3.5 TAPE RECOMMENDATIONS AND AVAILABILITY
4.1.1 TAPE DRIVE
As vantagens dessa aliança são ditadas não apenas pela realidade mundial, mas também pelo contexto profissional circundante bem próximo e pela necessidade do desenvolvimento de outros saberes relacionados com a utilização das novas tecnologias no ambiente de aprendizagem permitindo acesso à sociedade do conhecimento. Essa aliança terá ainda como vantagem dotar alunos e professores de ferramentas e conhecimentos que os permitam integrar-se e funcionar em pleno num mundo onde o desconhecimento das tecnologias passou a ser sinónimo de iliteracia e um entrave à evolução pe ssoal e profissional. Acrescenta-se a tudo isso a capacidade de familiarização com um outro tipo de instrumentos. Instrumentos que permitem ultrapassar determinadas barreiras que nos impedem de visualizar e de interagir com o mundo e o outro que se encontra geograficamente menos próximo de nós. Melhor dizendo, a educação contemporânea deve ser capaz de ver nas novas tecnologias uma grande mais-valia e uma aliada de sucesso. Para isso, tem de ser capaz de utilizá-las para incrementar um ensino aprendizagem mais
diversificado em termos de meios e recursos educativos que ajudem a derrubar fronteiras que separam os povos, permitindo um mais rápido acesso à informação e ao conhecimento, tanto aos alunos como aos professores.
Na maioria das vezes , quando se fala de ensino-aprendizagem, é hábito pensar-se de imediato nos alunos e elegê-los como alvo preferencial das nossas investigações, procurando neles justificações que sustentem o sucesso ou insucesso da aprendizagem, tentando estabelecer relações de causa-efeito, responsabilização/desresponsabilização, capacidade/incapacidade, empenho/laxismo, para justificar os resultados. Temos a consciência de tratar-se de uma abordagem enviesada porque nesse processo se entrecruzam dois intervenientes que se encontram inexoravelmente ligados – alunos e
professores – pelo que não podem ser dissociados. E quando se trata das novas tecnologias
a questão torna-se muito mais complexa e uma abordagem visando apenas os alunos não seria representativa da realidade. Todos sabemos que os alunos de hoje fazem parte da era digital e possuem capacidade e destreza suficientes para utilizar várias opções tecnológicas em simultâneo, tais como ouvir música, enviar mensagens de texto, navegar na internet, ver televisão, falar ao telemóvel, falar no “skype”, com a maior naturalidade. As tecnologias são parceira por excelência dos jovens e é com essa realidade que os professores terão de conviver nas suas salas de aula e a sua sobrevivência dependerá da postura que adotarem perante o inevitável: aceitação/integração, rejeição/fracasso. Não se pretende com isso legitimar situações de distúrbio ou de conflito causadas pela má utilização das tecnologias em ambiente escolar. O que se pretende dizer é que os professores terão que se posicionar perante a nova realidade em que se baseia a interação,
escola – comunicação – formação, na sociedade do conhecimento, sob pena de se
sentirem ultrapassados pelos próprios alunos.
Como já se disse, no mundo globalizado em que vivemos , todos temos de estar preparados para enfrentar os desafios que a globalização nos coloca e os professores, mais do que ninguém, precisam de estar aptos a lidar com as ferramentas digitais, seja para a sua própria evolução, seja para ajudar os alunos a ver nestas tecnologias uma via de acesso mais célere à informação, ao conhecimento e à interação social. Os professores fazem parte e têm de estar integrados na sociedade do conhecimento. Batro (2004: 82) afirma que “a humanidade evoluiu culturalmente com o desenvolvimento de técnicas e tecnologias”. E é neste ponto que o pessoal dirigente e as autoridades educativas têm de
saber avaliar a sociedade e o mundo em que se encontram inseridos, para que decisões acertadas possam ser tomadas em matéria de formação e capacitação dos professores em áreas de maior fragilidade, evitando dessa forma conflitos de perceção e de entendimento. Não constituirá por certo nenhuma “heresia” afirmar que muitas vezes o horizonte dos alunos se encontra muito mais alargado do que o dos professores no que diz re speito ao seu contacto com as novas tecnologias, o que poderá originar sérios conflitos de geração, de perceção e de entendimento.
Já se fez referência à convicção de Batro (2004, in Suárez-Orozco & Qin-Hilliard, 2004 : 80) de que “a revolução digital também abriu a mente humana para a observação e a ação”. Tal afirmação explica, em parte, a grande importância a que se vem atribuindo ao uso das Novas Tecnologias da Informação e Comunicação (NTIC’s) no ensino aprendizagem como forma de apoiar professores, alunos e a sociedade em geral, na busca e partilha de informação que possa gerar conhecimentos e saberes facilitadores de uma visão mais global do mundo assente na observação e na ação. Tudo isso tem ditado profundas alterações nos sistemas educativos a nível mundial e impulsionado a procura de abordagens mais adequadas às exigências do mundo contemporâneo e às reais necessidades dos cidadãos enquanto parte integrante desse mundo altamente informatizado e globalizado em que nos encontramos. Batro é ainda de opinião que,
O desenvolvimento das novas tecnologias de informação e comunicação, em particular a Internet, é um dos componentes essenciais da globalização, não apenas como instrumento, mas também como motor de mudança. O impacto desse desenvolvimento tecnológico é profundo na educação, mudando a vida de famílias, professores e alunos de várias formas. Mas a transformação mais profunda acontece quando as tecnologias chegam aos recantos mais remotos e pobres do mundo [...] [porque] crianças capacitadas com as tecnologias digitais podem transformar-se em agentes de mudança.
(Batro, 2004: 89) Hoje as novas tecnologias estão a ser utilizadas como instrumento mediador e facilitador de uma educação global. Nos países desenvolvidos , a utilização das tecnologias digitais tornou-se tão corriqueira que muitas vezes não se apercebe que o que para eles representa apenas um simples instrumento de trabalho ou diversão, constitui ainda um verdadeiro luxo ou um mundo completamente desconhecido para milhões de outras pessoas à escala planetária. Alguns autores falam e m “nativos digitais” e “imigrantes digitais” (Ferreira, 2009: 4) para se estabelecer a diferença entre os nascidos na era digital e os que vão
tateando para conseguir manusear e utilizar minimamente as tecnologias digitais porque não pertencem à sua geração. Mas nós atrever-nos-íamos a lançar um olhar reflexivo sobre a outra face da moeda e abordar um pouco o conceito de incluídos e excluídos digitais.
Se transpusermos as nossas reflexões sobre o uso das tecnologias para o nível local, nacional ou regional, iremos depararmo-nos também com grandes assimetrias internas, dentro do mesmo espaço territorial, de tal forma que a educação global parece mais uma utopia do que algo passível de ser alcançado. Num mesmo país nem todos os alunos e professores têm ainda acesso a essas ferramentas e recursos tecnológicos para mediar a aprendizagem localmente, menos ainda para estarem ligados ao mundo e se sentirem cidadãos e parte integrante desse mundo. Por exemplo, existem países à volta do mundo onde a energia elétrica ainda não é um bem partilhado por todos. As tecnologias podem até lá estar, mas nem todos os cidadãos têm acesso a esse bem. Como é que se pode desenvolver um modelo de ensino baseado nas novas tecnologias? E se isso acontece no centro das cidades, o que dizer das localidades periféricas ou distantes dos centros urbanos? Portanto, a pobreza, as desigualdades sociais, a exclusão de uma forma geral, afastam ainda milhares de pessoas do acesso às novas tecnologias, o que vai por sua vez dificultar o desenvolvimento de uma educação global que abranja efetivamente a todos. Para potenciar o uso das novas tecnologias no ensino é necessário que ensinantes e aprendentes tenham condições, ferramentas e orientação adequada para se sentirem, efetivamente, agentes impulsionadores e mobilizadores das transformações do seu tempo em qualquer espaço ou situação, sem exclusão ou restrições.
Concluindo, diríamos que é inquestionável a existência de um mundo cada vez mais globalizado, mas, para uma educação verdadeiramente global, é necessário que o indivíduo seja visto para além das necessidades educativas; que os recursos cheguem a todos; que o acesso às tecnologias e à informação não seja um privilégio, mas um bem partilhado por todos; que o fosso entre ricos e pobres diminua em vez de acentuar-se; que a integração seja uma realidade e não um sonho. Para quando? O tempo dirá.