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The Mighty Bee

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Segundo Kvale (1996) (citado em Cohen et al., 2007), a entrevista permite o intercâmbio de opiniões entre duas ou mais pessoas sobre um tópico que é de mútuo interesse “sees the centrality of human interaction for knowledge production, and emphasizes the social situatedness of research data” (p. 349).

É considerada uma ferramenta flexível para a recolha de dados, podendo ser controlada, e ao mesmo tempo pode-se dar espaço à espontaneidade. O entrevistador pode

não só pressionar a obtenção de respostas completas como também respostas a questões profundas e complexas (Cohen et al., 2007).

De acordo com Bogdan e Bilken (1994), pode-se recorrer à entrevista para “recolher dados descritivos na linguagem do próprio sujeito, permitindo ao investigador desenvolver intuitivamente uma ideia sobre a maneira como os sujeitos interpretam aspectos do mundo” (p. 143). Os mesmos autores referem que as entrevistas variam quanto ao seu grau de estruturação: estruturadas, semi-estruturadas e não estruturadas.

Neste estudo optámos pelas entrevistas semi-estruturadas porque a partir dos dados compilados e tratados, sentimos a necessidade de aprofundar algumas questões decorrentes das interacções dos participantes. Assim, decidimos recorrer à entrevista como um instrumento, por um lado, para a obtenção de um conhecimento mais aprofundado das mesmas e, pelo outro, para ter “a certeza de se obter dados comparáveis entre os vários

sujeitos (Bogdan & Biklen, 1994, p. 135), embora o desenvolvimento da entrevista se vá

adaptando às respostas dos entrevistados e permita ir aprofundando a informação pretendida. Por outro lado, este tipo de entrevista permite um tratamento mais sistemático dos dados analisados e introduzir novas questões para obter um melhor esclarecimento dos pontos retratados.

Assim, as questões foram previamente elaboradas, foi realizada a pré-testagem, foram introduzidas as alterações consideradas pertinentes e validadas por três especialistas em EaD.

Tabela 5

Entrevista e temáticas da investigação

Questões da Entrevista

Temáticas da Investigação 1- Na interacção nos ambientes virtuais:

a) Sente que há alguma barreira pelo facto de não existirem as pistas não-verbais da comunicação face-a-face? (expressões faciais, do contacto visual, da linguagem corporal, voz…)

b) Que estratégias usa para substituir as pistas não-verbais da comunicação face-a-face? 2- Quando comunica por escrito, usa alguma estratégia para dar um toque “pessoal” à

sua mensagem?

Se sim, porque é que quer parecer mais pessoal na comunicação online?

3- Como considera que nos ambientes virtuais as pessoas projectam/demonstram a sua identidade?

4- Sente que “conhece” alguns dos seus colegas, mesmo que só comunique com eles a distância? Porquê? Porque não?

5- Como é que acha que os outros o vêem? Acha que a imagem que os outros criaram de si corresponde ao seu verdadeiro eu? Porquê?

6- A forma como os outros colegas comunicam por escrito influencia a sua impressão sobre eles? A linguagem utilizada pelos outros influencia a sua? Se sim, como? 7- Na sua opinião, a partilha de experiências/episódios pessoais do quotidiano

contribuem para conhecer melhor os outros com quem interagimos online? Justifique a sua opinião.

8- Durante o módulo de ambientação, que percepção/impressão ou percepções (ideias) formou dos seus colegas e professoras no Moodle?

Presença Social

9- Como classifica a sua experiência de acesso ao Moodle? Teve dificuldades? Se sim, quais e porquê?

10- Na sua opinião, que actividades no Moodle contribuíram para melhor conhecer e criar laços com os membros da sua turma durante o módulo de ambientação? Porquê?

11- Quais são as limitações do Moodle para a formação de impressões sobre os outros e para que cada um projecte a sua personalidade, identidade? E, para socializar?

Ambiente virtual do Moodle: acesso, actividades e limitações 12- Como classifica a sua experiência de acesso ao Second Life? Teve dificuldades? Se

sim, quais e porquê?

13- Durante o módulo de ambientação, quando se encontrava com os seus colegas nas sessões no Second Life, como registava esses momentos? (Fazia cópia das conversas, tirava fotografias…?) Porquê?

14- Como considera a pertença ao grupo MPELSL no Second Life? Em que medida é que o ajudou a comunicar com os seus colegas e professores?

15- Acha que a variedade do media do SL (visualização, texto, voz, avatares 3D, movimentos do avatar) permite um melhor conhecimento dos outros? Porquê? 16- Após a conclusão do módulo de ambientação ao SL, continuou a encontrar-se com os

seus colegas no SL? Se sim, com que objectivo? Onde se encontravam? Com quem se costumava encontrar?

17- Na sua opinião, que actividades no Second Life contribuíram para melhor conhecer e criar laços com os membros da sua turma durante o módulo de ambientação? Porquê?

18- Quais são as limitações do Second Life para a formação de impressões sobre os outros e para que cada um projecte a sua personalidade, identidade? E para socializar? Mundo virtual Second Life: acesso, actividades, limitações e riqueza do Media

19- Quais foram as principais dificuldades que sentiu em comunicar no Moodle? E, no

Second Life?

Comunicar no

Moodle e no Second Life

20- Das actividades para socializar online com os seus colegas, prefere as realizadas no

Moodle ou no Second Life? Porquê?

Socializar no

Moodle e no Second Life

21- Sente que faz parte de uma comunidade virtual de aprendizagem? Porquê?

Desenvolvi- mento da comunidade

virtual de aprendizagem

22- Se tivesse que optar entre o Moodle e o Second Life neste contexto (projecção da presença social e socializar), por qual optaria? Porquê?

Desenvolver a Presença Social e Socializar no Moodle e no Second Life

As entrevistas foram realizadas num ambiente informal, no café no Second Life (onde tinham sido realizadas as sessões anteriormente descritas) para deixar os participantes mais à vontade, através de chat escrito, que foi gravado, com o conhecimento e autorização prévias dos participantes. O nome dos avatares foi ocultado para garantir a privacidade e o anonimato dos mesmos.

Optámos por este tipo de entrevista online síncrona por ser o ambiente em que os estudantes foram observados o que também permitiu compreender as suas percepções das experiências virtuais, tal como Salmons (2010) refere “online interviews allow researchers to better understand the participant’s cyber experience” (p. 9). Por outro lado, como estavam geograficamente espalhados e com horários diversos foi mais fácil conseguir marcar um horário individual com cada um de acordo com as respectivas disponibilidades. Tem ainda as vantagens de não haver perda/alteração de dados quanto à transcrição dos mesmos assim como a economia de tempo e de custos (não há deslocações).

Por fim, e de acordo com Salmons (2010), os investigadores em contexto online referem ainda que existe uma grande redução ou mesmo eliminação de constrangimentos que poderiam existir nas entrevistas realizadas presencialmente. Os entrevistados poderão sentir-se mais relaxados porque comunicam com o investigador num ambiente confortável e familiar. Como resultado, poderão estar mais predispostos para revelar informação mais pessoal como dar opinião sobre aspectos de que não gostaram, e que pessoalmente poderiam ter dificuldade em falar destas questões (Salmons, 2010).

No decurso das entrevistas houve a necessidade, por vezes, de as reencaminhar para os objectivos pretendidos, cada vez que algum dos entrevistados se estava a afastar dos mesmos como defende Quivy e Campenhoudt (1992). Foi necessário, por vezes, reformular as questões, mantendo o mesmo sentido, para obter a informação pretendida de uma forma o mais natural possível e, no momento, considerado apropriado.

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