Chapitre III : Enquête de fidélisation client au sein de Cevital
Section 01 : description de l’échantillon
1.4 Tests de quelques relations
As categorias sociocognitivas do empreendimento de van Dijk (1999, 2010, 2012, 2014), unidas às cinco características do líder carismático de Weber (1999a, 1999b) e aos três princípios carismáticos de Coleman (2009), fundamentam nossas análises.
O quadro 4, antes de tudo, é o resultado das leituras e dos estudos realizados das teorias dos três autores mencionados que fundamentam este capítulo, destinado às análises sociocognitivo-carismáticas dos discursos do Papa Francisco. Dessa forma, delimitamos como dar-se-ão as análises quali-quantitativas dos fragmentos dos 178 discursos que constituem o corpus do nosso estudo analítico-descritivo.
Quadro 4 – Categorias sociocognitivo-carismáticas das análises
Fonte: Quadro elaborado, por nós, a partir das leituras de van Dijk (2012), Weber (1999a, 1999b) e de Coleman (2009).
• Tempo • Lugar
• Identidades (membros de comunidades, grupos, instituições
etc .)
• Papéis comunicativos (falantes/ Eu- mesmo, ouvintes etc .) - sociais,
institucionais etc .
• Relações (de poder, de amizade, de família etc .)
• Escolhas lexicais • Figura retórica (metáfora)
Semântica global • Macroestrutura: temas discursivos
COGNIÇÃO Cognição pessoal e social • Ideologia (polarização Nós x Eles)
Virtude de provas • Reconhecimento pelos dominados
Pela graça de Deus • Bem-estar aos dominados
Vontade criadora concreta • Cria novos mandamentos
Alheio à economia • Despreza e condena a economia
Grande força revolucionária • Modificação da consciência e das ações
Princípio da Mobilidade • Itinerante
Princípio de Narrativa • “Mestre da Fala”
Princípio de reaching out • Alcançar o público
CARISMA Cenário (ambiente) Participantes CONTEXTO Semântica local DISCURSO
As cinco características do líder carismático de Weber (1981, 1999a, 1999b) e os três princípios carismáticos de Coleman (2009) permitem-nos relacioná-los às categorias sociocognitivas de van Dijk (1999, 2010, 2012, 2014).
Da categoria CONTEXTO de van Dijk, não especificamos os participantes do evento comunicativo “missa”, uma vez que os discursos do Papa Francisco são proferidos em diversos lugares e esses participantes são alterados em cada prática social. Assim, no decorrer de nossas análises, deixamos explícitos o cenário (tempo e lugar) onde ocorrem os discursos, e, quando possível, analisamos também, os participantes. Dessa forma, relacionamos a categoria discursiva CONTEXTO com o princípio da mobilidade de Coleman (2009) e com a característica carismática “alheio à economia” de Weber (1981, 1999a, 1999b). A característica weberiana defende que, embora o carisma sobreviva na economia, ele se torna antieconômico no sentido de não aceitar acúmulo de riquezas, mas sobreviver de dízimos e ofertas de seus seguidores. Assim, para que o Papa realize suas viagens nacionais e internacionais, ele necessita de meios de transporte que, indiretamente, necessite de recursos financeiros. Com isso, o Santo Padre se torna um líder religioso itinerante e missionário atendendo o que Coleman chama de mobilidade. Sem utilizar-se desse princípio, o líder carismático seria impossibilitado de realizar suas viagens nacionais e internacionais para propagar às massas seus discursos. Embora nem todos os seus seguidores possam estar presentes fisicamente nas missas para ouvir, se aproximar ou até mesmo tocar o Papa Francisco, a mídia entra em cena para facilitar o acesso àqueles que não podem diretamente fazerem-se presentes nos locais em que se realizam as pregações e se manifesta fisicamente (através do seu próprio corpo) a real presença do missionário itinerante. É nesse sentido que o princípio de Coleman (2009) e a característica de Weber (1981, 1999a, 1999b) pode ser relacionada com a categoria de CONTEXTO, cenário e participantes, de que defende van Dijk (1999, 2010, 2012, 2014).
A categoria DISCURSO vincula-se à semântica local e à semântica global, estudada em van Dijk (1999, 2010, 2012, 2014). Da semântica local, tratamos das escolhas lexicais e das metáforas nos discursos do Papa e da semântica global, trazemos uma detalhada divisão dos temas discursivos a que se referem cada um dos 178 discursos do Sumo Pontífice. Relacionada a esta categoria estudamos o princípio da narrativa defendido por Coleman (2009). Por meio dele, além do pregador ser um “mestre da
fala”, ele fala de “coisas da vida”, surpreendendo seu público com discursos que aparentam ser sua própria vida. Weber (1981, 1999a, 1999b) nos fala que pela “virtude de provas” a pregação do líder carismático deve causar uma comoção no público. Dessa maneira, quando o carismático busca exemplos que tocam, sensibilizam e que sejam de fácil entendimento para os seus seguidores, está garantindo, por meio de suas narrativas simples e acessíveis, a manutenção de seu carisma. Portanto, as escolhas lexicais, as metáforas e os temas discursivos, categoria DISCURSO, para van Dijk (1999, 2010, 2012, 2014), mantém relação com a característica “virtude de provas” de Weber (1981, 1999a, 1999b) e com o princípio da narrativa de Coleman (2009).
A categoria COGNIÇÃO de van Dijk (1999, 2010, 2012, 2014) está relacionada com o princípio de reaching out de Coleman (2009) e com as características: “pela graça de Deus”, “vontade criadora concreta” e “grande força revolucionária” de Weber (1981, 1999a, 1999b). Nesse sentido, alcançar o público, é antes de mais nada, manter contato direto com ele, tornando-se acessível a ele. Assim, o Santo Padre Francisco, ao tocar as pessoas e deixar ser tocado por elas, consegue atender aquilo que postula o princípio de reaching out. Do princípio de Coleman, depreende-se a eficácia da dominação carismática e a garantia do sucesso do reconhecimento das qualidades extracotidianas e dos poderes “divinos” atribuídos ao líder carismático. Weber (1981, 1999a, 1999b) postula que o conceito de carisma pode ser interpretado também como um modelo de explicação para a gênese e o desenvolvimento de mudanças sociais, cuja força motriz é uma revolução de atitudes motivadas por razões internas que transformam a personalidade. E mais, que a dominação carismática é concebida como fenômeno de transição social específico, no sentido de um contraste que pode fazer de sua duração algo efêmero. Portanto, embora se reconheça o aspecto passageiro da dominação carismática, uma vez que o líder religioso pode perder seus poderes “divinos” ou se tornar inútil perante o público que espera por suas qualidades extracotidianas, sobrenaturais, ou ainda, suas atitudes sobre-humanas, ela não pode ser estudada apenas sob o ponto de vista de um fenômeno que desapareça com a modernização. Pelo contrário, em Weber, o carisma, movimento irracional, oposto ao racionalismo, se configura aparecendo a qualquer momento numa sociedade pós- moderna, possibilitando o desenvolvimento de sua “grande força revolucionária” e de sua “vontade criadora concreta”, mudando os rumos de instituições, no nosso caso,
da Igreja Católica. Portanto, os seguidores do Papa Francisco o reconhecem e conseguem ter um sentimento de bem-estar próximos a ele. Também, o Santo Padre parece não conhecer regras e ser criados de “novos mandamentos”, pois não anda em papamóvel blindado, não mora no Palácio Apostólico, não usa os mocassins vermelhos, mas sapatos pretos e escolhe para seu pontificado um nome peculiar, Francisco, não antes utilizado por nenhum de seus antecessores (alheio à tradição). Todos esses fatores parecem atender o EU-mesmo, categoria crucial dos modelos de contexto, tão defendido por van Dijk (2012) e que nós, relacionamos com as características carismáticas de Weber e com o princípio de reaching out de Coleman (2009).