2.3 De l’apprentissage visuo-moteur ` a l’imitation bas niveau
2.3.4 Tests de la coordination visuo-motrice
O segundo passo, de acordo com o ciclo de quatro passos da inteligência cultural (Figura 5), é o QC Conhecimento (CQ Knowledge) ou dimensão cognitiva. Como o próprio nome indica, esta dimensão reflete o conhecimento que um indivíduo tem sobre as normas e práticas em culturas diferentes, entendendo o papel da cultura na influência de comportamentos e pensamentos das pessoas.
(…) o QC cognitivo reflete o conhecimento de normas, práticas e protocolos em diferentes culturas, que foi adquirido através da educação e de experiências pessoais. (…) Tendo em conta a grande variedade de culturas no mundo contemporâneo, o QC cognitivo indica o
26
conhecimento de aspetos culturais universais assim como o conhecimento de diferenças culturais. (Ang & Van Dyne, 2008, p. 5)
Esta dimensão é composta por apenas duas subdivisões, o conhecimento de cultura geral e o conhecimento de contextos específicos. O conhecimento de cultura geral é a capacidade de descrever as estruturas de certos valores culturais que explicam comportamentos em diferentes culturas. É definido como o conhecimento de elementos universais que constituem um ambiente cultural. Esta subdivisão é importante para que se possa perceber em que aspetos as culturas são diferentes ou semelhantes. O conhecimento de contextos específicos é o conhecimento de manifestações de elementos culturais universais num domínio específico. Este domínio pode-se referir a contextos culturais num país ou área territorial e a subculturas, como diplomatas, professores, entre outros. Ainda se pode aplicar a subgrupos demográficos baseados no género e idade. (Van Dyne et al., 2012, pp. 301–302)
Algumas das estratégias que D. Livermore (2011) refere como podendo ajudar um indivíduo a aumentar o seu nível de QC Conhecimento são as seguintes:
• Deve-se estudar a cultura de perto. A melhor maneira de entender como uma cultura funciona é envolvendo-se totalmente na mesma. Imergir-se numa cultura, observando os comportamentos das pessoas nativas ou envolvendo-se em eventos culturais (tais como festivais, concertos etc..); são métodos eficazes que vão ajudar a aumentar o nível de QC;
• Pesquisar de forma inteligente. Quando for necessário obter informações deve-se cuidar no tipo de ferramentas ou websites, nem todos têm informação atualizada ou verídica. O que acontece muitas vezes é que, durante uma pesquisa na internet se obtém informação falsa. Saber distinguir este tipo de informação é importante para o desenvolvimento correto do nível de QC Conhecimento;
• Aumentar a consciência a nível global. Quando se pretende lidar com pessoas de outra cultura convém saber algo sobre a mesma. Que assuntos se devem evitar falar, ou que assuntos se podem falar? Para tal, deve-se ter algum conhecimento do seu passado histórico e da sua política. É difícil ter sucesso em situações multiculturais sem ter conhecimento geral sobre as culturas em questão;
• Envolver-se mais com literatura e filmes, porque a cultura está presente em tudo. Através da leitura de um livro ou da visualização de um filme, pode-se entender pela forma como
27
as personagens se dão entre sim vários aspetos culturais. Em cada detalhe ou comportamento, podem-se observar certos pontos culturais. Por exemplo, através de um filme chinês, poder-se-á entender como é a cultura chinesa em relação a hierarquia em contextos de trabalho (numa empresa) e como é totalmente diferente dos países europeus. Ver filmes ou ler livros também aumenta a capacidade de observação. Em momentos de convívio com pessoas de outras culturas é possível optar por uma posição mais observadora, tomando atenção a pequenos pormenores e facilitando a compreensão de certos comportamentos;
• Aprender sobre os valores culturais. Conseguir distinguir e entender os valores culturais de outras culturas é um processo importante para a adaptação social. É necessário entender o que numa cultura é considerado bom, mau, justo, injusto, certo ou errado, para poder agir e comunicar da forma mais correta em situações de contexto multicultural. Para os nativos de uma cultura, a influência destes valores é subconsciente, mas para alguém estrangeiro cujos valores culturais podem ser opostos, torna-se desafiante aceitar os valores dos outros. Se o indivíduo estrangeiro conseguir adaptar-se a alguns desses valores culturais, a adaptação será mais fácil. Por exemplo, um indivíduo dos Estados Unidos da América (sociedade individualista), que vá trabalhar ou viver para a China (sociedade coletivista), terá de se adaptar a essa cultura/valor cultural e entender que na China o que importa não é indivíduo, mas sim o grupo;
• Entender e explorar a própria cultura. Este é talvez o passo mais difícil para melhorar o nível de QC Conhecimento. Todo o ser humano faz parte de algum tipo de cultura, que por ser a sua própria cultura é subconsciente e implícita. Para conseguir compreender outras culturas é necessário ter consciência da própria cultura. É importante ainda evitar os extremos do etnocentrismo ou o oposto e a desvalorização da própria cultura, pois são grandes obstáculos para o desenvolvimento desta dimensão;
• Estudar uma língua estrangeira. Língua e cultura estão interligadas e para dominar uma é necessário entender a outra. Através do estudo de uma língua é possível entender como é que uma cultura funciona ou reconhecer alguns dos seus valores culturais. Pegando no mandarim como exemplo, que tem uma escrita muito visual, alguns carateres como o de árvore 木(mù) ou o de pessoa 人 (rén), têm uma aparência semelhante ao seu significado, por isso os chineses poderão ter de visualizar algo para o entenderem melhor preferindo o concreto ao abstrato. Para além disso, quando se
28
estuda uma nova língua será mais fácil compreender a forma de pensar das pessoas dessa cultura;
• Procurar várias perspetivas que possam abrir mais caminhos de pensamento. Não existe uma perspetiva certa. Cada indivíduo, cada grupo ou sociedade têm perspetivas diferentes. Mas conhecimento é um fator decisivo, pois a própria perspetiva sobre as coisas poderá alterar-se e o indivíduo poderá aceitar facilmente as perspetivas dos outros. (Livermore, 2011, pp. 69–100)