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Theory of Operation

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ENTREVISTADOS

Walsh e Ungson (apud SILVA; VERGARA, 2002) assinalam que a

organização é como uma rede de significados compartilhados intersubjetivamente

entre seus membros, que são sustentados pelo desenvolvimento de uma linguagem

comum e pelas interações do dia-a-dia. Neste sentido, observa-se que a

organização se insere num contexto não apenas objetivo, mas também a um

universo subjetivo do construído e imaginado dentro de um processo de interação e

compartilhamento de significados.

O processo de aprendizagem organizacional como forma de transformar o

conhecimento em aprendizagem tem início no indivíduo que após perceber um novo

dado em seu ambiente, reage, pensa sobre as experiências que ele tem vivenciado,

e chega a conclusões que podem gerar um novo aprendizado.

Assim, aprendizagem organizacional nada mais é do que a continuação

desse processo, ou seja, a forma como o conhecimento, que é geral, de um

processo individual é gerenciado pela organização. Conforme Fernandes (2002, p.

83), “aprendizagem organizacional corresponde, assim, à forma pela qual as

organizações constróem, mantêm, melhoram e organizam o conhecimento.” Os

resultados, produto de ações individuais, estimulam os indivíduos a elaborarem

Figura 4 - Ciclo de aprendizado organizacional

Fonte: (Kim apud Waderman (1996, p. 69 apud FERNANDES, Caroline, 2002, p. 84).

Fernandes (2002) informa ainda que o aprendizado na organização pode ser

operacional quando ele influencia na forma do indivíduo desenvolver seu trabalho ou

conceitual, quando o indivíduo consegue perceber o porquê que as mudanças

devem ocorrer. Existe, também, a possibilidade do ciclo de aprendizagem não

acontecer em conseqüência da quebra ou enfraquecimento de algum vínculo

conforme demonstrado a seguir:

O aprendizado situacional ocorre quando o vínculo entre o aprendizado individual e o modelo mental individual é cortado, ocasionando aprendizado, porém sem alteração dos modelos mentais. O aprendizado fragmentado ocorre quando o vínculo entre os modelos mentais individuais e a memória organizacional é quebrado, ocasionando uma mudança nos modelos mentais individuais sem alteração da memória organizacional. O aprendizado oportunístico ocorre quando o vínculo entre a memória organizacional e a sua ação é rompido, ocasionando ações organizacionais sem que se leve em conta a memória organizacional ou seus valores e cultura. (FERNANDES, Caroline, 2002: 84)

Por ser um sistema aberto, dinâmico e competitivo, as organizações

precisam saber a forma de atuação de seus membros e colaboradores.

Aprendizado Organizacional Aprendizado Individual Modelos Mentais Individuais Memória Organizacional Reação ao Ambiente Ação Individual Ação da Organização

Seguindo essa linha e no contexto da gestão do conhecimento

organizacional, os modelos mentais são de extrema relevância como afirma Sartor

(2002, p. 94), por três motivos, “(i) reduzem os conflitos interpessoais; (ii) expandem

o potencial dos funcionários para alcançar resultados estratégicos; e (iii) ampliam o

poder reflexivo para ações integradas”. Desse modo, os modelos mentais começam

a ser formados ao nascer e vão se ampliando durante toda a vida, ele são

alimentados pelos valores e crenças que os indivíduos vão construindo no decorrer

de sua história.

O processo de aprendizagem é importante para a alavancagem do

conhecimento.

Figura 5 - Ciclo gerencial do conhecimento

Fonte: (STEWART, 1998, apud FERNANDES, 2002, p. 88) Conhecimento tácito Conhecimento explícito Identificação e alavancagem Transmissão e absorção

CONHECIMENTO TÁCITO (subjetivo)

CONHECIMENTO EXPLÍCITO (objetivo)

Conhecimento da experiência (corpo) Conhecimento da racionalidade (mente) Conhecimento simultâneo (aqui e agora) Conhecimento seqüencial (lá e então) Conhecimento análogo (prática) Conhecimento digital (teoria)

Quadro 1 - Diferença entre conhecimento tácito e explícito

Fonte: Nonaka e Takeuchi (1997, p. 67 apud Fernandes, 2002. p. 88)

Sartor (2002, p. 95) afirma que formados por mapas mentais, os modelos

mentais são “imagens, pressupostos e histórias que trazemos em nossa mente

acerca de nós mesmos, de outras pessoas, das instituições e de diversos outros

aspectos do mundo e da vida”.

Na organização, os modelos mentais de seus líderes podem determinar o

fracasso ou sucesso, pois são eles que fazem com que as oportunidades de

crescimento sejam percebidas ou não. É nos modelos mentais de seus

colaboradores que é construída a história da organização, em decorrência disso,

considera-se relevante estudar os modelos mentais dos colaborados da

organização.

Ao construir um pensamento sistêmico no âmbito da organização, um

programa de modelos mentais apoia-se no uso da linguagem. Nesse processo, a

linguagem é peça importante, porém não é o único mecanismo que possibilita os

membros da organização exteriorizar suas crenças e valores. Como apontam Silva e

Vergara (2002), o uso de desenhos pode ser uma fonte alternativa de coleta de

informações qualitativas, em que o processo de pesquisa é conduzido (criação do

desenho) pelos indivíduos. Isto possibilita um momento de maior expressão da

subjetividade dos sujeitos, em que são exteriorizadas a dimensão racional mesclada

Nesse sentido, para uma melhor compreensão do esquema mental dos

entrevistados em relação ao PET-BA, foi solicitado que cada um deles expressasse,

na forma de desenho com a respectiva interpretação, a imagem que tem do

Programa. Preliminarmente, observa-se que há uma predominância nos desenhos

da forma geométrica do círculo, como pode ser observado nas Figuras 5, 6, 7, 8 que

referem-se aos desenhos dos entrevistados.

Na figura 6, o desenho do entrevistado 1 é representado pela imagem de

uma semente composta por diferentes elementos que, na interpretação do próprio

entrevistado, forma o embrião do todo; a chave para a cidadania e para a

distribuição da riqueza, formando um ciclo que percorre desde a geração do imposto

até a concretização de sua função social – bens e serviços como forma de retorno

Figura 6 - Desenho do Entrevistado 1

Fonte: Pesquisa de campo, 2002

Na Figura 7, o entrevistado 2 interpreta o seu desenho expressando a idéia

de que o PET-BA é um dos elos que forma uma única corrente, com três elementos

encadeados: Estado, sociedade e Terceiro Setor, como pode ser observado logo

Figura 7 - Desenho do Entrevistado 2

Fonte: Pesquisa de campo, 2002

A interpretação dada à Figura 8 pelo entrevistado 3 remete a idéia de que o

PET-BA é uma luz que assim como o sol, representaria a maior de todas as luzes.

Essa luz ampliaria a visão dos cidadãos sobre a relação do Estado com a sociedade.

Figura 8 - Desenho do Entrevistado 3

Fonte: Pesquisa de campo, 2002

Na Figura 9, o entrevistado 4 expressou que a interpretação do seu desenho

referia-se a idéia de que o PET-BA seria a união de vários seguimentos, formando

uma massa em fermentação cujo crescimento seria difícil de conter. Isto é, na

própria fala do entrevistado: “...começa numa linha muito pequena e depois você

sente um tentáculo assim por vários caminhos que é difícil a gente dominar. Cresce

Figura 9 - Desenho do Entrevistado 4

Fonte: Pesquisa de campo, 2002

Buscando a compreensão da simbologia do círculo em diferentes campos do

conhecimento, tem-se que na Grécia, os filósofos e místicos compreendiam que o

círculo conteria movimentos excêntricos, que parte do centro afastando-se do núcleo

central dentro de uma área limítrofe e concêntricos ao direcionar todos os seus raios

para um centro único, o que lhe garante o sentido de unidade. Assim, o símbolo

Da mesma forma, no campo religioso, mais precisamente no Budismo, o

círculo simboliza as etapas do aperfeiçoamento interior, a harmonia progressiva do

espírito e da perfeição. É o ponto central da manifestação da reconciliação entre

princípio e fim. Uma coesão entre corpo e alma. Na tradição judaico-cristã, o círculo

exprime o sopro da divindade que, assim como no Budismo, não possui nem

princípio nem fim.

Na Psicologia, o círculo aparece como um ponto estendido que possui a

propriedade simbólica da perfeição, da unidade enquanto princípio. No campo da

psicanálise, Jung assinala que o símbolo do círculo é uma imagem arquetípica da

totalidade da psique, o símbolo do self. É também um símbolo de proteção

assegurada dentro de seus limites (CHEVALIER; GHEERBRANT, 2001).

Como visto, há diferentes compreensões sobre a simbologia do círculo.

Contudo, é possível identificar pontos convergentes que apontam para as suas

propriedades simbólicas como a da perfeição, da homogeneidade, da ausência de

distinção ou divisão, como aparece na percepção dos entrevistados sobre o PET-

BA. Chevalier e Gheerbrant (2001) informam que quando diversos valores

simbólicos estão em jogo, o valor ou símbolo escolhido (neste caso, o círculo) pelo

grupo ou indivíduo revela a importância privilegiada que lhe é atribuída.

Analisando a escolha de um mesmo símbolo – o círculo – pelos

entrevistados, pode-se inferir que está subjacente nas diferentes manifestações

individuais – latentes ou manifestas, consciente ou inconsciente – um esquema

mental construído a partir das interações, dos compromissos compartilhados,

valores e crenças desenvolvidos no interior da organização. Sartor (2002) assinala

nível da consciência da pessoa, operando como uma espécie de matriz cultural, eles

são invisíveis e ao mesmo tempo determinam a conduta dos indivíduos.

Corroborando com a idéia de um modelo mental consolidado, observa-se em

outro momento da entrevista, quando solicitados a informar qual a sua contribuição

específica no Programa, que os entrevistados expressam uma forte coesão grupal

em que as ações vinculadas ao Programa fazem parte de uma produção do grupo,

sem autoria específica. Talvez isso possa explicar a dificuldade deles identificarem,

no conjunto de suas ações, iniciativas fora do âmbito do grupo. Quase todos afirmam

que tudo é uma construção do grupo gestor, ressaltando a inexistência de uma

autoria específica. Salienta-se que deste grupo apenas um identificou uma ação

como sendo de caráter autoral, mas que foi amplamente discutida e aceita pelo

grupo, mantendo assim uma visão sinérgica entre membros e colaboradores.

Neste caso, de acordo com Sartor (2002), o modelo mental funcionaria como

redutor de conflitos interpessoais, expansor do potencial dos indivíduos para

alcançar resultados estratégicos e amplificador do poder reflexivo para ações

integradas.

Como último ponto de reflexão sobre este tópico, pondera-se que a

percepção imagética dos entrevistados sobre o Programa reflete a sua visão de

unidade, sendo o círculo considerado em sua totalidade indivisa, em movimento,

sem começo nem fim definidos. Esta percepção possibilita aos entrevistados

simbolizar o tempo como uma sucessão contínua e invariável de instantes, todos

idênticos uns aos outros (CHEVALIER; GHEERBRANT, 2001). Isso poderia justificar

a dificuldade encontrada pelos mesmos para compreensão do Programa a partir de

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