3. Message Exchanges
3.2. The Client/Server Authentication Exchange
A dimensão ganhos e respostas sociais está focada no resultado de uma determinada inovação social. Alguns autores argumentam que a importância dessa dimensão está na transformação social que ela desencadeia. Murray et al. (2010) aborda a fase de mudança sistêmica como objetivo final da inovação social; Cloutier (2003) preconiza que a inovação social se classifique como objetivos de mudança, destacando a preocupação com a solução
dos problemas sociais, bem como na busca por melhores condições de vida dos indivíduos e/ou comunidades; Buckland e Murillo (2013) apresentam a variável de impacto e transformação social, argumentando que toda IS visa resolver problemas sociais.
Dentro desse contexto, percebe-se que a dimensão de ganhos e respostas sociais não pode ser entendida como uma última etapa do processo de inovação social, mas como o motivo principal que estimula os atores a iniciarem as etapas de identificação e implementação da inovação social, por isso a preocupação em apresenta-la em uma dimensão separada da Dimensão Processo.
Assim, os atores organizacionais têm o papel de se voltar para o alcance dos objetivos sociais e direcionar seus esforços para os segmentos desfavorecidos ou marginalizados da sociedade, bem como procurar articular-se com os demais setores da sociedade em prol desses objetivos (PHILLS JR.; DEIGLMEIER; MILLER, 2008). O quadro 11 apresenta os papéis dos atores organizacionais para essa dimensão.
Quadro 11 – Papéis do ator organizacional para a dimensão ganhos e respostas sociais
Papel do ator organizacional Objetivo
Transformação social
Mudança no ambiente
Melhorias nas condições de vida Atendimento aos interesses coletivos
Estimular a participação dos atores para se implementar estratégias até chegar ao alcance da transformação
social. Ganhos sociopolíticos
Emancipação politica Estimular a sociedade civil a adquirir sua emancipação política Fonte: Elaborado pela autora a partir da revisão teórica (2015)
As inovações sociais são reconhecidas como tal, não só pelo caráter inovador voltado à solução dos problemas sociais, mas principalmente, por causa dos resultados alcançados e os objetivos delimitados. Assim, as inovações sociais são aquelas que contribuem para uma mudança social, devendo assim, alcançar melhores resultados no desenvolvimento das atividades cotidianas.
A transformação social não pode ser alcançada através de uma única organização ou setor, sempre envolve uma complexa interação de cultura, práticas de negócios, legislações e fatores políticos. Logo, para que aconteça uma mudança no ambiente, prioritariamente, deve- se envolver uma mudança de atitudes e comportamentos por parte dos atores envolvidos.
As organizações da sociedade civil criam estratégias (escolhas sobre os apoiantes e formas de organização) e procuram vincular as oportunidades oriundas do governo com as
ideias originadas pela comunidade, gerando uma combinação de oferta efetiva e demanda efetiva (MULGAN et al., 2007), resultando em inovações que atingem a transformação social.
Westley et al. (2006) afirma que o processo de inovação social é criado dentro das interações sociais de vários movimentos e como isso muda a sociedade. Os autores sugerem que o relacionamento é a chave para a compreensão para se entender a dinâmica da inovação social e assim, atingir o objetivo da mudança.
A inovação social deve ser mais eficaz do que as soluções existentes, deve criar uma melhoria em termos de resultados, podendo incluir condição de vida, níveis de satisfação, aumento da expectativa de vida, reintegração no mercado de trabalho, melhoria do bem-estar e coesão social (CAULIER-GRICE et al., 2012). Ela tem como objetivo, não só resolver um problema social, mas também responder a uma aspiração (SAUCIER et al., 2006), não podendo ser reduzida a dimensão de resolução das necessidades sociais, mas vista como uma forma criativa de contribuir para o bem-estar dos indivíduos e das coletividades.
Assim, a finalidade da inovação social é fornecer soluções cujo objetivo é o bem-estar da sociedade, na forma de melhorar as condições de vida e de melhoria de suas atividades cotidianas, e estimular novas referências ou processos, independente do ambiente onde acontece a inovação social (OECD, 2010).
Para Assogba (2007) as inovações sociais destinam-se principalmente a promover a coesão social e solidariedade. Neumeier (2012) destaca a importância da rede de interesses que alinha as pessoas e suas experiências e que promove a mudança de atitudes, comportamentos ou percepções que geram novas e melhores ações colaborativas. As redes de articulação promovidas pela diversidade de atores sociais se torna um exemplo de transformação social, por provocar mudança no ambiente investigado, promove a melhoria nas condições de vida, bem como compartilha o interesse da coletividade.
A perspectiva da transformação social reconhece a importância de difundir as inovações sociais para que essas possam desempenhar soluções em outros contextos, desse modo, o processo continuado da IS permite que essas inovações localizadas podem ter oportunidades de escalabilidade para outros contextos. Buckland e Murillo (2013) argumentam que essa capacidade de escala para replicar a inovação se torna importante por duas razões: primeiro, porque muitos dos problemas sociais atuais são globais, sendo necessário, soluções globais; e segundo, como muitos dos sistemas são globalizados ou atuam em grande escala, o que funciona em uma cidade ou nação, muitas vezes pode ser estendido para o outro.
Assim, a essência de uma abordagem de encontrar soluções para problemas específicos dirá em torno do potencial impacto da solução no ambiente que a recebeu, bem como por sua capacidade de se difundir em outros contextos.
O pensamento de solidariedade de reaplicar os conhecimentos gerados nas inovações sociais permite a interação com várias culturas mediante ações de comunicação e troca de conhecimentos e informações em rede, criando e aperfeiçoando, dentro desse compromisso de co-responsabilização, novas experiências de inovação social.
Nesse contexto, o papel dos ganhos sociopolíticos provocado pela inovação social evidencia-se em outros papéis, a exemplo do estímulo papel da participação social no processo de formação e consolidação das identidades regionais, que facilitam a construção de consensos básicos entre os atores sociais essenciais para o desenvolvimento local.
Este papel trabalha dentro da perspectiva bottom-up da inovação social, a sociedade civil (re)descobre seu poder de cooperação, tornando-se um agente ativo na busca de soluções para as necessidades sociais locais, atuando de forma criativa por meio de produtos, serviços, lugares, conhecimentos, habilidades e tradições existentes, bem como através do gerenciamento de seus próprios recursos, sem esperar por uma mudança top-down e geral na política, na economia, ou nos ativos institucionais e de infraestrutura do sistema (MANZINI, 2014).
Pratt (2011) apresenta funções-chave das organizações da sociedade civil que são aplicadas a esse papel. A primeira delas é gerar a base para a democracia, ao afirmar que a sociedade civil se adapta a processo de negociação e representação quando se encontram dentro de uma cultura da democracia (perspectiva bottom-up), levando o comportamento democrático além do nível processual básico, a exemplo de eleições livres, criando normas, sistemas e redes que garantam a democracia em experiências interativas a nível local, tornando a sociedade civil forte e pluralista junto ao Estado. A segunda função-chave é promover a responsabilização política. A sociedade civil tem o compromisso de fazer com que o Estado escute suas necessidades, para isso, são formadas organizações da sociedade civil com o objetivo de articular o interesse dos cidadãos com as responsabilidades políticas do Estado. A terceira função considera a sociedade civil como fonte de inovação, que cria e promove alternativas para sanar seus problemas sociais, implementando inovações sociais dentro de suas realidades. Por fim, a quarta função está associada ao princípio da legitimidade, na qual o Estado deve obter a legitimidade dos seus cidadãos, a partir da ideia de que os cidadãos têm direitos iguais perante a lei e que o Estado reconhece esta questão
como essencial. Portanto, as organizações da sociedade civil se tornam um canal para representar os cidadãos e os seus interesses.
Assim, convidar a sociedade civil a ser corresponsável junto ao Estado é permitir que os indivíduos se tornem emancipados politicamente, comprometidos com a recriação de uma sociedade com mais justiça e equidade, assegurada pelo processo solidário entre os indivíduos.
Um vez identificadas as dimensões da inovação social e os respectivos papéis do ator