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Conclusion et Problématique

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Considerando a revisão da literatura dos últimos dez anos em relação aos princípios técnico-clínicos e sociais da abordagem integral de pacientes autistas, pode considerar-se “possível e desejável” uma aproximação ética, social, psicológica e de saúde bucal à promoção, prevenção, diagnóstico precoce, limitação do dano e reabilitação da saúde bucal dos autistas que assistem a Escola Municipal do Autista “Maria Lúcia de Oliveira”, São José do Rio Preto.

Embora haja muito pouco na literatura sobre acolhimento, condicionamento e tratamento dos autistas, este trabalho deve ser realizado com dedicação, grande empenho por parte do profissional e, porque não dizer, com carinho. A criação de um vínculo real entre o profissional, o paciente e sua família possibilitará ao cirurgião dentista propor e executar mudanças na rotina e nos hábitos, não só deste paciente mas também de todos em sua moradia.

Os achados desta pesquisa apontam para uma necessidade de diagnóstico precoce de autismo em crianças, já que o estudo observou que os cuidadores/familiares notam comportamento diferente nestas crianças antes dos 2 anos de idade, entretanto o diagnóstico do autismo acontece após esta idade.

A abordagem social e familiar permite conhecer as determinações do processo de saúde-doença do autista no próprio contexto social, especificar as principais características epidemiológicas e necessidades de saúde bucal.

Os princípios da prática odontológica podem ser aplicados, desde a atenção básica na Estratégia de Saúde da Família até adequadas referência e contra referência para clínicas especializadas de acompanhamento da saúde bucal, no próprio contexto social da moradia do autista, desenvolvendo uma atenção integral a estes sujeitos.

É possível abordar os problemas de saúde bucal do autista, desde um enfoque semiológico correto, diagnóstico e plano de tratamento adequados, obtendo um condicionamento satisfatório com enfoque preventivo e clínico odontológico, capazes de elevar a qualidade de vida destes cidadãos.

É possível acompanhar a história biopsicosocial das condições em que se desenvolve o autista para permitir uma melhor inclusão social dos mesmos desde que, utilizada boa competência técnico-clínica, vontade de ser solidário no processo

e seguir os preceitos definidos para a atenção básica da população brasileira, como uma sociedade total.

Parece ser que esta situação deve ser melhor acompanhada nas unidades de saúde bucal da família, tema que necessita de aprofundamento em pesquisa para sua universalização técnico administrativa, com a necessidade de utilização de poucos recursos financeiros.

Aproximadamente 40% dos alunos pesquisados, recebem adequada abordagem em saúde bucal na unidade de trabalho da autora desta pesquisa, o que faz possível demonstrar que podem ser conhecidas suas necessidades e condições objetivas de saúde bucal, formular um plano de tratamento integral e acompanhá-lo assintomaticamente.

É possível assim, captar diferenças sobre satisfação no processo clínico social empregado na realização dessas atividades e realizar trabalho solidário com as famílias em todo o processo de abordagem clínico-psico-social.

Ainda que não todos os profissionais estejam dispostos a esta empreitada, aparecem avanços no enfoque integral, que levanta melhores expectativas aos cuidadores/familiares, profissionais e sobretudo, autistas.

O atendimento e o acompanhamento de pacientes com necessidades especiais é uma realidade e uma constante nos serviços públicos de saúde. Cabe aos profissionais buscarem novas metodologias para realizar o atendimento de forma mais adequada possível.

O trabalho realizado pela autora, no cotidiano da sua prática profissional com autistas e demais sujeitos com necessidades especiais pode ser norteado por alguns pilares principais: aproximar; conhecer; confiar; despertar interesse; desenvolver hábitos de higiene e uma dieta saudável; realizar o tratamento; realizar visitas domiciliares periódicas que permitam um adequado acompanhamento destes indivíduos seguido de ações clínicas para determinar a incidência de problemas anteriores ou o aparecimento de novos, que requeiram continuada atenção integral destes indivíduos.

A melhor compreensão do processo de abordagem técnica e maior comunicação profissional-paciente-família, parece necessitar de maior pesquisa científica, para demonstrar os reais e objetivos efeitos da prática profissional

odontológica diferenciada, bem como o alcance da satisfação dos pacientes e seus cuidadores/familiares num enfoque integral.

Os cuidadores/familiares consideram de grande importância atender às necessidades de saúde bucal dos autistas e se mobilizam neste sentido, no entanto os profissionais expressam contrariamente, falta de colaboração por parte dos pais dos alunos.

As visitas domiciliares são parte fundamental das ações e do comportamento dos profissionais na Estratégia Saúde da Família, portanto, ir à casa do paciente para verificar a escovação, como é realizada, com que freqüência, observar as dificuldades encontradas, propor soluções ali mesmo, envolver a família no processo, minimizar dificuldades e criar três vínculos fundamentais: dentista-família/ dentista-paciente/ paciente-família.

Muito além das expectativas dos outros, e/ou das dificuldades funcionais, o autista em sua percepção de mundo, é feliz, independentemente de seus déficits funcionais. Para assistí-lo melhor, basta ouví-lo um pouco mais.

Ouví-lo, no seu universo pessoal, poderá abranger uma perspectiva de atendimento integral em saúde e permitir avaliar os efeitos dos procedimentos terapêuticos e ações realizadas.

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