TECHNIQUES ROUTIÈRES
REVÊTEMENTS BITUMINEUX COLORÉS
6.1 Techniques de revêtements bitumineux colorés
A presença de concentrações significativas de micropoluentes em efluentes hospitalares constitui um alerta para a necessidade de se regulamentar e aprofundar a sua monitorização periódica, de modo a permitir uma avaliação mais fundamentada do impacto causado por esses compostos no funcionamento das ETAR, nomeadamente na eficiência dos tratamentos biológicos, bem como do seu potencial comportamento refratário, no sentido de mitigar os potenciais riscos associados à sua presença nos ecossistemas (terrestres e aquáticos).
Em relação aos trabalhos de investigação sobre efluentes hospitalares, contata-se que só muito recentemente, os artigos publicados incluem a componente ecotoxicológica e estabelecem listas de substâncias prioritárias, com potencial risco ecotoxicológico, o que revela uma preocupação crescente com os perigos associados à descarga de efluentes hospitalares. É ainda de salientar que existem mais dados na literatura sobre a presença de micropoluentes em efluentes urbanos do que em efluentes hospitalares, pelo facto de, muitas vezes, ser difícil obter permissão para a recolha de amostras (monitorização) de água residual no interior das Unidades Hospitalares (UH).
Vários estudos têm vindo a comprovar que as ETAR urbanas não estão geralmente preparadas para remover a grande maioria dos micropoluentes habitualmente detetados em efluentes hospitalares, uma vez que o tratamento biológico convencional, mesmo complementado com desinfeção, revela-se ineficaz, devido às diferenças de comportamento das diferentes substâncias durante os processos de tratamento.
Neste sentido, urge consolidar o desenvolvimento das novas tecnologias emergentes, de modo a reduzir a quantidade de micropoluentes descarregados no meio ambiente. Os processos de oxidação avançada surgem como uma alternativa promissora, alguns dos quais de baixo custo, podendo ser aplicados em sistemas de pré-tratamento ou, idealmente, combinados com o tratamento biológico existente nas ETAR urbanas.
Em Portugal, os estudos sobre efluentes hospitalares são ainda incipientes e a gestão destes efluentes é geralmente feita com base nas recomendações constantes de documentos, planos e/ou ações promovidas pela Direção-Geral das Instalações e Equipamentos da Saúde, do Ministério da Saúde.
Das oitenta e oito unidades hospitalares portuguesas inquiridas neste trabalho de investigação, ”apenas” trinta e nove colaboraram através do preenchimento do questionário proposto e disponibilizado via internet.
A maioria dos Conselhos de Administração dos hospitais não foi recetiva ao preenchimento do questionário, ou por o entenderem inoportuno para os interesses e/ou imagem da instituição, ou por não considerarem a gestão dos efluentes hospitalares um assunto prioritário.
A análise dos resultados obtidos nos questionários permitiu verificar que as políticas de gestão ambiental nos hospitais, bem como os procedimentos habituais no controlo da qualidade e tratamento dos seus efluentes, variam de forma significativa de acordo com a tipologia destes.
De uma maneira geral, os hospitais com menos de dez anos têm implementado uma nova conceção no projeto das infraestruturas hidráulicas, através da construção de redes de drenagem separativas que distinguem os vários tipos de água residual produzida nos hospitais (domésticas, infetadas, radioativas).
Relativamente à análise dos efluentes produzidos, constatou-se que esta é uma prática realizada pela minoria das UH que responderam ao questionário, pois apenas 33% dessas UH realiza análises de controlo aos efluentes, embora com periodicidades e a parâmetros distintos. Por outro lado, apenas 38% das UH respondentes dispõe de sistemas de pré- tratamento de efluentes, não tendo, no entanto, sido possível obter e validar dados que permitissem estimar a eficiência dos tratamentos aplicados.
Apraz registar e salientar a existência um hospital português que acolheu a realização de um estudo pioneiro permitindo a instalação de uma ETAR piloto, visando o
desenvolvimento e validação de novas tecnologias de tratamento de micropoluentes emergentes presentes em águas residuais hospitalares.
Os ensaios laboratoriais realizados, relativos à degradação do antibiótico oxitetraciclina (OTC), permitiu verificar que a OTC apresenta dois picos em diferentes comprimentos de onda, da radiação UV visível, e que a sua degradação, dependente das diferentes condições de ensaio, sendo sempre mais elevada no segundo pico (353-356 nm e/ou 364- 368 nm).
Os ensaios de fotocatálise mostraram-se mais eficazes na remoção desse antibiótico do que os ensaios de fotólise, o que confirma o elevado poder catalisante das partículas de , já descrito e reconhecido na bibliografia científica.
Por outro lado, as soluções dos ensaios expostos à radiação da lâmpada UV atingiram eficiências de remoção mais elevadas do que as dos ensaios expostos diretamente à radiação solar. Esta constatação pode ter sido agravada pelo facto de as soluções expostas à radiação solar (de intensidade não controlável) terem sido sujeitas a uma agitação manual não contínua (ao contrário das do reator UV), o que poderá ter contribuído para um menor contacto entre a OTC e as partículas de .
A melhor eficiência de remoção de OTC foi de 96%, obtida para os ensaios de fotocatálise (com uma concentração inicial de TiO₂ de 50 mg/L) expostos à radiação da lâmpada UV e para um tempo de reação de 60 minutos.
Nos ensaios de fotocatálise sob radiação solar (E6 a E9), a quantidade de energia solar acumulada (na banda dos 450-900 nm ) necessária para remover, em média,
cerca de 80% da OTC inicial, foi de 113 kJ/L. Já nos ensaios de fotólise (E11 e E12), a quantidade de energia solar acumulada foi de 171 kJ/L e apenas removeu, em média, cerca de 30% da OTC.
O efeito da utilização de diferentes concentrações de (50 mg/L e 25 mg/L) foi mais significativo nas soluções dos ensaios de exposição à radiação solar (melhor degradação nas soluções com 50 mg/L) do que nas soluções ensaiadas no reator UV.
Na presença de ferro e na fase inicial, as cinéticas de decaimento de todas as soluções preparadas com água de abastecimento apresentaram taxas de reação superiores às das soluções preparadas com água destilada. Além disso, naquelas soluções também se obtiveram eficiências de remoção ligeiramente superiores, independentemente da fonte de radiação e da concentração de .
Os resultados dos ensaios de toxicidade efetuados indiciam que a utilização da fotocatálise heterogénea com suspenso não induz o aparecimento de subprodutos tóxicos na água, uma vez que as sementes de alface Lactuca Sativa submetidas à ação de água tratada (oxidada) registaram sempre percentagens de inibição inferiores a 22%.