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The pro Hochschild–Kostant–Rosenberg theorems

Como já visto, Contexto é um conceito caro para o desenvolvimento da LSF de Halliday. Trara-se de uma concepção advinda dos estudos culturalistas, concebidos pelo antropólogo Malinowiski (Coral Gardens and the magic: 1935).

Para a LSF, o Contexto e a linguagem são dois sistemas semióticos que exercem relação de mútua determinação – o Contexto determina a linguagem, assim como a linguagem determina o Contexto, sendo que este se realiza por meio daquela.

Nessa configuração o Contexto é um sistema semiótico de abstração maior, que tem sentido, mas não tem sistema de realização, fazendo isso por meio da linguagem que conta com diferentes estratos – fonológico, lexicogramatical e semântico, como apresentado na Figura 01. Essa relação da linguagem operando em Contexto proporciona um importante princípio do desenvolvimento de uma teoria ecológica da linguagem, já que esta é descrita e analisada num ambiente de significados; em função de seu habitat semiótico (HALLIDAY; MATTHIESSEN, 2014, p. 32).

É a partir dos Contextos de Cultura e de Situação “que podemos nos tornar conscientes do significado das categorias gramaticais”. Trata-se, o primeiro, de um contexto potencial de uma comunidade em sua cultura. Refere-se ao que os membros de comunidade podem significar em termos de cultura, isto é, interpreta-se a cultura como um sistema de alto nível de significados – como um ambiente de significados em vários sistemas semióticos que operam, incluindo o linguístico, o extralinguístico como gestos, expressões faciais, entonações, expressão corporal, além de outros sistemas de sentido como a dança, desenho, pintura e arquitetura. (HALLIDAY; MATTHIESSEN, 2014, p. 33).

Para entender como isso opera, a LSF, a partir das propostas de Malinowski (1935), seleciona momentos específicos da Instanciação e toma para descrição contextos particulares, específicos de cada cultura, denominados de Contextos de Situação. Isso possibilitaria estudar instituições específicas, o que, para Halliday e Matthiessen (2014, p. 33), seria a possibilidade de “investigar as instituições linguisticamente através do Registro que ocorre em cada uma delas”, uma vez que “nosso cotidiano é realizado em situações que são parte do nosso contexto de cultura e, em grande medida, tais situações são familiares, uma vez que compartilhamos, em parte, o mesmo conhecimento cultural” (BUTT et al.; 2000, p. 2)

À vista disso, o Contexto de Situação diz respeito ao ambiente no qual os significados são construídos, é “o ambiente imediato em que o texto está de fato sendo trabalhado”, conforme Halliday e Hasan (1985, p. 46). Mediante esse ambiente podemos explicar o porquê

de certas escolhas, pois “um texto não é um mero reflexo do que está além dele; é um parceiro ativo na construção da realidade e nos processos de transformação da realidade”

(HALLIDAY; 1994, p. 339), como veremos no corpus que compõe nossa análise. Assim, tal Contextogera o Registro e este apresenta três variáveis chamadas porHalliday e Hasan (1985, p. 45-46) de Campo, Relação e Modo:

Campo (Field) – diz respeito ao que está acontecendo na situação, considerando a natureza da atividade social e semiótica; e o domínio destas atividades no que concerne ao assunto ou tópico tratado. No caso específico de nossa pesquisa, o golpe civil-militar e seus desdobramentos constitui o Campo.

Relação (Tenor) – refere-se a quem participa do evento, ou melhor, aos status e aos papéis existentes entre os interactantes e os tipos de relacionamentos existentes entre eles na construção do texto. Neste trabalho, uma das possibilidades de análise da Relação seria a existente entre os jornais e seus leitores.

Modo (Mode) – diz respeito à organização simbólica do texto, à forma como a língua atua no processo de comunicação e como ela é organizada (persuasiva, explicativa, expositiva, etc.), se de forma oral ou se escrito para atingir a seus propósitos. Neste estudo, o editorial constitui o Modo.

Essas três variáveis – Campo, Relação e Modo – realizam-se em três Metafunções a saber: a Ideacional, a Interpessoal e a Textual (HALLIDAY, 1985) e, de acordo com Thompson (2007, p. 36), essas três Metafunções permitem-nos observar o que está sendo falado, quem está falando e de que modo o que está sendo dito é falado, como apresentado no Quadro resumitivo 01 a seguir:

Quadro 01– Níveis de realização do Registro na teoria Hallidiana

As três variáveis do discurso e a realização no texto

SITUAÇÃO

Características do Contexto de Situação

TEXTO

Componentes funcionais do Sistema Semântico

Campo do discurso (Field) (o que está acontecendo/ O que é falado)

Significados da experiência (Metafunção Ideacional) (Sistema de Transitividade) Relações do discurso (Tenor)

(quem está participando/quem está falando)

Significados interpessoais (Metafunção Interpessoal) (Sistema de modo oracional) Modo do discurso (Mode)

(Como o que é dito é falado/o papel dado à linguagem)

Significados textuais (Metafunção Textual) (Sistema de Tema, Informação,

Relações de Coesão) Fonte: Halliday e Matthiessen (2014, p.29)

Como se observa, as variações determinam a escolha do Registro, ou seja, a forma em que os vários tipos de Campo, Relação e Modo realizam os significados Ideacionais, Interpessoais e Textuaisdo uso da linguagem num Contexto de Situação. Registro entendido como “uma variação funcional da linguagem – os padrões de Instanciação do sistema global associados a um tipo de contexto (ou de situação)” (HALLIDAY; MATTHIESSEN, 2014, p. 29). Melhor dizendo, um Registro é constituído pelas “características linguísticas que estão tipicamente associadas com uma configuração de características situacionais” (HALLIDAY, 1976, p.22). Essas três variáveis do Registro delineiam as relações entre a função e a forma da linguagem.

Sendo assim, as análises de textos, a partir da perspectiva multifuncional da LSF, tomam como base as correlações existentes entre as categorias de situação (nível extralinguístico) e sistema semântico (nível linguístico) em que o texto é produzido (HALLIDAY e MATTHIESSEN: 2014, p. 361).

Na próxima subseção trataremos das três Metafunções – Ideacional, Relacional e Textual – focando em como esses parâmetros do contexto afetam nossas escolhas linguísticas e como refletem as três principais funções da linguagem como Universais Linguísticos.

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