Statistical Methods
2.4 The Golomb Code
Os gráficos a seguir mostram que o padrão de fratura que predominou em todos os grupos foi a fratura Coesiva em Camada híbrida, seguida de fratura mista, de acordo com imagens obtidas em microscópio ótico. Outros estudos também utilizam microscópios ópticos em seus estudos para avaliar o padrão de fratura. O estudo realizado por (PUPO et al., 2010) utilizou esteriomicroscópio com aumento de 40 vezes para avaliar o tipo fratura. Nota- se que a olho nú é possível observar o local da fratura e que a utilização de microscópio óptico auxilia para se obter imagens e, portanto, resultados mais precisos.
Gráfico 2. Resultados do padrão de fratura do grupo AH Plus Imediato
Gráfico 3. Resultados do padrão de fratura do Grupo AH Plus Mediato
Gráfico 4. Resultados do padrão de fratura do grupo OZE imediato. 0 5 10 15 20 1=coesiva em camada híbrida 2 = coesiva em dentina 3= coesiva em resina composta 4= mista OZE Imediato
Gráfico 5. Resultados do padrão de fratura do grupo OZE mediato.
Gráfico 6. Resultados do padrão de fratura do grupo controle Imediato
Gráfico 7. Resultado do padrão de fratura do grupo controle imediato.
Figura 8. Resultados dos padrões de fraturas: a) Fratura coesiva em Resina Composta; b) Fratura Coesiva em Dentina; c) Fratura Coesiva em Camada Híbrida; d) Fratura Mista (camada híbrida e dentina).
D C
6. DISCUSSÃO
Vários são os fatores que podem influenciar na adesão entre a restauração e a estrutura dentinária. Esse estudo teve por objetivo avaliar qual o melhor cimento e melhor momento de se restaurar um dente tratado endodonticamente.
O que ocorre corriqueiramente no ambiente clínico é que o endodontista ao terminar o tratamento com a obturação dos canais radiculares faz uma restauração provisória e encaminha o paciente para outro dentista, clínico geral ou especialista em Dentística para que este faça a restauração definitiva em resina composta. Caso o Endodontista opte em realizar a restauração imediatamente após o término do tratamento endodôntico, ele não tem subsídios científicos que lhe apresente qual melhor cimento endodôntico usar na obturação, nem o sistema adesivo que possa proporcionar maior resistência de união, e, portanto, maior selamento e longevidade da restauração. Desta forma, surge a dúvida do momento ideal da restauração sem que o cimento endodôntico de escolha possa interferir na resistência de união desses dentes tratados endodonticamente.
Um estudo realizado sobre qual o melhor momento de s e restaurar um dente tratado endodonticamente (VILELA, 2005) se baseia nos fatores: selamento coronário, risco à fratura, orienta a realizar a restauração em cimento de ionômero de vidro ou resina composta, com técnica incremental, e sistema adesivo, mas sem avaliar o efeito tempo e tipo de cimento, e sobre as possíveis interferências na resistência de união. Com isso, estudos in vitro são realizados buscando evidências cientificas para nortear a decisão durante o procedimento clínico.
Para isso os estudos utilizam tanto dentes naturais como dentes bovinos. Os dentes bovinos têm sido a escolha principalmente devido à dificuldade da aquisição de dentes naturais em condições ideais.
Muito se discute sobre a diferença em realizar testes de resistência de união com dentes bovinos que poderia resultar em alguma interferência de adesão. Porém, estudos continuam utilizando os dentes bovinos por terem a estrutura semelhante ao dente humano com resultados semelhantes quando comparados a dentes humanos no que se refere à união de resinas à dentina
(ARIAS, 2007; CAVALCANTI et al., 2009; FALCÃO, 2013; GIROTO, 2015). Desta forma, devido a literatura comprovar tal semelhança e aliada à facilidade de obtenção dos dentes bovinos justifica-se a utilização destes no presente estudo.
Outro ponto primordial na presente pesquisa foi a escolha do sistema adesivo convencional. Estudo realizado por Pupo e colaboradores (2010) verificou que o tempo em contato com água pode ser um fator que diminui a resistência de união, e que o adesivo pode ser degradado. No entanto, apenas o adesivo Single Bond, tanto em dentina superficial como profunda, não apresentou diferença estatisticamente significante imediatamente e após seis meses. Esse resultado mostra que o adesivo Single Bond é resistente à degradação.
Inúmeras pesquisas o utilizam como parâmetro para comparação na pesquisa odontológica, por sua técnica convencional, por meio do condicionamento ácido da dentina permitir maior escoamento do adesivo (DE MUNCK et al., 2005) e formar uma camada híbrida mais profunda, e que provavelmente essa hibridização pode ser o fator chave de alta resistência de união.
Em um trabalho realizado por Neves e colaboradores (2017), estudou- se alguns tipos de tratamento de superfície com o intuito de aumentar a durabilidade de união, pois sugeriu-se que com o tempo o adesivo poderia sofrer degradação. Mesmo que não houvesse conhecimento sobre o mecanismo de deterioração da interface adesiva, sabe-se que as metaloproteinases da matriz dentinária (MMPs) são enzimas proteolíticas capazes de degradar a matriz orgânica da dentina desmineralizada, atuando nas fibrilas de colágeno expostas na base da camada híbrida decorrentes da discrepância entre a profundidade de desmineralização ácida da dentina e a infiltração monomérica durante os procedimentos adesivos (Spencer et al., 2002). O resultado do estudo mostrou que para o Single Bond 2, não houve alterações na resistência de união à microtração para todos os tipos de tratamento do substrato dentinário condicionado. Este sistema adesivo apresenta como solventes álcool e água e, portanto, não houve diferenças estatísticas significantes com estes tratamentos para este sistema adesivo, pois a quantidade de álcool presente como solvente já é suficiente para
permitir uma boa penetração dos monômeros hidrófobos, o que colabora com o presente estudo no sentido de justificar sua escolha.
Outro fator que pode influenciar na resistência de união em dentina seriam agentes químicos irrigantes utilizados no tratamento endodôntico. O trabalho realizado por Dametto (2006) testou diversos agentes irrigantes químicos auxiliares e atestou que quando empregada a solução de Etilenodiamino-tetra-acético EDTA 17%, ocorre diminuição na resistência de união entre a dentina e a resina. Todos os grupos do presente estudo foram empregadas a solução de EDTA 17% durante 3 minutos, que é o tempo que se recomenda que a solução fique em contato com a câmara pulpar após a realização da instrumentação mecânica e irrigação com outra solução. Nesse caso, pode-se dizer que o EDTA 17% diminuiu a resistência de união entre a dentina e a resina em todos os grupos testados.
Sabe-se que o hipoclorito de sódio (NaOCl), que é o irrigante mais utilizado durante o preparo químico-mecânico devido a sua capacidade de dissolução tecidual e sua atividade antimicrobiana (MOHAMMADI, 2008; ZEHNDER, 2006) , porém, acaba causando um efeito deletério na resistência de união de sistemas adesivos à dentina, devido à liberação de oxigênio remanescente, que prejudica a polimerização dos materiais resinosos (MARQUES, 2016). Além disso, o uso do NaOCl, durante a irrigação do sistema de canais radiculares, leva a danos na estrutura colágena da dentina e reduz a microdureza dentinária (MOHAMMADI, 2008; ZEHNDER, 2006; MARQUES, 2016; MOREIRA et al., 2009).
Desta forma, podemos afirmar que a associação NaOCl 2,5% + EDTA 17% foram os responsáveis pela diminuição da resistência de união no Grupo 5, restaurado imediatamente após o uso dos irrigantes. Isto talvez seja atribuído principalmente ao somatório da ação do NaOCl + EDTA associado ao posterior condicionamento ácido para restauração, promovendo assim uma área mais profunda de desmineralização que dificultou a formação de uma camada híbrida de qualidade, ou seja, com áreas não alcançadas pela penetração do monômero do sistema adesivo. O que dá suporte a essa possibilidade é que após 7 dias do uso dos irrigantes já se mostrava normal a resistência de união. Isso pode estar relacionado ao fato da reação química ir diminuindo a quantidade de oxigênio liberado pelo hipoclorito no decorrer dos
dias, deixando de ser prejudicial à polimerização dos monômeros resinosos. Também devido à provável remineralização das áreas que tiveram ação do EDTA, proporcionando assim, mesmo com o condicionamento ácido, a formação de uma camada híbrida ideal para o restabelecimento da resistência de união no grupo controle em que foi realizada a restauração após 7 dias. Dessa forma, o presente estudo corrobora com os estudos de Dametto (2006) e atesta ainda que em dentes submetidos apenas ao uso do EDTA, nos casos de pacientes com a endodontia não finalizada, restaurações devem ser consideradas provisórias e ser totalmente trocadas ao término do tratamento endodôntico.
A escolha do cimento endodôntico também tem sido frequentemente estudada, não somente quanto às propriedades biológicas e físico-químicas referentes, mas também na capacidade de não interferir na resistência de união dos materiais restauradores.
O cimento de Óxido de Zinco e Eugenol – (Endofill) é um cimento utilizado em endodontia, tem vantagens por ter baixo custo, porém, o eugenol mostra-se citotóxico de acordo com Moura e colaboradores (2013), que relatam em seu trabalho a influência do eugenol nos procedimentos adesivos, devido às suas propriedades, como sua composição fenólica que está presente na composição do óleo de cravo e tem a estrutura 4-alil-2-metoxi- fenol. O eugenol se comporta como um radical livre inibindo a conversão dos monômeros, e apresenta afinidade com os radicais livres formados na polimerização da resina composta. Essa afinidade dificulta a reação dos materiais poliméricos e reduz o grau de conversão desses materiais , ou seja, a polimerização dos monômeros resinosos (PINTO et al., 2011). Desta forma, o Eugenol, pelas evidencias de ser um material deletério e prejudicial ao procedimento adesivo tem se tornado o vilão da odontologia restauradora.
Porém, os resultados do presente estudo demonstraram uma resistência de união semelhante tanto no tempo imediato quanto 7 dias após, quanto ao outro cimento testado. Desta forma, estes resultados atestam que o condicionamento ácido consegue remover eventuais resíduos do eugenol da dentina mantendo a resistência de união. No entanto, cabe ressaltar que na fase laboratorial do grupo OZE imediato, a resina se destacava facilmente da dentina durante o corte, talvez pela união dentina/resina não suportar o
estresse da trepidação do disco no momento do corte. Diferentemente, isso não ocorreu no grupo OZE mediato, 7 dias após do tratamento endodôntico. Os resíduos que possam ter ainda ficado na dentina, após 7 dias, poderiam enfraquecer a propriedade fenólica que compromete a polimerização. E ao fazer o condicionamento ácido após esse tempo, o ácido fosfórico a 37% pode ter contribuído para remover o restante de eugenol que dessa forma, deve ter menor efeito após passado esse tempo. Embora não exista um consenso entre autores a respeito da influência do eugenol nos procedimentos adesivos, o sistema adesivo convencional, utilizado neste estudo, talvez seja a melhor opção para se restaurar um dente que teve contato da dentina com cimento à base de OZE, devido à ação do ácido fosfórico remover o remanescente de eugenol, fato este que talvez poderia não ter ocorrido com o uso de um sistema adesivo autocondicionante. Porém, surge a fonte de ideias para em futuras pesquisas poder atestar tal suposição. O outro cimento testado foi o resinoso à base de bisfenol A e F e tungstato de cálcio – AH Plus. Este mostrou os maiores resultados de resistência de união tanto para dentes restaurados imediatamente quanto após sete dias do tratamento endodôntico. Esses resultados podem ter relação com as propriedades químicas de suas pastas, o fato de ter em sua composição a resina epóxi à base de bisfenol A e F, pode ter influenciado na melhor resistência de união.
Muito analisado na literatura, no que se refere a sua capacidade de selamento hermético dos canais radiculares, em testes de laboratório, o AH Plus tem se mostrado, em estudos (Kapur et al., 2019; Sá Neto W.C., 2009) recentes, com os melhores resultados de resistência de união quando comparados a outros cimentos endodônticos quando avaliam a resistência de união entre a dentina em teste de push-out. O AH Plus em diferentes condições de umidade mostrou maiores resultados de resistência de união, independente do terço, quando comparado a outros cimentos. Desta forma, os resultados do presente estudo corroboram com os recentes resultados de Peters et al., 2019, ou seja o AH Plus não interfe na resistência de união entre a dentina e a resina. Laboratorialmente durante os preparos dos palitos, foi o grupo que as amostram estiveram estáveis em todo processo, tanto no grupo AH Plus imediato quanto mediato.
Inclusive, os resultados do padrão de fratura mostraram que, embora a maioria dos resultados tenha sido fratura coesiva em camada híbrida, houve um segundo padrão de fratura observado com uma alta porcentagem: fratura mista, que foi muito observado tanto no grupo imediato, e com uma porcentagem ainda maior desse padrão misto nos grupos mediatos. Esses resultados também reforçam que o cimento AH Plus não tem interferência na resistência de união.
Os resultados do presente estudo, com relação ao padrão de fratura observado, mostram em linhas gerais que o padrão de fratura encontrado em maior porcentagem nos demais grupos também foi fratura coesiva em camada híbrida.
Ainda que o presente estudo tenha apresentado a variável: cimentos endodônticos, outros estudos que analisaram a resistência de união, mostraram em sua maioria fratura em camada híbrida, porém com uma porcentagem equivalente, mostraram também acontecer fraturas mistas, mas dependendo das variáveis de cada estudo, como é o caso do tipo de adesivo utilizado e concentração de hipoclorito de sódio no estudo de Giroto (2015). Observou-se 60% de falhas adesivas para todas as concetrações de hipoclorito utilizando-se o Single Bond com condicionamento ácido. Porém, quando utilizada solução de hipoclorito de sódio em concentração mais alta, 5,25%, foi observada predominantemente fratura adesiva.
Embora o presente estudo tenha sido realizado utilizando-se solução de hipoclorito a 2,5%, o estudo de Giroto (2015) colabora no sentido de afirmar que o hipoclorito em altas concentrações diminui a resistência de união segundo o predomínio do padrão de fratura que foi observado em ambos os estudos.
O estudo realizado por (PUPO et al., 2010) também mostrou predomínio em fraturas adesivas, quando foram utilizados 3 tipos de adesivos, inclusive o Single Bond 2, quando os espécimes foram analisados imediatamente e após 6 meses de armazenamento em água, e mostrou que para esse adesivo, especificamente, os valores de média e desvio-padrão foram um pouco maiores em relação aos outros adesivos testados, e que o maior valor observado de resistência de união foi para o Single Bond 2 em dentina superficial e com restauração imediata.
Para que haja uma comparação mais fidedigna em relação ao padrão de fratura, ainda precisaria de estudos de resistência de união tendo cimentos endodônticos como variável.
Baseando nos resultados obtidos e frente à literatura observada podemos sugerir que nas restaurações realizadas imediatamente após a obturação do canal radicular o uso do AH Plus é recomendado para as restaurações adesivas com o sistema adesivo convenc ional Single Bond. Já após 7 dias ambos os cimentos podem ser utilizados. Porém novos estudos, envolvendo diferentes sistemas adesivos, assim como outros tipos de cimentos endodônticos, devem ser realizados para ampliar as possibilidades de escolha para o Cirurgião-Dentista.
7. CONCLUSÃO
Segundo as condições experimentais deste estudo e estimando suas limitações, conclui-se que:
1. A associação NaOCl + EDTA diminui a resistência de união em dentes restaurados imediatamente com resina composta quando não se teve influência de cimentos endodônticos;
2. Sete dias após o uso de irrigantes endodônticos a resistência de união se restabelece quando não há interferência de cimentos endodônticos;
3. O Endofill dificultou a obtenção dos palitos experimentais nas restaurações imediatas, porém teve resultados semelhantes aos demais;
4. O Endofill e o AHPlus não interferiram na resistência de união em dentes restaurados imediatamente;
5. Após decorridos 7 dias do tratamento endodôntico, pode-se realizar a restauração em dentes obturados tanto com o cimento Endofill quanto o AH Plus;
6. O Sistema adesivo convencional Single Bond foi eficaz no mecanismo de união frente aos cimentos endodônticos;
7. O padrão de fratura mais encontrado nos grupos experimentais e controles foi a fratura coesiva em camada híbrida.
8. REFERÊNCIAS
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