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3 M ETHODOLOGY & DATASETS

3.4 Techno-economic assessment

Os Diretores dos XIX se queixavam que o Conselho Político não havia feito nenhum avanço, nem ao norte e nem ao sul do Recife, e mesmo na capitania de Pernambuco, não possuíam o domínio total do território, pois o sul ainda pertencia à Coroa Portuguesa.164 Juntou- se a esses fatores o problema de não terem conseguido a adesão dos moradores da colônia.165 De acordo com Henk den Heijer, os conselheiros políticos agiam com pouca firmeza em relação aos portugueses e aos militares. 166 Segundo H. Handelmann, as atividades da administração do Conselho Político eram em geral, brandas, pois tinha o objetivo de reconciliar os luso-brasileiros com os neerlandeses e, principalmente, com a dominação neerlandesa, atraindo-os para o território conquistado, tentando mantê-los com o intuito de retomar as atividades econômicas da colônia. 167

De acordo com a direção da WIC, os conselheiros políticos não estavam avançando em extensão territorial e nem alcançando os altos lucros que eles almejavam ao iniciar a conquista de Pernambuco. A Companhia tinha mais gastos com a colônia do que lucro e isso não era vantajoso para os comerciantes neerlandeses. Para mudar esta situação, os Diretores dos XIX,

162 XAVIER. Resumo da Carta da Câmara de Amsterdã ao governador Waerdenburch datada, de 01 de novembro

de 1631, op. cit., p. 105

163 XAVIER. Resumo da Carta da Câmara de Amsterdã ao Conselho Político datada, de 17 de abril de 1632, op.

cit., p. 121

164 XAVIER. Carta da Câmara de Haia para o Conselho Político datada, de 18 de julho de 1630, op. cit., p. 97. 165 HANDELMANN, H. História do Brasil - Tomo I. Tradução de Lúcia Furquim Lahmeyer. Belo Horizonte: Ed.

Itatiaia; São Paulo: Ed. Da Universidade de São Paulo, 1982, p. 177.

166 HEIJER, op. cit., p. 35.

resolveram modificar a direção da colônia enviando dois diretores para compor a Diretoria Delegada, que segundo Mello, tinham a função de “dirimir as dúvidas e assumir a administração superior.” 168 Navarro acrescenta que o envio dos diretores delegados buscava “dar fim às disputas entre os membros do conselho político e do então governador em exercício, Diederick van Waerdenburch”. 169 Mas, segundo Hermann Wätjen, “após a chegada dos Diretores, as relações entre a administração civil e militar continuaram tensas”. 170

Os diretores enviados para compor a direção da colônia junto com os conselheiros políticos foram Mathias van Ceulen, de Amsterdã e Johan Ghijselin, da Zelândia. Eles chegaram no Recife entre 14 de dezembro de 1632 e 17 de janeiro de 1633.171 Aos novos nomeados caberia seguir o que se apresenta abaixo:

A Ceulen e Gijsselingh foram dadas instruções precisas e fornecidos 162 mil florins em dinheiro de contato para pagamento do pré aos soldados, das despesas de alimentação e dos soldos dos oficiais. Incumbia-lhes especialmente providenciar para que fossem atendidas pelos Comissários as reclamações dos soldados sobre insuficiência de roupa, calçado e alimentação. Deviam também empregar todas as suas artes de persuasão, (prometendo participação nos despojos), para obter o reengajamento dos soldados que houvessem completado o tempo de serviço, o que muito contribuiria para que se reduzissem ao estritamente necessário, as despesas com as remessas de reforços. Cumpria-lhes ainda colocar nas mãos de gente de confiança a administração dos armazéns, designar funcionários para guarda-livros dos mesmos, e organizar o orçamento para o Brasil Norte. 172

Com o início da administração da Diretória Delegada, houve o despacho das tropas para atacar as posições dispersas dos portugueses. Conseguiu-se, com a ajuda dos índios, que se aliaram aos neerlandeses, conquistar grande parte da costa. Segundo Heijer, esta ação isolou os guerrilheiros luso-brasileiros no interior. Os diretores expandiram o território conquistado na direção norte e sul, capturaram considerável quantidade de navios portugueses, enviando para a Holanda carregamentos de açúcar e madeira para tinturaria.

A quantidade destas mercadorias crescia gradualmente. Para Wätjen, as estimativas do açúcar enviado de janeiro de 1633 até agosto de 1634 girava em torno de 1.655.700 florins. A madeira enviada era no total de 72 mil florins. A captura de navios espanhóis e portugueses gerou para a Companhia, após a venda, uma receita de 514 mil florins.173

168 MELLO. Fontes para a história do Brasil holandês: a administração da conquista, op. cit., p. 11. 169 NAVARRO, op. cit., 77.

170 Idem, p. 295.

171 XAVIER. Resumo da Carta da Câmara de Amsterdã ao Conselho Político datada, de 28 de setembro de 1632,

op. cit., p. 123.

172 WATJEN, op. cit., pp. 294-295. 173 Idem, p. 127.

Neste mesmo espaço de tempo, os neerlandeses também perderam vários carregamentos de açúcar e navios, pois os luso-brasileiros ao se depararem com o exército da Companhia, terrestre ou naval, ateavam fogo ao açúcar ou afundavam os navios, para que não caíssem nas mãos dos neerlandeses.

Levando em consideração esses fatos, percebe-se que a Companhia obtinha lucros e prejuízos, pois cada expedição enviada gerava um custo enorme para os cofres da WIC e cada embarcação e engenhos contendo açúcar incendiados se configurava num grande prejuízo para os rendimentos da colônia e essa perda acontecia no governo do Conselho Político, perdurando no período da Diretoria Delegada. 174

Apesar disso, essa época era considerada por alguns historiadores, como a melhor fase da colônia neerlandesa antes do governo de Nassau, pois a partir dos diretores delegados, a colônia avançou territorialmente em direção a Paraíba, Itamaracá e Rio Grande do Norte, visto que, enviaram expedições que dominariam os fortes da Paraíba, Nossa Senhora de Nazaré, do Arraial Velho do bom Jesus e de Porto Calvo.175 Estas conquistas, todavia, só seriam efetivadas

apenas em 1635, no governo do Conselho Político.

Durante a Diretória Delegada os conselheiros políticos continuaram participando das expedições militares no sentido de auxiliá-los. Permaneceram exercendo suas funções, inclusive seus encargos judiciais e financeiros. Pieter M. Nestcher diz que as expedições militares, no ano de 1633, saíam do Recife ou de Itamaracá sendo “comandadas por Schkoppe, Byma e outros; os comissários delegados Mathias van Ceulen e Gijsselingh ou o membro do Conselho Político, Carpentier, alternativamente tomavam parte como assistentes, nesses movimentos.” 176 Podemos observar na afirmação de Nestcher que o Conselho Político e a

Diretoria Delegada trabalhavam em conjunto para gerir a colônia culminando os seus esforços nas suas diversas atividades, principalmente nas questões militares. Nesse período, estavam presentes na capitania de Pernambuco Jhoannes van Walbeeck, Pieter van der Hagen e Servaes Carpentier, os dois primeiros como já foi dito, foram embora de Pernambuco em 1633. Mas, neste mesmo ano chegou a colônia Willen Schott e no dia 8 de março de 1634 o conselheiro político Jacob Stachouwer. O conselheiro político Walbeeck, segundo Laet, no dia 4 de fevereiro de 1633, partiu junto com o diretor delegado Gijsselingh para a região de Itamaracá, com o intuito de por em ordem a capitania, regressando para o Recife no dia 7. 177

174 LAET, op. cit., p. 294. (C) 175 Idem, p. 296.

176 NETSCHER, op. cit., p. 129. 177 LAET, op. cit., p. 294. (C)

Apesar do avanço administrativo e territorial conquistado pelos diretores delegados, Watjen comenta que, estas ações estavam longe de satisfazer as expectativas que os Diretores dos XIX depositavam na colônia. Estes estavam ávidos para receber os altos lucros e rendimentos prometidos pelo comércio do açúcar que em contrapartida exigiram altos investimentos por parte da Companhia. 178 Não é demais lembrar que a Companhia era uma empresa particular formada por acionistas que investiram capital para a conquista das capitanias do Norte da América portuguesa, e, portanto, desejavam receber o retorno dos seus investimentos, obtendo-o através do comércio de açúcar, já que este prometia grandes lucros.

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No dia 2 de setembro de 1634, a direção da colônia se modificou novamente com a partida dos diretores delegados Van Ceulen e Gijsselingh para as Províncias Unidas, pois o contrato de dois anos, de ambos, havia terminado. Apesar dos vários pedidos dos Diretores dos XIX para que permanecessem na colônia, transferem a administração civil para o Conselho Político, agora compostos por novos membros, exceto Servaes Carpentier. Esta instituição deveria gerir a colônia que estava crescendo com a incorporação dos territórios conquistados, necessitando, portanto, de estratégias e de tomadas de decisões para o desenrolar das suas atividades administrativas e econômicas.