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Technique d’échantillonnage des larves de poissons

3. STRATEGIE D’ECHANTILLONNAGE

3.1. Technique d’échantillonnage des larves de poissons

Porém, se a história (Geschichte) é um acontecer, nem todo o acontecer pode ter por si mesmo a dignidade de ser histórico, pois histórico é só aquele acontecimento “inaugural” que assinala a determinação dum povo, e que pode ser repetido e actualizado, como força imanente e projectiva que mantém esse povo como tal e o faz existir no âmbito da história: “A História [Geschichte] é um acontecimento propício [Ereignis] na medida em que ele acontece [Geschieht]”153

.

Para determinar verdadeiramente a essência da história é preciso clarificar a noção de Ereignis154 que aparece em Logik..., e que terá uma importância

152 Embora Heidegger defendesse a tese da supremacia da cultura europeia em conexão com a ideia da

transmissão do legado da origem grega, esta tese foi-se esbatendo a partir de 1959, data da conferência

Hölderlins Erde und Himmel, pressupondo a partir daí a igual dignidade ontológica das várias

civilizações resultantes dos vários envios do ser. Cf. Maria Adelaide Pacheco, “A Europa como Legado em Gadamer”, in Razão e Liberdade II, 1425.

153 „Geschichte ist ein Ereignis, sofern es geschieht.“, LWS, GA 38, 87. 154

Cf. É indispensável ter em conta a centralidade do termo alemão Ereignis assim como o campo semântico que lhe foi associado pela estratégia linguìstica do segundo Heidegger: ”No alemão, o er- tem 3 significados-base: conseguir/alcançar algo por completo ou antecipar este alcance (erhalten, ersteigen, etc), o deixar aparecer/desabrochar/brotar algo (erwarten, erhoffen), o início originário de algo e o seu crescimento, num acontecimento ou processo de carácter transformador (erschauen, erröten, erblühen). Para além disso é também útil saber que o er- provém do alto-alemão ar-, ir-, ou ur-, estando portanto numa relação de proximidade com o prefixo ur- que exprime a origem, a originariedade. Vê-se nitidamente que o er- alemão reúne em si uma espécie de matriz essencial dos traços fundamentais do

Ereignis: originariedade, transformação, carácter da physis originária, gelassenheit, antecipação utópica

da integração completa, do inteiro, da união, do uno. O er- não apenas ganha uma função lexical, é antes elevado, embora encobertamente, ao estatuto de palavra-chave da filosofia heideggeriana após a kehre.”

fulcral na obra posterior de Heidegger. O termo Ereignis não designa todo o acontecer (Geschehen), mas permite demarcar, em todo o acontecer, aquele que é histórico daquele que, pertencendo à história, é, no entanto, não- história, no mesmo sentido em que dizemos que o vale pertence à montanha. Ereignis designa aquele acontecer significativo pelo qual um povo se gesta a si mesmo, projectando-se no futuro, a partir do seu passado. Ereignis é o acontecer instantâneo da verdade, ou o acontecer instantâneo da resolução (Entschlossenheit) em que um povo se decide, colectivamente, a tomar a cargo o seu próprio destino, ou a sua própria determinação (Bestimmung) fazendo, assim, história.

Histórico em sentido apropriado não é, assim, nunca um acontecimento passado, nem um acontecimento simplesmente presente, nem uma utopia projectada num longínquo e vago futuro. Histórico é o Ereignis, o acontecimento propício, em que um povo se experimenta a si mesmo na unidade nos três êxtases temporais, em que passado, presente e futuro se articulam de modo simultaneamente luminoso e misterioso.

O Ereignis não designa apenas o acontecer humano, mas um acontecer no qual o que está em jogo é a compreensão do ser. Assim, o Ereignis assinala um acontecer em que não acontece apenas a história dum povo, nem a história do homem, mas onde acontece um modo particular de entrega do ser. No Ereignis o ser apropria-se do homem e o homem apropria-se do ser e essa recíproca apropriação dá-se na linguagem e pela linguagem.

A linguagem é, pois, na sua essência, um acontecer, o que significa que ela não tem apenas a função de comunicar informações acerca da história, nem de “evocar” eventos, mas que ela é um acontecer ontológico, que funda a história. Assim, podemos compreender a afirmação de Heidegger em Hölderlin e a Essência da Poesia de que a linguagem é “o supremo acontecimento da existência humana”, “o acontecimento que dispõe da mais elevada possibilidade de ser do homem”.

A linguagem não é, assim, apenas um instrumento de que o homem dispõe, isto é, não pode ser tomada como um ente intra-mundano, mas tem a função

de instaurar uma abertura ontológica, na qual os entes podem aparecer com a configuração total de um mundo. E o abrir lógico-linguístico dessa abertura é propriamente aquele acontecer a que se chama na terminologia heideggeriana o Ereignis.

Nesta consideração da linguagem como Ereignis estão em jogo as diferentes línguas históricas como tendo a função essencial da criação do mundo de um povo histórico, entendendo por “mundo” não apenas as obras de arte, as criações da técnica, as religiões, mas a totalidade dum modo de interpretar-se a si mesmo e a tudo o que é.

“ Apenas onde há linguagem há mundo, quer dizer esta esfera em permanente transição de decisão e de obra, de acção e de responsabilidade, mas também de arbítrio e de ruído, de decadência e de confusão. Somente onde reina mundo há história[…] a linguagem não é um instrumento disponível, mas aquele acontecimento propício que dispõe da mais alta possibilidade de ser do homem.”155

O uso desta categoria de mundo esclarece esta dimensão poiética da linguagem, pelo seu contraste com o mundo, tomado como ideia da razão teórica. O mundo como ideia da razão teórica representa o impulso da razão teórica para a totalização do edifício do saber, isto é, para nada deixar de fora das sínteses dum entendimento legislador da natureza. Ora a categoria de mundo em Heidegger é uma categoria que não aponta para uma subjectividade que legisla sobre os objectos, isto é, sobre a natureza, mas para um Dasein que, enquanto falante de uma língua histórica, assume a responsabilidade pelo desvelamento do ser.

Na medida em que acolhe o desvelamento do ser o Dasein reúne a dispersão e do caos faz um mundo, e este acontece nesse acontecer prévio que é a linguagem falada por um povo histórico: “Mundo não é uma ideia da razão teórica, mas mundo notifica-se na notificação do ser histórico e esta notificação é o ser revelado do ser do ente no mistério. Na notificação e através dela vigora o mundo.

155 „. Nur wo Sprache, da ist Welt, das heiβt: der stets sich wandelnde Umkreis von Entscheidung und

Porém, esta notificação acontece no acontecer originário da linguagem. Nela acontece o estar exposto ao ente, acontece a entrega ao ser.156

A essência do logos, enquanto linguagem, não aponta, assim, para a univocidade da lógica, nem para o ser como presença, mas para o ser como evento histórico-temporal que acontece na língua de um povo e o constitui, assim, como histórico.

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