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The CAD Algorithm

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Graph Algorithms

4.3 The Max-Flow Problem

4.3.2 The CAD Algorithm

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Riobaldo foi honesto com o senhor, tentou ser, ele diz que sabia que dentro do seu “aceso” o tamanho do seu gostar “às loucas” de Diadorim, o que também compunha uma “raiva incerta”, raiva sem rumo, surgida da desordem deste sentimento confuso e profundo, mas impedido de gostar dele “como queria, no honrado e no final”. Ouvido de Riobaldo ouvia ao fundo ruídos vindos de Diadorim, ele desejante de ter Diadorim, pegá-lo nos braços e no colo e beijá-lo infinitas vezes, sempre. Seria imoral e ilegal, o senhor tenha ciência, se Riobaldo tivesse consumado carnalmente o seu desejo por Diadorim. Naquelas terras do sertão, os homens devem cumprir reto e honrado o seu tratado de jagunço; o senhor mirou e viu que Riobaldo só não levou mesmo o seu amor ao “honrado e final”, ademais, o amor já era estranhamente um mandamento fora de controle.

Com outras mulheres, Riobaldo chegou ao “honrado e final” e com outras houve apenas o “final”, porém em desonra, porque houve ímpetos de predador sexual que, por sorte, foram contidos a tempo. Mas Diadorim foi a grande busca e grande presença, a grande expressão e grande silêncio, houve busca por seu cheiro no capim que ele dormia, houve ojeriza e “estúrdio asco”.

Difícil ter sido Diadorim tão calma, tão paciente. Mas, para ser respeitada e aceita no grupo, ela precisou negar a si própria a condição de mulher, sempre sujeitada às menoridades e às barbáries do sertão. Diadorim tinha disfarces, assim como o seu amor. Ela mesma testemunhou e ralhou com Riobaldo, ora por ciúmes, ora por indignação de sua conduta desvairada de macho jagunço.

Diadorim também, de maneira mais discreta, refuta este amor, ao menos naquele momento, até que a guerra seja vencida, sem saber que morreria para que houvesse vitória:

Foi marcante para mim essa questão dele abusar das duas meninas, quem é descendente de índios, como eu, conhece de perto essa história. Tem uma parte no livro que ele fala da vó, a bisa que foi sequestrada pelo homem branco e foi levada à força para morar lá e deu origem, isso me lembrou da minha da minha tataravó, que era índia, e foi sequestrada por um bandeirante ou um português... Não quero saber quem foi o meu tataravô. Hoje em dia é possível que esses homens satisfaçam essas necessidades. Mas, no livro, Diadorim é sempre contida, o que me deixava suspeita: “Nossa, Diadorim sempre, sempre calminho” para depois descobrir que ela era uma moça e que, para se manter entre homens, ela tinha que ser uma mulher muito determinada a ser um homem, porque viver no meio de tantos homens, e manter a distância do respeito, e se manter como mulher... Eu lembro bem, das festas em que eles iam, e eles foram em uma e Diadorim perguntou: “E a Otacília, você se esqueceu dela?”, ele [Riobaldo] não responde. [Risos]. Eu acho interessante isso nela, porque se ele não responde, ela não insiste, sabe respeitar o silêncio de Riobaldo.

Eu acho que tem passagens muito eróticas, envolventes... A sexualidade é apresentada de maneira muito envolvente, a apresentação dos disfarces do Diadorim... Aquelas passagens em que ela ia tomar banho e se afastava, como um mistério, mas como uma coisa muito posta, achei uma verdade... Eu não me lembrava que Diadorim

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era Deodorina... Quando me contaram, eu fiquei decepcionada em redescobrir isso antes do final, então é isso... O macho, o Riobaldo, gostando de outro homem... Eu acho que ele viveu o amor por Diadorim, e não pela Deodorina.

Tinha que ele se deixava levar por aquele amor e tentava fazer com que ele pensasse que era um amor de amigo, com frases meio defensivas, do tipo “não é o que vocês estão pensando” e outras horas ele falava que tinha vontade de abraçar, pegar as mãos... É uma sexualidade reprimida no contexto do sertão... Em um contexto mais liberal ele poderia se deparar com Diadorim, talvez... Mas eu acho que tem uma questão biológica. Apesar de ele ser machão, ele se permitia sentir e o fato dela (Diadorim) estar vestida de homem não abafou a parte biológica do sexo... O cara é tão macho, tão macho que apesar de toda a repressão, ele se deixava levar pelo afeto de uma pessoa que ele pensava ser um homem, mas era uma mulher. Há uma parte instintiva. Uma mulher travestida de homem consegue despertar afeto e desejo em um homem machão.

Não tem como pensar na questão da sexualidade no livro sem pensar no contexto em que ela está sendo desenvolvida. Um contexto machista, conservador. O cara se reprime o tempo todo, ele não consegue pensar muito sobre a relação entre ele e a Diadorim, mas acho bonito quando ele pensando, sozinho, se deixar levar por esse desejo, dando vazão e reprimindo seus desejos ao mesmo tempo. Nos momentos em que ele se deixa levar pelo amor a Diadorim, ele transcende ao amor sexual. No final do livro, quando ele descobre a Diadorim mulher, há uma grande tristeza. É uma ideia ousada, muito corajosa, naquele contexto e inserindo esse amor no contexto do sertão. Isso não existe ali, então, acho corajoso abordar a homossexualidade no contexto do sertão. Acho que o Riobaldo tem muitos conflitos com isso, sobre o que é ser macho, ser corajoso... Às vezes ele se reprime e se exige mais duro, que seja mole, mesmo sendo muito sensível.

A sexualidade é apresentada de maneira honesta com todas as dificuldades que possui. Surge sendo vivenciada de maneira limitada e direcionada pelas características sociais a que estão todos submetidos ali, como a moral e a ética, com um sentido universal, então a sexualidade do homem desperta medo e negação e o contraposto disto é a sexualidade vivida com a prostituta, maquinal e autoafirmativa. A sexualidade apresentada no livro mais uma vez se aproxima da verdade, a gente vive a sexualidade assim, ela é intrincada, difícil, complexa, nem sempre é livre.

Muito poético. O amor dele por Diadorim é de uma beleza sublime, eu acho o amor muito verdadeiro, no sentido de aceitar a pessoa como ela é, que independe do que é conveniente. O verdadeiro amor não quer mudar a pessoa, ele via o Diadorim masculino e feminino, e ele não se importava. Tinha horas em que ele o sentia frágil, queria proteger, o amor é essa aceitação do outro sem ressalvas, como a proteção, o carinho e o querer bem. Riobaldo tinha essa vontade, proteger Diadorim, de uma maneira muito carinhosa, acho que é isso.

Tem uma frase dele, o Riobaldo, em que ele se pergunta como pode ele, um jagunço, gostar de outro homem. É a pergunta que está com ele a todo tempo, se a gente se reportar a Freud ‒ em “Ave Palavra” Guimarães menciona Freud ‒, é um desejo para além de uma identidade dele, de jagunço. Ele não nega o desejo e pergunta ao leitor o que fazer com esse excedente de desejo para além de uma identidade. Podemos pensar que também há excedentes de real para além da realidade também. O final me parece

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ser uma revelação de que quando Diadorim é revelada mulher, parece haver um efeito retroativo que suscita em Riobaldo a dúvida se ele poderia ter realizado esse desejo.

Mas o senhor também foi testemunha de que aquela “mandante amizade” permeou-se de afeto, proteção, carinho e respeito, e o senhor note como não é fácil isso tudo em meio aos conflitos desejantes, mas nenhum jagunço – e foram muitos – duvidou da união em companheirismo de guerra e honra de Riobaldo e Diadorim:

Não abordou tão a fundo a sexualidade, né? Foi bem brando o tema da sexualidade... Mas também havia o preconceito do Riobaldo que pensava “ah, eu sou homem, estou gostando de outro homem, o que eu vou fazer?”.

Também me chamou pouca a atenção. Não foi a grande questão para mim. Eu não vejo a sexualidade do Riobaldo como homossexual. Eu vejo como uma abertura para o humano e uma disposição de estar com o humano. Nesse sentido a sexualidade dele faz sentido. Não é uma grande questão. Ele morria de amor. Diadorim era a neblina dele. Mas ele estava com as prostitutas, ele pensava em Otacília, e Diadorim ficava com raiva disso.

Já me adiantei. A maneira como ele tratou é genial. Ele pôs a questão (de gênero) de Diadorim, depois ele resolveu essa questão por outra via, é um nó que amarra o leitor e, se este for homofóbico, ficará incomodado com a relação que ele teve com Diadorim, mas depois, quando ele descobre que ela era mulher, ele vai ter que se desfazer da impressão construída inicialmente com a justificativa para sua repreensão demovida. Isso é genial.

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