• Aucun résultat trouvé

Thèmes du récit qui apparaissent en monologue

Dans le document The DART-Europe E-theses Portal (Page 157-161)

Identification des trois instances : auteur, narrateur et personnage principal

1. Récits proches de l’autobiographie

1.1 Nathalie Sarraute, Enfance (1983)

1.1.2. Thèmes du récit qui apparaissent en monologue

Ainda como parte da contextualização, é necessário justificar o recorte analítico aqui proposto. Em que se baseia a importância de analisar os bastidores da produção de notícias de jornais impressos?

A escolha por trabalhar com jornais impressos foi construída ainda durante a produção do meu trabalho de conclusão de curso, intitulado “Mídia, Discurso e Poder: Uma análise crítica da cobertura de dois jornais pernambucanos sobre as disputas em torno do cais José Estelita”, defendido em 2016. O argumento se embasa a partir da consideração de que mesmo diante da mudança dos hábitos de consumo de mídia no Brasil, de acordo com a última Pesquisa Brasileira de Mídia feita, o jornal impresso ocupa o segundo lugar no ranking dos meios de comunicação usados mais frequentemente pelos brasileiros, depois da televisão, que ocupa o primeiro lugar29. Apesar da televisão ser o veículo mais acessado pelos brasileiros30, pesquisas como a de Bruhn Jensen (1986 apud VON DIJK, 2012) mostram que notícias veiculadas pela imprensa impressa costumam ser mais lembradas pelos indivíduos, além de serem também tidas como dotadas de superioridade qualitativa. Mauro Wolf (2002), segue a mesma linha de pensamento. Segundo o autor, há uma diferença essencial ao poder de influência da televisão e do jornal impresso:

As notícias televisivas são demasiado breves, rápidas, heterogéneas e ‘acumuladas’ numa dimensão temporal limitada, isto é, são demasiado

29 De acordo com a Pesquisa Brasileira de Mídia 2015 – Hábitos de Consumo de Mídia pela População

Brasileira, disponível em http://www.secom.gov.br/atuacao/pesquisa/lista-de-pesquisas-quantitativas-e- qualitativas-de-contratos-atuais/pesquisa-brasileira-de-midia-pbm-2015.pdf. Acessado em 23/05/18.

30 A Pesquisa Brasileira de Mídia de 2015 (disponível em http://www.secom.gov.br) mostra que 95% dos

brasileiros dizem tem acesso à televisão, e destes, 73% afirmam assistir TV diariamente (Pesquisa Brasileira de Mídia, 2015, p.7).

fragmentárias para terem um efeito de agenda significativo. As características produtivas dos noticiários televisivos não permitem, portanto, um eficácia cognitiva duradoira, ao passo que a informação escrita possui ainda a capacidade de assinalar a diferente importância dos problemas apresentados. (...) A informação escrita fornece aos leitores uma indicação de importância sólida, constante e visível (McCLURE & PATTERSON, 1976, p.26), enquanto a informação televisiva tende, normalmente, a reduzir a importância e o significado do que é transmitido. (WOLF, 2002, p.148)

Atualmente, outra mídia vem galgando o pódio de instrumento de comunicação mais usado entre os brasileiros e os demais moradores de países desenvolvidos e/ou em desenvolvimento. Através da internet, o acesso à informação fica muito mais fácil e rápida, apesar de ainda não ser uma realidade em todas as partes do país. Diante de uma adesão cada vez maior às redes sociais, o papel do veículo de jornalismo impresso, ao contrário do que pode se pensar, se reestabelece: a maioria dos links de notícias que são compartilhados no facebook, por exemplo, são redirecionamentos para o site dos jornais, ou seja, o seu conteúdo é acessado também pelos dispositivos móveis. Como mostra Tuzzo31 a partir de uma pesquisa realizada em Goiás, o conteúdo produzido pelo jornal impresso, ainda que veiculado através dos seus respectivos portais da internet, gozam de uma maior confiabilidade. De acordo com Bourdieu (2004, p.7-8), “o que faz o poder das palavras e das palavras de ordem, poder de manter a ordem ou de a subverter, é a crença na legitimidade das palavras e daquele que as pronuncia”. Portanto, apesar da audiência dos jornais impressos estar cada dia mais correndo risco, os veículos ainda detém grande poder simbólico, visto que são tidos como confiáveis e detém legitimidade.

Outra questão essencial para compreender o valor do jornal impresso na sociedade contemporânea é considerar seu alcance para além do simples papel de informar: sendo o jornal um exemplo de uma empresa que tem como mercadoria principal a informação, o jornal se encontra entre o polo econômico e o polo ideológico (TRAQUINA, 2004), visto que disputam entre si pela legitimidade e o monopólio do discurso. Desta forma, é necessário destacar a importância central da mídia para a construção da nossa capacidade de “criar e sustentar ordem em nossas vidas diárias e de nos encontrar e nos posicionar nessa ordem” (SILVERSTONE, 1999, p. 212), ou seja, considerar também o seu poder simbólico-discursivo. Como segue afirmando o autor: “profundamente entranhada no tecido da ordem social como é, (a mídia) fornece tanto uma rota que leva à realidade como uma barreira contra ela” (Idem, p. 213). Em outras palavras, o fato das mídias terem o poder de fazer um fato ou uma informação tanto existir quanto deixar de existir no imaginário coletivo à medida que é veiculada (ou não),

confere à mesma um forte poder simbólico, que é frequentemente utilizado como poder de barganha. Segundo Pedro Guareschi: “Não seria exagero dizer que a comunicação constrói a realidade. Num mundo todo permeado de comunicação –um mundo de sinais-, num mundo teleinformatizado, a única realidade passa a ser a representação da realidade- um mundo simbólico, imaterial” (GUARESCHI, 1991, p. 14). É necessário ainda pontuar que o monopólio midiático tem sofrido alterações estruturais, e que deve-se considerar, neste âmbito, que fatores como a popularização das redes sociais como veículo de informação tem um grande impacto na posição que costumava ser hegemônica da grande mídia. Ainda assim, o poder que a grande mídia detém ao pautar o que deve ser notícia se mantém firme, ainda que esteja havendo uma migração para as suas respectivas plataformas virtuais. Neste contexto, as redações de veículos impressos (que, no caso dos veículos aqui estudados são a mesma de seus portais na internet) gozam de um prestígio na construção do imaginário coletivo e, consequentemente de um poder de influência considerável na sociedade dentre as mídias tradicionais, como afirma Ana Carolina Temer:

Justamente por sua narrativa não efêmera, a imprensa impressa oferece dados e julgamentos que ajudam o consumidor de cultura de massa a tomar decisões cotidianas. Isso significa selecionar informações ou formar opiniões sobre os protagonistas dos espetáculos sociais (...) Na sociedade moderna, tudo aquilo que não está na mídia não existe. (TEMER, 2011, p. 59).

Venício Lima (2015, p. 56), outro grande estudioso da comunicação, destaca a importância dos jornalismo impresso na contemporaneidade ao se utilizar de uma célebre passagem de Gramsci (1971, p.275-276), que foi citada com o objetivo de contextualizar o momento de transição e quebra de paradigmas vivido pelo jornalismo tradicional:

A crise consiste precisamente no fato de que o velho está morrendo e o novo apenas acaba de nascer. Nesse interregno, uma grande variedade de sintomas mórbidos aparece”. Segundo Lima, “Gramsci nos relembra que um dos riscos, enquanto a transição não se completa, é esquecer de que o velho sobrevive, resiste e permanece ativo na defesa dos seus antigos privilégios. (LIMA, 2015, p. 57).

Estudar os bastidores da produção de notícias dos jornais impressos é, portanto, uma forma mais direta de analisar a intervenção dos campos econômico e político no campo jornalístico, compreendendo como e onde estes veículos de comunicação são utilizados com o objetivo de se articular como poder de barganha. Os jornais impressos são, segundo Falcão (2016), a única modalidade informativa que é mediada por um processo de compra, o que é uma questão importante a ser considerada neste aspecto. A autora comenta:

É no campo jornalístico enquanto mercado de bens simbólicos que as notícias – ou os discursos- serão avaliadas com um valor menor ou maior. Neste

sentido, a correlação entre o grau de autonomia do campo jornalístico e o sentido das práticas é de extrema importância: dado que o jornalismo faz parte do campo de poder, a repercussão dos discursos nos demais campos faz com que os jornais tenham uma possibilidade de sucesso da reprodução dos seus discursos tanto maior quanto for a sua legitimidade. (FALCÃO, 2016, p. 66)

Ou seja, ainda que o atual momento vivido pelos veículos de jornalismo impresso seja um momento de transição para um novo que ainda permanece incerto, onde o jornalismo como conhecemos se encontra diante de mudanças estruturais, a importância dos jornais impressos não deve ser desconsiderada, pois além do seu grande alcance e do reconhecimento ao discurso como sendo um discurso oficial -dada a sua legitimidade no campo- estes veículos detém forte poder simbólico, podendo ser reconvertido em poder de barganha, como será possível perceber a partir da análise.

4 “NA PRÁTICA, A TEORIA É OUTRA”: APONTAMENTOS DA ANÁLISE DO

CORPUS

Neste primeiro capítulo da análise, serão investigados os trechos das entrevistas que foram agrupados na categoria “Condições de Produção” e suas respectivas subcategorias, conforme seus núcleos de sentido.

Dans le document The DART-Europe E-theses Portal (Page 157-161)