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Test sur les variables et les fichiers

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14. Programmation de base du shell

15.3. Test sur les variables et les fichiers

O perfil das participantes na terceira turma se alterou em relação às turmas anteriores, pois a participação de mulheres com formação universitária (assistente social, enfermeira, pedagoga, professora e psicóloga) passou de 19% e 20%, nas ofertas anteriores, para 31% na terceira oferta. E, ainda, 23% eram estudantes, sendo que entre elas apenas 1 (uma) não era do ensino superior. Assim, embora a diversidade tenha se mantido, houve redução da participação de mulheres menos escolarizadas. Destaque para a inserção de dirigentes do Sindicato dos Metalúrgicos, que participaram tanto da organização, como das aulas, se formando como PLPs.

Tabela 06 – Profissões/ocupações das PLPs da 3ª turma23

Área Profissão/ocupação no. %

Estudante Estudante (5) 5 23,8095

Indústria Metalúrgica(2); Operador manufatura(1); Operadora industrial(1) 4 19,0476

Saúde Agente Comunitária de Saúde(1); Enfermeira(1); Psicóloga(1) 3 14,2857

Educação Pedagoga(2); Professora(1) 3 14,2857

23 O total de PLPs formadas na terceira turma foi de 22 mulheres. Porém, ocorreu o extravio de uma ficha de

Do lar Do Lar(1) 1 4,7619

Administrativos Atendente(1) 1 4,7619

Autônoma Artesã (1); 1 4,7619

Social Assistente Social (1) 1 4,7619

Aposentada 1 4,7619

Não respondido 1 4,7619

Total 21 100

Fazendo uma comparação entre os perfis das profissões das participantes dos três cursos, é possível verificar que houve um decréscimo na participação de mulheres menos escolarizadas, o que traz reflexões: Por que mulheres escolarizadas, que possuem instrumentos para buscar essas informações, têm interesse em participar de um curso como esse? Por que as mulheres com baixa escolaridade não o procuravam? O horário do curso está favorecendo a participação de pessoas com baixa escolaridade? Há divulgação do curso para essas mulheres? Tais questões, entre outras que podem ser feitas, não são foco desse trabalho, mas é importante que sejam pensadas pela coordenação, para que o curso possa ser oferecido para as mulheres que mais necessitam dessas informações e instrumentos.

Para participação nesta pesquisa, optamos por convidar as PLPs da terceira turma por dois motivos: a facilidade de acesso da pesquisadora a elas, visto que as PLPs da primeira e segunda turmas poderiam ter mudado de contato (telefone), sendo mais difícil o acesso; outro argumento é o fato do curso estar mais próximo na memória das participantes. As PLPs da primeira turma, por exemplo, já concluíram o curso há três anos e, provavelmente, não se lembrariam de detalhes sobre o mesmo.

Para a seleção das participantes da investigação, pensamos em perfis diferentes, buscando contemplar a diversidade de mulheres presentes no curso. Dessa forma, convidamos quatro mulheres (cujos nomes reais foram substituídos para preservar a identidade das participantes). Essa escolha e o convite direto às participantes veio da necessidade de se garantir os perfis diferentes. Caso contrário, se tivéssemos feito um convite amplo entre as PLPS, corríamos o risco de termos apenas um perfil, como, por exemplo: apenas as mulheres acadêmicas. Segue abaixo um breve perfil sobre cada mulher participante. - Rosa – Tem 27 anos, branca, não tem filhos, é pesquisadora na área de ciências de materiais. Fez graduação em Odontologia e continuou a carreira acadêmica realizando o doutorado em Física e pós-doutorado em Ciências de Materiais. Nasceu em São José dos Campos, morou por muitos anos em Araraquara e, atualmente, mora no centro da cidade de São Carlos. Em sua trajetória de vida, destaca a presença feminina em sua família: “desde os meus avós, sempre foram as mulheres as chefes de família, sempre foram as mulheres que trabalharam, que cuidaram dos filhos, que sustentaram os maridos, a maior

parte são alcoólatras.” (Rosa). Buscou o curso de PLPs para entender essa situação familiar, pois foi em sua formação acadêmica que teve elementos para responder a certas situações. Em sua carreira profissional, a questão da discriminação das mulheres sempre esteve presente, principalmente por estar em uma área (exatas) que não possui preocupação com essas questões: “é, foi essa questão mesmo, da mulher, que trouxe... e que senti necessidade de ter esses olhos abertos pra isso, pra poder entender...” (Rosa). O curso também surgiu para conhecer novas pessoas e a cidade.

- Margarida – Tem 36 anos, negra, mãe de três filhos, duas meninas e um menino, divorciada, nasceu na cidade de São Carlos, é trabalhadora metalúrgica da empresa TecX, e diretora do Sindicato dos Metalúrgicos. Em relação à escolarização, concluiu o ensino médio. No relato sobre sua trajetória de vida, ressalta que a mãe não dava prioridade aos estudos dos filhos, pois tinha vários filhos(as) e precisava trabalhar. Margarida relata que começou a sentir a necessidade de escolarização quando ingressou no movimento sindical, tornando-se diretora da entidade. Em suas palavras: “Daí, chegando aqui, eu nunca pensei que eu ia... na minha cabeça, que eu ia ter que voltar a estudar, né. Porque aqui a gente... eu aprendi bastante coisa. E comecei ver as coisas de uma outra maneira” (Margarida). O movimento sindical mudou a sua vida, tornando-a mais crítica e conhecedora dos direitos dos(as) trabalhadores(as): “pois agora eu vejo de outra maneira. Umas coisas que eu não dava importância, ou, às vezes, frases racistas, ou, as vezes, discriminação, de baixo... que eu entendi de uma maneira ... hoje eu já vejo com outros olhos. Hoje, eu vejo que tem que ter organização, que as pessoas têm que respeitar uma a outra, né?” (Margarida). Durante a entrevista, relatou algumas situações de racismo pelas quais passou, como a questão da “boa aparência” que é exigida no mercado de trabalho. Buscou o Curso de PLPs para aprender mais, principalmente para responder as demandas que os(as) trabalhadores(as) têm, e sobre as quais indagam no chão da fábrica. Em suas palavras:

“[...] As mulheres querem saber se os atestados vão ser abonados, se é lei, se uma coisa é lei, então…quando eu atribui isso de.... Diretora…então já me veio as cobrança né…ai…eu também não queria deixar que as pessoas que votaram na entidade, ou que votaram em mim, ficasse com uma diretora vazia, que não tivesse nada pra... então eu fui fazer o curso e ai agora eu pretendo fazer ENEM, SISU, e cada vez mais aprendendo mais” (Margarida).

- Gardênia – Tem 42 anos, branca, casada, tem três filhos, dois meninos e uma menina, é dona de casa e costureira, moradora do bairro Santa Felícia. Nasceu em Minas Gerais e veio para São Carlos há 18 anos, trabalhou muitos anos como costureira em fábricas

e oficinas de costura e, aos poucos, foi comprando suas próprias máquinas. Hoje trabalha em casa com pedidos sob encomenda. Narra que sua vida foi baseada em muito trabalho, tanto dela como do marido, para sobreviver e criar os filhos: “E de lá pra cá só foi trabalho, trabalho, trabalho. Teve uma época da minha vida também, que nós viemos pra cá foi luta, batalha, batalha. Porque, quando chegou aqui, foi difícil arrumar emprego, e eu tive que enfrentar” (Gardênia). Buscou o curso de PLPs para sair da rotina do trabalho doméstico e para ajudar as outras pessoas. Teve acesso ao curso por um material de divulgação do Sindicato dos Metalúrgicos que o marido levou para casa. Terminou, depois de adulta, o ensino fundamental e demonstra vontade de continuar a estudar e terminar o ensino médio.

- Violeta – Tem 49 anos, branca, casada, tem um casal de filhos, moradora do bairro Cidade Aracy, trabalha no próprio bairro como Agente Comunitária de Saúde24. Nasceu no estado de Minas Gerais, na zona rural, veio para São Paulo (capital) e depois para São Carlos, depois que o pai faleceu e os irmãos maiores casaram. Completou o ensino médio depois de adulta, incentivada por ter passado no concurso para Agente comunitária de Saúde. Anteriormente, trabalhou como doméstica, costureira e em granja. Relata também que ficou muitos anos sem trabalhar, quando os filhos eram pequenos, sendo dona de casa. Em seu trabalho de Agente Comunitária de Saúde, relata que se torna uma conselheira de todas as pessoas do bairro extrapolando os limites do trabalho, encontrando e conversando com as pessoas no comércio local, na igreja. Em suas palavras: “Eles acabam olhando a gente, assim, e desabafa e pergunta, né?” (Violeta). Foi para atender a população de seu bairro, um dos bairros mais populares e carentes da cidade de São Carlos, que Violeta procurou o curso de PLPs.

A escolha de se ter perfis diversificados das participantes para a pesquisa justifica-se pelo fato de, ao tomarmos a EJA na perspectiva da Educação ao Longo da Vida, promovermos um curso que contemple diferentes mulheres e experiências educativas, incluindo a função reparadora da formação (garantindo o direito à escolaridade a quem antes tal direito foi negado), mas não se restringindo a ela (visando aprimorar as oportunidades educativas de todas as mulheres, dentro e fora da escola, bem como a promoção dos seus direitos e o fortalecimento enquanto mulheres).,

24 O Agente Comunitário de Saúde é um profissional regulamentado pelos Sistema Único de Saúde (SUS), que

integra as equipes da Saúde da Família. Sua função é fortalecer “a integração entre os serviços de saúde da Atenção Primária à Saúde e a comunidade” (BRASIL, 2009b, p.5). Em São Carlos, esse profissional é contratado por meio de concurso público, cuja as exigências são ensino médio completo e residir na área de abrangência da Unidade de Saúde da Família, ou seja, tem que ser uma pessoa que integre a comunidade em que irá trabalhar.

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