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TECHNIQUES UTILISEES En hypnose

4.1.1. Estudo de caso

Após definirmos os objectivos do nosso trabalho, procurámos um instrumento de observação que nos permitisse avaliar o perfil psicomotor da nossa amostra e a partir daí, desenvolver um programa que ajudasse a reduzir as suas carências psicomotoras. Optamos assim, por um Estudo de caso.

Estudo de caso é uma tarefa que tem por objectivo a tentativa de aprofundar o nível de compreensão de um momento que está a ser vivido por um “organismo humano” (Belas, 1998). Dito de outra forma, pretendemos referenciar o maior número de dados que nos permitissem compreender o comportamento de um determinado indivíduo.

Todavia, como Refere Yin (1989), para atingir os objectivos do estudo de caso, devemos organizá-lo em três fases: a primeira, Revisão da literatura, que compreende a preparação e a selecção dos dados para iniciar o estudo em causa; a segunda consiste no desenvolvimento do estudo, descrevendo e relatando as orientações e decisões aplicadas; por último, a terceira fase, em que se finaliza e se retiram as conclusões sobre o estudo de caso.

4.1.2. Bateria psicomotora (BPM)–Vítor da Fonseca (1996)

Para a avaliação do nosso estudo utilizámos a Bateria psicomotora de Fonseca (1975), não apenas pela simplicidade do material a utilizar, bem como ainda pelo facto de se tratar de uma bateria largamente experimentada. Esta permite a construção de um perfil psicomotor das crianças observadas, possibilitando assim, o desenvolvimento de um programa personalizado e adequado às suas necessidades.

A BPM é um dispositivo diferente das escalas de desenvolvimento motor. Trata-se de um instrumento, baseado num conjunto de tarefas, que permite detectar défices funcionais em termos psicomotores, cobrindo a integração sensorial e perceptiva que se relaciona com o potencial de aprendizagem da criança (Fonseca, 2007).

Quadro 9. Relação entre as unidades de Luria com os factores e subfactores da BPM (Adaptado de Fonseca, 1992 in Santos, 2005) Tonicidade

Função integrada do sistema nervoso, no qual as articulações são fixas pelos músculos em determinadas posições, preparando a actividade postural e cinética.

Tónus de suporte:  Extensibilidade  Passividade  Paratonia Tónus de acção:  Diadococinésia  Sincinésias Equilíbrio

Condição básica de organização psicomotora que reúne um conjunto de aptidões estáticas e dinâmicas necessárias para adquirir um correcto e apropriado ajuntamento à força gravitacional.

1 ª U n id a d e d e L u ri a  Imobilidade

 Equilíbrio estático  Equilíbrio dinâmico

Lateralidade

“É o predomínio funcional de um lado do corpo humano sobre o outro, determinado pela supremacia que um hemisfério cerebralexerce sobre o outro”(Iriarte,1990 cit.Mendes,2001:38) Telereceptores:

 Visão e audição Proprioceptores: Mão e pé Noção do corpo

“Imagem do corpo humano e humanizado,imagem adquirida,elabora e organizada no cérebro do indivíduo pormeio da sua aprendizagem mediatizada.”(Fonseca,1992:212)

 Sentido cinestésico  Reconhecimento d- e  Auto- imagem

 Imitação de gestos  Desenho do corpo Estruturação Espaço- Temporal

“Emerge da motricidade,da relação com os objectos localizados no espaço,da posição relativa que ocupa o corpo (…).”(Fonseca,1992:216)

2 ª U n id a d e d e L u ri a  Organização

 Estruturação dinâmica  Representação topográfica Estruturação rítmica Praxia Global

“Sistemas de movimentos coordenados em função de um resultado e de uma intanção”(Piaget, 1975 cit Fonseca, 1992:240)

 Coordenação óculo- manual

 Coordenação óculo- pedal  Dismetria

Praxia Fina

“Aquisição superiorque requera conjunção dos programas de acção (…)e de funções inerentes a um órgão especializado na exploração,manipulação e preensão dos objectos”(Fonseca,1992)

3 ª U n id a d e d e L u ri a

 Coordenação dinâmica manual

 Tamborilar  Velocidade- precisão

A BPM é composta por sete factores e tem como principais objectivos relacionar e justificar os vários factores e sub factores psicomotores com as

três unidades funcionais do cérebro, segundo o modelo Luriano (ver quadro nº9).

4.1.3. Procedimentos metodológicos

Como referido anteriormente, este estudo tornou-se possível graças a um protocolo entre a Junta de Freguesia de Ramalde e o gabinete de Actividade Física Adaptada da Faculdade de Desporto da Universidade do Porto.

Para a aprovação desta iniciativa foram solicitadas as devidas autorizações aos órgãos competentes da Faculdade, da Junta de Freguesia e da Escola, bem como aos docentes responsáveis pela Unidade de Intervenção Especializada (U.I.E) e por fim, mas não menos importante, aos encarregados de Educação da aluna.

O nosso trabalho constituiu-se como a continuação de uma iniciativa que teve o seu início no ano lectivo de 2003/2004, revelando-se de grande importância, visto possuirmos um conjunto de metodologias e resultados anteriormente apurados, que foram de grande utilidade aquando da realização da nossa intervenção, permitindo, com mais facilidade, o conhecimento das capacidades e perfis do comportamento motor da aluna com que desenvolvemos o nosso trabalho.

A nossa intervenção decorreu no ano lectivo de 2006/2007, mais precisamente entre os meses de Dezembro e Maio, desenvolvendo-se em sessões bissemanais de cinquenta minutos cada.

A forma de observação e avaliação realizou-se através da aplicação da Bateria Psicomotora de Vítor da Fonseca (1975).

Realizamos dois momentos de avaliação. O primeiro teve lugar no início da nossa intervenção, tendo o segundo ocorrido no final da mesma.

A forma de execução dos diversos testes apresentou-se sempre contextualizada com as sessões, na medida em que os exercícios foram sempre direccionados para o que se pretendia avaliar.

autorização para a captação de imagens aos responsáveis da U.I.E., a qual foi aceite com o comprometimento das imagens terem como fim único a análise destas e não a sua divulgação.

As sessões realizaram-se dentro da sala da U.I.E., no corredor adjacente a esta, no átrio de entrada e no exterior da Escola. Tivemos o cuidado de criar as melhores condições possíveis para a realização das sessões, cumprindo um conjunto de rotinas que favorecessem as condições mais adequadas de prática por parte da aluna.

4.1.4. Procedimentos Estatísticos

As cotações aplicadas no nosso estudo obedecem a critérios estabelecidos por Fonseca na sua Bateria (1996).

O resultado total da BPM é obtido contando nos quatro parâmetros já apresentados todos os sub factores, sendo a cotação média de cada factor arredondada. Essa cotação foi transferida para uma primeira página de registo, onde se encontra o perfil psicomotor (ver pág.32).

Desta forma, a cotação máxima da prova poderá atingir os 28 pontos (4x7factores), a mínima de sete pontos (1x7pontos) e a média de 14pontos.

Com base nessas pontuações, pode construir-se uma escala que aponta para os seguintes valores (Fonseca, 2007).

Quadro 10. Escala–Relação entre os pontos da BPM e o Perfil Psicomotor (Adaptado de Fonseca, 2007:128)

Pontos da BPM Tipo de perfil Psicomotor Dificuldades de aprendizagem

27-28 Superior ___________

22-26 Bom ___________

14-21 Normal ___________

9-13 Dispráxico Ligeiras (específicas)

7-8 Deficitário Significativas (moderadas ou Severas)

Através desta pontuação, Fonseca (1996) constrói as escalas apresentadas nos quadros nº10 e nº11.

Quadro 11. Escala–Cotação de cada prova da BPM (Adaptado de Fonseca, 2007:301)

Cotação/ Nível práxico Nível de Realização

4 - Hiperpraxia Realização perfeita, precisa, melódica e com facilidades de controlo

3 - Eupraxia Realização completa, adequada e controlada (bom, disfunções indiscerníveis).

2 - Dispraxia Realização fraca, com dificuldades de controlo (fraco, insatisfatório) e sinais desviantes.

1- Apraxia Ausência de respostas; realização imperfeita incompleta (muito fraco e fraco); disfunções evidentes e óbvias.