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THE OUAGADOUGOU STRATEGIC SANITATION PLAN

D. Sustainability

A.3. THE OUAGADOUGOU STRATEGIC SANITATION PLAN

Nos setores minerais, como combustíveis e ouro, a ameaça de entrada não é tão preocupante por ser um setor de altíssimo investimento e maior risco. Além da alta tributação, a incerteza de resultado esperado da exploração não compensa os custos.

Por sua vez, com relação aos setores agrícolas, destaca-se que o algodão é o principal produto exportado pelo Benim, ocupando sempre o primeiro lugar no ranking entre 2001 e 2017. No conjunto de países do bloco econômico CEDEAO, o Benim ocupa o terceiro lugar na produção de algodão. Segundo INSAE (2018), a safra de algodão 2016/2017 no Benim foi de 597.986 toneladas, enquanto em Burkina-Faso e Mali foi respectivamente de 681.454 toneladas e 645.000 toneladas. Em 2017, Burkina-Faso apresentou-se como o maior exportador de algodão do

bloco, com US$ 367,523 milhões, seguido pelo Benim, com US$ 358,582 milhões (ITC, 2018).

De forma geral, os principais produtos exportados pelo Benim têm seu mercado caracterizado por poucas barreiras à entrada, visto que são bens primários que incorporam relativamente pouca tecnologia, tornando a entrada de concorrentes mais acessíveis. Nesse aspecto, é possível entrar no mercado quando se observam condições geográficas favoráveis para a produção de tal cultura. Ilustra-se o caso da Nigéria, cuja recessão econômica sofrida em 2015 levou a queda da produção do petróleo. Tal queda conduz o país a se dedicar na produção agrícola, ou seja, a produção de arroz (NBS, 2018). Isso mostra a facilidade de entrada dos concorrentes no mercado dos bens primários.

Para os entrantes em potencial, o modelo de Porter caracteriza o mercado de commodities por inexpressivas barreiras. O setor agrícola do Benim, porém, pode dificultar a entrada dos concorrentes através do incentivo ao uso de tecnologia sofisticada, pela qualidade de produto fornecido, pela publicidade, pela inovação de produto e pela disponibilização de mais recursos para o Instituto Nacional de Pesquisa Agrícola do Benim (INRAB) em seu programa de pesquisa agrícola e desenvolvimento, facilitando o fluxo das mercadorias. Já para o setor de produtos minerais, essa barreira pode ser estimulada através de grande investimento em capital e em centros de pesquisa.

Nesse ponto, o Benim já começa a se diferenciar, aplicando as tecnologias modernas, proporcionando aumento na produção e desenvolvendo o Centro de Pesquisa Agrícola de Fibra de Algodão, supervisionado pelo INRAB para melhorar a qualidade do algodão, que é considerado como um dos mais aceitos no mercado internacional (AIC, 2017). Os outros produtos agrícolas exportados, como caju e soja, também se beneficiam dessa tecnologia, no sentido de que trazem barreiras no mercado.

Na diferenciação de produto, por sua vez, as empresas estabelecidas já têm um nome ou marca e, ao longo do tempo, desenvolvem a fidelidade dos clientes. O Benim tem como referência o algodão como produto principal e o mercado asiático como seu cliente. Por sua vez, Burkina-Faso, sendo o primeiro país da África Ocidental a produzir o algodão Bio, diferencia-se dos demais, garantindo o mercado europeu, tendo a Suíça como principal importador (ITC, 2018).

Nessa visão, o Benim pode experimentar a troca da produção de algodão convencional pelo algodão biológico, devido aos vários problemas causados aos solos e de irritação de pele aos produtores pelo uso dos produtos químicos na técnica convencional. Na produção de algodão Bio, o país passaria a se diferenciar em relação a outros países e proteger seus produtores, através de técnicas que não usam produtos químicos, apresentando uma vantagem de diferenciação. Outra diferenciação que se poderia incorporar seria a produção de algodão colorido, visto que detém as condições favoráveis e os meios apropriados para produzir.

A vantagem de custo, ou seja, as economias de escala referem-se ao baixo custo de produção à medida que o volume produzido aumenta. Se as economias de escala forem significativas, interrompem a entrada de concorrentes, que se encontra em duas escolhas para atuar no mercado: entrar no mercado em grande escala e com alto risco de capital, ou entrar em pequena escala e com uma desvantagem de custo significativa.

As indústrias de óleos de algodão produzem em economia de escala, usando tecnologias avançadas para o processamento de semente. Essa tecnologia permite aplicar o método de extração de solvente para extrair a quantidade de óleo suficiente contido nas sementes. Com esse método, uma pequena porção de semente aumenta a quantidade de produção de óleo, ou seja, aumento de produção com menor insumo (semente) que resulta em menor custo.

Além disso, as indústrias de óleos são confrontadas a uma ameaça de entrada, já que os óleos de algodão são altamente substituíveis por outros óleos, possibilitando fácil entrada de novos concorrentes. Nesse caso, a diferenciação tem uma importância essencial na escolha da preferência dos consumidores. A necessidade do governo em investir tanto no setor agrícola quanto no setor industrial, reflete uma real barreira de entrada para dificultar a presença dos óleos asiáticos no mercado de destino dos produtos do Benim. Ademais, adiciona-se a publicidade para promover as marcas dos óleos, como Fludor da indústria Fludor e Vitalor da indústria SHB.

Na pauta de exportação, o Benim privilegia mais o investimento no setor algodoeiro, em relação a outros produtos. Aos poucos, os investimentos voltam-se para a produção e as exportações de caju. O país exporta todos os tipos de algodão, mais especificamente o algodão em fibra e o algodão não cardado nem penteado.

Os investimentos voltados à pauta exportadora têm como objetivo aumentar a produtividade, de modo a ampliar sua competitividade. Nesse aspecto, os investimentos associados à pesquisa e ao desenvolvimento de novos produtos e processos produtivos são estratégias competitivas. Além disso, a produção carece de desenvolvimentos nos canais de distribuição, que também funcionam como barreira à entrada, devido à necessidade da empresa entrante assegurar a distribuição para seu produto. Nesse sentido, a empresa entrante enfrentará alguns problemas, como lutar pelo espaço no mercado e convencer os canais de distribuição a aceitarem seu produto, geralmente por meio de descontos de preço.

Quanto ao caju, sendo o segundo produto agrícola mais exportado pelo país, deve-se levar em consideração as influências que o desenvolvimento de pesquisa vem trazendo para aprimorar o método de produção e aumentar a produtividade e a qualidade do produto. Além disso, o maior investimento nesse setor oferece um risco maior para os novos entrantes. Com relação à soja, o INRAB projeta uma forma de armazenamento dos produtos pós-colheita que facilitem satisfazer a demanda dos clientes a qualquer momento, que não seja apenas no período de safra, e garantir uma relação de fidelidade entre os países importadores do Benim.

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