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THEORY OF OPERATION

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I RECTIFIER I FULL WAVE

4.3 THEORY OF OPERATION

No primeiro Capítulo deste trabalho, anotou-se que ao se tratar do termo moradia, esta se refere a um direito universal, que deve ser acessível a todos e que está relacionada com a vida cotidiana e com a concretização de diversos direitos fundamentais, tais quais a privacidade, o segredo doméstico, a liberdade, a propriedade, entre outros. (SOUZA, 2008). Ou seja, conforme já apontado, ao Estado cabe a garantia para que os indivíduos possam viver em um local (edificação condizente com a dignidade da pessoa humana), que possua o mínimo de infraestrutura e que seus moradores possam ter acesso aos mais variados tipos de serviços públicos. Ademais, deve haver, também, a proteção contra fenômenos climáticos, ou provocados pelo homem, dando-se a garantia plena ao exercício do direito à moradia, permitindo-lhe seu desenvolvimento psicossocial e integração com a comunidade que lhe rodeia. (ALVES, 2011).

Deve-se considerar, então, que os sujeitos devem ser pensados como integrantes do mundo, e não apenas do local (edificação) que meramente habitam, tendo em vista que existe

toda uma trama de relações que devem ser consideradas. Além disso, o local (edificação) e o entorno onde vivem refletem sobre a vida e os sentimentos das pessoas, bem como refletem na busca incessante por melhorias, numa relação direta com elementos subjetivos, geradores do bem-estar.

Desse modo, considerando o objetivo deste estudo e as análises bibliográficas e documentais compulsadas, faz-se necessário que o estudo seja aprofundado por meio da coleta de informações junto aos sujeitos desse processo, quais sejam, as mulheres responsáveis pela unidade familiar. Dessa feita, estas foram divididas em dois subgrupos para a realização de entrevistas e a fim de desvendar:

 Grupo 1: as expectativas em relação à rede de proteção social das famílias monoparentais que tenham a mulher como responsável pela unidade domiciliar que já estão cadastradas na PROLAR, mas ainda aguardam a concessão dos imóveis financiado pelo Programa “Minha Casa, Minha Vida”, na cidade de Ponta Grossa – Paraná;

 Grupo 2: se foram atendidas as expectativas das famílias monoparentais que têm as mulheres como responsáveis pela unidade familiar em relação à rede de proteção social que, após terem sido atendidas pela PROLAR, atualmente se encontram em posse do imóvel financiado pelo Programa “Minha Casa, Minha Vida”, na cidade de Ponta Grossa – Paraná.

Em relação aos dois grupos acima descritos foi utilizada uma amostragem representativa. Desse modo, para o “Grupo 1” acima elencado, sob a autorização da Assistente Social, foi feita a seleção, de forma aleatória e com aquelas que se encaixassem no perfil buscado, de 10 mulheres que se encontravam esperando pelo atendimento ao público da PROLAR, nos meses de junho e julho de 2015. Todas as entrevistadas foram bastante solícitas às perguntas realizadas e se mostraram satisfeitas em respondê-las, permitindo a divulgação das informações bem como se colocaram à disposição para maiores questionamentos.

Em relação às famílias monoparentais com as mulheres responsáveis pela unidade familiar que já foram atendidas pela PROLAR e atualmente se encontram em posse do imóvel financiado pelo Programa “Minha Casa, Minha Vida”, na cidade de Ponta Grossa – Paraná, “Grupo 2”, foi solicitado junto à assistente social da PROLAR a seleção de famílias que no

cadastro constavam ter apenas a mulher como responsável pela unidade familiar e que não tivessem marido, companheiro ou qualquer outra forma de relação.

Assim, a Assistente Social da PROLAR selecionou 50 mulheres que se encaixavam no perfil solicitado, sendo 10 de cada um dos conjuntos habitacionais selecionados, quais sejam, Jardim Athenas, Boreal, Gralha Azul, Jardim Roma e Recanto Verde. Desse universo, de forma a ter uma amostragem igual ao do “Grupo 1”, pretendeu-se entrevistar duas famílias das selecionadas pela PROLAR de cada conjunto para que tivesse também 10 mulheres entrevistadas, a fim de que se pudesse fazer a análise dos dados.

Para a realização das entrevistas, a pesquisadora visitou os empreendimentos citados, nos quais foi muito bem recebida pelas moradoras. Estas se mostraram bastante receptivas no atendimento da pesquisadora em suas casas – algumas mulheres fizeram questão que se olhasse a casa por dentro para mostrar a situação (boa ou ruim) do imóvel – bem como se mostraram interessadas e solícitas nas respostas das perguntas que lhes foram feitas, permitindo a divulgação das informações que prestaram.

No entanto, no que se refere ao “Grupo 2”, não foi possível a realização de entrevista com duas pessoas de cada conjunto, tendo em vista que, da lista que foi passada pela PROLAR, a maioria das mulheres se encontram atualmente convivendo em união estável, casadas ou em outras formas de relações. Além disso, em algumas residências, as mulheres que foram beneficiadas pela PROLAR não residem mais no local, tendo, inclusive, alugado a casa para outras pessoas morarem. Por essa razão, dos Conjuntos Jardim Roma e Gralha Azul, foram entrevistadas duas mulheres de cada um (somando quatro mulheres); dos Conjuntos Jardim Athenas e Boreal, foi entrevistada apenas uma mulher de cada conjunto (somando duas mulheres); e do Conjunto Recanto Verde, não foi possível a realização de entrevista com nenhuma mulher, tendo em vista que, das 10 indicadas pela PROLAR, sete estão casadas atualmente e três já alugaram o imóvel para outras famílias.

A coleta de dados sobre os sujeitos acima citados foi operacionalizada no período de maio a agosto de 2015, tanto na fila de espera da PROLAR como nos cinco conjuntos habitacionais acima indicados.

A partir dessa delimitação foi feita a aplicação de um formulário, devidamente aprovado pelo Conselho de Ética em Pesquisa – COEP (Anexo B), diferente para cada grupo para que se pudesse realizar a coleta de informações, a fim de se fazer a análise daquilo que se pôde inferir por meio das respostas.

O formulário (Apêndice) foi elaborado com base no formulário estruturado aplicado por Anna Paula Lombardi, que, em seu trabalho de dissertação, aplicou-o a fim de desvendar

se o Programa “Minha Casa, Minha Vida”, por meio de adaptações no espaço de morar, está sendo capaz de proporcionar a inclusão socioespacial de PcD de forma efetiva na cidade de Ponta Grossa, Paraná29.

Ao todo foram entrevistadas, então, 10 (dez) mulheres do “Grupo 1”, e 6 (seis) mulheres do “Grupo 2”.

A produção dos cartogramas que seguem adiante foram elaborados para que seja possível que se visualize o deslocamento das famílias monoparentais que têm a mulher como responsável pela unidade familiar para ter acesso a serviços públicos, como saúde, educação, compras, lazer, transporte, nas casas anteriores e nas casas atuais, o que foi possível de se realizar de acordo com as informações geradas pelas próprias entrevistadas. Referidos cartogramas foram fundamentais para entender esses deslocamentos e as mudanças na vida das entrevistadas após terem acesso aos empreendimentos da PROLAR, via Programa “Minha Casa, Minha Vida”, demonstrando o quanto os deslocamentos são essenciais para realizar as necessidades básicas de qualquer indivíduo, bem como geram dificuldades.

A partir dos levantamentos de dados junto à Assistente Social da PROLAR, bem como aos sujeitos entrevistados, foi possível caracterizar a casa atual das mulheres do denominado “Grupo 1”, assim como a caracterização da casa anterior das entrevistadas do “Grupo 2”, a fim de se compreender como estas viviam antes de morar nos empreendimentos da PROLAR.

Ademais, identificou-se a infraestrutura existente na casa atual das moradoras do “Grupo 1”, e a infraestrutura existente e potencial (disponível, mas não instalada) na casa anterior e na casa atual do empreendimento da PROLAR do “Grupo 2”, a fim de com o propósito de se constatar se houve transformações nas condições de vida dessas entrevistadas.

Foi possível, ainda, a identificação dos equipamentos públicos (escolas, postos de saúde, creches) existentes nas proximidades das casas das moradoras do “Grupo 1” e nas proximidades da casa anterior e na casa atual das moradoras do “Grupo 2”, também visando analisar as mudanças nas vidas dessas pessoas.

Perquiriu-se, também, acerca da qualidade e acessibilidade do serviço público de transporte das moradoras do “Grupo 1” e da casa anterior e atual das moradoras do “Grupo 2”, considerando a importância do transporte para a autonomia das atividades cotidianas, como trabalhar, fazer comprar, lazer, dentre outras.

29 LOMBARDI, Anna Paula. Inclusão socioespacial de pessoas com deficiência: os espaços de morar do Programa “Minha Casa Minha Vida” na cidade de Ponta Grossa, PR. 2014, 173 f. Mestrado (Mestrado em Ciências Sociais Aplicadas) UEPG, Ponta Grossa, 2014.

A partir das entrevistas percebeu-se que as mudanças não se dão simplesmente nos espaços físicos, mas envolvem o todo, sentimentos, conquistas, emoções, as relações uns com os outros. É o que se traduz quando se fala em elementos subjetivos. Ou seja, procede-se não apenas à transformação do espaço social “mas à transformação das relações sociais e do espaço social, simultaneamente”. (SOUZA, 2003, p. 100).

3.2 CONFIGURAÇÃO DO PERFIL SOCIOECONÔMICO E AS PERSPECTIVAS DAS

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