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THEME D’ECHANGE SUR LES FORMES PARTICULIERES D’EMPLOI

Uma organização complexa como a escola com tantos atores diferentes e vivências comuns, experiências de vida às vezes dramáticas, cria desafios para a gestão escolar. Além disso, para que a proposta de educação em tempo integral possa se desenvolver em sua plenitude, segundo Monteiro (2009, p. 45) “é necessário que os envolvidos conheçam a proposta, se engajem politicamente na ação educativa ali realizada e, principalmente, ampliem o seu olhar sobre o mundo e façam a leitura crítica da realidade sociocultural – não apenas da realidade local, mas de um mundo globalizado”.

Em relação ao questionamento sobre a atuação dos gestores e da ex-regente do centro de multimeios obtivemos as seguintes respostas

Como gestora me preocupo com a escola como um todo. Sei que o foco maior são os aspectos pedagógicos, entretanto, preciso me preocupar com os aspectos administrativos e financeiros para que o pedagógico possa funcionar direito. Para que possamos organizar melhor as atividades da escola, semanalmente o núcleo gestor se reúne, incluindo o assessor administrativo financeiro e a secretária para deliberarmos juntos sobre as necessidades e prioridades da escola. Também semanalmente é realizada uma reunião exclusivamente pedagógica com a coordenadora e os PCA’s à qual me faço presente quando possível. Também gosto muito de participar dos planejamentos coletivos de PDT’s, dos professores de cada área, do NTPPS, mas confesso que nem sempre consigo acompanhar todos, ficando muito a cargo das coordenadoras. Mas me esforço bastante para delegar tarefas e conduzir tudo para que culmine na melhoria do processo de ensino e aprendizagem (DE1, entrevista realizada em 13 de dezembro de 2018).

Passei um ano e meio como única coordenadora da escola, então cuidava da parte pedagógica, projeto diretor de turma, eletivas e NTPPS. Além das demandas da CREDE e dos conflitos entre professores, entre alunos e entre professores e alunos que aconteciam diariamente, sendo aumentados com a ampliação do tempo na escola (CE1, entrevista realizada em 14 de dezembro de 2018).

Eu articulava todos os professores coordenadores de ambientes (Laboratórios de Física, Química, informática e Matemática) no planejamento e na execução das ações; auxiliava a gestão escolar dando suporte para as atividades extraclasse e aos projetos, também assumia as aulas de professores quando necessário, por motivos de faltas ou formações, organizava o acervo da biblioteca e realizava projetos e participava do planejamento dos professores (RM1, entrevista realizada em 13 de dezembro de 2018).

Podemos perceber que tanto a diretora como a ex-coordenadora demonstraram que se sentem sobrecarregadas com o excesso de demandas na rotina de uma escola de tempo integral e enfatizaram a necessidade de receberem um maior suporte de recursos humanos por parte dos órgãos superiores.

A fala do professor também ressalta a importância de uma melhor estrutura e suporte para desenvolvimento do trabalho

Então caímos em outra que é o cerne do tempo integral, como diversificar o currículo, se não se tem condições para que o currículo. Eu creio que nós professores da escola de tempo integral somos muito competentes, mas não temos condições que infelizmente falta recurso, falta condição para que possamos diversificar o trabalho. Acho que o governo deve melhorar as condições, pois o modelo de tempo integral foi implementado numa estrutura velha (P7, grupo focal realizado em 27 de março de 2019).

Acreditamos que seja fundamental que a ampliação do tempo escolar venha acompanhada de uma mudança na rotina escola, pois como apresentado nos dados de transferência na tabela 2, o número de alunos transferidos está aumentando com a implementação do tempo integral.

O que contraria a fala de um dos alunos participantes do grupo focal em relação à qualidade das atividades desenvolvidas na escola com a implementação do tempo integral como apresentamos abaixo

Eu gosto da EEMTI porque os professores são muito bem qualificados, a gente tem uma qualidade de ensino de certa forma avançada que a gente acaba tendo bastante conhecimento. Está na nossa escola é bem gratificante, a gente tem um espaço bem considerável para estudar (A7, grupo focal realizado em 27 de março de 2019).

De acordo com Rodrigues (2017, p. 122),

os estudos a respeito de reformas da educação, que, em muitos casos, são levados a termo por políticas públicas, demonstram que muitas vezes essas reformas tendem ao fracasso por não levar em conta aqueles que serão afetados diretamente por tais políticas, os atores principais – gestores, professores, pais e alunos – que serão a fonte de dados mais confiáveis na avaliação de tais políticas e que, em muitos casos, não são consultados a respeito de suas aspirações e em termos de peculiaridades locais ou regionais.

Dessa maneira, existe uma diversidade de opiniões e maneiras diferentes de se ver a proposta de escola de educação em tempo integral, sendo necessária uma melhor apropriação dos conceitos e uma discussão para ressignificação da proposta vigente, voltada para a realidade da comunidade escolar.

Sendo assim, é fundamental a participação mais efetiva dos sujeitos que são alvo das políticas públicas no processo de implementação da proposta como cita Cavaliere (2014), há que se pensar se a inexistência de projetos pedagógicos específicos nas ETI, articulados a um verdadeiro fortalecimento da instituição escolar e de seus profissionais, para além de uma coleção de atividades oferecidas nos moldes aqui expostos, está transformando esse tempo ampliado em tempo para a pacificação e controle dos alunos, com muito pouca repercussão na qualidade educacional.

Os dados coletados que possibilitaram essas análises, aliados ao referencial teórico utilizado e discutido nesse trabalho, possibilitaram a organização de um Plano de Ação Educacional com propostas de ações que visem aperfeiçoar a prática educacional no contexto de uma escola de educação em tempo integral e sugestões para uma reorganização dos tempos e espaços mediante uma melhor compreensão do que se tem pretendido pelas políticas públicas a respeito de uma educação integral em tempo integral.

Percebemos ainda a ausência de estratégias adequadas para suscitar momentos de estudos e discussões acerca da proposta de educação em tempo integral, visto que não se pode

mudar aquilo que não se conhece ou não se vê motivos claros para que uma inovação aconteça.

Essa situação poderia ser trabalhada com a oferta de formação profissional apropriada para a atuação na educação de tempo integral; nesse aspecto, a equipe vê a formação permanente/continuada com uma possibilidade para o aprimoramento da prática profissional e das possíveis melhorias para atuação na educação em tempo integral.

Todavia, nem a SEDUC nem a escola proporcionam percursos formativos que auxiliem esses profissionais. Assim, acreditamos que esse também é um ponto importante para a implementação da educação e para as possíveis melhorias na atuação desses profissionais, que diretamente se responsabilizam pelo processo educacional.

Portanto, uma política voltada para a educação em tempo integral precisa ter em sua concepção estratégias diferenciadas em relação ao gestor, como formação e apoio para a organização de um clima escolar propício às intenções de formação integral; aos professores, com formação continuada e valorização profissional, fatores que não são exclusivos para o tempo integral e em relação ao aluno; com uma organização curricular levando em conta um melhor aproveitamento dos tempos e espaços para seu desenvolvimento pleno pessoal e como cidadão.

3 PLANO DE AÇÃO EDUCACIONAL: UMA PROPOSTA DE

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