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La technique de marquage chimique

5.2 Perspectives

6.1.3 La technique de marquage chimique

Como vimos, tanto a constituição quanto o desenvolvimento do grupo focal definem-se em função do problema e dos objetivos de pesquisa. Nesse sentido, o problema precisa estar claramente delimitado, assim como as questões que dele decorrem, para serem levadas ao grupo.

Assim, é necessário que o pesquisador tenha elaborado certo grau de teorização sobre o tema. Essa teorização permitirá ao pesquisador levantar questões relevantes e contextualizadas, bem como orientará a construção de um roteiro preliminar de trabalho com o grupo.

Contudo, o roteiro de discussão deve ser flexível, passível de ser ajustado no decorrer do trabalho (podendo-se abordar tópicos não previstos, bem como abandonadas algumas questões) (BAUER; GASKELL, 2002; GATTI, 2005).

Em meados do mês de setembro de 2009, reunimos o primeiro grupo focal (grupo 01 – 6º e 7º ano), na escola 018. Os procedimentos adotados com esse

grupo, e que serão aqui descritos, se estenderam aos demais.

Com intuito de estabelecer condições favoráveis à participação de todos os alunos na discussão, bem como gerar uma atmosfera permissiva, iniciamos o trabalho em grupo oferecendo as devidas informações, de modo que os adolescentes ficassem à vontade para participar.

Fizemos uma breve auto-apresentação e solicitamos o mesmo de cada integrante. Expusemos, novamente, os objetivos do encontro, assim como a rotina que seria adotada na reunião e a duração (aproximada) do encontro; cuidamos também para que ficasse claro que os dados seriam registrados de forma manuscrita e, também, gravados em áudio.

A obtenção da anuência dos participantes, assim como a garantia do sigilo dos registros e dos nomes de todos, é imprescindível, portanto foi enfatizada.

Com intuito de garantirmos a liberdade e a fluência de expressão, deixamos claro ao grupo que todas as ideias e opiniões seriam interessantes, que não havia “certo ou errado” e que não estávamos em busca de consensos; assim, todo e qualquer tipo de reflexão e contribuição seria importante para a pesquisa.

Deixamos claro ainda que nosso papel, enquanto moderadora, consistia em introduzir o assunto, propor algumas questões, ouvir e garantir que não se afastassem muito do tema e que todos tivessem oportunidade de se expressar, participar; que a discussão seria totalmente aberta em torno da questão proposta, e

8 Antes de efetuarmos a coleta de dados, junto aos grupos focais nas duas escolas, montamos um

grupo piloto com adolescentes, estudantes de escolas públicas que cursavam 6º, 7º, 8º e 9º ano do ensino fundamental. Discutimos com esse grupo piloto o roteiro semi-estruturado das questões que foram trabalhadas nos grupos focais. Essa estratégia teve o intuito de corrigir as possíveis falhas dos procedimentos que seriam adotados para coletas de dados da pesquisa.

que a conversa deveria fluir entre o grupo, portanto, não precisariam atuar como se estivessem respondendo a uma entrevista individual.

Para introduzirmos a discussão do tema proposto, utilizamos como estratégia, uma dentre as várias “técnicas de aquecimento” existentes. Tais técnicas ajudam a “quebrar o gelo” entre os participantes, além de propiciar a enunciação de variados pontos de vista e a chamada ao diálogo; também contribuem para que os participantes se voltem uns para os outros, e não para o moderador. Elas ajudam também a quebrar resistências, timidez etc (GATTI, 2005).

Bauer e Gaskell (2002) elencam uma série de estratégias que podem servir de estímulo para provocar ideias e discussão, que podem ser utilizadas como técnica de aquecimento junto ao grupo.

São exemplos de “técnicas de aquecimento9”: comentário geral sobre

o assunto; associação livre; anotações pessoais sobre uma questão; cartões afirmativos; exercício de roleplaying, ou um jogo de perguntas e respostas breves; escolha de uma figura ou de um assunto; dramatização; escolha de fotografias etc.

Em nossos encontros com os quatro grupos focais, utilizamos como estratégia de aquecimento a técnica da associação livre. Essa técnica consistiu em uma tentativa de descobrir o que os adolescentes pensavam sobre violência física e não física na escola, e qual perspectiva traziam para discussão.

Iniciamos, então, perguntando: constantemente ouvimos falar, através de jornais, da TV, revistas, internet, sobre violência nas escolas! Quando vocês pensam em violência, que palavras ou frases vêm à cabeça de vocês? Posteriormente, acrescentamos: e violência não física na escola?

9 Ver descrição detalhada das técnicas de aquecimento que podem servir de estímulo para provocar

Segundo Bauer e Gaskell (2002), embora tais estereótipos forneçam informações sobre crenças populares, eles também servem para se chegar a questões mais amplas sobre o tópico em questão. Os primeiros momentos foram cruciais para estabelecer condições favoráveis à participação de todos os componentes.

Após esse primeiro momento de “quebra gelo”, iniciamos a discussão propriamente dita. A discussão foi orientada por um roteiro de questões semiestruturadas (APÊNDICE B). As discussões foram gravadas em áudio e posteriormente transcritas.

Depois de cada encontro, elaboramos relatórios complementares, destacando as impressões, comportamentos e interações entre os participantes.

Enquanto pesquisadora, assumimos o papel de moderadora do grupo. Entretanto, contamos com o auxílio de um ajudante, que atuou como relator. Este foi

previamente orientado quanto ao registro das interações grupais, complementando,

assim, o material coletado em áudio.

Conforme Gatti (2005), o tempo de duração de cada encontro do grupo focal não pode ser demasiadamente longo, de modo que se torne exaustivo aos participantes do estudo.

Sendo assim, tanto a duração dos encontros, quanto o número de sessões a serem realizadas se define levando em conta a natureza do problema, os objetivos pretendidos com o estudo, “o estilo de funcionamento de cada grupo e a avaliação do pesquisador sobre a suficiência da discussão quanto aos seus objetivos” (p. 28).

Depois dos dois contatos iniciais, realizamos uma sessão com cada grupo focal para coleta de dados. As sessões tiveram duração média de uma hora e quatro minutos para os grupos da escola 01 e cinquenta e cinco minutos para os da escola 02.

Os encontros foram realizados em horários de aula, tendo de antemão a permissão da direção da unidade de ensino e do professor responsável pelas turmas.

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