ANALYSE DES PERTURBATIONS CONNUES (16) :
7- Terminaisons nerveuses et neuromédiateurs :
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EREIRA DAS
ILVAFigura 44 - Luiz Pereira da Silva.
Fonte: Acervo Fotográfico do Projeto Roda da Memória
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eu nome é Luiz Pereira da Silva, mais conhecido como “Lulinha Buraco”, nascido em 1943. Entrei na Universidade em 1963, com o Reitor Dr. Humberto Carneiro120, e participei dos reitorados de Dr.Murilo Carneiro, Dr. Waldecy Pinto e Dr. João Baptista. Comecei na Universidade trabalhando no serviço de campo. Depois, fui para o setor de transporte. Com o tempo, fiz a prova de direção, passei e comecei a trabalhar como motorista. Dirigi muito para o Professor Paulo Marques – sempre chamei o Professor pelo nome, apesar de chamar de senhor -, e isso nunca foi problema.
Participei de muitos projetos, mas o que mais me marcou foi o projeto de Surubim121, e é por ele que vou começar. Em Surubim, quando a gente começou,
o Professor começou com a ideia de criar uma Mini Cooperativa lá em Tabu. A gente saía daqui da Universidade na quinta ou na sexta-feira para Surubim, e voltava no domingo à noite. No fim de semana, os agricultores estavam livres do trabalho na agricultura, e Paulo podia, então, reunir a equipe com todos eles.
119 A 7ª Roda Coletiva contou com a participação de Luiz Pereira da Silva, vulgo “Luiz Buraco”, motorista apo- sentado da UFRPE e Tirso Ramon Rivas, Professor do Departamento de Zootecnia da UFRPE, realizada em 12 de outubro de 2015 na Videoteca da Biblioteca Central da UFRPE.
120 Engenheiro Agrônomo, formado na turma de 1945 pela Escola Superior de Agricultura de Pernambuco (ESAP), assumiu a reitoria da Universidade Federal Rural de Pernambuco no período de 1974 a 1978.
121 Projeto Tabu anteriormente tratado neste livro através das rememorações do Professor Paulo Marques e dos depoimentos do Professor Paulo Carvalho e de Israel Crispim, Líder Sindical de Surubim.
O Professor reunia os agricultores - as mulheres e os homens -, a equi- pe do projeto, e não precisava de cadeiras, sentava no chão mesmo, tirava o sapato, sentava no chão. Os agricultores chegavam e sentavam também, numa roda, e ele não chamava pelo nome, chamava “companheiro”, porque “companheiro” sou eu, é qualquer pessoa, e era assim que Paulo ganhava a confiança deles, e todos gostavam. Paulo dava oportunidade para eles falarem seus problemas. No começo, eles eram desconfiados, mas, depois, foram ganhando confiança na gente. Lembro que, numa reunião, um rapaz disse assim: “preciso limpar meu roçado” e Paulo falou: “vamos fazer um mutirão”. Paulo pegou a enxada e a gente também.
E assim foi acontecendo. A gente sentava debaixo dos pés de caju, e Paulo palestrava com eles, escutava o que eles queriam. Aos poucos, começou a formar a Mini Cooperativa. A gente entrou em Surubim com o projeto de fazer pasta/polpa de caju, porque o pessoal de lá vendia a castanha e perdia o caju.
Eu dirigia a Kombi e sempre levava outras pessoas da equipe. Lembro que sempre levava uma professora e um professor com as alunas que iam para lá ensinar as mulheres a fazer a pasta/polpa do caju para vender e ensinar outras coisas importantes para os agricultores. Teve uma vez que só nós dois saímos de Recife para Poço da Cruz em Ibimirim para buscar peixinhos filhotes de tilápia para trazer e soltar nos açudes de Surubim. A gente saiu de Ibimirim de noite. O rapaz que atendeu o Professor tinha colocado os peixes em sacos plásticos, e disse que a gente tinha que chegar em Surubim com os peixinhos ainda de madrugada, deixar descansar um pouco, mais ou menos meia hora na beira do açude, para depois ir soltando devagar. Esses peixinhos foram trazidos para açudes da região de Surubim. A gente trazia e colocava nos açudes pequenos de Surubim. Teve um dia que uma professora de Zootecnia estava com a equipe na Kombi, levando abelhas para ensinar aos agricultores como trabalhar com elas, quando a caixa das abelhas se abriu. Todo mundo ficou com medo, mas conseguimos chegar lá com as abelhas. Depois de um tempo, trouxemos mel de lá para vender no Recife. Foi um trabalho tão bonito. Lembro do Advogado Evandro Cavalcanti, que era do Sindicato de Surubim, ele acreditou em Paulo e no trabalho da equipe da Universidade. Foi uma pena ele ter sido assassinado. Acompanhei Paulo e sua equipe para várias cidades, levando a equipe do projeto no percurso Recife/Ibimirim/Surubim, Lajedo, Serra Negra, que fica ao lado de Ibimirim, Garanhuns, Ribeirão, Pau-D’Alho, Afogados da Ingazeira, Lajedo, Bonito, Tracunhaém e muitos outros lugares que não lembro agora. A gente foi muito para Lajedo. Lá, Paulo fez uma reunião no campo de futebol para conversar com o pessoal, dizendo que aquele campo era importante
para todo mundo e que não se deveria “tomar conta do campo de futebol”, não se deveria invadir.
Outra oportunidade que me lembro foi quando a gente foi para Serra Negra, que fica ao lado de Ibimirim. Não lembro o que a gente foi fazer, sei que foi um projeto que chamaram o senhor para lá olhar. Paulo era muito chamado para participar de projetos. A gente foi, também, na Usina Mussu- repe, ao lado de Pau D’Alho, na Usina São José no município de Pau D’Alho e em São Caetano. Foi quando ele andou de cavalo, teve uma vaquejada. Lá foi uma festa, e quem quis andou de cavalo.
Paulo sempre foi essa pessoa tranquila que tratava a gente com respeito. Tem umas coisas que aconteceram nessas viagens que não esqueço. Nessa viagem para São Caetano, lembro que foi muita gente, e eu fui dirigindo a Kombi, seguindo o ônibus da Universidade. Foi uma viagem longa, cheguei lá cansado e fui tirar um sono. Tinha um estudante que me pegou pelo pé para me acordar, e Paulo disse assim: “ele chegou agora. Se você quiser, vá de carro para a cidade, porque Lula não vai sair daí” e ele resolveu ficar quieto.
Lembro, também, que, na viagem para Serra Negra, as alunas queriam voltar no mesmo dia, mas já de noite, e eu lhes disse que a estrada era pe- rigosa. Paulo reconheceu e disse para elas que a gente só ia voltar no outro dia. Teve uma passagem de que não esqueci, foi numa das viagens a Surubim, quando paramos em uma casa, um dos estudantes pediu água. Quando a dona da casa trouxe o copo d’água, ele disse: “pedi água, não foi suco de abacaxi”. Aí Paulo chamou esse estudante de lado e disse: “Por que pediu água? Está com sede? A água daqui é dessa cor porque é barrenta, por isso, beba a água que você pediu, porque essa é a água que o povo daqui bebe, e temos que respeitar esse povo”.
Lembro que foi um tempo bom. Passamos por muitas estradas, vivemos momentos bons, engraçados, e também alguns apertos com aquela Kombi. Uma vez “saltou” a mola do carburador, consertei e a gente seguiu viagem. Outra vez, a Kombi “dançou” na estrada, porque os pinos das rodas tinham empenado, ar- rumei dois pregos grandes, botei, e deu certo. Teve outro dia que um carro veio em nossa direção e não tive outro jeito do que tirar a Kombi da estrada, ainda bem que tinha acostamento. Como me chamava “Buraco”, me entendia com os buracos da estrada! Essas e outras coisas aconteceram nas viagens!
A gente viajou muito, e tem muitas coisas para contar. Dirigi e viajei com Paulo pelo interior de 04 a 05 anos. A equipe de Paulo ia para o campo nos finais de semana, porque era melhor para o encontro com os agricul- tores e porque, na Universidade, durante a semana, tinha as aulas, que impossibilitavam os alunos e professores de se afastarem do campus. Como
já disse, participei de todos os projetos, tanto nos processos menores, como nas equipes maiores.
Depois que Paulo assumiu a Pró-Reitoria de Extensão, deixou a Kombi para levar os professores e alunos do projeto pra Pitanga, e a gente foi mui- tas vezes. O período de Pitanga foi bom, não teve nada de ruim. Levava os professores Brás e Salett junto com outros professores. Teve outro projeto que Paulo foi para a cidade de Afogados da Ingazeira e levou o Professor Vargas, porque ele sabia sobre o piolho do algodão. Lá, teve uma reunião no cinema velho. Tenho saudade desse tempo. As viagens eram boas, e com esse Professor é que era maravilhoso! Como motorista, não esqueço os luga- res por onde a gente andou. Aqui, lembro que, na equipe dos professores e alunos, não tinha diferença, eu era um membro da equipe. E tinha orgulho em dizer: “sou da equipe!”
Todos os projetos marcaram bem, e foram muito aproveitados. Para mim, aquele projeto de Tabu, em Surubim, foi o mais gratificante. A mini cooperativa que Paulo criou e deixou para os agricultores continuarem, to- carem o barco pra frente, hoje, é uma associação, foi um projeto que ficou vivo para eles, e teve continuidade. A gente montou e deixou pra lá!