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5. NSEC3

5.5. The Closest Encloser NSEC3 Record

A espacialidade psíquica mais profunda compreende o sentido afetivo (Gemüt).156 A palavra “Gemüt” refere-se à capacidade de sentir os estados de ânimo.157 Para Edith Stein, o sentido afetivo denota a capacidade espiritual do ser humano acessar o mundo dos valores. A investigação steiniana sobre a afetividade ampara-se no pensamento de Max Scheler, na distinção das emoções e sentimentos.158 Por emoção entende-se a qualidade da vida psíquica atingida passivamente por uma sensação. A emoção não configura intencionalidade, ainda que sinalize uma situação. Por exemplo:

[...] posso estar de mau humor sem conhecer um porquê para o mau humor (sem objeto), mas também posso ter uma dor que anuncia uma doença (nesse caso, a dor não é um objeto, mas é ela mesma sinal de um objeto ou de uma situação).159

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RUS, Éric de. Uma visão Educativa de Edith Stein: Aproximação a um Gesto Antropológico Integral. Belo Horizonte: Artesã, 2015. p. 80-81.

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RUS, Éric de. Uma visão Educativa de Edith Stein: Aproximação a um Gesto Antropológico Integral. Belo Horizonte: Artesã, 2015. p. 73. Segundo o autor, Gemüt provém do vocábulo místico e é empregado para designar a interioridade mais profunda da criatura. Não há equivalência literal deste termo em português.

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STEIN, E. Sobre el Concepto de Formación. In: URKIZA, Julen; SANCHO, Francisco Javier. (Org.) Obras Completas. Vitoria: Ediciones El Carmen; Madrid: Editorial de Espiritualidad; Burgos: Monte Carmelo, 2003. v. 4: Escritos antropológicos y pedagógicos. p. 183.

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Para Edith Stein, Max Scheler enriqueceu consideravelmente o domínio da ética, da filosofia, da religião e da sociologia filosófica com análises fundamentais, feitas em um espírito de pura objetividade. Reconhece que os cursos e escritos de Max Scheler conferiram importante significância em seu pensamento, sobretudo na obra O formalismo na ética e a ética material dos valores (Der Formalismus in der Ethik und die materiale Wertethik). “Sempre ficou claro para mim que eu muito lhe devia por suas ideias estimulantes” – Carta a Max Scheler, 4 de abril de 1918, C1, p. 124.

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Se a emoção caracteriza-se por uma sensação instintiva, o sentimento, diferentemente, envolve intelecto e vontade, partindo da dimensão espiritual. O sentimento reage ao estado emotivo, assumindo uma atitude que poderá nutrir, permitir, rejeitar, suportar a emoção. O sentimento constitui-se de intencionalidade.

O sentimento não é absorvido nem pelo raciocínio, nem pela sensibilidade física, mas pela associação perceptiva de um sentido e seu valor, levando-o a desejá-lo.

Sentimento seria o nome específico do ato do sentido afetivo, assim como pensamento é o nome do ato intelectivo e sensação é o nome da percepção por meio dos cinco sentidos. O sentimento seria, assim, o efeito que permite falar do sentido afetivo ou Gemüt como dimensão ou capacidade do espírito.160

A dimensão afetiva não se encontra regida por operações cognitivas ou de construção intelectual de um sentido, mas de percepções afetivas de um sentido. A percepção do sentido está intimamente ligada ao movimento da vontade, que se inclina para identificar este sentido percebido como um bem, um valor identificado como bom, belo e verdadeiro.

Para Edith Stein,

Não basta por em movimento a emotividade em geral. Em todos os movimentos dos sentimentos há um momento valorativo: o que o sentimento apreende, isso apreende como significativamente positivo ou negativo [...]. Com isso se faz possível para os movimentos dos sentimentos um juízo segundo o “correto” e o “falso”, “adequado” e “inadequado”. Trata-se, portanto, de despertar no sentimento alegria pelo verdadeiramente belo e bom. 161

Ressaltando a extraordinária importância da emotividade na via formativa, acentua:

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RUS, Éric de. Uma visão Educativa de Edith Stein: Aproximação a um Gesto Antropológico Integral. Belo Horizonte: Artesã, 2015. p. 74.

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STEIN, E. Vida cristiana de la mujer. In: URKIZA, Julen; SANCHO, Francisco Javier. (Org.) Obras Completas. Vitoria: Ediciones El Carmen; Madrid: Editorial de Espiritualidad; Burgos: Monte Carmelo, 2003. v. 4: Escritos antropológicos y pedagógicos. p. 327. “Pero no basta con poner en movimiento la emotividad en general. En todos los movimientos del sentimiento hay un momento valorativo: lo que el sentimiento aprehende, eso lo aprehende como significativamente positivo o negativo [...] Con esto se hace posible para los movimientos del sentimiento mismo un juicio según lo “correcto” o “falso”, “adecuado” o “inadecuado”. Se trata, por tanto, de despertar en el sentimiento alegría por lo verdaderamente bello y bueno.”

O sentido do valor das coisas se desenvolve de muitas maneiras em uma criança quando toma posição a respeito de um adulto, especialmente o educador: seu entusiasmo suscita entusiasmo. Esta orientação do sentimento faz tomar posições determinadas formando a capacidade de discernimento. Não se pode por os olhos somente no bom e no belo, porque a vida poderá por em contato também com o negativo e porque diante disso terá que ter aprendido a diferenciar. Há de diferenciar o positivo do negativo, o elevado frente ao baixo, e aprender a situar-se a respeito da a forma adequada.162

Na esfera afetiva, a formação deve atentar ao fato de que “só quem é comovido pela vida porá em movimento sua emotividade”.163 Para compreender melhor a percepção de Edith Stein, faz-se necessário compreender o termo Gemüt pelo qual a autora refere-se à afetividade. Gemüt, apesar de não ter tradução literal ao português, pode ser inferido como o coração. Não se trata de sentimentalismo, reduzindo o conceito às questões emocionais, mas designando “a unidade de cada pessoa como ser que conhece e ama, sem pressupor nenhuma oposição entre conhecimento (intelecto) e amor (vontade): a pessoa ama também ao conhecer e conhece também ao amar”.164 O coração, enquanto sentido afetivo, é o centro receptivo e seus movimentos, são como forças motrizes que impelem a ação. O coração, nesse aspecto, designa um centro ordenador do ser, onde conhecimento e sentimentos encontram-se.

Tal pressuposto steiniano é fundamental para a formação humana integral: a apreensão intelectiva onde não existe a percepção do sentido afetivo, não adentrará a alma em profundidade. Quando o sentido afetivo encontra-se presente no processo formativo e a vontade se põe em movimento por meio do discernimento, torna-se possível adotar uma atitude interior adequada aos valores, fazendo que essa atitude gere consequências práticas.

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STEIN, E. Vida cristiana de la mujer. In: URKIZA, Julen; SANCHO, Francisco Javier. (Org.) Obras Completas. Vitoria: Ediciones El Carmen; Madrid: Editorial de Espiritualidad; Burgos: Monte Carmelo, 2003. v. 4: Escritos antropológicos y pedagógicos.p. 328. “El sentido del valor de las cosas sólo se desarrolla de muchas maneras en el niño cuando ve cómo toma posición al respecto el adulto, especialmente el educador: su entusiasmo suscita entusiasmo. Esta orientación del sentimiento hacia tomas de posiciones determinadas es a la vez un medio para formar la capacidad de discernimiento. No se le puede poner ante los ojos solamente lo bueno y lo bello, porque la vida le pondrá en contacto también con lo negativo, y porque ante ello tendrá que haber aprendido a diferenciar. Hay que diferenciar lo positivo de lo negativo, lo elevado frente a lo bajo, y aprender a situarse al respecto de la forma adecuada.”

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STEIN, E. Vida cristiana de la mujer. In: URKIZA, Julen; SANCHO, Francisco Javier. (Org.) Obras Completas. Vitoria: Ediciones El Carmen; Madrid: Editorial de Espiritualidad; Burgos: Monte Carmelo, 2003. v. 4: Escritos antropológicos y pedagógicos.p. 327. “Sólo quien es conmovido por la vida pondrá en movimiento su emotividad.”

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RUS, Éric de. Uma visão Educativa de Edith Stein: Aproximação a um Gesto Antropológico Integral. Belo Horizonte: Artesã, 2015. p. 74.

Por isso, segundo Edith Stein, “a formação do entendimento não deverá nunca ser feita em detrimento da formação do sentido afetivo”165; assim como o sentido afetivo não cumprirá sua função sem a coligação entre o entendimento e vontade, caso contrário, a vida afetiva agita-se e se perde à deriva.

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