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Thematic Axis 3: Inequalities in work and family life

Dentre os problemas do bairro destacou-se nas entrevistas, a localização do bairro. Por muito tempo os moradores do bairro Cidade Nova ficaram desprovidos dos serviços públicos, precisando assim utilizar-se dos serviços de outros bairros. As entrevistadas apresentaram as dificuldades com distância do bairro ao utilizar as escolas e os postos de saúde dos bairros vizinhos ou no centro da cidade. “Num território onde a localização dos serviços essenciais é deixada à mercê da lei do mercado, tudo colabora para que as desigualdades sociais aumentem” (SANTOS, 2007, p. 144).

A localização das pessoas no território é, na maioria das vezes, produto de uma combinação entre forças de mercado e decisões de governo. Como o resultado é independente da vontade dos indivíduos atingidos, frequentemente se fala de migrações forçadas pelas circunstâncias a que se alude acima. Isso equivale também a falar de localizações forçadas. Muitas destas contribuem para aumentar a pobreza e não para a suprimir ou atenuar (SANTOS, 2007, p. 141).

Uma vez que, a política habitacional eficiente visa que os indivíduos não sejam excluídos pelo lugar onde mora. O Estado deve garantir normas e leis que contribuam para a construção de bairros com todos os direitos essenciais e uma moradia de qualidade, para que a família não precise utilizar-se de serviços públicos de outras localidades. Uma das entrevistadas se exalta e revela “Aqui é muito longe [...]” (entrevistada 1).

Eu preciso aí sim do poder do Estado para me defender, é nesse momento que é uma política de habitação ela é contraditória, quando ela te retira do centro do teu centro de convivência e te joga lá longe, te colocando em maior vulnerabilidade do que é que tu já estava, isso é contraditório (entrevistada 3).

Antes eu morava no jardim Petrópolis, enfrentei a pior época do bairro [...] então quer dizer, você saiu de lá do conforto para vir para um lugar onde você não conhecia nada, não tinha nada, então vai estranhar, a dificuldade foi grande. (entrevistada 4).

Precisávamos levar nossos filhos para longe para estudar (entrevistada 6).

A distância daqui para Vila Portes ou para o Centro que seriam as regiões com comércio melhor é muito grande além de ter essa dificuldade do tempo né? (entrevistada 7).

Então assim, escola longe, tudo longo e tinha que pegar dois ônibus, ficou muito difícil (entrevistada 8).

Além da distância, as entrevistadas compararam o bairro em que moravam com o bairro Cidade Nova. O município ao utilizar o programa não estudou os

impactos em que uma família é retirada de um local provido de serviços e colocar em um bairro totalmente carente e isolado.

O centro tá Elite, a periferia é quem carece de oportunidades, a elite vai ao teatro, vai daqui para Curitiba para ir no teatro, num canto lírico. A periferia não tem dinheiro para chegar no centro porque o ônibus custa R$ 3,75. E para voltar? Volta a pé? E aí depois das 11 horas, meia-noite não tem mais ônibus, e aí a acessão terminou 11:49, o ônibus passou 11:45, então tu fica na rua. Então preferi não ir para não ficar na rua na madrugada. Então a gente tem que ter tudo isso em mente a moradia não é dignidade é um teto é um canto para morrer, a residência é espaço, tudo que eu tenho direito (entrevistada 3).

O uso do espaço urbano condiciona aos mais pobres a viverem á distancia de locais bem abastecidos de instituições coletivas, como por exemplo, museus e teatros, boas escolas, entre outros. A população pobre inserida em territórios deficientes de serviços está em desvantagem em relação aos mais privilegiados. Tal efeito é mencionado por Bourdieu (2008):

O capital permite manter à distância as pessoas e as coisas indesejáveis ao mesmo tempo que aproximar-se de pessoas e coisas desejáveis (por causa, entre outras coisas, de sua riqueza em capital), minimizando, assim, o gasto necessário (principalmente em tempo) para apropriar-se deles: a proximidade no espaço físico permite que a proximidade no espaço social produza todos os seus efeitos facilitando ou favorecendo a acumulação de capital social e, mais precisamente, permitindo aproveitar continuamente encontros ao mesmo tempo casuais e previsíveis que garante a frequência a lugares bem frequentados (A posse de capital assegura, além disso, a quase ubiquidade que torna possível o domínio econômico e simbólico dos meios de transporte e de comunicação – e que é muitas vezes reduplicada pelo efeito da delegação, poder de existir e agir à distância através de um preposto). (BOURDIEU, 2008, p. 164)

A localização e a acessibilidade do território recebe influência do poder público, a especulação imobiliária no espaço da cidade gera a valorização do solo nesse efeito expulsa a população pobre dessas áreas valorizadas.

Completamente construída sob a lógica econômica e adaptada aos ritmos e estratégias do mercado, especialmente os dos incorporadores e promotores de investimentos imobiliários para os setores de maior renda, a legislação urbana serve basicamente para definir e lhes reservar as melhores áreas, impedindo sua “invasão” pelos pobres. Sua maior função – é a construção de barreiras invisíveis para conter a penetração de territórios populares nas áreas de melhor localização, garantindo sua destinação para os produtos imobiliários dos grupos de mais alta renda na cidade. (ROLNIK, 2015, p. 186).

A transformação do solo em mercadoria constitui-se de acordo com os interesses capitalistas, fato que produz um processo desigual de apropriação, já que os investimentos em determinada área melhor localizada garantem o aumento do preço do solo, configurando a população da cidade um acesso diferenciado de infraestrutura,

moradia, transporte, educação e saúde entre os mais pobres e os detentores do capital. O bairro Cidade Nova, é sem dúvida um bairro periférico pobre distante e segregado, reflete as desigualdades existentes na cidade de Foz do Iguaçu, apresenta traços que demonstram a dinâmica de uma cidade. É importante frisar ainda que a localização dos bairros ricos, quando distantes não são considerados periferias.