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Test de Student

Dans le document La théorie du test statistique (Page 28-78)

Andreia COSTA1; Paulo NOGUEIRA1; Luís SERRA1; Maria João GREGÓRIO2; Pedro GRAÇA1,2

1 Direção-Geral da Saúde

2Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto

[email protected]

Palavras-chave: assimetrias, regiões, despesas familiares, produtos alimentares. Introdução

Em 2012, foram aprovados oito programas prioritários a desenvolver pela Dire- ção-Geral da Saúde, entre eles o Programa Nacional para a Promoção da Alimenta- ção Saudável (PNPAS) [1], enquanto programa nacional de ação, na área da alimen- tação e nutrição, uma vez que, um consumo alimentar adequado e a consequente melhoria do estado nutricional dos cidadãos tem um impacto direto na prevenção e controlo das doenças mais prevalentes a nível nacional (cardiovasculares, oncológi- cas, diabetes, obesidade…) [2].

O Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável (PNPAS) tem como finalidade melhorar o estado nutricional da população, incentivando a dispo- nibilidade física e económica dos alimentos constituintes de um padrão alimentar saudável e criar as condições para que a população os valorize, aprecie e consuma, integrando-os nas suas rotinas diárias [2].

Objetivos

Considerando a relevância do consumo alimentar e do investimento económico das famílias, bem como, a importância da informação que permite ilustrar este fenómeno, o presente trabalho teve como objetivo analisar as desigualdades re- gionais no que concerne à despesa dos agregados familiares associado ao consumo alimentar em Portugal.

Metodologia

Procedeu-se ao apuramento de dados disponíveis a nível nacional com desagre- gação regional (NUTS II – 2002). A informação analisada referiu-se à despesa dos agre- gados familiares residentes em Portugal associada ao consumo de carne, peixe, leite, fruta, hortícolas, açúcares, gordura e cereais, em 2010/11, coligida pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). A informação referente à despesa das famílias tem por base os dados dos Inquéritos aos Orçamentos Familiares, que decorrem de uma amos- tra representativa estratificada dos agregados familiares residentes em Portugal [3].

E3 | C OM U N IC A Ç ÕE S OR A IS Resultados

A informação analisada revelou que as famílias residentes em Portugal apre- sentaram em 2010/11 uma despesa anual de 2545 euros em produtos alimentares. A análise regional apresentou uma variação em cerca de 600 euros, apresentando as famílias residentes nos Açores uma despesa anual de 2901 euros e as famílias residentes no Alentejo uma despesa anual de 2327 euros.

Na análise desagregada por categoria dos produtos alimentares verificou-se que as famílias apresentaram uma despesa de 627 euros (Portugal) no que concerne à compra de carne e derivados, sendo que para as famílias residentes no Algarve o valor da despesa foi cerca de 20% inferior à média nacional (494 euros) e por opo- sição as famílias residentes no Norte registaram uma despesa cerca 20% superior à média nacional (771 euros).

Relativamente à despesa anual associada ao consumo de peixe e derivados, a despesa das famílias portuguesas cifrou-se em 394 euros. Neste item, as famílias residentes na Madeira registaram uma despesa cerca de 30% inferior à média nacio- nal (261 euros), enquanto, que as famílias residentes no Norte registaram um valor 10% superior à media nacional (443 euros).

A despesa em leite, queijo e ovos nas famílias portuguesas situou-se em 366 eu- ros, sendo que a análise regional demonstrou pouca discrepância no custo associado entre as famílias residentes nas diferentes regiões, ainda assim, as famílias residen- tes no Algarve registaram a maior despesa (385 euros) e as famílias residentes no Centro a menor despesa (331 euros).

No que respeita à despesa anual associada ao consumo de cereais, a despesa das famílias portuguesas cifrou-se em 465 euros, sendo que as famílias residentes nos Açores registaram uma despesa anual superior em cerca de 20% (592 euros) e as famílias residentes em Lisboa e Vale do Tejo uma despesa inferior (405 euros).

A despesa anual familiar em hortícolas nas famílias residentes em Portugal re- gistou-se em 239 euros, sendo que o Algarve foi a região com o valor mais elevado (248 euros) e as famílias residentes no Alentejo as que registaram menor despesa no consumo de hortícolas (197 euros).

No que se refere à despesa associada ao consumo de fruta as famílias residentes em Portugal registaram um gasto de 207 euros, no entanto nas famílias residentes na Madeira verificou-se uma despesa de 225 euros e nas famílias residentes Alentejo uma despesa inferior (178 euros).

Relativamente à despesa das famílias portuguesas associada ao consumo de óleos e gorduras cifrou-se em 100 euros, sendo que as famílias residentes no Norte registaram uma despesa superior (110 euros) e as famílias residentes no Algarve uma despesa inferior (93 euros).

No que respeita à despesa associada ao consumo de açúcares nas famílias re- sidentes em Portugal o valor da despesa registou-se em 84 euros, no entanto as famílias residentes no Norte registaram maior despesa (95 euros) e as famílias resi- dentes no Alentejo inferior em 30% (59 euros).

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Figura 1: Distribuição da despesa em função do orçamento das famílias associada ao consumo de hortícolas, fruta, carne e derivados, leite, queijo e ovos, óleos e gorduras

e açúcares e outros produtos açucarados em Portugal, 2010/2011 (INE, 2010/11). A informação sobre o consumo alimentar de uma população permite identificar quem se encontra em risco nutricional permitindo uma intervenção pública e uma capacidade de análise e atuação mais eficaz.

A forma mais correta de avaliar o consumo alimentar de uma população é atra- vés da recolha direta individual de informação sobre consumos a grupos popula- cionais e amostras representativas da mesma. Quando tal não é possível, métodos indiretos que nos indicam as disponibilidades alimentares ou os gastos das famílias em bens alimentares revestem-se de enorme utilidade.

Considera-se que a análise efetuada através da informação disponível permite aumentar, apesar de forma indireta, o conhecimento sobre a disponibilidade ali- mentar da população portuguesa e identificar as assimetrias regionais nas despesas familiares em produtos alimentares. Este processo define o perfil de investimento das famílias em bens alimentares, fornecendo uma caracterização da afetação dos orçamentos familiares à compra de alimentos por região. Assim, registaram-se di- ferenças significativas nos gastos em alimentos por região, com particular destaque

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COSTA et al. | Assimetrias regionais na despesa em produtos alimentares das famílias portuguesas

Figura 2: Distribuição da despesa das famílias associada ao consumo de hortícolas, fruta, carne e derivados, leite, queijo e ovos, óleos e gorduras e açúcares e outros

E3 | C OM U N IC A Ç ÕE S OR A IS Conclusões

A análise efetuada sugere um investimento económico substancial das famílias portuguesas em produtos alimentares de origem animal, fornecedores de gordura e proteína de origem animal, precisamente o oposto do que é recomendado pela Roda dos Alimentos Portuguesa.

Da análise apresentada destaca-se o facto de as famílias residentes na região Norte apresentarem a maior despesa no que respeita à carne, peixe, óleos e açu- cares. Por outro lado, as famílias residentes na região do Algarve apresentaram a menor despesa em produtos como a carne e óleos. As famílias residentes no Alentejo destacaram-se pelo registo de menor despesa associada ao consumo de frutas e hortícolas.

Na interpretação dos dados devem ser consideradas as seguintes limitações: 1) as despesas em bens alimentares por parte das famílias são afetadas pelo consumo fora de casa que não é avaliado através desta metodologia 2) os dados analisados não têm em consideração as diferenças que podem existir entre os preços dos ali- mentares nas diferentes regiões do país, apesar dessa variação ser cada vez menor 3) a metodologia também não avalia a produção própria que pode ser mais signifi- cativa nas zonas rurais.

Apesar das limitações, a representatividade nacional, a qualidade na recolha de informação e a regularidade desta metodologia transformam-na numa das melhores opções para melhor compreender o consumidor nacional de produtos alimentares.

Referências

[1] Despacho n.o 404/2012. Diário da República, 2.a série — N.o 10 — 13 de janeiro de 2012. 2012.

[2] Direção-Geral da Saúde. (2012) Programa Nacional da Promoção da Alimen¬ta- ção Saudável - Orientações Programáticas, Lisboa.

[3] Instituto Nacional de Estatística. (2012) Inquéritos às Despesas das Famílias 2010/2011.

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