No capítulo anterior, mais especificamente no subtítulo Desenvolvimento da SAE, é possível identificar uma participação significativa dos alunos durantes os dez encontros, principalmente, levando-se em conta o percentual de frequência dos mesmos durante a pesquisa. Se observarmos o gráfico abaixo, constataremos uma média de 29 alunos por oficina, o que equivale a 97% de frequência dentre os 30 sujeitos participantes.
Gráfico 1 – Frequência dos alunos nos 10 encontros da SAE.
Fonte: elaborado pelo autor.
0 5 10 15 20 25 30 35 1º encontro 2º encontro 3º encontro 4º encontro 5º encontro 6º encontro 7º encontro 8º encontro 9º encontro 10º encontro 0 10 20 30
Importante salientar que, nas turmas do 8º ano do Ensino Fundamental do CMF, não é comum haver faltas às aulas durante o ano letivo. Cada falta ocasiona perda de ponto no quesito frequência. O aluno que não contabiliza nenhuma falta durante o ano letivo recebe um elogio disciplinar, o qual constará da ficha disciplinar do discente e irá gerar uma pontuação no grau comportamento.
Na Etapa de Sondagem, nosso primeiro encontro, por ocasião da apresentação inicial e produção inicial, tivemos 3% de faltas de alunos, fato que reflete a falta de, apenas, um aluno. Por este motivo, 29 discentes receberam as fichas para produção inicial, deste universo, somente 16 tentaram produzir um verbete, 13 declararam não saber o que era um verbete. Notou-se uma preocupação dos educandos em aprender o modo de produção de um verbete, alguns perguntaram aos colegas e outros perguntaram ao professor. Foi orientado pelo pesquisador que não houvesse troca de informações entre os participantes da pesquisa, cada indivíduo deveria responder individualmente as questões propostas.
A análise do questionário 1, Apêndice C desta pesquisa, nos permite observar que 17% dos alunos já haviam escrito um verbete e 55% desconheciam o gênero em estudo.
O presente estudo se ateve à análise e discussão dos resultados, apenas, dos alunos que participaram de todas as etapas da SAE, ou seja, uma amostragem dos resultados apresentados por 25 educandos, haja vista os discentes 09, 29, 08, 28 e 17 terem faltado a um ou mais encontros.
Aclara-se que as produções finais de todos os alunos, mesmo dos que não participaram de todos os encontros da Sequência de Atividade de Ensino desenvolvida, fazem parte dos glossários das disciplinas de Matemática e Geografia, os quais estão dispostos no final deste capítulo.
É oportuno salientar que, com base no questionário 1, 72% dos alunos identificam o hábito de leitura nos pais/responsáveis, 72% dos pesquisados afirmaram gostar de ler, e 59% disseram ter lido mais de três livros durante o ano, até a data do primeiro encontro da SAE, no entanto 3% não haviam lido um título sequer. Identifica-se, ainda, que 59% dos aprendizes gostam de escrever e que 76% preferem escrever mensagens em redes sociais.
O questionário 1 revelou, também, que 59% dos pesquisados haviam estudado em quatro ou mais estabelecimentos de ensino; que 93% já haviam perdido um ano escolar, não necessariamente por motivo de reprovação, alguns por motivo
de não aprovação no primeiro concurso para ingresso no CMF; que 93% tinham computador em casa e 100% tinham smartphone e acesso à internet, contudo apenas 69% dos alunos garantiram estudar utilizando-se dos meios digitais.
Os alunos da turma 801 do CMF, do ano de 2018, sentem dificuldade em compreender o significado de alguns termos e expressões próprios do arcabouço vocabular das disciplinas de Matemática e Geografia. Tal afirmação foi confirmada por 73% dos participantes desta pesquisa, os quais sinalizaram que, somente, 34% possuem o hábito de consultar o dicionário. Quando os discentes foram questionados acerca das atitudes tomadas ao ler uma palavra de significado desconhecido, 48% responderam que preferem perguntar o significado da palavra para uma pessoa que esteja próxima e 45% externaram a preferência em tentar descobrir o significado da palavra na própria leitura.
A compreensão do vocabulário presente no texto da produção inicial, Apêndice A, por parte dos alunos, avaliada por intermédio do questionário 2, Apêndice E, encontra-se retratada no gráfico abaixo:
Gráfico 2 – Frequência de acerto das questões objetivas do questionário 2 pelos alunos.
Fonte: elaborado pelo autor.
A análise do gráfico 2 nos permite entender que houve, em média, 34% de acertos das questões propostas no questionário 1, na etapa de sondagem, revelando um nível de compreensão do vocabulário presente no texto da produção
0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70%
inicial (Apêndice A) muito aquém do satisfatório.
Vale ressaltar que as questões consideradas pelo pesquisador com respondidas corretamente foram as que apresentaram como respostas as letras C ou D, desde que o significado apresentado fosse coerente com o texto.
Na Etapa de Construção do Glossário, por ocasião da inserção dos textos multimodais nas definições dos verbetes, os alunos se revelaram bastante inseguros e inexperientes quanto ao uso prático do processador de textos Microsoft Word, não sabendo formatar ou fazer operações simples como copiar e colar um texto, quer seja texto escrito, quer seja texto imagético. Tal constatação se revela paradoxal a alguns dados coletados no questionário 1, Apêndice C, onde podemos verificar que, apesar de 93% dos alunos terem computador em casa, eles não utilizam esta tecnologia para produzir seus textos. Os discentes produzem seus textos por intermédio de seus smartphones, com a finalidade dos textos produzidos circularem nas redes sociais, conforme declarado por 76% dos educandos.
Os participantes desta pesquisa usam a internet, manuseiam aplicativos de mensagens instantâneas, assistem a vídeos, ouvem músicas, tiram e compartilham fotos, no entanto, mostraram-se, em sua maioria, inócuos no momento de utilizarem o computador para produzirem seus próprios textos.