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O presente capítulo buscou abordar o processo de aprendizagem, distinguindo, sobretudo, os pressupostos do comportamentalismo e do construtivismo. Destacou-se que, na concepção construtivista, aprender equivale a elaborar uma representação pessoal do conteúdo, objeto de aprendizagem. Essa representação não se realiza em uma mente em

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branco, mas em alunos com conhecimentos prévios suficientes para apreender o novo conteúdo de forma significativa. A vinculação – do conhecimento novo com uma base já existente – não é automática e resulta de um processo ativo do aluno, permitindo reorganizar e enriquecer o próprio conhecimento. Evidenciou-se que o processo educacional é dinâmico e culturalmente mediado. Mediação essa que se dá não apenas a partir do uso de ferramentas, mas também a partir dos códigos e relações sociais. Portanto a interação é um importante elemento no processo de aprendizagem, pois os sujeitos “mais maduros“ podem contribuir para a aprendizagem dos “menos maduros”.

Os pressupostos da Aprendizagem Baseada em Problemas (ABP) foram destacados como importante estratégia desencadeadora da aprendizagem. Para o projeto aqui proposto, a ABP indica um caminho, apresenta uma possibilidade para a integração da teoria e da prática da cor aplicada ao design gráfico. Contudo, acredita-se que os “passos” para resolução de problemas gráfico-cromáticos devem ser adaptados.

As principais características do ensino assistido por computador, do ensino inteligente assistido por computador e dos ambientes interativos de aprendizagem, assim como dos sistemas de educação a distância, também foram abordados nos seus aspectos fundamentais. Procurou-se enfatizar que a educação on-line é mais que uma forma de distribuição: é um domínio de aprendizado que habilita o engajamento dos aprendizes. A educação on-line apresenta grande potencial para o aprendizado e a educação colaborativa. As tecnologias de comunicação utilizadas atualmente são cada vez mais interativas e constituem- se numa ferramenta valiosa para alcançar estudantes dispersos por grandes territórios e/ou afastados dos centros educacionais. A natureza assíncrona e a base-texto do meio permite o controle do usuário sobre os fatores tempo, local e tipo de interação. Os usuários têm mais controle, ou opção, em relação à natureza da interação do que no ensino presencial ou à distância tradicional. O aprendiz pode responder imediatamente ou levar algum tempo para refletir, talvez buscar mais informações para compor seus comentários. Contudo, os autores como Harasim (1997), Palloff e Pratt (2002) alertam para a dificuldade nos processos que envolvem tomadas de decisão pelos grupos. Tal aspecto será aprofundado no modelo proposto ao final deste estudo.

Como finalização deste segundo capítulo procurou-se destacar os principais ambientes virtuais de aprendizagem disponíveis no mercado, evidenciando características, funcionalidades e estratégia pedagógica, sobretudo as relacionadas à ABP. Posteriormente buscou-se salientar os aspectos mais relevantes envolvidos na elaboração de programas de educação a distância.

Cabe ressaltar que não se pretendeu realizar uma exposição exaustiva sobre aprendizagem mediada por computador e Educação a distância, mas, sim, destacar alguns conceitos e princípios pedagógicos que são fundamentais para o projeto em desenvolvimento. Portanto, buscou-se um conjunto articulado de princípios que possibilitou orientar a tomada de decisões quanto às estratégias pedagógicas a serem utilizadas no modelo de um ambiente virtual direcionado à aprendizagem da cor. Como explicita Coll (1998), precisamos buscar teorias que não oponham aprendizagem, cultura, ensino e desenvolvimento, que não ignorem suas vinculações, mas que se integrem de forma articulada.

3 FUNDAMENTOS DA COR

3.1 Introdução

No âmbito do projeto gráfico, a cor é um importante elemento para a comunicação e difusão de conceitos e idéias. Pode conduzir o olhar do observador, destacar espaços, integrar ou fragmentar áreas, auxiliar no processo de memorização e no desempenho de tarefas. Muitas vezes a abordagem da cor em várias ciências e expressões, além da sua forte presença na vida cotidiana, torna este tema propício às mais diferentes manifestações.

O processo de percepção e cognição das cores é algo complexo. De um modo simplificado, caracteriza-se o fenômeno cromático como sendo resultante da interação entre uma fonte de luz, um objeto e um observador (BERNS, 2000). Observa-se que muitos aspectos da fonte luminosa (propriedades espectrais e a quantidade de luz, por exemplo), do objeto (tamanho e textura) e do observador (por exemplo: sensibilidade espectral, propriedades das lentes, pigmento macular, adaptação luminosa e cromática), e de suas inter- relações, transformam o estudo da cor num tema complexo.

Abordagens como a de Pedrosa (1989), que busca definir cor como uma “sensação produzida por certas organizações nervosas sob ação da luz – mais precisamente como a sensação provocada pela ação da luz sobre o órgão da visão, condicionada à existência de dois elementos: a luz e o olho (PEDROSA, 1989, p.17) nos parece insuficiente. Mesmo a conceituação esboçada por Guimarães (2000) que relaciona cor a luz, ao objeto, ao órgão da visão e ao cérebro35 se mostra limitada diante do campo complexo que nos apresenta Varela (2003). Para o autor, o estudo das cores oferece um microcosmo das ciências cognitivas, pois disciplinas como neurociências, psicologia, inteligência artificial, lingüística e filosofia trouxeram importantes contribuições para nossa compreensão das cores (VARELA, 2003, p.162). Segundo o autor, a cor sempre é percebida dentro um contexto visual mais abrangente em que todas as sub-redes trabalham cooperativamente, nunca vemos a cor como um item isolado.

As conceituações objetivistas assumem que reflexos de superfície devem ser encontrados em algum mundo pré-determinado, independente de nossas capacidades

35 Ao propor uma conceituação sobre cor, Guimarães sintetiza: cor é uma informação visual, causada por um estímulo físico, percebida pelos olhos e decodificada pelo cérebro (GUIMARÃES, 2000, p.12). Pastoreau (1997, p. 6) também busca uma abordagem mais abrangente ao explicitar “cor não é nem uma substância, nem uma fração da luz. É uma sensação, a sensação de um elemento colorido por uma luz que o ilumina, recebida pelo olho e comunicada ao cérebro”.

perceptivas e congnitivas. Contrariamente à visão objetivista, as categorias de cores são experienciais; contrariamente à visão subjetivista, as categorias de cores pertencem ao nosso mundo biológico e cultural compartilhado (VARELA, 2003, p.176).

As cores têm uma significação perceptiva e cognitiva imediata na experiência humana. Varela (2003) destaca três eixos fundamentais para discussão acerca do fenômeno cromático: um está relacionado a como as cores aparecem, ou seja, a estrutura da aparência das cores, um segundo eixo discutiria as cores como atributos percebidos das coisas do mundo e por fim as cores seriam discutidas como “categoria experiencial”. Varela alerta que esses estágios não são encontrados separadamente na experiência: ela é moldada simultaneamente pelos três. Em geral, as teorias sobre as cores tendem a ter como ponto de partida um ou outro desses três aspectos.

No decorrer deste capítulo, tais pontos serão abordados. Contudo, pretendeu-se destacar fundamentos dessas abordagens para o campo da cor aplicada ao design gráfico. Portanto, iniciou-se o capítulo discorrendo sobre os processos primários da percepção da cor – aspectos físicos e fisiológicos. Em seguida, os modelos e sistemas de representação cromática (que são a base de muitos sistemas técnicos de reprodução de cor importantes para a área de Design) são explicitados. A relativização da aplicação e cognição da cor quanto aos aspectos contextuais, culturais, lingüísticos e históricos da cor também são tangenciados. O capítulo encerra com um levantamento sobre cursos de teoria da cor em ambientes virtuais de aprendizagem.

Em suma, este capítulo tem como principal objetivo ampliar a compreensão acerca do fenômeno cromático, sem pretender esgotá-lo, mas buscando enfatizar, a partir do escopo teórico, fundamentos para a aplicação da cor no design gráfico.