2.3 Cohérence (consistance) de données dupliquées
2.3.1 Définition
A promoção da literacia para a sustentabilidade deve ser feita desde os primeiros anos e nos mais variados contextos. De acordo com o conhecimento atual, as crianças aprendem através das suas experiências quotidianas, estas espontâneas, concretas e individuais. Para que ocorra aprendizagem, a criança necessita de espaço para explorar, questionar e testar o que aprendeu através dos seus sentidos, das suas emoções, do processo de aprendizagem dos valores, da socialização e do espaço que a envolve (Vodopivec, 2011).
Os primeiros anos de vida do Ser Humano são os mais favoráveis ao desenvolvimento de aprendizagens significativas, principalmente no que concerne à componente das atitudes e valores e das suas convicções, estas estruturantes das bases da personalidade. As atitudes e valores desenvolvidos nos primeiros anos de vida são as mais significantes e passiveis de perdurar ao longo de toda a vida, uma vez que servirão sempre de referência aquando da tomada de grandes decisões e
21 do modo como agirão perante si próprios, os outros e o ambiente que os rodeia (Didonet, 2008; UNESCO, 2010).
As crianças são por natureza muito sensíveis a tudo o que se relaciona com a natureza, nomeadamente animais, plantas, flores, o fenómeno do fogo, água, terra e vento, por exemplo (Didonet, 2008). A educação ambiental encontra-se já vastamente implementada nos contextos de educação pré-escolar. Até à data, esta educação focou-se apenas em problemáticas relacionadas com o estado do ambiente e da natureza, sendo tal uma consequência do modo como os programas de ensino estão estabelecidos na educação de infância (Edwards e Cutter-Machenzie, 2011; Elliott e Davis, 2009, como referido em Stuhmcke, 2012).
O trabalho em torno da Educação para o Desenvolvimento Sustentável deve ser iniciado nos primeiros anos de vida mas sempre respeitando o espaço protegido que é a infância (UNESCO, 2010). Este deve assumir como características a interdisciplinaridade; a educação para os valores; o fomento do pensamento crítico; a capacidade de resolução de problemas; o recurso a diferentes métodos facilitadores de aprendizagem, nomeadamente artes, letras, debates e experiências; o estímulo da participação na tomada de decisões; e a busca de tornar as atividades localmente relevantes, partindo do contexto local para o global aquando da busca de soluções para problemas enunciados (UNESCO, como referido em Government of Manitoba, 2011). Todavia, não deve ser colocado sobre as crianças o peso dos problemas de um desenvolvimento insustentável causado pelos adultos. Ao invés, deve-lhes ser conferida a oportunidade de descobrir o mundo, este cada vez mais dinâmico no seu desenvolvimento e culturalmente diverso, de modo a que se sintam capazes de atuar enquanto “pequenos cidadãos do mundo” (UNESCO, 2010, p. 2).
2.2.3.1 Da teoria à prática
A UNESCO (2014) no seu último relatório relativo à Década das Nações Unidas para a Educação para o Desenvolvimento Sustentável apresenta algumas estratégias de trabalho em torno das problemáticas da Educação para o Desenvolvimento Sustentável. Neste documento é dada a conhecer uma proposta holística e com grande enfoque no trabalho comunitário não só a partir do ensino pré-escolar mas sim desde o nascimento. Neste sentido, é requerido aos pais e membros da comunidade próxima das crianças a capacidade de colaborarem na busca de soluções para os problemas que lhes são próximos e veementes na sua comunidade. A mesma entidade salienta a importância de propiciar experiências “outdoors” às crianças uma vez que tal poderá potencialmente agir enquanto fator de sensibilização para a importância que a proteção da natureza assume nos dias de hoje, bem como permitir o contacto das crianças com o seu ambiente envolvente.
Sá (2008) refere como estratégias promotoras de aprendizagens em Educação para o Desenvolvimento Sustentável, entre outras, a exploração de recursos didáticos, pelo seu cariz
22 facilitador da construção organizada e estruturada do conhecimento; o trabalho de grupo, por permitir a troca de ideias e a capacidade de cooperação; e atividades de análise e discussão de textos por possibilitar a transdisciplinaridade do trabalho em EDS. Sá (2012) acrescenta o trabalho investigativo e o visionamento e discussão de apresentações em PowerPoint, que estimulam o desenvolvimento do espírito crítico; a análise de contos, atividade também promotora do trabalho interdisciplinar em EDS; o recurso a jogos; fichas de trabalho; atividades de dramatização de contos; e o envolvimento direto dos familiares nas atividades realizadas. Carvalho (2012) menciona, ainda, visitas de estudo, que têm o potencial de proporcionar aos alunos o contacto com o seu meio envolvente; atividades de sensibilização ambiental junto das famílias, uma vez que as crianças adquirem, no âmbito da EDS, o papel de propulsores da alteração de comportamentos e difusão de novas ideias; a utilização da tecnologia informática, na medida em que nos encontramos na era tecnológica e a tecnologia pode ser utilizada para enriquecimento das atividades, tornando-as mais motivantes e desafiantes; debates, pelo seu potencial de fomento da capacidade de argumentação e espírito crítico; e o contacto intercultural, considerando que cada cultura está dotada de diferentes saberes, estes dignos de serem partilhados.
Síntese
Dada a Revolução Industrial, o Ser Humano infligiu, nos ecossistemas, danos de grande magnitude, graças ao uso desmesurado dos recursos naturais do nosso planeta (Vilches, Praia e Gil- Pérez, 2008).
O século XXI trás consigo o desafio da criação de um presente e futuro sustentáveis através da aquisição de hábitos de consumo em equilíbrio não só com os recursos naturais disponíveis mas também com a realidade de uma população crescente em número. Neste sentido, a Educação para o Desenvolvimento Sustentável assume-se de grande relevância no quadro de emergência planetária com o qual nos defrontamos, na medida em que é já reconhecido o papel de grande importância que a educação adota no âmbito da capacitação dos indivíduos para serem intervenientes ativos na criação de uma sociedade mais justa e onde a paz prevaleça (UNESCO, 2015).
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Capítulo 3: A abordagem didática “A tradição na palma da mão!”