JUNIORS/SENIORS
5. TAXONOMIE DES ELEMENTS GYMNIQUES
"A principal meta da educação é criar homens que sejam capazes de fazer coisas
novas, não simplesmente repetir o que outras gerações já fizeram. Homens que
sejam criadores, inventores, descobridores. A segunda meta da educação é formar
mentes que estejam em condições de criticar, verificar e não aceitar tudo que a elas
se propõe."
O paradigma da Aprendizagem ao Longo da Vida (ALV) tem vindo a merecer a atenção de várias entidades, com maior enfoque após os anos 70, por parte da ODCE, da UNESCO e do Conselho da Europa. Mas, se recorrermos à história, entendemos que, desde sempre que a ALV mereceu atenção, em todo o mundo, nas mais diversas épocas, pois
“(…) na Idade Média, já podíamos identificar atividade e ações que associamos ao que hoje chamamos de Educação de Adultos, como por exemplo nos trabalhos dos monges copistas na construção das majestosas bibliotecas medievais, na marca imperial deixada pelos romanos junto dos imponentes e maravilhosos “monstros” arquitetónicos, nas oficinas de escultura e pintura dos mestres da renascença ou ainda, nas oficinas artesanais da baixa e alta idade média.” (Alcoforado, 2000 in Rico e Libório 2009: 23)
Há ainda documentos que nos levam a outras partes do mundo como o Islão, onde a palavra dada (respeito) e a transmissão de valores como a integridade, fidelidade e generosidade eram transmitidas. Já em África, nas tribos, ensinavam-se uns aos outros: a caçar, pescar, fazer artesanato, cozinhar e a animar as noites a narrar contos antigos que não eram mais que passagens de saber. Se, inicialmente, cada Homem tinha apenas uma função na tribo, mais tarde, o ensino entre a comunidade permitiu-lhes aprender vários saberes.
“Outros na antiguidade, como Confúcio, e Lao Tse na China; Aristóteles, Sócrates e Platão na Grécia antiga, Cícero, Evelid e Quintillian na antiga Roma, foram também exclusivos educadores de adultos. A percepção desses grandes pensadores quanto à aprendizagem era de que ela é um processo de cativa indagação e não passiva receção de conteúdos transmitidos. Por isso as técnicas educacionais baseavam-se no pressuposto de Acão e reflexão e questionamento das coisas. Os gregos por sua vez, inventaram, o que se chama de Dialogo de Sócrates, no qual o líder, ou algum outro membro do grupo apresentava o seu pensamento e experiencia para a partir daí, os restantes elementos do grupo refletirem sobre as soluções para um determinado assunto. (…) (Oliveira 1999 in Rico e Libório (2009: 24)
O primeiro compêndio de educação de adultos foi escrito no século XV A.C. por Xenofonte e para o povo cristão. Talvez, o maior educador da história de todos os tempos tenha sido mesmo Jesus Cristo, que nos deixou escrito, há mais de dois mil anos, a Bíblia Sagrada que nos relata já
a importância do relacionamento entre a humanidade, e testemunha a necessidade da tolerância, da ajuda ao próximo, do benefício da dúvida e do entendimento.
O Corão está para os Muçulmanos como a Bíblia está para os Cristãos, e relata-lhes a importância da educação até à morte, pois nunca ninguém sabe tudo. Mais tarde, no período iluminista, a educação passa a ser encarada aos olhos da ciência e não da fé e percebe-se a necessidade imperiosa de educar e transmitir conhecidos. Especialmente, na época da revolução industrial onde a Europa se encontrava devassada e arrasada pela segunda guerra mundial e era preciso dotar as pessoas de mais conhecimentos e mais tecnologias, para que rapidamente se reerguesse um mundo novo.
Na Conferência Internacional de Montreal, inicia-se um processo de reconhecimento de importância da área da educação permanente e do princípio da aprendizagem ao longo da vida.
“A própria educação está em plena mutação: as possibilidades de aprender oferecidas pela sociedade exterior á escola multiplicam-se, em todos os domínio, enquanto que a noção de qualificação, no sentido tradicional, é substituída em muitos sectores modernos de atividade, pelas noções de competência evolutiva e capacidade de adaptação.” (Delors, 1996:89)
Consideramos que esta declaração de Delors continua bastante atual, visto que a evolução das tecnologias e do mundo do trabalho é tão rápida que a necessidade de aprendizagem ao longo da vida é cada vez mais evidente. Basta-nos pensar que, há cerca de uma década e meia, era impensável que hoje tivéssemos à nossa disposição uma tão grande panóplia de instrumentos que nos permitem ver uma morada e uma rua no México em tempo real.
A internet e as redes sociais aproximaram os mundos de pessoas que podem estar a milhares de quilómetros de distância, mas que, desta forma se mantêm perto e hoje já ninguém vive sem telemóvel.
Os constrangimentos de quem ainda não tem acesso às novas tecnologias, ou não sabe trabalhar com elas, são evidentes e por estas e outras razões é que a ALV é tão importante, para que não exista exclusão de ninguém, numa sociedade cada vez mais competitiva.
No entanto, não podemos correr o risco de pensar que a ALV substitui a aprendizagem escolar. Por isso, Azevedo (2004) diz-nos o seguinte:
“ (…) aprender ao longo da vida não dispensa, nem substitui, aprendizagem escolar. Mas desafia-a, obrigando-a a reinventar-se com a interpelação do mundo que a rodeia. Deste modo, as instituições escolares constituem-se elas próprias como organismos aprendentes que, ao interagir com outros contextos educativos e com organizações, afirmam a sua identidade ao mesmo tempo que contribuem para a consolidação de capital cultural e social da comunidade.(…)Pelo seu saber técnico e cientifico, pela sua experiencia e pelos papeis que desempenham num espaço educativo de referencia – a instituição escolar . Os professores e os educadores constituem parceiros preciosos em todas as dinâmicas de aprendizagem a valorizar, formais, não formais e informais. (Azevedo, 2004:24-28)
Assim,
“(…) o homem é o agente da sua própria formação através do intercâmbio constante entre a sua reflexão e as suas ações: a educação e a instrução, longe de se limitarem ao período de escolaridade, devem prolongar-se por toda a vida, abarcar todos os domínios do saber e conhecimentos práticos possíveis e proporcionar a todo o indivíduo um desenvolvimento pleno da sua personalidade. Os processos educativos e de aprendizagem nos quais estão integrados, ao longo da vida, crianças, os jovens e os adultos, seja sob que forma for, devem ser consideradas um todo.” (Rocha 1988:61).
Entende-se desta forma que a educação ao longo da vida não se restringe apenas aos adultos, pois os jovens passam também por esta necessidade. Pois como a história já nos mostrava, a transmissão de saberes dá-se desde o nascimento, até ao nosso desaparecimento. Toda a nossa vida é um longo processo de aprendizagem e será tão mais rica, quanto nós estivermos mais abertos, ao saber e ao conhecimento. Todos os dias e em todos os lugares, aprendemos algo e acabamos por transmitir também, desde que haja interação ou até mesmo só observação. Se formos capazes de aprender com as experiências dos outros, tornamo-nos mais sábios diariamente. Cury (2006) faz referência a isso mesmo ao escrever que: “uma pessoa inteligente aprende com os seus erros, uma pessoa sábia vai mais além, aprende com os erros dos outros, pois é uma grande observadora.”