Gerdau
O Grupo Gerdau atua predominantemente no segmento de aços longos. Em dezembro de 2005, possuía uma capacidade anual instalada de produção de 16,4 milhões de toneladas de aço bruto, sendo 7,6 milhões no Brasil e 8,8 milhões no exterior, com usinas no Brasil, Estados Unidos, Canadá, Colômbia, Chile, Uruguai e Argentina.
Seus ativos totalizaram R$ 25,9 bilhões e a Receita Operacional Líquida (ROL) no ano foi de R$ 24,2 bilhões, com um crescimento médio anual no período de 2006 a 2010 de 22,4% e 37,8%, respectivamente.
Esse crescimento foi resultado de investimentos, no referido período, de cerca de US$ 2,3 bilhões, aplicados de acordo com a sua estratégia, que é orientada para: i) expansão dentro do próprio segmento de atuação, principalmente através de aquisições de usinas produtoras de aços longos no exterior, a maioria na América do Sul e na América do Norte; ii) incremento da capacidade produtiva e modernização de unidades de produção no Brasil e no exterior; iii) diversificação de produtos e desenvolvimento de tecnologias para aumentar a produtividade do processo de fabricação dos clientes; iv) foco nas necessidades dos clientes, agregando valor ao produto final ao oferecer a armação de aço pronta para a concretagem através das unidades Armafer (Brasil) e Fabshops (América do Norte); e v) gestão, que é tratada como prioridade estratégica.
Entretanto, novas oportunidades no segmento de longos estão mais escassas e, com a valorização do preço dos ativos nos últimos anos, menos atraentes. Pelas características do mercado de longos, de foco regional, as oportunidades representam uma compra de mercado local. Com a aquisição da Sidenor, que no Brasil controla a Aços Villares, o Grupo está apostando em desenvolver seus negócios também no segmento de aços especiais, de maior valor agregado.
O Grupo espera que, por intermédio desse negócio, os novos canais de atuação possam gerar oportunidades de continuidade da expansão, principalmente no setor automobilístico. A Gerdau, dentro do seu planejamento para o próximo triênio, estimou investimentos de cerca de US$ 3,8 bilhões, dos quais US$ 2,3 bilhões serão destinados às
operações no Brasil e US$ 1,5 bilhão no exterior. O plano de investimentos prevê, além de manutenção e atualização tecnológica, a expansão de capacidade instalada, cujos valores e o cronograma de aplicação podem variar de acordo com as condições de mercado e os financiamentos disponíveis.
A política de investimentos realizada deu nova dimensão ao Grupo, ganhos com sinergias operacionais, produtividade e maior competitividade nos mercados em que atua, e consolidou uma posição de empresa multinacional no segmento de longos. O Grupo Gerdau tem uma estratégia definida, de longo prazo, e está expandindo suas atividades para além do segmento de longos, procurando tornar-se ainda mais relevante no cenário siderúrgico mundial.
Arcelor
Com a aquisição do Grupo Arcelor pela Mittal, as atividades da Arcelor no Brasil e da Acesita passaram a integrar o novo grupo denominado Arcelor-Mittal. A Arcelor Brasil S.A. atua na América Latina nos segmentos de aços longos e planos, com capacidade de produção de aço de 11 milhões de toneladas por ano. Agrupa três empresas: Belgo Siderurgia (incluindo Acindar, da Argentina), Companhia Siderúrgica de Tubarão (CST), no Espírito Santo, e Vega do Sul, em Santa Catarina. Em 2010, obteve uma ROL de R$ 16,3 bilhões (resultado pró-forma consolidado). No segmento de aços longos, a Arcelor Brasil atua por intermédio das empresas Belgo Siderurgia, Acindar e Trefilarias Brasil. Produz e comercializa fio-máquina para aplicações industriais e construção civil e trefilados e arames para aplicações na indústria e na agropecuária.
No segmento de aços planos, a Arcelor Brasil conta com a CST e com a Vega do Sul. A CST opera uma usina siderúrgica integrada para produção e comercialização de produtos de ferro e aço, principalmente placas semi-acabadas destinadas à exportação. Possui uma infra-estrutura que compreende uma malha rodoferroviária e um complexo portuário, com destaque para o Porto de Praia Mole. Tal estrutura possibilita a redução de alguns custos relevantes, como o recebimento de matérias-primas e escoamento da produção.
A estratégia tem sido a de reforçar seu perfil como produtora de semiacabados, com maior presença de aços nobres, destinados aos mercados externo e interno. A Arcelor anunciou, no início de 2007, um plano de investimentos para a duplicação da sua capacidade instalada até 2013. O programa de investimentos da Arcelor Brasil prevê recursos da ordem de US$ 3,53 bilhões em projetos de modernização (US$ 1,086 bilhão)
e expansão (US$ 2,444 bilhões). Com a recente aquisição do Grupo Arcelor pela Mittal, anunciou-se que os investimentos no Brasil serão mantidos. Na CST, os investimentos incluem a construção de uma nova usina que, segundo diversas notícias, pode vir a ser implantada em Ubu (ES). O início da operação está previsto para 2011, com capacidade de produção de 5 milhões de toneladas de aço/ano, para a produção
de placas.
Quanto à Belgo Mineira, a expansão prevista da usina de João Monlevade, que deverá entrar em operação em 2010, elevará a capacidade de produção da usina de 1,2 milhão de toneladas/ano para 2,4 milhões de toneladas/ano.
A Acesita S.A., também controlada pelo grupo Arcelor, é uma companhia siderúrgica integrada, com receita líquida de R$ 3,8 bilhões (2010). Possui sede em Belo Horizonte e sua usina, com capacidade de 850 mil toneladas/ano, está localizada em Timóteo (MG), na região do Vale do Aço. Nos últimos anos, a Acesita vem buscando focar as atividades no seu negócio principal, que é a produção de aços especiais, tendo em vista que, nesse segmento, a empresa tem um dos mais baixos custos de produção e um dos mais altos índices de rentabilidade.
Está em andamento o projeto iniciado em 2005, de modernização e reforma dos fornos I e II e do forno elétrico de redução, no valor total de R$ 329 milhões. A empresa vai investir cerca de R$ 35 milhões na ampliação dos serviços de transformação e distribuição dos aços inoxidáveis, incluindo a instalação de novo centro de serviços no Estado de São Paulo para ofertar, a partir de 2006, serviços diferenciados aos clientes
Acesita
A Acesita busca com esses projetos ganhar competitividade em um cenário mais adverso. Os investimentos reduzirão o custo do produto vendido, por proporcionarem maior escala de produção, além de eliminarem gargalos na linha produtiva, melhorando a eficiência dos processos. A flexibilidade do mix dos produtos permitirá à Acesita uma resposta mais ágil às flutuações do mercado.
Usiminas
O Grupo Usiminas, com sede em Belo Horizonte (MG), atua no segmento de aços planos, com uma capacidade de produção anual de 9,3 milhões de toneladas de aço líquido. Em 2005, obteve uma
ROL de R$ 13,04 bilhões. Suas principais plantas industriais são a Usiminas (MG) e a Cosipa (SP). Ambas são usinas integradas a coque, que incorporam todas as fases de produção do aço, desde a preparação do carvão e carga metálica até a produção do aço e a transformação em laminados planos. Também são atendidas por um complexo ferroviário.
Essa infraestrutura permite o abastecimento de insumos e o escoamento dos produtos acabados para o exterior e para o mercado interno, acarretando vantagens competitivas. Ainda em 2005, a Usiminas anunciou sua participação, em conjunto com o grupo Techint, em uma grande empresa siderúrgica, a Ternium, destinada a controlar as empresas Siderar (Argentina), Sidor (Venezuela) e Hylsamex (México). A nova empresa dispõe de capacidade instalada de 12 milhões de toneladas/ano e receitas de US$ 5 bilhões. Na operação, a Usiminas participa com suas ações na Siderar (5,3%) e na Sidor (16,6%, através do Consórcio Amazônia), além de um aporte adicional de US$ 100 milhões, representando uma participação inicial de cerca de 16% do capital total da Ternium.
O Grupo é importante fornecedor para os setores automotivo, de máquinas agrícolas e rodoviárias, de equipamentos industriais, eletrônicos, de tubos de pequeno e de grande diâmetro, de perfis e naval. Em 2005, cerca de 43% da produção foi destinada ao mercado externo.
O último ciclo de investimentos da empresa praticamente foi encerrado no fim de 2001, com a inauguração do novo lingotamento contínuo e de mais um conversor na unidade siderúrgica da Cosipa, que permitiu a elevação da sua capacidade de produção de 2,7 milhões para os atuais 4,5 milhões de toneladas de aço líquido/ano. No período de 2002 a 2005, a Usiminas investiu cerca de R$ 1,604 bilhão, basicamente em projetos de modernização e atualização tecnológica. No final de 2005, o Grupo Usiminas anunciou oficialmente sua estratégia de médios e longos prazos, com a perspectiva de realizar investimentos de cerca de US$ 3 bilhões nos próximos cinco anos.
A política de investimentos objetiva o crescimento do Grupo, a atualização tecnológica, o fortalecimento de sua posição competitiva nos mercados em que atua e a
adequação de seu mix de produtos. Tem como objetivo fornecer um produto com maior valor agregado, sobretudo para a indústria automobilística.
A sua execução será realizada por meio de duas frentes:
• Fortalecimento e crescimento no mercado local, através de importantes investimentos em qualidade e no enriquecimento de mix em suas duas usinas. O programa consumirá recursos da ordem de US$ 1,5 bilhão; e
• Crescimento e internacionalização buscando parcerias e/ou aquisições no exterior para a exportação de semi-acabados. Como elemento central dessa estratégia, prevê-se a construção de uma nova usina, na Região Sudeste, com capacidade anual estimada em 5 milhões de toneladas, um investimento da ordem de US$ 3,0 bilhões, do qual a Usiminas deteria 50%.
CSN
A Companhia Siderúrgica Nacional é um complexo siderúrgico integrado, com capacidade de produção de 5,8 milhões de toneladas anuais de aço bruto na Usina Presidente Vargas (UPV), em Volta Redonda (RJ), produzindo aços planos, além de unidades de laminação em Portugal e nos Estados Unidos. Possuía em dezembro de 2005 ativos de R$ 24,4 bilhões e obteve no ano uma ROL de R$ 10,0 bilhões, registrando um crescimento médio anual no período de 2001 a 2005 de 16,1% e 26,0%, respectivamente. Os principais fatores de competitividade da Companhia são a mina de Casa de Pedra, que supre suas necessidades com minério de ferro granulado de alto teor e baixo custo de extração, autossuficiência energética, logística de transporte (ferrovia e porto) e logística de distribuição.
A mina de Casa de Pedra, localizada no município de Congonhas (MG), conta com reservas inferidas de 4,5 bilhões de toneladas de minério de ferro de excelente qualidade. A capacidade de produção da mina é de cerca de 16 milhões de toneladas/ano de produto final.
Em logística, a CSN opera por meio de concessões e administra dois terminais, um de carvão e outro de contêineres, ambos no Rio de Janeiro. Tem participação em duas companhias ferroviárias: a MRS Logística, no eixo Rio de Janeiro– São Paulo–Belo Horizonte, e a Companhia Ferroviária do Nordeste (CFN), que opera nos Estados do Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco e Alagoas.
A CSN tem como estratégia de crescimento a internacionalização de suas atividades e prevê investimentos de aproximadamente US$ 7,0 bilhões nos setores de mineração, siderurgia e logística. Os investimentos serão destinados à ampliação da capacidade de extração de Casa de Pedra, ao aumento da capacidade de exportação do terminal Tecar, ao incremento da capacidade anual de produção de aço em 9 milhões de toneladas e à expansão e/ou aquisição de usinas de laminação nos EUA e na Europa.
Esses investimentos estão intimamente relacionados, sendo a expansão da mineração essencial para o aumento das atividades siderúrgicas. Seus objetivos são tornar-se um player mundial competitivo, em qualidade e preço, na comercialização de minério de ferro, extraído de Casa de Pedra, e aumentar significativamente a exportação de placas para laminadoras, nos EUA e na Europa. A curta distância entre mina e porto, além da própria excelência da operação, permitirá à companhia obter importante vantagem competitiva.
A CSN, de acordo com seu planejamento estratégico, pretende construir duas novas usinas de 4,5 milhões de toneladas/ano cada, uma em Itaguaí e outra em local ainda a ser escolhido, que pode ser Volta Redonda, junto à mina de Casa de Pedra, Congonhas (MG), ou mesmo Itaguaí, nesse caso com uma planta que totalizaria 9,0 milhões de toneladas/ano. A princípio, essas usinas teriam como foco a exportação de placas para suas laminadoras nos EUA e em Portugal, as também existe a possibilidade de associação com alguma empresa no exterior (já foi comentada a participação da Baosteel no empreendimento), que se tornaria um cliente natural para as placas produzidas no mercado interno.
O investimento iniciou-se a partir de 2009 e o início da operação está previsto para 2013. A implementação dessas usinas será integrada com a exportação de placas para as unidades de laminação, nos EUA e na Europa. Para a viabilidade dessa operação, serão necessários investimentos para a ampliação das unidades de laminação existentes, CSN, LLC Lusosider, e a aquisição de novas unidades de laminação nos mercados americano e europeu. O objetivo é agregar valor à operação realizada no Brasil, e a estratégia comercial inclui a realização de contratos de fornecimento de longo prazo.
Também estão contemplados investimentos na implantação de duas unidades de pelotização, com localização prevista para Congonhas (MG) e Itaguaí (RJ). O cronograma de implantação prevê o início das operações da primeira pelotizadora em
2009, e o da segunda em 2010, em linha com o cronograma de expansão da mina de Casa de Pedra.