1. Introduction
1.1. The correspondence is an equivalence of categories
A partir duas tabelas restantes das consultas à base de dados da RAIS, que contém as informações sobre escolaridade dos trabalhadores, foram feitas as avaliações das alterações que ocorreram nos níveis de escolarização entre 2003 e 2016 no município e no país.
Como cada ocupação possui uma sequência de valores relativos à escolaridade (nove escolaridades para cada um dos 14 anos), a ponderação destes valores permitiu avaliar se houve variação na escolaridade de um ano para o outro. Esta forma de avaliação tem como vantagem permitir a identificação de variações, mesmo que ocorram aumentos ou reduções nos quantitativos de vínculos de um ano para o outro.
Para permitir este processo de verificação foram atribuídos pesos a cada uma das categorias de escolaridade. A escolha dos pesos leva em consideração o ponto médio das nove categorias de escolaridade. A Tabela 13 apresenta os pesos atribuídos.
Tabela 13 - Pesos atribuídos a cada nível de escolaridade
Escolaridade A PI PC GI GC MI MC SI SC Peso 0,2 0,4 0,6 0,8 1 1,2 1,4 1,6 1,8
Fonte: Elaborado pelo autor.
Para exemplificar a aplicação desta parte da abordagem, vamos utilizar os dados da Tabela 7, relativos à ocupação “Abatedor”, usando apenas os dados de 2015 e 2016, os quais, respectivamente, são 1.711 e 1.118 vínculos no município de Cascavel. A escolaridade dos trabalhadores desta ocupação em 2015 e 2016 é apresentada na Tabela 14.
Tabela 14 – Quantitativo por escolaridade na ocupação “Abatedor” em 2015 e 2016 Abatedor
Ano A PI PC GI GC MI MC SI SC Total 2015 19 169 126 580 191 255 355 11 5 1711 2016 15 122 90 370 136 167 211 5 2 1118
Fonte: Elaborado pelo autor.
Desta forma, para se obter o coeficiente ponderado da escolaridade de cada um dos anos da ocupação “Abatedor” (média ponderada da escolaridade), multiplica-se a quantidade de vínculos registrados em cada escolaridade pelo respectivo peso. Ao final, faz-se o somatório destes quocientes.
Apenas para exemplificar o cálculo, o coeficiente relativo ao ano de 2015 é obtido pelo somatório dos seguintes produtos (19*0,2 + 169*0,4 + 126*0,6 + 580*0,8 + 191 +255 * 1,2 + 355*1,4 + 11*1,6 + 5*1,8). O coeficiente obtido é 1.631,6. Repetindo este processo com os
dados de 2016 obtêm-se o coeficiente 1.045,2. Assim, neste exemplo, o processo de correlação tentaria avaliar o grau de correlação entre as seguintes séries de dados (1.711; 1.118) e (1.631,6; 1.045,2).
Apenas a título de discussão, é possível, também, analisarmos coeficientes obtidos e avaliar o comportamento da escolaridade no período. Do exemplo, é possível a conclusão de que houve uma pequena redução na escolaridade da ocupação “Abatedor” entre 2015 e 2016 (o coeficiente 1.631,6 é 95,3% de 1.711 e 1.045,2 é 93,4% de 1.118). Esta constatação é possível mesmo tendo ocorrido uma grande redução na quantidade de postos de trabalho entre 2015 e 2016.
Outra constatação decorre do fato de que o coeficiente obtido em ambos os anos é menor que o próprio quantitativo (1.631,6 < 1.711 e 1.045,2 < 1.118), o que permite concluir que esta ocupação possui mais trabalhadores com escolaridade abaixo da escolaridade média (Ensino Fundamental Completo), aqui nominado como GC.
A deficiência desta abordagem está nas ocupações eminentemente realizadas por trabalhadores com o ensino superior completo; por exemplo, médicos, dentistas, advogados, etc. Nestes casos, esta abordagem não consegue indicar variações, dado que com o aumento ou diminuição da quantidade de vínculos, o coeficiente da escolaridade acompanha proporcionalmente.
Como são gerados 14 coeficientes para cada uma das 1.680 ocupações, tanto nacionais quanto do município de Cascavel, cada ocupação tem agora duas séries, uma com os quantitativos por ano e outra com os coeficientes de escolaridade ponderada.
Restou, portanto, verificar se houve variação significativa na escolaridade de cada ocupação (avaliar a série de quantitativos de vínculos e sua respectiva série de coeficientes de escolaridade).
Nesta avaliação recorreu-se novamente ao processo de correlação de séries de dados, no qual a série de vínculos é correlacionada com a série dos coeficientes de escolaridade. Desta correlação, da mesma forma que no item 3.5.1.1, foi obtido o coeficiente de Spearman, que indicou o grau de correlação das séries. Isso permitiu a utilização do critério da Correlação muito forte (>90%) para considerar pequena a variação da escolaridade e descartar estas ocupações, marcando todas as correlações dos demais graus.
Para exemplificar visualmente esse critério de exclusão, os Gráficos 4 e 5 apresentam, respectivamente, as séries de dados das ocupações “Abatedor” e “Ascensorista”, nas quais os respectivos coeficientes de Spearman indicaram que as correlações foram “Muito Forte” (99%) para “Abatedor” e Razoável (55%) para “Ascensorista”.
A análise visual do Gráfico 13 confirma a indicação obtida pelo coeficiente de Spearman (99%), no sentido de que a ocupação “Abatedor”, apesar de uma pequena melhora na escolaridade dos trabalhadores no período, não permite concluir que ocorreu alterações significativas da escolaridade nesta ocupação, sendo descartada pelo critério estabelecido.
Observe-se, ainda, que nesta ocupação, os trabalhadores tiveram, em média, o Ensino Fundamental Completo, pois a série de coeficientes (peso 1) se ajusta a série de vínculos.
Gráfico 13 - Correlação Escolaridade-Vínculos – “Abatedor” nacional
Fonte: Elaborado pelo autor. Coeficiente de Spearman 99% - p-value 0
Gráfico 14 - Correlação Escolaridade-Vínculos – “Ascensorista” nacional.
Coeficiente de Spearman 55% - p-value 0,04. Fonte: Elaborado pelo autor.
Conforme critério adotado, a ocupação “Ascensorista” nacional foi marcada, posto que a correlação entre a série de vínculos e a série de coeficientes de escolaridade, apresenta
coeficiente de Spearman abaixo de 90%. Ou seja, a série de dados nacional de vínculos divergiu no tempo da série de escolaridades, o que indica que houve alteração na escolaridade (observe- se o comportamento dos dados entre 2011 e 2012, nos quais houve pouca variação na quantidade de vínculos e grande variação na escolaridade). O Gráfico 14 mostra que em 2003 a escolaridade média era menor que o Ensino Fundamental Completo e maior ao final do período.
Desta abordagem, considerando-se que foram descartadas as ocupações em que as correlações tiveram coeficiente indicando correlação Muito Forte, restaram marcadas 211 ocupações no escopo nacional e 64 ocupações no escopo local.