O Projeto Virtus é desenvolvido pela Universidade Federal de Pernambuco – UFPE – e surgiu em 1996, quando três temáticas estavam sendo pesquisadas: interfaces digitais, visualização e gerenciamento de informação na Web e jornalismo on-line. O objetivo maior do Projeto foi a
... delimitação de uma arquitetura básica para montagem de cursos baseados na Web que se configurem como ambientes de auxílio ao estudo, tanto como complemento a aulas expositivas, quanto como ambiente auto-sustentável de ensino a distância, aquilo que chamamos de Arquitetura Consensual para Ambientes Virtuais de Estudo Modular, visando sobretudo possibilitar a reusabilidade do sistema. (CUNHA FILHO et al., apud MAIA, 2000, p. 59)
O ambiente baseado num servidor Web atende as disciplinas de graduação, pós- graduação e mais recentemente cursos de especialização e extensão (Companhia Hidrelética do São Francisco). O projeto é dividido em quatro módulos:
• módulo de apresentação: informações básicas sobre a instituição, o ambiente, o programa do curso, agenda de atividades, prazos, recursos do ambiente, comportamento do aluno e exemplos de acontecimentos em eventos de ensino anteriores;
• módulo do domínio: onde estão os conteúdos e referências de pesquisa na Web; • módulo de convivência: ferramentas que promovem a interação dos indivíduos no
• módulo de controle: possibilita o controle de acesso dos internautas aos módulos. O aluno tem que aprender um comportamento singular neste ambiente virtual, através da cooperação no processo de ensino, acessando os hipertextos e demais tarefas solicitadas nas disciplinas.
A função do professor é de coordenação dos caminhos virtuais que o aluno vai tomar para executar as atividades propostas. Ele é responsável pela virtualização do conteúdo, assim como pela avaliação do processo de ensino. Ele conta com o auxilio de profissionais para criação e manutenção dos seus conteúdos.
Com relação à abordagem pedagógica, as pesquisas da instituição apontaram para uma abordagem construtivista-sócio-interacionista. O ambiente proporciona um processo de ensino em parceria entre professor, alunos e equipamentos. As ferramentas e agentes participantes neste processo pedagógico são hipertransparências, glossário, biblioteca virtual, caixa resposta, sala de reuniões, mural virtual, exercício de fixação, fichas dos estudantes, editor, navegador, consultor, monitor e notificador.
No que tange à avaliação, o professor encaminha um feedback sobre as atividades realizadas pelo aluno.
A instituição pretende se aprimorar, desenvolvendo um framework para Ambientes Virtuais de Estudo Cooperativo a partir de experiências vivenciadas.
3.13 CONSIDERAÇÕES DO CAPÍTULO
Analisando a trajetória histórica do EAD, percebe-se que as novas tecnologias da informação estão sendo utilizadas como recursos pedagógicos por instituições de ensino e corporações. Este fato tem proporcionado o desenvolvimento das atividades de EAD no ensino profissionalizante.
Dentre as novas tecnologias da informação, as redes de computadores destacam-se por se tornarem populares num curto espaço de tempo, disponibilizando atividades diversificadas e ferramentas de interação e colaboração. Alguns recursos virtuais, como o e-mail, o chat, o fórum e as comunidades virtuais de aprendizagem, configuram-se como alternativas de interatividade no ensino-aprendizagem. Some-se a isso a possibilidade da troca de informações de forma síncrona e assíncrona.
Para interação entre os elementos do processo educativo, as redes de computadores (network) estão entre os recursos mais utilizados, tendo em vista – além dos aspectos citados
acima – o ambiente de aprendizado que possibilita o estudo no trabalho, em casa ou mesmo em viagens. Aliado a isso, o aluno pode ainda receber colaboração dos familiares e colegas na discussão dos conteúdos. Esta nova metodologia tende a desenvolver habilidades e hábitos como autonomia e responsabilidade para a pesquisa.
Conhecer as modalidades, as metodologias e as técnicas instrucionais de EAD experi- mentadas ao longo desses anos é fundamental para a definição de uma estratégia de educação corporativa a ser implantada. A tecnologia, o material didático, os conteúdos e preparo pedagógico dos professores devem ser reaprendidos com esta nova modalidade de ensino virtual.
O e-learning possibilita um conjunto de elementos que, funcionando em harmonia, pode acarretar uma mudança radical na concepção do processo de ensino-aprendizagem profissional. A maior autonomia na participação de eventos que desenvolvam habilidades necessárias para o exercício da profissão promoverá maior motivação e comprometimento com o desenvolvimento das próprias competências. Portanto, um modelo de estratégia terá que disponibilizar uma gama de ferramentas, elementos e atividades que propiciem o desenvolvimento da autonomia nos estudos, a responsabilidade na execução das tarefas, a flexibilidade nas relações com os colegas e o interesse em aprimorar seus conhecimentos.
A logística adotada nos cursos de EAD aqui examinados demonstrou as múltiplas possibilidades de utilização das ferramentas de navegação, interação e aprendizagem na rede de computadores. Evidenciou-se a necessidade de tutoria e monitoramento para que os alunos possam ter a quem recorrer para sentir segurança e apoio em todos os momentos do curso.
Os objetos do conhecimento facilitam ao instrutor montar seus conteúdos e seus programas de cursos, baseados em módulos pré-formatados e de fácil manuseio. De outro lado, os alunos terão a sua disposição uma quantidade cada vez maior destes modelos de conteúdos para buscar informações para pesquisa ou idéias para a resolução de problemas.
A gestão do conhecimento proporciona organizar e popularizar informações existentes, de forma que os interessados tenham fácil acesso a elas e possam contribuir com o conhecimento organizacional, através dos conhecimentos tácitos e explícitos.
Elementos dos mais promissores são as comunidades virtuais de aprendizagem, que, conduzidas com competência e motivação, podem contribuir para a valorização da interação e colaboração no trabalho, como forma de coesão grupal e compartilhamento na resolução de problemas.
A avaliação proposta é abrangente, reunindo informações do aluno, do instrutor, da tutoria e do gerenciamento do aprendizado (relatórios) sobre todo o processo pedagógico.
Com uma visão mais abrangente, pode-se visualizar os reajustes necessários para melhoria no processo pedagógico existente numa empresa.
Em relação aos custos, o ensino presencial mostra-se mais econômico quando o número de alunos é pequeno. O e-learning é mais custoso inicialmente, devido à compra de equipamentos, à formação de professores e ao preparo do material didático, mas, quando o número de alunos é crescente, o e-learning torna-se gradativamente mais econômico.
Por fim, os benefícios do e-learning motivam sua adoção, mas uma estratégia de educação corporativa deve considerar além dos aspectos destacados anteriormente as características dos alunos, informações sobre sua identificação, diagnóstico e perspectivas de ensino a distância, conforme demonstrado no próximo capítulo, com dados do levantamento realizado com os empregados da Celesc, aspectos estes, que vão nortear a estratégia de educação corporativa.
Para definir uma estratégia de ensino a distância Niskier (2000, p. 33), afirma que deve haver um conjunto harmonioso de prioridades e decisões a serem tomadas para orientar a expansão de oportunidades educacionais. O autor salienta ainda a participação de toda a comunidade interessada, a necessidade de identificar linhas de ação, um corpo de políticas estratégicas, o potencial inequívoco da força interna e a ausência de recursos.
Segundo Rosenberg (2002, p. 269 – 282), uma estratégia de e-learning deve responder algumas questões, tais como: Quem vai participar do projeto? Qual é a realidade atual da instituição? Qual a situação desejada para melhorar a área de capacitação? Que visão se tem para o futuro da educação profissional? Qual missão se terá para alcançar esta visão? Que lacunas há entre a situação atual e os resultados esperados? Quais os pontos fortes, fracos, as oportunidades e as ameaças para o e-learning? Como criar seu plano estratégico de ação? Há previsão de problemas e comportamentos que podem ocorrer na implantação da estratégia?
Para responder a estas perguntas, foi realizado um levantamento possibilitando a interrogação direta das pessoas (GIL, 2002, p. 50). Para a coleta dos dados, o pesquisador elaborou um Instrumento de pesquisa sobre cursos de capacitação na Celesc (Anexo 01), baseado, nas dezenove regras práticas delineadas por Gil (2002, p. 116-117) a partir da experiência de outros pesquisadores. O instrumento do tipo questionário, que foi aplicado no período de maio a julho de 2003 aos empregados da Celesc, teve por objetivo coletar informações da opinião do público alvo sobre a quantidade/qualidade da capacitação oferecida pela empresa, sua condição profissional no que tange ao acesso aos recursos digitais, seu conhecimento, experiência e anseios relacionados à educação a distância. Assim, o instrumento de pesquisa foi dividido em três partes: Identificação; Diagnóstico; Perspectivas de ensino a distância.
Inicialmente, serão explicadas as questões contidas no Instrumento de Pesquisa, depois a metodologia realizada no levantamento, após esta etapa, os dados serão apresentados por
amostragem estratificada, tendo como parâmetro os quatro grupos ocupacionais (estrutura de cargos e salários) existentes na Celesc: Manual Operacional, Administrativo, Técnico e Acadêmico. Ao final da apresentação e da análise dos dados, serão feitas considerações sobre os determinantes na constituição da estratégia de educação corporativa para a Celesc, podendo se estender para outras empresas do setor elétrico.