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La théorie de la charge cognitive

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Chapitre 4 La ‘Charge Cognitive’ de l’utilisateur

4.2 Attribution d’un rôle causal à la charge cognitive

4.2.1 La théorie de la charge cognitive

De modo geral, não há muita variação de moradia e deslocamentos entre os estudantes indígenas residentes em Salvador. Geralmente residem em lugares próximos aos campi da UFBA, junto a outros estudantes,

predominantemente familiares ou amigos da mesma etnia. A viabilidade de moradia e estudo na capital, inicialmente, depende sempre das próprias condições materiais do estudante. Quando chegam em Salvador, a Pró- Reitoria de Ações Afirmativas e Assistência Estudantil concede uma bolsa relativa aos dois primeiros meses de permanência. É possível que através da rede de relações do estudante ele consiga outros auxílios através de organizações indígenas e representações políticas. A partir da vigência da bolsa permanência as condições de acesso à alimentação, moradia, materiais escolares, tecnológicos e viagens tornaram-se menos difíceis.

Nos meus registros sobre as moradias, evidencia-se uma preferência por casas, geralmente com dois ou mais quartos. Nos dois últimos anos eles têm alugado também apartamentos, nas mesmas localidades, argumentando encontrar locais mais espaçosos, e compartilhados com mais pessoas, cujo valor equivale ao de uma casa, com a vantagem de mais seguros.

As relações mantidas com estudantes oriundos das mesmas comunidades são, como seria de esperar,mais próximas do que as estabelecidas com estudantes indígenas de outras etnias, na maioria das vezes conhecidos a partir de Salvador. A interação e o intercâmbio social são mais frequentes levando-se em consideração as proximidades sócio-culturais e geográficas. Desse modo, não obstante todos se considerem parentes, diferenças em torno de algumas especificidades, tais como, por exemplo, alimentares ou ritualísticas, poderão produzir algumas tensões e certos distanciamentos, em certas ocasiões. De maneira geral, contudo, o convívio entre os estudantes, independente da etnia, é amistoso e colaborativo. Os encontros que acontecem na universidade, seja nos pátios, corredores, restaurantes universitários, salas de aulae etc ajudam a minimizar o efeito do distanciamento que a vida urbana em uma capital promove, sendo um dos motivos para residirem próximos, no mesmo bairro.

Uma das características da vida urbana, principalmente nas grandes metrópoles, é o individualismo que tende ao isolamento e ao “vazio social”, nos termos definidos por Durkheim (1979, p.101). As experiências relatadas pelos estudantes ao longo da minha pesquisa não registram a exacerbação desses sentimentos com relação aos seus colegas e vizinhança. No que tange à relação com os colegas, de modo geral, essas são tidas como

acolhedoras, amistosas e tolerantes. Ouvi muitos casos alusivos a uma franca solidariedade, que passa a prevalecer no curso do convívio entre estudantes indígenas e não-indígenas, o que não significa que não haja ou tenha havido casos de rejeição. Maria Kiara, estudante pankararu do curso de medicina, relata que uma das dificuldades para a adaptação ao curso é o preconceito e a falta de inclusão por parte dos colegas de curso, o que gera uma barreira com a qual tem que conviver. Ela busca, aparentemente, reduzir o impacto da sua afirmação, ao dizer, na sequência, que tal barreira é atenuada com a presença dos irmãos e de outros estudantes indígenas. Suponho necessário ressaltar que constatação tão direta encontrei apenas no relato de Kiara, o que associo ao fato de ela estar matriculada em um curso de alto prestígio, acadêmico e social,em que a presença de uma ideologia excludente por parte das elites é bem mais forte e evidente. Situação muito diferente, nesse sentido, daquela partilhada por Arissana Braz no curso de artes plásticas.

A relação com os colegas, eles foram muito acolhedores, acho que logo que souberam que eu era indígena, também saiu aquela notícia no jornal todo, então eu mal chegava todos me conheciam e eu não conhecia ninguém, então o pessoal já me conhecia de certa forma, “ah você é a índia”. Mas meus colegas me acolheram muito, ficavam preocupados comigo, perguntavam a minha condição, onde é que eu tava hospedada, onde que não estava, como é que eu comia, como eu estava me mantendo. Então eles ajudavam nos materiais, porque o material é muito caro, borracha, lápis, muito material eles pediam, e cada um leva o seu, comprávamos caixa de lápis, até borracha eu e minha colega compravamos juntas. Porque tinha borracha de apagar carvão que era muito cara, R$ 6,00, na época, e só ia usar uma vez, aí a gente comprou e rachou no meio, então tinha material muito caro e minhas colegas me davam. Lore83, a freira, me deu até uma caixinha de [tinta] pastel seco, que pediam também (Arissana Braz).

Tem uma disciplina que se chama “Terra e representação gráfica”, que é a disciplina mais cara que tem, você aprende várias técnicas, então eles vão pedindo uma coisa atrás da outra ao longo do semestre, cada aula era uma coisa diferente, então em uma aula era aquarela, outra nanquin, era papel e os colegas me ajudaram bastante, foram bem acolhedores, não vi quase essa questão do preconceito, via o

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Irmã Lore era freira de um convento de irmandade mexicana, irmandade de “Maria Niña”, formado por freiras mexicanas, espanholas e brasileiras, que acolheu Anari e Arissana no primeiro ano em que elas moraram em Salvador.

desconhecimento muito grande com os povos indígenas, muito e muito mesmo. Essa ideia ainda do índio selvagem, do índio nu, ainda é muito forte na cabeça das pessoas, eu ficava assim abismada como ainda o povo tem isso na cabeça, não conseguia compreender por que, de onde vinha isso… eu acho que na disciplina de literaturta eu pude compreender melhor como esse imaginário foi construído na cabeça das pessoas (Arissana Braz).

Essa solidariedade está permanentemente presente entre os próprios estudantes indígenas, que tentam não se deixar contaminar pelos valores mais individualistas. “Aí Tales também veio morar com a gente, depois os irmãos de Tales chegaram, aí ele foi morar com os irmãos. A gente morou num [bolo] viu, num bolo ali em Salvador, aí morou no Engenho Velho, na Federação, Nazaré, ficou pulando de bairro” (Arissana Braz).

Ao chegar à cidade, a recepção de outros estudantes indígenas acalenta e atenua a abrupção da mudança de estilo de vida que a migração para Salvador causa, em geral. Daniel Silva (estudante pataxó) recorda-se que, ao chegar, foi recepcionado por alguns estudantes indígenas, especificamente por Juliana Santos e Genilson Taquary e, em seguida, por Rutian Santos, que se tornaram os seus primeiros interlocutores entre a cidade, a universidade e seus auxílios. “Nos ajudaram desde a chegada até a matrícula, ajudaram também no alojamento e em outras coisas que necessitei. Outra coisa que me ajudou bastante foi o grupo PET. E os estudantes indígenas que tem na universidade. Formei, com os mesmos, os meus primeiros laços de amizade aqui”.

Em alguns casos a sociabilidade parece ter ficado mais vinculada ao próprio grupo de parentesco por consaguinidade, como reação a uma aparente dificuldade de relacionamento, seja com amigos e colegas indígenas ou não indígenas, ou como a expressão de uma preferência que, na prática, se mostra conveniente e prazerosa. Nesses casos, o jovem estudante estabelece vínculos mais próximos apenas com os parentes consanguíneoscom quem divide a residência, o que provavelmente repercutirá na sua adaptabilidade dentro da universidade e na própria cidade. No quesito residência, de um modo geral, o parentesco se revela muito forte enquanto promotor de socialidade. As residências estudantis

indígenas por eles formadas são compostas, na maioria das vezes, por parentes da mesma família consanguínea e étnica.

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