a gratificação necessária durante qualquer fase da cirurgia.
2.3.Capacitação
Ideia de difícil definição pelas componentes psicológicas e políticas que engloba, embora, com relativa facilidade de intuição.
A palavra é usada pelos psicólogos, técnicos sociais, sociólogos e cientistas políticos, assim como pelos teólogos.
Sugere um sentido de controle sobre a vida de cada um, através da personalidade, cognição e motivação.
É também expresso ao nível dos sentimentos, das ideias sobre o valor próprio, de ser capaz de fazer a diferença no mundo que nos rodeia, mesmo a nível de algo mais próximo, o espiritual.
É uma capacidade que qualquer um possui necessitando ser libertada.
Existem pelo menos dois requisitos de uma ideologia de capacitação. Por um lado, exige que se atenda a diversos contextos locais, onde as pessoas já estão a lidar com os seus problemas de vida, tendo como finalidade o aprender mais sobre o modo como o fazem. Por outro lado, exige que se encontrem maneiras, de pegar naquilo que se aprende, de o aumentar, em vez de o menosprezar, disponibilizando esse saber para outros, que estão naquele momento a lidar com os seus problemas, ou que saiam das soluções tradicionais, e ganhem controle sobre as suas vidas.
Assim, a capacitação, assumirá formas diferentes, dependendo do tipo de problemas de vida que as pessoas se confrontam, mas também dentro de cada contexto onde surge. A diversidade de forma, em vez de homogeneidade deve dominar, se o processo que está presente é de capacitação.
O “empowerment” psicológico inclui crenças acerca da competência e eficácia de cada um, assim como o envolvimento de cada indivíduo em actividades que permitam exercitar o controle no ambiente social e político.
A eficácia, vista de uma auto perspectiva e de uma perspectiva política, auto-competência apercebida, locus de controle e auto-estima parecem estar logicamente relacionadas com a construção do empowerment psicológico.
O indivíduo com capacitação é também visto como alguém que pode criticamente analisar o ambiente social e político. Isto capacita a pessoa para fazer escolhas de modo a provocar o conflito e a mudança.
Para Schulz, et al (1995, p.18), o conceito de empowerment traduz na sua essência, “o conjunto de mecanismos de compreensão e influências sobre forças pessoais, sociais, económicas e políticas com impactos diversos nas situações de vida do indivíduo, grupo ou comunidade”. Esta definição geral compreende o nível individual, organizacional e comunitário de análise e prática.
De acordo com Ouschan, Sweeney, & Johnson, (2000), este construto é multidimensional e complexo, as suas dimensões não são ainda totalmente objectivas. Estes autores também referem que “o processo de empowrment implica a ajudar o doente a desenvolver um sentido de controlo através da educação, encorajando-o a participar activamente na sua saúde individual”.
Seguindo a mesma linha, estes autores propuseram três dimensões de análise: • Controle percebido pelos doentes sobre a doença;
• Participação nos processos de tomada de decisão sobre a sua doença;
• Percepção dos conhecimentos que o doente tem sobre o seu caso específico.
Sublinham ainda que o empowerment dos doentes é indicado não só através das suas atitudes (controlo percebido) e comportamentos (participação), é também assinalado pelas acções desenvolvidas por outros (educação e apoio).
O modelo de Anderson, et al. (1991, 1995,1997), demonstra qual o papel de doentes e “educadores”, para que seja efectivo o empowerment dos primeiros.
2. 4. Estilo de Vida
Um estilo de vida pode ser definido como um conjunto mais ou menos integrado de práticas que um indivíduo adopta dentro da comunidade. Giddens (1994, p.73) considera, que essas mesmas práticas, não só satisfazem necessidades utilitárias, mas dão forma material a uma narrativa particular de auto-identidade. No mundo em desenvolvimento, o estilo de vida é determinado, por um lado por circunstâncias externas, e por outro pelas decisões individuais baseadas em princípios determinados, conscientes ou inconscientes, de acordo com o critério de vida escolhido. Neste contexto, a OMS (1985) refere que os estilos de vida são cada vez mais influenciados pelas políticas de actuação das entidades públicas, ou seja, pelas opções políticas que regem a vida socioeconómica das populações, pelas empresas que controlam a produção de bens e levam a cabo acções promocionais em favor de produtos que podem ser nocivos.
Citando, Matos, Simões, Carvalhosa Reis & Canha, (2000, p.57), “ É um modo de vida baseado em padrões identificáveis de comportamentos determinados pela interacção entre as características pessoais do indivíduo, as interacções sociais e as condições de vida socioeconómicas e envolvimentais.”
Os estilos de vida são condicionados pela nutrição, habitação, a pobreza e os baixos salários. Porém, outros factores, segundo a OMS (1985), resultantes de um desenvolvimento urbano e industrial rápido, podem actuar desfavoravelmente sobre a saúde, através de um desenraizamento de um grande número de indivíduos, da destruição de esquemas culturais e das redes de ligação sociais. Também o impacto negativo do desemprego, a falta de conhecimentos necessários podem operar na escolha dos estilos de vida. Assim sugere uma série de estratégias de orientação aos
estilos de vida saudáveis nomeadamente:
-Tornar o ambiente físico, social, cultural e económico, propício a um estilo de vida saudável; -Reforçar a capacidade fundamental do indivíduo em operar escolhas e enfrentar situações difíceis sem recorrer a comportamentos nocivos à saúde;
-Melhorar os conhecimentos pessoais sobre o estilo de vida e os problemas de saúde;
-Reforçar o sistema de apoio social (famílias, grupos de ajuda mútua, etc.) de forma a ajudar o indivíduo e os grupos vulneráveis a enfrentar os problemas de vida;
-Conceber programas, especialmente elaborados para combater certos aspectos do comportamento, que afectam a saúde.
Atendendo ao que está preconizado, a auto-responsabilização e o auto-cuidado são enfatizados como factores primordiais na escolha dos estilos de vida que, são a chave para a promoção da saúde bem sucedida. Assim, os estilos de vida relacionados com bons hábitos alimentares desde o início do ciclo vital, o exercício físico, a ocupação de tempos livres e gestão de stress, proporcionam uma boa qualidade de vida ao indivíduo / família / comunidade.
CAPÍTULO III