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(ONHB)

SERÁ QUE NÃO VOU ME LIBERTAR DE SUAS REGRAS RÍGIDAS? SERÁ QUE NÃO VOU ME LIBERTAR DE SUA ARTE INTELIGENTE? SERÁ QUE NÃO VOU ME LIBERTAR DOS PECADOS E DO PERFECCIONISMO? DIGO: EVOLUA MESMO SE VOCÊ DESMORONAR POR DENTRO. (CLUBE DA LUTA)

Depois de situar e historicizar o Complexo Escolar, refletir suas estruturas, mudanças e permanências e principalmente situá-lo ante as demandas da revolução digital, que lhe joga em novo momento organizacional e conceitual, nos forçamos a mais que apontar ideias, buscar propostas reais que tenham enfrentado as questões tecnológicas e sociais da era digital e que pudessem amparar a luta narrativa pelas periferias historiográficas que, como problemática inicial do trabalho, deveria guiar a construção de nosso Produto Didático. Esse caminho reafirmou o desejo de trabalhar com a Olimpíada Nacional em História do Brasil, uma das práticas mais significativas de nossa experiência profissional na educação básica. Aprofundando nosso conhecimento sobre as OCs de forma geral e da educação não-formal como um todo, percebemos então que esse era o caminho em que nosso produto se encaixaria. Buscamos então leituras e produções acerca da ONHB e percebemos que nosso objeto não estava na prova em si, mas, nas suas escolhas metodológicas, de abordagem didática e de conteúdo. Pesaremos à ONHB neste projeto não como prática, mas, como modelo.

Vemos a prova da UNICAMP como um dos modelos mais promissores de resposta didática às problemáticas da nova era educacional que se avizinha. Suas escolhas empíricas dialogam profunda e criticamente com as teorias da era digital e da escola de quarta geração postas anteriormente, projetando formas de promover uma educação voltada à geração da ubiquidade, mobilidade e cooperação como a escola tradicional ainda não faz. Essa percepção nos levou a buscar uma compreensão mais profunda sobre estas escolhas metodológicas, construídas por pequeno, mas, profícuo grupo de historiadoras e historiadores, e que produziu um arcabouço de propostas, práticas metodológicas e documentações que ensejam diversas problemáticas e objetos historiográficos, associados tanto ao ensino superior universitário quanto à educação básica. Há a necessidade efetiva de refletir academicamente sobre modelos educacionais que propiciem uma formação básica diferenciada e a existência desta prova ao

68 Trecho da música Alucinação de Belchior. BELCHIOR, Alucinação, Alucinação. Polygram. CD. São Paulo,

longo de uma década acabou por produzir em si um espaço de reflexão sobre o ensino de história, esse meu esforço, se soma a um grupo de produções recentes, em nível de pós- graduação, que tem utilizado a Olimpíada Nacional em História do Brasil como referência teórico-metodológica, objeto ou fonte de pesquisa. Estes trabalhos criam certo métier olímpico, sobre o qual pretendo me apoiar69 e sobre os ombros dos quais pude buscar me aprofundar mais na análise das diretrizes formativas da prova do que uma explanação argumentativa ou em relatos de experiências que envolvam a prova.

Examinaremos a ONHB dentro da lógica da construção não-formal de um ensino multitemático, curricular e narrativamente diverso, “antenado” na era digital e ligado à formação histórica de alunos e de professores, enfim, percebendo-a como instrumento da Didática Histórica em diálogo com tudo posto até aqui. Exploraremos os modelos narrativos, encontrados em questões selecionadas nas edições na prova, que dialoguem com a descolonialidade histórica da disciplina escolar histórica, auxiliem a formação de uma Consciência História crítico-genética e permitam a vocalização dos grupos periféricos a essa Narrativa Tradicional.

Analisamos os trabalhos acadêmicos já produzidos sobre a prova, as questões e comentários das 10 edições já realizadas, disponibilizadas na integra pela UNICAMP, e fizemos uma série de entrevistas com a Comissão Organizadora da prova, professores finalistas de outras partes do país e alunos olímpicos que experienciaram a ONHB ao longo de sua primeira década, ouvimos diversas perspectivas na tentativa de compor um panorama mais amplo sobre os impactos da olimpíada no ensino da História e emergiram inúmeros relatos passionais, marcantes e significativos à esta escrita. Da comissão, ouvimos as coordenadoras Cristina Meneguello e Leca Pedro, além da icônica dupla à frente da prova conversamos com as assistentes de coordenação Geórgia Martins; presente na ONHB desde sua terceira edição e rosto e voz institucional da ONHB na final presencial (também conhecida como moça do megafone); e Carla Carolina Dias, que tem uma relação diferente das outras entrevistadas com a prova por ter tido contato como aluna olímpica, depois, na graduação em história, como apoio e por fim como organizadora. No fim, por questões metodológicas, optamos por não utilizar as entrevistas com colegas professores e alunos,

69 No início deste projeto conhecíamos os trabalhos de Cristina Meneguello (2011), fundadora de aprova, Augusto Ridson Miranda (2013) e Gerardo Costa Júnior (2017) buscando maior embasamento encontramos em busca pelo Google Acadêmico e pelo portal eduCAPES, catalogamos 3 dissertações e 8 artigos com a ONHB como objeto central e 21 produções com referencia ou citação à prova.

deixando estes materiais para produções posteriores, entretanto esta polifonia nos auxiliou no dimensionamento da prova e nos encaminhamentos que ela proporcionou a este projeto.

4.1 “TEMPO, TEMPO MANO VELHO”70

: MEMÓRIAS E HISTORICIDADES E PROBLEMATIZAÇÕES MARGINAIS DA CONSTRUÇÃO PROVOCATIVA DE UMA PROVA OUSADA.

Se o Tempo, como medida, foi apropriado pelo CE e seu austero controle serve às Estruturas de Exclusão, o Tempo, como conceito, foi central ao surgimento da ONHB, estratégia importante de apropriação dos Espaços de Ocupação. Para entender esse ponto é historicizar a prova nacional e entender seu funcionamento.

A Olimpíada Nacional em História do Brasil é um projeto de extensão da Universidade Estadual de Campinas, desenvolvido pelo Departamento de História por meio da participação de docentes, alunos de pós-graduação e de graduação. É coordenada pelas profas. dras. Cristina Meneguello e Alessandra Pedro.

Em suas nove edições a ONHB firmou-se como uma empolgante competição para equipes de oitavo e nono anos do ensino fundamental e do ensino médio de todo o Brasil, trazendo uma proposta inovadora de estudar a história do Brasil, abordando temas fundamentais a partir de documentos históricos, imagens, mapas, textos acadêmicos, pesquisas inéditas e debates historiográficos.

A Olimpíada Nacional em História do Brasil tem um formato original. É realizada por equipes compostas por 4 pessoas: 3 estudantes (que podem estar em diferentes anos) e o professor de história do colégio. Cada professor pode orientar quantas equipes desejar, mas cada estudante pode fazer parte de apenas uma equipe.

A partir desta 10ª edição a ONHB trará, pela primeira vez, uma nova fase online. Consistirá, assim, de seis fases online que duram uma semana cada uma, com questões e tarefas diversas. As respostas são enviadas exclusivamente pelo site e são obtidas pelos participantes por meio do debate com os colegas de equipe e a pesquisa em livros, internet e a orientação dos professores.

Cada questão traz 4 alternativas, e mais de uma alternativa está correta, cabendo às equipes selecionar a alternativa que considera a mais adequada em resposta à questão. A Olimpíada também mobiliza temas interdisciplinares (geografia, literatura, arqueologia, urbanismo, atualidades) e tem um impacto muito positivo na leitura, compreensão e escrita dos estudantes participantes.

Desde a primeira edição a Olimpíada finaliza com uma fase final presencial para no mínimo de 800 finalistas [no mínimo 200 equipes], que comparecem à Universidade Estadual de Campinas onde realizam uma prova dissertativa e aguardam o resultado e entrega de medalhas logo no dia seguinte. Nesta oportunidade, conhecem e confraternizam com estudantes e professores de história de todos os estados do Brasil.

A apresentação oficial, não demonstra os riscos e disputas de uma proposta que, por ser ‘inovadora’ e ‘original’, se fez em meio a uma série de resistências teóricas, metodológicas e conceituais.

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Trecho da música “Sobre o tempo” da banda Pato Fu. ULHOA, John. PATO FU, Sobre o tempo. Gol de

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