Chapitre II : Polyphénols 13
II.3. Tanins
a) Da análise descritiva efectuada observa-se que 76,16% (n1=131) dos inquiridos afirmam que o poder de decisão está centrado nos órgãos de gestão; 22,67% (n2 =39) admitem que o mesmo está repartido entre os órgãos de gestão e os professores e apenas 1,16% (n3 =2) afirma que o poder de decisão está difundido por toda a comunidade educativa (fig.6).
Figura 6 - Distribuição percentual das respostas ao questionário para o item relacionado com a partilha do poder de decisão no agrupamento de escolas Dr. Ginestal Machado.
Fonte: output do PASW
Tendo em conta que se pretende demonstrar que existe uma tendência estatisticamente significativa para a resposta que apresenta maior frequência e que existe uma diferença também estatisticamente significativa entre a proporção de inquiridos que acham que o poder de decisão está centrado nos órgãos de gestão e aqueles que não partilham essa opinião, utilizou-se o teste binomial55 para verificar a hipótese.
Importa fazer, neste ponto, uma importante ressalva: apesar deste teste ser especialmente adequado para aferir a ocorrência de uma, de duas realizações possíveis de uma variável aleatória é, ainda assim, aplicável a este caso, usando a estratégia da «dicotomização» da variável. Para o efeito basta "dividir", os resultados possíveis, em apenas duas categorias. Assim, seja p a proporção de indivíduos que escolhem a opção de que o poder de decisão está centrado nos órgãos de gestão, e q a proporção de indivíduos que escolhem qualquer outra opção, tal que p+q=1. Considera-se, para o efeito, a seguinte estatística de teste:
5 , 0 : 0 p= H vs. H1:p≠0,5 55
O teste binomial é usado para variáveis dicotómicas, isto é, cada observação (X) pode tomar um dos dois valores dependendo da categoria amostral. Neste caso, deve assumir-se que a probabilidade de seleccionar um elemento da primeira categoria é p e a probabilidade de seleccionar um elemento da outra categoria é q = 1-p. (ver anexos)
Finalmente, para avaliar a significância estatística da incidência percentual da centralização do poder nos órgãos de gestão, recorreu-se ao teste binomial como descrito em Maroco (2007), considerando-se α =0,05.
No presente estudo, a análise estatística inferencial indica que a percentagem de inquiridos que afirmam que o poder de decisão está centrado nos órgãos de gestão é significativamente diferente de 50% (p=0,000;N =172), e a probabilidade de significância, calculada tanto assimptoticamente como de modo exacto, permitiu rejeitar a hipótese nula (H0:p=0,5).
Conclui-se então que existem diferenças estatisticamente significativas entre a proporção de indivíduos que afirmam que o poder de decisão está centrado nos órgãos de gestão e a proporção daqueles que admitem o contrário (H1:p≠0,5). Para além disso, a incidência percentual é muito acentuada para a opção «o poder de decisão está centrado no órgão de gestão» (76,16%), o que indica que a grande maioria dos actores organizacionais partilham esta opinião.
b) O estudo da significância estatística para este tipo de variável (ordinal) é, usualmente, feito pela análise descritiva dos dados, embora se possa aplicar também o teste inferencial utilizado na alínea anterior (teste binomial) desde que seja efectuado um procedimento de ajuste similar.
Assim, da análise descritiva observa-se que 73,5 % (n1=130) dos inquiridos afirmam que as tarefas estão muitas vezes ou sempre bem definidas, 22,6% (n2 =40) respondem que só às vezes e apenas 9,4% (n3 =7) admitem que as tarefas raramente ou nunca estão bem definidas (fig.7).
Figura 7 - Distribuição percentual das respostas ao questionário para a questão relacionada com a definição de tarefas no agrupamento de escolas em estudo.
Observa-se uma clara tendência para as respostas que confirmam uma definição especializada e formal das tarefas na organização educativa em análise. Por observação do gráfico da figura 7, torna-se clara essa tendência já que o peso da distribuição incide nas respostas da direita, ou seja, a distribuição das respostas é visivelmente assimétrica negativa. A confirmar este facto está o valor de assimetria (skewness) de −0,531, que indica um grande desvio à média, verificado pelo comprimento da cauda da distribuição de frequência. O gráfico de extremos e quartis (fig.8) permite também uma boa perspectiva da tendência de resposta, pois torna-se evidente que a distribuição destas incide nos valores 3, 4 e 5, correspondentes, segundo a codificação efectuada, para as respostas «às vezes», «muitas vezes» e «sempre», respectivamente.
Figura 8 - Gráfico de extremos e quartis para a distribuição das respostas à questão relacionada com a definição de tarefas no agrupamento de escolas em estudo.
Fonte: output do PASW
Apesar da análise descritiva efectuada, e à semelhança da alínea anterior, há ainda que testar se existe uma diferença estatisticamente significativa entre a proporção de inquiridos que acham que as tarefas organizacionais estão bem definidas e aqueles que pensam de outra forma. Desta vez, embora as respostas sejam dadas numa escala ordinal, também não é difícil estabelecer dois grupos de respostas distintas, ou seja, as que advêm daqueles que admitem que as tarefas organizacionais estão sempre ou, pelo menos muitas
vezes, bem definidas, e os inquiridos que pensam que só às vezes, raramente ou nunca o estão.
A resposta «às vezes» é propositadamente considerada num grupo distinto das respostas «muitas vezes» e «sempre», pois indica uma situação claramente diferente. A este propósito, note-se que a resposta «às vezes» indica, inequivocamente, uma menor "frequência" do que a resposta «muitas vezes», daí a inclusão no grupo que reúne as respostas «nunca» e «raramente». Em tudo o resto o procedimento é semelhante ao da alínea anterior.
Desta feita, para avaliar a significância estatística da distribuição especializada de tarefas, também se recorreu ao teste binomial considerando-se, igualmente, α =0,05.
No presente estudo, a análise estatística inferencial indica que a percentagem de inquiridos que admitem existir uma distribuição de tarefas bem definida, é significativamente diferente de 50% (p=0,000;N =177).
Tal como na alínea a), aceita-se a hipótese alternativa, concluindo-se que existem diferenças estatisticamente significativas entre a proporção de indivíduos que admitem que as tarefas organizacionais estão bem definidas e aqueles que crêem o contrário.
c) Verifica-se que 63,9 % (n1=113) dos inquiridos admitem uma muito boa ou bastante boa adaptação a novas regras ou normas; 33,3% (n2 =59) adaptam-se razoavelmente e apenas 2,8% (n3 =5) se adaptam pouco à mudança (fig.9).
Figura 9 - Distribuição percentual das respostas à questão: «em que medida consegue adaptar-se a novas regras ou normas».
A incidência das respostas nas categorias «muito» ou «bastante», não descreve uma situação tão óbvia como na alínea anterior, onde bastava a simples observação do gráfico para verificar a clara tendência das respostas para as duas categorias mais à direita no gráfico de barras. Porém, por simples observação deste gráfico (fig. 9), é evidente que a moda da distribuição corresponde à resposta «muito» mas, de qualquer forma, isto não é determinante para a análise que se pretende efectuar, já que a resposta «razoavelmente» tem maior frequência que a resposta «bastante».
Neste caso, a medida de curtose (kurtosis) influencia visivelmente a geometria do gráfico de barras (ver figura 9). Esta medida sintetiza a informação sobre o peso das caudas da distribuição, determinando o grau de achatamento em relação a uma curva normal tida como referência. O valor de curtose, neste caso, é de −0.697, indicando que a distribuição é platicúrtica (achatada), isto é, a distribuição apresenta uma curva de frequência mais aberta, com os dados fracamente concentrados em torno do seu centro. Por outro lado, o gráfico não mostra nenhum valor para a resposta «muito pouco» pois a frequência de respostas foi zero. Ora, embora a assimetria não seja tão óbvia como na alínea anterior, a distribuição possui um valor de assimetria de−0,10, o que indica um maior peso da cauda para os "valores" da direita.
De seguida, recorre-se, mais uma vez, ao teste binomial estabelecendo dois grupos de respostas distintas, ou seja, aqueles que admitem uma "muito boa" ou "bastante boa" adaptação a novas regras ou normas e aqueles que não são tão «flexíveis» a este respeito.
No presente estudo, a análise estatística inferencial indica que a percentagem de inquiridos que se adaptam bem a novas regras ou normas, é significativamente diferente de 50% (p=0,000;N =177), o que leva a concluir que existe, e está provida de significância, a diferença entre os indivíduos que admitem adaptar-se bem a novas regras ou normas e aqueles que, no máximo, se adaptam razoavelmente a estas situações.
d) Neste caso 77,84% (n1=137) dos inquiridos consideram democrática a liderança na organização; 12,50% (n2 =22) consideram-na autocrática; 5,11% (n3 =9) paternalista e 1,1% anarquista (n4 =2). Os restantes 3,41% optam pela resposta «outra», tal como está evidenciado na figura 10.
Figura 10 - Distribuição percentual das respostas para a questão relacionada com a liderança no grupo de trabalho.
Fonte: output do PASW
Mais uma vez, pretende-se demonstrar que existe uma tendência estatisticamente significativa para a resposta que apresenta maior frequência.
Para avaliar a significância estatística da incidência percentual da resposta «democrática», recorreu-se, uma vez mais, ao teste binomial com um procedimento muito semelhante ao utilizado na alínea a).
A análise estatística inferencial indica que a percentagem de inquiridos que acham que a liderança é democrática, é significativamente diferente de 50% (p=0,000;N =177) o que leva a concluir que, de facto, existe uma tendência estatisticamente significativa para a resposta "democrática", em comparação com as respostas alternativas.
e) Observou-se que 54,8 % (n1 =97) dos inquiridos afirmam que raramente ou nunca exercem influencia nas decisões organizacionais; 35,6% (n2 =63) respondem que só às vezes conseguem influenciar a tomada de decisão; apenas 9,6% (n3 =17) respondem que influenciam a tomada de decisão muitas vezes ou sempre (fig.7).
Figura 11 - Distribuição percentual das respostas ao questionário para a questão relacionada com a influência na tomada de decisão. Fonte: output do PASW
Figura 12 - Diagrama de extremos e quartis para as respostas á questão: «consegue influenciar a tomada de decisão?»
Fonte: output do PASW
O gráfico da figura 11 mostra uma distribuição enviesada para a esquerda, ou seja, a distribuição das respostas é nitidamente assimétrica positiva, facto que se confirma pelo valor de assimetria de 0,140. Por sua vez, o valor de curtose (−0,940) explica o "achatamento" do gráfico.
O diagrama de extremos e quartis (fig.12) mostra que a distribuição de respostas incide nos valores 1, 2 e 3, que correspondem às respostas «nunca», «raramente» e «ás vezes» respectivamente.
Mas será que é estatisticamente significativa a tendência para as respostas "nunca", "raramente" e "às vezes"?
Para dar resposta à questão, utilizou-se novamente o teste binomial, dividindo as respostas em dois grupos: um deles constituído pelas respostas "nunca", "raramente" e "às vezes" e o outro pelas restantes. A análise estatística inferencial indica, para este caso, que a percentagem de inquiridos que admitem não conseguir influenciar a tomada de decisão é significativamente diferente de 50% (p=0,000;N =177), o que leva a aceitar a hipótese alternativa de que existe uma diferença estatisticamente significativa entre os dois grupos criados.
f) A análise descritiva indica que 67,2% (n1 =119) dos inquiridos afirmam existir uma rotina de trabalho em grupo na organização, 32,8% (n2 =58) consideram não existir a referida rotina (fig.13).
Figura 13 - Distribuição percentual da incidência da existência de rotina de trabalho em grupo na organização educativa em estudo.
Fonte: output do PASW
Neste caso, o teste binomial é perfeitamente adequado, já que existem apenas dois grupos de respostas. Assim, a análise estatística inferencial indica que a percentagem de inquiridos que afirmam existir uma rotina de trabalho em grupo na organização, é significativamente diferente de 50% (p=0,000;N =177). Conclui-se que existe, de
facto, uma tendência estatisticamente significativa para a opinião de que existe uma rotina de trabalho em grupo na organização educativa.
g) Da análise descritiva observa-se que 73,5% (n1 =130) dos inquiridos admitem que sempre, ou pelo menos muitas vezes, procuram envolver-se em tarefas para além daquelas que lhes são atribuídas; e apenas 26,6% (n2 =47), admitem que só "ás vezes", "raramente" ou "nunca" o fazem, tal como está evidenciado na figura 14.
Figura 14 - Distribuição percentual das respostas para a questão relacionada com o envolvimento nas tarefas.
Fonte: output do PASW
É fácil demonstrar que existe uma tendência estatisticamente significativa para a resposta que apresenta maior frequência, recorrendo-se mais uma vez ao teste binomial.
Novamente, a análise estatística inferencial indica que a percentagem de inquiridos, que admitem envolver-se em tarefas para além daquelas que lhes são distribuídas, é significativamente diferente de 50% (p=0,000;N =177) o que leva a concluir que existe, de facto, uma tendência estatisticamente significativa para esta resposta.
h) Quanto à comunicação com os superiores hierárquicos, observa-se uma incidência da resposta «boa» com 54,8% (n1=97) da frequência relativa. É importante
verificar que «boa» e «muito boa» constituem em conjunto 68,4% (n1+2 =121) das respostas, enquanto as respostas «má» ou «muito má» apenas 7,7% (n3 =4) (fig.11).
Figura 15 - Distribuição percentual das respostas á questão «como classifica a comunicação com os seus superiores hierárquicos?»
Fonte: output do PASW
Para mais, a distribuição é claramente enviesada à direita (note-se que o valor do coeficiente de assimetria é -0,341) evidenciando o peso da cauda no sentido indicado. Resta assim, por meios semelhantes às alíneas anteriores, estudar a significância das respostas "boa" e "muito boa" usando um teste inferencial.
Assim, a percentagem de inquiridos que afirmam estar facilitada a comunicação com os superiores hierárquicos é, segundo o teste binomial, significativamente diferente de 50% (p=0,000;N =177), logo existe uma tendência estatisticamente significativa para a opinião de que está facilitada a comunicação na organização educativa em questão.