1. Introduction
1.2. Terminology
O capítulo 8, que trata da Gestão Institucional, aborda as diretrizes organizacionais que devem ser adotadas na gestão da UFRPE. Nesse capítulo, especificamente, no segmento de Gestão Socioambiental, ressalta-se que algumas iniciativas de RSA, já adotadas por setores administrativos e acadêmicos, foram mapeadas e evidenciadas, servindo de base para o planejamento das seguintes ações:
[...] elaboração de estratégias de comunicação e campanhas de sensibilização; mapeamento de mananciais e recursos naturais dos campi; estudos de reutilização e reaproveitamento de água e resíduos; substituição de equipamentos para economia de água e energia; iniciativas de redução efetiva do consumo de papel e plástico; ajuste nos procedimentos de aquisição de materiais e construções para opções que provoquem menores impactos ambientais, entre outras (UFRPE, 2018, p. 95). Em relação às diretrizes organizacionais relacionadas à temática de sustentabilidade presentes nesse capítulo, observou-se que essas não estão colocadas de forma clara no texto, mas implicitamente, através do seguinte trecho:
Na busca da concretização de suas ações, rumo ao desenvolvimento sustentável, a UFRPE vê como prioridade a efetivação de dois instrumentos de gestão ambiental de suma importância para comunidade acadêmica e a sociedade em geral:
• Plano de Gestão de Logística Sustentável (PLS) [...]
• Agenda Ambiental na Administração Pública (A3P) [...] (UFRPE, 2018, p. 96). No qual se denota que, para a adoção de práticas que visem ao desenvolvimento sustentável, é necessário cumprir as orientações do PLS e da A3P, amplamente debatidos na revisão de literatura dessa pesquisa. Ou seja, esses dois instrumentos podem ser interpretados como importantes diretrizes para a consecução da gestão sustentável da UFRPE.
De acordo com o PDI, o PLS da UFRPE já foi elaborado e entrou em vigor no primeiro semestre de 2018.
No que diz respeito à forma como a UFRPE adere à A3P, o PDI não traz nenhuma informação. Diante disso, procedeu-se uma busca no site do Ministério do Meio Ambiente, no qual se constatou que a UFRPE não possui adesão formal à A3P junto ao MMA, participando apenas da Rede A3P. Fato que, de acordo com Brasil (2009), já incentiva mudanças institucionais, pois, através da vinculação ao canal da Rede A3P, é possível que a universidade se familiarize a respeito da temática da agenda, havendo troca de informações e experiências com as demais organizações participantes. É possível que a UFRPE não tenha aderido formalmente à A3P devido a grande burocracia exigida nesse processo, conforme destacado por Monteiro e Camelo (2015).
Ainda no capítulo 8 do PDI, destaca-se que a UFRPE norteia suas ações através da legislação ambiental vigente e através das diretrizes traçadas pelo Projeto UFRPE Sustentável, criado no ano de 2015. Observou-se que no PDI existiam informações escassas a respeito desse projeto. Assim sendo, procedeu-se a uma busca rápida no site da UFRPE à procura da finalidade principal desse projeto, descrita a seguir:
O Projeto UFRPE Sustentável pretende ser um instrumento de mudança, que possibilite uma operação orientada por valores, princípios e diretrizes novas, mediante, por exemplo: as ações para a redução de impactos ambientais e para o uso mais eficiente de recursos; a execução das despesas de forma sustentável, considerando o completo ciclo de recebimento, uso e desfazimento de equipamentos e materiais adquiridos pela universidade; a mensuração de desempenho e o reconhecimento às equipes inovadoras; o compartilhamento de boas práticas entre as diferentes unidades e setores; e a parceria com outras instituições e especialistas – internos e externos (UFRPE, 2015, p. 7).
Isso demonstra que esse projeto é uma importante iniciativa da UFRPE, na busca pela construção de uma universidade sustentável, visto que sua finalidade está alinhada com os objetivos da A3P, e que essa agenda, de acordo com Araújo, Ludewigs e Carmo (2015),
possui ligação direta com os esforços globais na promoção de ações sustentáveis para produção e consumo.
No tocante ao capítulo 9 do PDI, que trata das orientações para a gestão de pessoas, verificou-se que as diretrizes para esse eixo de gerenciamento, diferentemente da parte de gestão socioambiental, aparecem listadas no texto de forma clara. Dessa maneira, abaixo está transcrito um dos trechos desse plano, no qual foram destacadas apenas sete diretrizes, por estarem mais relacionadas à temática do presente estudo:
[...] na área gestão de pessoas da UFRPE, apresentam-se, para os próximos anos, as seguintes diretrizes:[...]
• Desenvolver ações de atenção à saúde nos eixos da assistência suplementar, perícia oficial, promoção e vigilância em saúde, que visem à qualidade de vida no trabalho, ao reconhecimento e à valorização dos servidores; [...]
• Criar um Banco de Talentos, por meio da identificação das competências, habilidades e atitudes dos servidores, com o objetivo de promover o gerenciamento e a valorização do capital humano da UFRPE; [...]
• Ampliar e aperfeiçoar o Curso de Atualização Didático Pedagógica para o corpo docente;
• Fortalecer e ampliar os programas de incentivo à qualificação e capacitação; • Investir em tecnologias e sistemas informatizados de gestão de pessoas; [...] • Aprimorar o processo de avaliação de desempenho dos servidores, com e sem função gerencial; [...]
• Fortalecer a gestão de pessoas nas unidades acadêmicas; [...] (UFRPE, 2018, p. 103).
.
A partir da transcrição acima, percebe-se que, no seu planejamento, a UFRPE procurou atender algumas orientações da A3P em relação ao eixo de qualidade de vida, traçando diretivas que procuram melhorar as condições de saúde no trabalho, a utilização eficiente das habilidades do servidor e o estímulo à educação continuada e à capacitação. Essas práticas foram destacadas por Vogelmann Júnior (2014) e Brasil (2009) como ações que promovem a qualidade de vida no ambiente de trabalho. Pois, buscam o bem estar físico, mental e social do servidor, resultando no aumento da produção, redução de custos na área médica e aumento da disponibilidade da força de trabalho.
Além disso, ao propor que, nos próximos anos, deve-se “investir em tecnologias e sistemas informatizados de gestão de pessoas”, pode-se inferir que a universidade pretende dar mais celeridade aos processos de gerenciamento de pessoal e diminuir o consumo de papel gerado por esses procedimentos. Com isso, é possível aumentar a produtividade, mitigar custos e reduzir os danos ao meio ambiente, alguns dos benefícios trazidos pela gestão ambiental para as organizações, elencados por Donaire (1999) e Mori et al. (2015).
Em relação ao estímulo à educação continuada e à capacitação, no capítulo 9, destaca- se que a UFRPE disponibiliza, obrigatoriamente, através da Resolução CEPE nº. 096/2015,
vagas institucionais para seus servidores nos Programas de Pós-Graduação stricto
sensu da Instituição. Nesse sentido, são relatados ainda, dois programas já existentes na universidade, que auxiliam no incentivo ao desenvolvimento das capacidades dos servidores, são eles:
[...] o Programa de Capacitação e Qualificação Profissional dos Servidores, aprovado pela Resolução CEPE nº. 682/2008, que tem por objetivo propor ações diretas que incentivem e propiciem o desenvolvimento dos servidores, tanto no âmbito profissional quanto no ponto de vista da cidadania, garantindo melhoria constante do desempenho institucional.
[...] o Programa Qualificar, aprovado pela Resolução CEPE nº. 049/2014, que define auxílio financeiro para servidores que estejam cursando Ensino Médio, Graduação e Pós-Graduação lato sensu e stricto sensu em instituições da rede particular de ensino (UFRPE, 2018, p. 103-104)
Já o capítulo 10 do PDI, versa sobre a gestão da infraestrutura e das instalações acadêmicas, apresentando primeiramente os desafios enfrentados por alguns setores da UFRPE nesse eixo de gerenciamento. Dentre os desafios listados, destacam-se aqui: a falta de recursos orçamentários; grande quantidade de adequações a serem realizadas nas instalações da universidade, visando ao atendimento das exigências que constam na legislação federal no tocante à sustentabilidade e à acessibilidade; necessidade de ampliar a estrutura da UAG,
campus em processo de emancipação; pequeno número de profissionais do quadro próprio da
UFRPE com competências em engenharia/arquitetura e dificuldade na contratação externa desses especialistas.
No documento, ressalta-se que a UFRPE, através do Núcleo de Engenharia e Meio Ambiente (NEMAM), vem realizando projetos tanto na Sede como nas Unidades Acadêmicas com o intuito de levantar alternativas e planejar as intervenções a serem realizadas nas edificações, considerando o caráter prioritário de cada conjuntura.
Em seguida, o PDI expõe as diretrizes a serem seguidas pela universidade para ampliação e adequação de sua infraestrutura física. Porém, observou-se que apenas o seguinte apontamento tem relação direta com o tema desta pesquisa: “Ampliar e atualizar o quadro de competências em diferentes áreas da engenharia e da arquitetura, de modo a viabilizar agendas de intervenções em favor da acessibilidade e da sustentabilidade nos campi da UFRPE (UFRPE, 2018, p. 116)”.
Assim, em conformidade com essa diretriz, na última seção do capítulo 8, apresenta-se uma agenda de intervenções, na qual estão descritas algumas condutas a serem adotadas pela UFRPE, para melhoria de sua infraestrutura, levando em consideração alguns eixos
estratégicos. No Quadro 14, pode-se observar a transcrição dessa agenda de intervenções, na qual foram eliminadas as ações que não apresentavam relação com o tema em estudo.
Quadro 14 – Agenda de intervenções para gestão da infraestrutura da UFRPE, contendo apenas as ações relacionadas à temática de sustentabilidade
Eixo estratégico Ações ligadas à temática de sustentabilidade
Revitalização paisagística - Elaborar e implantar projeto paisagístico em conformidade com Plano de
Gestão de Logística Sustentável (PLS).
Uso racional dos recursos naturais
- Elaborar projeto-piloto de aproveitamento de energia elétrica, eólica, solar ou outras fontes, conforme a peculiaridade do campus;
- Desenvolver projetos de sistema de captação, armazenamento e reuso de águas.
Melhoria de condições de acessibilidade
- Instalar plataformas elevatórias de acessibilidade; - Instalar elevadores quando necessário;
- Adequar escadas; - Adaptar banheiros;
- Construir calçadas interligando todos os blocos; - Instalar sinalização tátil;
- Rebaixar calçadas;
- Construir rampas de acesso;
- Implantar sinalização visual e tátil para identificação de ambientes; - Instalar e reorganizar assentos especiais nos auditórios;
- Adquirir mobiliário adaptado; - Adaptar balcões de atendimentos;
- Delimitar vagas especiais nos estacionamentos; - Adquirir e disponibilizar transporte adaptado.
Suporte à cultura, ao esporte e ao lazer
- Criar e revitalizar praças e espaços de lazer, de atividade física e convivência.
Melhoria da infraestrutura de apoio logístico
- Implantar bicicletários;
- Construir e manter garagens para guarda e manutenção dos veículos oficiais;
Fonte: Adaptado de UFRPE (2018).
A partir do exposto no Quadro 14, é possível detectar que o planejamento para gestão da infraestrutura priorizou o aperfeiçoamento de suas instalações e edificações para a melhoria da qualidade de vida de seus usuários, um dos princípios presentes no conceito de construção sustentável elaborado por Silva e Giacchini (2016). Além disso, pode-se observar também, que a agenda de intervenções traz uma programação de práticas que visam à utilização eficiente de água, energia e transporte, práticas ligadas ao “uso racional dos recursos naturais e bens públicos”, um dos eixos da A3P.
Por fim, analisou-se o capítulo 11 do PDI, que aborda as diretrizes relacionadas aos aspectos financeiros e orçamentários a serem seguidas pela UFRPE. Dentre as 15 diretrizes apresentadas para a melhoria financeira e orçamentária, verificou-se que apenas duas estão diretamente associadas ao tema dessa pesquisa:
[...] • O estímulo à eficiência, a partir da modernização e otimização dos trâmites e dos procedimentos administrativos; [...]
• Ampliar práticas de sustentabilidade e de uso racional dos recursos (UFRPE, 2018 p. 128-129).
Após essa análise do PDI, considerado um dos principais documentos institucionais de planejamento da UFRPE, percebeu-se que, embora as diretrizes da seção de gestão socioambiental não tenham sido apresentadas de forma clara, como nas outras seções do plano, ficou subentendido que esse gerenciamento deve ser norteado pela A3P, pelo PLS e pelo projeto UFRPE sustentável. Outro fato constatado é que a maioria das diretrizes, voltadas para o desenvolvimento sustentável, identificadas nesse documento, foram traçadas de forma geral, sem levar em consideração a realidade gerencial de cada campus.
Apesar disso, observou-se que a preocupação com a implantação da sustentabilidade, nas rotinas administrativas, aparece de forma recorrente no PDI, principalmente no que se refere aos aspectos sociais e ambientais. Ou seja, a UFRPE, pelo menos em seu planejamento, procura estabelecer um compromisso com o desenvolvimento sustentável, projetando práticas que minimizam os impactos socioambientais de suas ações.
A Figura 8 apresenta um resumo das diretrizes organizacionais, ligadas à temática de sustentabilidade, identificadas no PDI da UFRPE:
Fonte: Dados da pesquisa. Elaboração própria (2019).
Figura 8 – Resumo das diretrizes organizacionais, relacionadas à temática de sustentabilidade, que estão descritas no PDI da UFRPE (2013-2020)
Assim, considerando o que foi planejado no PDI, na próxima seção desse estudo, procurou-se identificar quais as práticas sustentáveis são adotadas em um dos campi da UFRPE, a Unidade Acadêmica de Garanhuns, a partir da visão de seus servidores efetivos.
4.2 PRÁTICAS SUSTENTÁVEIS ADOTADAS NA UFRPE/UAG DE ACORDO COM A