Chapitre 3: Techniques de compression d’images et de vidéos adaptées aux réseaux de capteurs
3.2. Approches de compression d’image pour les réseaux de capteurs de vision sans fil
3.2.2. Techniques basées sur la transformée en ondelettes discrète
“Conhecer Wittgenstein foi uma das mais excitantes aventuras intelectuais da minha vida”72; a declaração que Russell faz para o obituário de Wittgenstein - morto em 29 de abril de 1951 aos 62 anos recém-completados - revela a importância do encontro entre dois dos principais lógicos do século XX. Quando Russell conheceu Wittgenstein este último ainda era um estudante de engenharia interessado nas origens da matemática que o impressionou de uma maneira um tanto dúbia: “No início eu estava em dúvida se ele era um gênio ou uma manivela, mas logo me decidi a favor da primeira alternativa” (Russell, 1951, p.297).
Bertrand Arthur William Russell, nascido no País de Gales em 18 de maio de 1872 e falecido em 2 de fevereiro de 1970 vitimado por uma gripe, foi o terceiro conde Russell e conseguiu em vida o reconhecimento por seu trabalho, tendo alcançado fama internacional e sido galardoado com o Prêmio Nobel de Literatura em 1950. A carreira acadêmica brilhante deste notável filósofo e matemático foi permeada pela defesa de uma série de bandeiras por parte deste pensador apaixonado. Russell militou pela paz mundial, pela igualdade dos direitos entre homens e mulheres, pela educação infantil (chegou até a fundar com sua segunda esposa, Dora Winifred Black Russell uma escola experimental infantil em Beacon Hill, na Inglaterra), pelo reconhecimento da URSS, entre tantas outras, tendo ainda sido anarquista e ateu confesso. Longevo ao ponto de conseguir publicar sua autobiografia, o terceiro conde Russell foi homem de vida tão ativa e produtiva quanto longa e que, em seus quase um século de vida – 98 anos para sermos mais exatos – foi testemunha e agente da revolução cultural que se iniciou no final do século XIX e perdurou por toda a extensão do século XX, indo da Inglaterra Vitoriana à era Espacial. E ainda, se enquanto lógico e matemático B. Russell promoveu uma verdadeira revolução nas bases da filosofia matemática, enquanto filósofo defendia que a Filosofia deveria estar disponível para todos.
Para além da defesa do “desencastelamento” da Filosofia, Russell também compartilhava com Wittgenstein a ideia de que muito do que até então se nomeava de metafísica precisava ser revisto e até mesmo expurgado. A posição russeliana e uma certa interpretação do TLP (da qual já afirmamos não pactuar) foram fontes de inspiração para o
72 “Getting to know Wittgenstein was one of the most exciting intellectual adventures of my life”.In: Russell, Bertrand. Mind. New Series, Vol. 60, No. 239 (Jul., 1951), Oxford University Press, pp. 297-298. Disponível em: http://www.jstor.org/stable/2251317. Acesso em 15.03.2014.
movimento de caráter antimetafísico denominado “Círculo de Viena”. Segundo Russell em seu livro “Os problemas da Filosofia” (2005), publicado inicialmente em 1912,
A maioria dos filósofos – ou, pelo menos, muitos deles – professa ser capaz de provar, por meio de um raciocínio metafísico a priori , coisas como os dogmas fundamentais da religião, a racionalidade essencial do universo, o caráter ilusório da matéria, a irrealidade de todo mal, e assim por diante. Não há dúvida alguma de que a esperança de encontrar uma razão para acreditar em teses como essa tem sido a principal inspiração de muitos dos que têm se dedicado ao estudo da filosofia. Creio que esta esperança é vã. Parece que o conhecimento relativo ao universo como um todo não pode ser obtido pela metafísica, e que as provas apresentadas, segundo as quais, em virtude das leis lógicas, tais coisas devem existir e tais outras não, são incapazes de sobreviver a um exame crítico. (Russell, 2005 p.119)
Não é de estranhar, portanto, a aparente decepção de Russell ao constatar que seu pupilo, inicialmente defensor de uma postura tão cética quanto a dele, volta da segunda guerra com uma postura que B. Russell denominou de “mística”73 e com uma obra – o Tractatus Logico-Philosophicus – aparentemente incompreensível. Dessa maneira, o polêmico “misticismo tractatiano” se coloca como um dos entraves para uma compreensão russeliana do Tractatus, o que desemboca na célebre introdução ao TLP que marca o início do afastamento entre os dois filósofos. Ao defender posições divergentes das de Frege e Russell, Ludwig Wittgenstein acaba por se distanciar também na esfera pessoal daqueles que inicialmente havia considerado como mentores.
Um dos pontos iniciais de conflito entre as ideias de Frege, Russell e Wittgenstein – conforme já adiantamos nos tópicos anteriores nos quais tratamos sobre as influências e dessemelhanças entre o pensamento fregeano e o wittgensteiniano – é a divergência deste
73 Ainda no obituário de Wittgenstein, publicado na Mind, Russell coloca que: “Nos tempos anteriores de 1914, ele estava preocupado quase que exclusivamente com a lógica. Durante, ou talvez um pouco antes. da primeira guerra, ele mudou sua visão e tornou-se mais ou menos um místico, como pode ser visto aqui e ali no Tractatus. Ele tinha sido dogmaticamente anti-cristão, mas, neste aspecto, ele mudou completamente. A única coisa que ele me falou sobre isso foi que, uma vez em uma aldeia na Galiza, durante a guerra, ele encontrou uma livraria contendo apenas um livro, que foi o de Tolstoi sobre os Evangelhos. Ele comprou o livro, e, de acordo com ele, o livro o influenciou profundamente. Do desenvolvimento de suas opiniões depois de 1919 eu já não posso falar”. (Russell, 1951, p. 298)(tradução nossa)
último dos demais no que concerne ao papel da linguagem ordinária no trabalho filosófico. Segundo Alencar (2006, p.229), os três convergem a respeito da necessidade da linguagem ordinária ser esclarecida em alguma medida (defendendo inclusive a existência de distinções entre a forma lógica e a forma gramatical de uma proposição74 mas possuem diferentes pontos de vista sobre sua importância). “Para Frege e Russell, a linguagem ordinária é ambígua, vaga. Apresenta, pois, defeitos que a tornam inutilizável para discursos que necessitam de precisão, como é o caso da ciência e da filosofia. Enquanto que para Wittgenstein, as proposições da linguagem ordinária estão em perfeita ordem (TLP 5.5563), porém, isso não significa que a forma gramatical e a forma lógica da proposição coincidam sempre” (2006, p.229). Ainda segundo Alencar (2006, p.229), Wittgenstein defende que a análise das proposições da linguagem ordinária revela a sua real forma lógica, o que significa dizer que, mesmo defendendo que a linguagem natural está em ordem, a forma lógica proposicional não é dada de maneira imediata no uso corrente de proposições. Tais ideias vão nos remeter à Sprachkritik, um dos pontos centrais da discussão de nosso trabalho.
Vamos aqui rememorar o aforisma 4.0031: “Toda filosofia é ‘crítica da linguagem’. (Todavia, não no sentido de Mauthner.) O mérito de Russell é ter mostrado que a forma lógica aparente da proposição pode não ser sua forma lógica real.” (TLP: 4.0031). Quando Wittgenstein, sempre tão econômico em suas citações, coloca em um mesmo aforisma nomes de pesos tão díspares para a história da Filosofia como Fritz Mauthner e Bertrand Russell, deixa evidente a importância que tal passagem tem para a edificação de suas ideias e a necessidade de caracterizá-las devidamente em relação a seus antecessores. Como já discutimos as possíveis influências mauthnerianas no primeiro capítulo, não nós alongaremos mais aqui sobre esse tema; quanto a Russell, suas teorias, bem como as de Frege serviram como base para a discussão que Wittgenstein edifica no TLP. Quando LW escreve que o “mérito de Russell é ter mostrado que a forma lógica aparente da proposição pode não ser a sua forma lógica real”, no aforisma supracitado, parece estar se remetendo à Teoria das Descrições Definidas (TDD), na qual Russell distingue a forma gramatical (forma lógica
74 Ressalvamos, entretanto, que apesar de Frege, Russell e Wittgenstein admitirem diferenças entre a forma gramatical e a forma lógica de uma proposição, não concordam entretanto em que medida ocorre esta distinção. Para Wittgenstein, por exemplo, segundo Alencar (2006, p.230) essa distinção se daria no sentido de uma explicitação.
aparente) e a forma lógica (real) das proposições75 , que discutiremos no próximo tópico.