Chapitre 2: Techniques expérimentales
4 Caractérisations physiques, chimiques et biologiques effectuées sur les fibres fabriquées
4.2 Taux de chitosane enduit sur les fibres d’alginate de calcium
Nesta investigação de carácter qualitativo a recolha de dados foi realizada através da observação participante, que permitiu efetuar descrições detalhadas em notas de campo e diários, complementadas por um grupo focal que se encontrou em três momentos da pesquisa. Estas recolhas induziram a reflexões e interpretações por parte do investigador e das crianças.
Para viabilizar o levantamento de informações foram utilizados os seguintes instrumentos de pesquisa: bloco de notas e gravador de voz que auxilia e complementa a descrição escrita.
4.2.1. Observação participante
A observação participante é a técnica principal utilizada nesta investigação.
27 A principal vantagem da observação participante é “a possibilidade de entender profundamente o estilo de vida de uma população e de adquirir um conhecimento integrado da sua cultura” (Hermano e Ferreira, 1998:108).
Como defendem Gallacher&Gallaguer “não é suficiente desenvolver uma pesquisa em ou sobre a infância, pesquisadores da infância devem pesquisar para e com as crianças” (2008 cit in Fernandes, 2011: 13). Neste sentido concordamos com Ferreira (2011) ao associar a escuta a esta técnica de recolha de dados. Este autor entende que através da “escuta” conseguimos compreender ideias e opiniões, é com palavras que as crianças realizam grande parte das suas interações. Esta observação não deixa de ser uma observação auditiva e conversada, que vai além do que os olhos vêm.
Tendo sempre presente que o objeto de estudo tem em vista compreender como é que as crianças constroem as suas culturas de infância no espaço de recreio, optamos por uma observação participante com enfoque nas atividades, nos companheiros e nas brincadeiras das crianças, sem quereremos ser intrusos inconvenientes. A proximidade às crianças foi facilitada pelo facto de a investigadora ser uma das educadoras3 da instituição sempre presente em todos os tempos da rotina diária e neste sem exceção.
A observação participante foi o método com maior enfoque neste estudo, no entanto, foram realizados três momentos de conversa com um grupo focal, bem como o registo da avaliação da semana em Conselho de Grupo.
De acordo com Fernandes, Sarmento e Tomás (2005), ao adotarmos uma metodologia participativa ouvimos as crianças nas suas brincadeiras e jogos, escutamos as suas interpretações e representações, que conduziram à “tradução e desocultação” das suas vozes e assim a uma maior compreensão das suas ações e interações.
4.2.2. Grupo focal
O grupo focal foi a técnica utilizada com 16 crianças de cinco anos de idade. Esta escolha surgiu de um debate entre todas as crianças, em que se concluiu que para que todas participassem teriam de se fazer pelo menos
3
A questão do duplo papel de investigadora e educadora será tratado no capítulo da análise de conteúdo, sobre as interações com os adultos.
28 quatro grupos de crianças, ouvir cada grupo e provavelmente discutir entre todos cada debate. Este processo poderia ser muito moroso e exaustivo para as crianças. Refletimos sobre as idades que participariam no grupo e as crianças concordaram que seriam as mais velhas a fazê-lo e que se alguma dúvida surgisse se chamariam outras crianças para a conversa. Ainda questionamos se deveríamos dividir este grupo em dois e inicialmente concordámos que sim, mas na hora da divisão do grupo as crianças queriam estar acompanhadas com os colegas de cada sala e a intenção era que o debate acontecesse entre crianças de ambas as salas. Daí, este grupo focal ser constituído pelas dezasseis crianças de cinco anos de idade de ambas as salas.
O que se pretendia era dar voz às crianças e compreender o que mais gostavam de brincar no recreio e o que menos gostavam neste tempo e espaço. Através das vozes das crianças compreendemos brincadeiras, atitudes e comportamentos, que de outro modo, não seria possível fazer.
Galego e Gomes, referindo-se a David L. Morgan (1997 cit in Galego e Gomes, 2005: 177), anunciam que “o grupo focal é uma técnica qualitativa que visa o controlo da discussão de um grupo de pessoas, inspirada em entrevistas não diretivas. Privilegia a observação e o registo de experiências e reações dos indivíduos participantes do grupo, que não seriam possíveis de captar por outros métodos, como, por exemplo, a observação participante, as entrevistas individuais ou questionários”.
Kristie Saumure (2001 cit in Galego e Gomes, 2005: 178) refere que o grupo focal pode ter quatro propósitos, neste caso foi utilizado “como inter- pretação alternativa aos resultados da pesquisa” e como referem Galego e Gomes (2005: 178) foi “usado para discutir com mais profundidade informações quantitativas, assim como clarificar esses mesmos resultados”.
As autoras esclarecem ainda que, e tal como na presente investigação, “este instrumento permite não só que se crie um espaço de debate em torno de um assunto comum a todos os intervenientes, como também permite que através desse mesmo espaço os participantes construam e reconstruam os seus posicionamentos em termos de representação e de actuação futura” (Galego e Gomes, 2005: 178).
29 Através do grupo focal foi possível compreender melhor as relações que as crianças estabelecem, os papéis que assumem, as regras que constroem e as brincadeiras que realizam.
Ao longo do processo tivemos em consideração os aspetos que as autoras supra citadas identificam como importantes no desenvolvimento do processo: i) os atores devem apresentar características comuns; ii) o investigador deve assumir um papel de liderança, sem quebrar a dinâmica do grupo; iii) O investigador deve promover a participação e interação de todos os participantes; iv) ao investigador cabe assegurar que o debate não se distancia dos propósitos previamente estabelecidos; v) O Investigador não deve permitir que nenhuma criança se sobreponha às outras.
30