EXAMEN DES ARTICLES
II. Le texte adopté par l’Assemblée nationale L’Assemblée nationale a fait plusieurs modifications
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As ideias e discussões propostas até agora servem para ilustrar o contexto atu- al em que vivemos, para assim termos em- basamento ao se propor novas arquitetu- ras. Vale ressaltar que não estou criticando a globalização e os avanços tecnológicos, porque não se pode negar que eles pos- suem um papel importante para a humani- dade, mas por outro lado me questiono se isso não pode resultar na perda das tradi- ções presentes na nossa cultura. Como não voltaremos para as dinâmicas antigas, nos resta repensar o modo que interagimos com os espaços que a contemporaneidade nos oferece.
O filósofo e sociólogo francês Gilles Lipovetsky é um dos muitos pensadores que desenvolveu essa discussão necessária acerca do momento atual. Em seu livro “Da leveza rumo a uma civilização sem peso” (2015), o autor apresenta a sociedade con- temporânea como sendo hipermoderna devido à aceleração das mudanças e apre- senta as novas caracterizações do ideal de leveza na sociedade, algo que o homem
atual procura constantemente. Dentro des- sa discussão, ele aborda diversas esferas da sociedade onde se é possível perceber o conceito de leveza sendo aplicado, desde moda até nossa saúde.
Ao abordar sobre a arquitetura, ele retoma a modernidade e afirma que ela criou espaços padronizados, rígidos, sem qualquer tipo de leveza. Surge, no momen- to atual, um movimento contrário por parte de alguns arquitetos que questionam a for- ma indiferente aos lugares e espaços que o moderno propôs. Defende-se uma arquite- tura que intervenha no território de forma respeitosa, se preocupando com o contexto e com as identidades que a cidade já pos- sui, indo contra ao pensamento moderno de negação do passado.
“Contra o funcionalismo produtivis- ta e sua duplicação das caixas de concreto, trata-se de promover uma arquitetura em modo leve que tece uma continuidade com a cidade existente, um vínculo harmônico en- tre passado e futuro, entre natureza
e tecnologia.” (LIPOVETSKY, 2015) Leve, para o autor, seria exatamente essa arquitetura que tem a preocupação em se integrar com o meio em que se in- sere, uma vez que ele possui uma tradição enraizada nele e que não pode ser deixada de lado ao propor qualquer objeto. A nova arquitetura deve ouvir as exigências do lo- cal e intervir de forma sensível, permitin- do que a cidade seja um espaço autêntico, carregado de um passado e identidade que lhe confere personalidade única.
A discussão sobre uma preocupação com a história e a identidade do lugar ao se fazer arquitetura está diretamente ligada ao debate sobre o patrimônio histórico na cidade. Todo edifício, inevitavelmente, car- rega memória de uma época e acaba con- tando uma história que, ao ser entendida como herança, se caracteriza em um patri- mônio. Lidar com preservação e manuten- ção do patrimônio sempre foi uma questão que apresentou desafios, principalmente no que gira em torno de intervenções nes- sas preexistências.
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Ao longo dos anos, diversas obras com valor histórico foram desaparecen- do em detrimento do crescimento urbano desenfreado das cidades, onde não houve uma preocupação em conciliar as neces- sidades da cidade contemporânea com a tradição existente no território. Até hoje, existe uma extensa discussão sobre as ar- quiteturas do passado que foram mantidas e as formas que elas devem ser tratadas.
Foi no século XIX que a intervenção em edifícios de caráter histórico começou a ser discutida na Europa, principalmen- te no que dizia respeito aos monumentos. A partir daí surgiram diversas vertentes de pensamento que valem a pena serem tratadas para entender as diversas possi- bilidades de lidar com a questão. Um dos primeiros a participar dessa discussão foi o francês Viollet-le-Duc (1814-1879), que vi- veu em uma época em que a França passa- va por diversos debates sobre arquitetura, principalmente após a Revolução industrial e após a Revolução Francesa. A destruição de diversos monumentos e construções
medievais nas décadas seguintes da Revo- lução incentivou o surgimento de medidas que ajudassem a preservar esse legado his- tórico.
É nesse contexto que Viollet-le-Duc propõe sua teoria de que é necessário o entendimento da lógica entre os elemen- tos da forma, estrutura e função, que foram utilizados ao se construir o edifício. Com esse conhecimento, seria possível atingir “uma reconstituição daquilo que teria sido feito se, quando da construção, detivessem todos os conhecimentos e experiências de sua própria época, ou seja, uma reformula- ção ideal de um dado projeto” (KUHL, p.28, 2000)
Devido esse pensamento, é possível perceber em suas obras que muitas vezes não houve um respeito pela matéria e pelas alterações que o edifício sofreu ao longo do tempo, exatamente por ele propor que os defeitos fossem corrigidos, como substitui- ção por materiais que fossem melhores ou mudanças no sistema estrutural do projeto. Le-Duc foi criticado por essa visão que não
necessariamente respeita o modo como o passado se deu, principalmente nos casos em que os edifícios foram reconstituídos a partir do que ele acreditava ser um “mode- lo ideal”, resultando em algo totalmente di- ferente do original.
A discussão sobre preservação tam- bém ocorreu em outros países da Europa, como na Alemanha e na Inglaterra. Em 1849, o inglês John Ruskin publicou o livro “The Seven Lamps of Architecture”, que abordava seus pensamentos em torno da
questão, sendo eles totalmente opostos aos ideais de Viollet-le-Duc. Ele se posicio- na contra a ideia de restauração, afirmando que se os monumentos forem conservados e bem cuidados ao longo do tempo, o res- tauro não será necessário, mas que inde- pendente disso, a edificação irá desapare- cer em algum momento.
A restauração para ele seria a pior forma de destruição, que encoberta total- mente o sinal do tempo no monumento, passando uma falsa ideia de preservação. O restauro acaba manchando a história da obra, afirmando que o homem atual não tem o direito de intervir em algo que per- tence a quem os fez e as gerações anterio- res.
No final do século XIX, o debate so- bre patrimônio e restauração ainda estava se desenvolvendo quando surgem questio- namentos em relação às teorias de Violle- t-le-Duc e John Ruskin. Um dos principais pensadores dessa época foi o engenheiro, arquiteto e historiador Camillo Boito, que, em seu texto chamado “Os restauradores” Imagem 32: Desenho de Viollet-le-Duc, Catedral de Lau-
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(1884), apresenta uma visão que conciliava ambas as teorias apresentadas anterior- mente.
Seu pensamento foi muito impor- tante para a formulação dos ideais moder- nos sobre restauração, em que defendia o respeito à construção original da pré-exis- tência e uma busca pela harmonia entre as arquiteturas do passado e do presente. Afirmava, que cabia ao restaurador sem- pre buscar informações na própria obra em questão e se baseando nos documentos originais como plantas e fotografias para iniciar suas propostas de intervenção, sem- pre visando intervir o mínimo possível.
Boito acreditava que a conservação ajudava sim a preservar o bem histórico e que as propostas de restauro deveriam ser feitas quando houvesse risco da perda da memoria e dos valores de cada obra. Se fos- se então necessária uma intervenção, que o arquiteto deixasse claro a diferença entre o que é a obra contemporânea e o que é a matéria original.
Imagem 33: Fachada Caixa Forum em Madrid, Herzog & de Meuron.
Imagem 34: Caixa Forum em Madrid dos arquitetos Herzog & de Meuron.
Antiga fábrica transformada em centro cultural. Exemplo de diferenciação da mate- rialidade na intervenção.
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A contextualização é importante para ilustrar as possibilidades que podem ser adotadas ao tratar do patrimônio e mostrar que esse debate vem sendo feito desde o século XIX, sem possuir uma resposta cor- reta necessariamente. Fica claro que ainda existem controvérsias ao tratar do diálogo entre arquiteturas de tempos diferentes, principalmente em relação ao que se pre- servar e como, devendo tratar cada caso de acordo com suas particularidades.
No Brasil, a discussão para a preserva- ção do patrimônio construído só teve início na primeira metade do século XX, quando as questões do urbanismo e da arquitetura moderna começaram a surgir. O fato des- sa preocupação surgir recentemente deixa claro a falta de espaço que esse tema tem no âmbito da arquitetura nacional.
O fato da urbanização no Brasil ter acontecido de forma tão rápida, resultou em uma lógica de expansão urbana que priorizou a construção de novas arquite- turas e a preservação de apenas algumas obras históricas que se destacavam. Como
consequência, grande parte das constru- ções antigas se deterioraram ou foram de- molidas para dar espaço a novos edifícios.
Essa posição de demolir construções do passado sem uma deliberação sobre sua importância deixa nítido a falta de valoriza- ção em relação à cultura brasileira, princi- palmente pelo fato de não haver uma cons- cientização da sociedade em relação ao potencial da nossa herança cultural e uma falta de apoio do governo para incentivá-la.
A destruição de obras históricas afeta de forma irreversível a cultura e a identida- de de uma sociedade, apagando uma par- te de um passado que, mesmo distante, é extremamente importante para o entendi- mento do momento atual em que vivemos.
“ Uma sociedade deturpando sua cultura e sua memória, destrói os instrumentos que são seus próprios meios de expressão como seres vi- vos, com incidências sobre a me- mória individual e coletiva, podendo gerar problemas para a identidade
como comunidades, povo ou nação”
(KUHL, p.35. 2005)
Na iniciativa de respeitar o passado, o arquiteto hoje em dia tem a difícil missão de intervir no espaço já consolidado das cidades contemporâneas. É cada vez mais comum que sejam realizadas intervenções em pré-existências que demandam um en- tendimento por parte do arquiteto sobre o contexto físico e histórico, buscando clare- za da obra sobre a qual vai atuar.
Existem diversos tipos de intervenção, desde um anexo a um bem histórico até a total mudança de uso para determinada obra. Na minha experiência de ter morado na Bélgica, pude conhecer de perto alguns projetos que abordavam de forma distinta, essa questão do restauro, como a livraria Selexyz Dominicanen na cidade de Maas- tricht na Holanda que funciona dentro de onde foi um dia uma igreja e a expansão do Museu Judaico em Berlim do arquiteto Da- niel Libeskind.
Imagem 35: Vista aérea Museu Judaico em Berlim
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Imagem 37: Pinacoteca do Estado de SP Vale ressaltar também exemplos na-
cionais em que a proposta arquitetônica vinculada com edifícios históricos obte- ve sucesso no entendimento do contexto. Uma delas é a reforma do edifício onde funcionava o antigo Liceu de Artes e Ofício para adaptá-lo para ser a Pinacoteca de São Paulo. O trabalho feito por Paulo Mendes da Rocha e equipe mostra como se pode fazer uma arquitetura que entenda os aspectos do antigo para aí se criar um diálogo muito bem feito com a arquitetura nova proposta.
Localizado em uma das regiões mais deterioradas da cidade de São Paulo, o novo museu se tornou um espaço de referência artística tanto nacional quanto internacio- nal e faz parte de um projeto de revitaliza- ção da região da Luz em busca de criar es- paços culturais no centro da cidade.
O projeto previu uma melhoria na in- fraestrutura do edifício assim como uma releitura dos espaços existentes, como a presença de claraboias sobre os pátios in- ternos que permitiu mais áreas de exposi- ção iluminadas pela luz natural e a criação
de novos eixos de circulação com a criação de passarelas metálicas sobre os pátios.
A intervenção proposta por Paulo Mendes é um ótimo exemplo de como uma intervenção arquitetônica pode preservar as características do edifício histórico sem necessariamente descaracterizá-lo, apenas contribuindo para sua revitalização.
Imagem 38: Detalhe passarelas metálicas Pinacoteca do estado de SP
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Outro caso que vale a pena abordar é o complexo cultural e educacional Praça das Artes (2012), projeto do escritório Brasil Arquitetura e localizado na área central de São Paulo. O projeto surgiu da iniciativa de expandir as atividades do Theatro Munici- pal de São Paulo, com um novo conjunto de edifícios que abriga diversas ramificações da instituição como as Orquestras Sinfôni- ca Municipal e Experimental de Repertório e o Balé da Cidade.
O local de implantação é dado por lo- tes que se conectam no miolo da quadra, voltados para a Avenida São João, a Rua Conselheiro Crispiniano e o Vale do Anhan- gabaú. Tal trecho urbano é fortemente ca- racterizado pela presença de edifícios de diferentes épocas que retratam os mais di- versos cenários vivenciados pelo centro da cidade, como o Conservatório Dramático e Musical e a fachada do Cine Cairo.
Esses, por sua vez, foram tidos como diretrizes no processo projetual, a fim de garantir uma implantação que se entranhe nos interstícios da quadra e incorpore as
pré-existências, mantendo-as como cicatri- zes que remetem ao passado. Em vista dis- so, houve a preocupação em requalificá-las e permitir o reencontro dos usuários com esses espaços de relevância histórica.
O equilíbrio entre as atividades pro- gramáticas e a forma tanto dos cheios quanto dos vazios é algo de muito valor no projeto, que cria um espaço de permanên- cia em pleno Centro de São Paulo e desem- penha junto a ele uma relação mútua de valorização e complementação, uma vez que o projeto proporciona a reapropriação desse trecho central da cidade que foi es- quecido em meio ao desenvolvimento ur- bano.
Sendo assim, a Praça das Artes, ilus- tra muito bem como a arquitetura contem- porânea pode estabelecer um diálogo de respeito com as pré existências quando o território é bem estudado e levado em con- sideração ao longo do processo, sempre vi- sando manter sua identidade.
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Imagem 40: Praça das Artes, Brasil Arquitetura
O entendimento da cidade como uma sobreposição de camadas históricas é extremamente necessário para se propor novas arquiteturas e intervenções urbanas, sempre pressupondo o entendimento so- bre o sentido do lugar. Segundo o histo- riador Andre Corboz, o território não pode ser entendido como um campo operatório quase abstrato: um lugar não é um dado, mas consequência de uma condensação (CORBOZ, 1985). Sendo assim, para propor uma intervenção bem pensada, o arquite- to deve ter conhecimento de cada camada que constitui o lugar, entender o legado que existe ali.
Ele compara essa ação a um palimp- sesto, uma espécie de pergaminho em que o texto anterior é raspado para dar lugar a um novo. Corboz afirma que essa metáfo- ra descreve esse processo de acumulação, principalmente, porque além de acrescen- tarmos camadas novas ao território, tam- bém apagamos algumas delas ao longo do desenvolvimento da cidade.
O arquiteto deve ter uma visão de um
historiador, que busca entender os vestí- gios que o tempo deixou e que, em primei- ra análise, podem passar despercebidos, mas que devem ser descobertos. Ao enten- der os valores que determinado lugar teve em seu passado, o homem pode propor in- tervenções embasadas e coerentes com a necessidade daquele espaço, valorizando a memória e tornando o projeto mais interes- sante.
Infelizmente, na maioria dos casos atuais, a história é deixada de lado para dar espaço para novas arquitetura que nada se importam com o lugar. Dessa forma, aque- la arquitetura histórica que tem o potencial de estabelecer uma relação de identifica- ção, acaba sendo desvalorizada, dando es- paço para arquiteturas genéricas, desprovi- das de uma conexão de identidade.
A destruição dessa camada histó- rica por parte da sociedade contemporâ- nea, arranca os vestígios de identidade da cidade, transformando os espaços que an- tes tinham um caráter único, em “não lu- gares” desprovidos de valor. Infelizmente,
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aquilo que antes tornava a cidade única, foi deixado de lado, nos guiando cada vez mais rumo a uma cidade genérica. São os elementos históricos que restaram os pos- síveis de reverter tal situação futura.
Ao longo da faculdade, desenvolvi um interesse muito grande pelas questões históricas e de patrimônio em torno da ar- quitetura, embora poucas vezes explorado em atividade de projeto. A vivência que tive de perto com a forma que o patrimônio é tratado em muitos países da Europa, soma- do com as questões de identidade desper- tadas em mim foram o que me levaram a abordar esse tema no processo projetual.
Para entender melhor sobre as difi- culdades de lidar com patrimônio e sobre a importância da identidade para nossa cul- tura, optei por intervir junto ao edifício do Mosteiro da Luz, importante exemplar de uma arquitetura colonial do século XVIII ain-
Proposta de projeto
da presente na cidade de São Paulo e tom- bado pelo Iphan, Condephaat e Conpresp.
Localizado na atual Avenida Tiraden- tes, a construção feita em taipa teve início de suas obras em 1774 e foi idealizada pelo religioso Frei Galvão como lugar de recolhi- mento das Irmãs Concepcionistas, que até hoje vivem em total reclusão. A partir de 1970, o Museu de Arte Sacra de São Paulo passou a ocupar a ala esquerda térrea do Mosteiro e tem um dos maiores acervos do patrimônio sacro do país.
Para entender melhor as necessida- des do local e poder desenvolver um pro- grama de extensão com atividades plausí- veis, tive a oportunidade de fazer uma visita guiada ao local após conversar com o pro- fessor Rodrigo Mindlin Loeb, vice-presiden- te do Conselho de Administração do Mu- seu. Como o edifício ainda é utilizado como Mosteiro, a área destinada para exposição não é o suficiente para abrigar a quantida- de de peças do acervo, sendo exposto apro- ximadamente 20% apenas das obras.
Sendo assim, uma das principais questões é exatamente essa falta de espaço de exposição e restauração, somada a uma melhoria nos espaços para recepcionar os diferentes grupos de excursão que visitam o local diariamente, situação que ocorre atualmente em uma tenda improvisada na área do jardim. Além disso, o Museu propõe atividades como cursos e workshops que atualmente não possuem um espaço espe- cialmente destinado para esse uso, assim como pequena área de administração que não dá conta das necessidades.
Mapa situação que mostra o eixo da Avenida Tiradentes, com destaque para as áreas relevantes como Pinacoteca e Estação da luz.
Circulado está a área de in- tervenção do Museu
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Ao iniciar meu processo de projeto em busca de um partido arquitetônico, tive a grande dificuldade de conciliar todas as necessidades programáticas em um terre- no extremamente limitado e caracterizado pela presença da chácara utilizada pelas monjas que, por ser também preservada, não poderia ser utilizada. Restou então, uma área de intervenção na lateral do Mos- teiro e um trecho estreito voltado para a Rua Doutor Jorge Miranda onde atualmen- te fica localizado um estacionamento.
Somado com essa limitação, acabei optando por um partido arquitetônico que organizou a maior parte do programa ne- cessário no nível do subsolo e o restante do programa distribuído em um volume que, apesar de ter pavimentos superiores, respeita o alinhamento do muro existente como forma de manter a vista para a fa- chada lateral do Mosteiro livre para aqueles que passam pelo local, visando respeitá-lo.
Então, no nível térreo, optei por criar uma praça pública que sirva de respiro e pausa em meio ao cotidiano caótico de São
Paulo. Nela, criei rasgos no chão que per- mitem a entrada de luz no pavimento abai- xo do nível térreo, ideia que surgiu devido uma imensa preocupação de que o espaço se tornasse enclausurado e inóspito. Com essas aberturas, é possível a entrada de luz