Nosso objetivo no capítulo 1 foi resgatar as origens de David Martins de Miranda – DM e da Igreja Pentecostal “Deus é Amor” – IPDA. Nesse sentido, nossa Dissertação de Mestrado obteve razoável sucesso com a documentação pertinente, que foi conseguida na pesquisa de campo, realizada no estado do Paraná. Produzimos também alguns relatórios referentes aos cultos que assistimos na Sede Mundial da IPDA e na sede da Igreja Cristã Pentecostal Independente “Maravilhas de Jesus”, os quais trouxeram esclarecimentos importantes para a elucidação de pontos obscuros na autobiografia de DM. Além da frequência aos cultos da IPDA, conseguimos analisar a literatura e a discografia dessa Igreja para complementar e esclarecer informações sobre a IPDA. Por meio de um mapa genealógico da Igreja Pentecostal “Deus é Amor” (anexo 2), identificamos as origens da IPDA com as origens do pentecostalismo, passando pelas influências das pregações de cura divina dos movimentos de tendas, a Cruzada Nacional de Evangelização, até suas fontes, nos EUA. Os acréscimos que fizemos ao mapa elaborado por Leonildo Silveira Campos foram necessários para demonstrar o desenvolvimento posterior a partir das décadas de 50 e de 60. Do estudo desse mapa e das pesquisas de campo, chegamos à conclusão de que a pregação das Igrejas Assembléia de Deus e da International Church of the Foursquare Gospel originaram-se a Igreja do Evangelho Quadrangular, a Igreja Pentecostal “Deus é Amor”, a Igreja Cristã Pentecostal Independente “Maravilhas de Jesus” e a Igreja Evangélica Pentecostal “O Brasil para Cristo”, além da explosão de inúmeras outras pequenas igrejas pentecostais. Também utilizamos informações contidas na autobiografia de DM para comparar e embasar nossa Dissertação de Mestrado a fim de encontrar suas origens no estado do Paraná, onde também conseguimos levantar informações sobre Ereni de Oliveira Miranda, esposa de David Martins de Miranda. Nesse sentido, conseguimos montar a tabela 1, que demonstra a cronologia da vida de David Miranda desde 1936, data do seu nascimento, até o ano 2000. Uma certidão do registro de imóvel do município de Reserva comprova a posse e venda do sítio da família Miranda, servindo para melhor esclarecer dados da citada autobiografia.
Dos 17 aos 21 anos de idade, entre 1953 e 1957, David Miranda trabalhou nas Indústrias de Papel e Celulose Klabin. Essa informação foi confirmada quando de nossa viagem de pesquisa à cidade de Telêmaco Borba, onde está instalada aquela fábrica. Mudando-se para a capital paulista, DM foi trabalhar num escritório, informação que extraímos de sua autobiografia e das suas entrevistas registradas nos órgãos de divulgação da
IPDA. Ademais, procuramos e encontramos dados sobre a conversão de DM ao pentecostalismo, assunto que se achava controverso devido às informações desencontradas por parte dos trabalhos de alguns pesquisadores do assunto. Os referenciais teóricos de Pierre Bourdieu, Peter Berger, Lalive D’Epinay, Júlio de Santa Ana, Danièle Hervieu-Léger e de André Droogers, forneceram as bases para compreendermos a conversão de David Miranda, como parte de um processo de adaptação e de reconstrução de identidade, explicado à luz dos conceitos de anomia e de ressignificação. Resgatamos informações que complementaram os estudos sobre as origens da família Miranda e da Igreja Pentecostal “Deus é Amor” pelas certidões obtidas junto a órgãos oficiais e pelas pesquisas levadas a cabo no estado do Paraná. Visitas a outras denominações na capital paulista e entrevistas com pessoas da família de DM serviram para esclarecer como se converteram ao pentecostalismo e, de modo especial, em qual denominação religiosa DM se converteu, já que em sua autobiografia e em suas entrevistas, DM nunca se pronunciou a respeito.
Conseguimos montar a tabela 2 reunindo todos os endereços por onde passou a IPDA, desde sua fundação em 1962, até se instalar definitivamente na Avenida do Estado 4568, sempre na capital paulista, incluindo a inauguração do último e maior templo da denominação, o que ocorreu em 1/1/2004. Para a elaboração dessa tabela, trabalhamos com informações da autobiografia de DM e em suas entrevistas publicadas em seus órgãos de informação. As buscas realizadas em cartórios de registro de imóveis indicam que tanto a IPDA como David Miranda e sua esposa conseguiram formar considerável patrimônio ao longo das últimas décadas, especialmente a partir de 1980. Essa relação de imóveis consta de dois mapas específicos; um para propriedades da IPDA (anexo 4) e outro para as propriedades de David Miranda e sua esposa Ereni Miranda (anexo 5). Com isso, repetimos a informação inicial de que a história da IPDA se confunde com a biografia e trajetória da família Miranda.
Apresentamos alguns organogramas que demonstram o sistema de governo da IPDA, com suas diretorias e cargos hierárquicos. Atas de assembléias e circulares que fazem parte do Dossiê “IPDA” 2 e 3, demonstram que a institucionalização da IPDA está bem solidificada hoje, com duas diretorias; uma deliberativa e outra executiva. São características que vão garantir a reprodução da instituição com a provável perpetuação de David Miranda como presidente do conselho, enquanto gozar de boa saúde. A criação de duas diretorias parece indicar uma tentativa de delegação de poder, o que não é uma característica de DM na década de 90.
Levantamos um estudo baseado nos estatutos da IPDA e no seu “Regulamento Interno” evidenciando pouca coerência entre a prática, especialmente no controle do dízimo, e
naquilo que reza seu documento legal. Observa-se que no envelope do dízimo vem escrita a palavra “prosperidade”, parecendo indicar uma tendência para tal teologia, detalhe que de forma alguma aparece nos estatutos da IPDA. Na questão da estrutura de igreja ou seita, identificamos algumas características sectárias na IPDA se observadas sob os referenciais teóricos de Antonio Gouvêa Mendonça, Ernst Troeltsch, Henri Desroche, Júlio de Santa Ana, Lalive D’Epinay e Max Weber. Ainda no primeiro capítulo, conseguimos mostrar que a expansão da IPDA deu-se a partir de forte investimento em programações de rádio e de grandes concentrações de pregação de cura divina. A IPDA informa que mantém programas de rádio em 14 países e em todos os estados brasileiros. Num dos cultos que assistimos na Sede Mundial da IPDA David Miranda falou de púlpito que só naquele mês o envio de pastores e de suas famílias para o exterior havia custado 1,4 milhões de reais.
Dessa forma, o estudo das duas primeiras décadas da história de David Miranda demonstrou as motivações que o levaram ao pentecostalismo. Foi a busca de nova ressignificação, porque vivenciava um estado de anomia oriundo de várias alterações do seu campo social, agora vivendo numa megalópole e advindo de uma experiência rural e do trabalho em uma indústria numa pequena cidade do interior do estado do Paraná. Ainda católico e isolado de toda sua família já convertida ao pentecostalismo, DM teve que encontrar um novo ambiente onde pudesse se inserir.
No capítulo 2 estudamos a IPDA em seus padrões de crenças e doutrinas, ritos e interpretações da Bíblia, a maneira “mirandiana” de inculcação de regras e o uso da mídia. Nos preceitos do seu “Regulamento Interno”, a Igreja Pentecostal “Deus é Amor” apropria-se de usos e costumes originados do pentecostalismo, mas reflete certas características da igreja católica, (transubstanciação) porque DM era católico praticante até seus 22 anos de idade. A IPDA adota certos princípios doutrinários do judaísmo (doença como conseqüência do pecado) e segue uma parte do protestantismo histórico e reformado, como o arminianismo (perda da salvação, ou vontade humana, uma das causas da regeneração). Identificamos quatro sacramentos na doutrina da IPDA, realizados apenas por diáconos e presbíteros, ficando vedado às mulheres realizarem esses ritos, que são o casamento, a Santa Ceia, o batismo e a unção com óleo. A IPDA parece estar impregnada de um certo sincretismo que a faz caminhar para um gradiente seita-igreja, e cujos conceitos foram mostrados no capítulo 1 sob referencial teórico de vários estudiosos do assunto.
A Igreja Pentecostal “Deus é Amor” como instituição, tenta garantir sua perpetuação ou reprodução por meio de muitas regras de comportamento e de obediência e punição, não permitindo liberdade fora dos seus regulamentos internos. Apesar de, a cada preceito do RI,
alguns versículos bíblicos serem citados, nem sempre encontramos coerência entre a exigência do regulamento e o especificado na Bíblia. Em muitos casos, os ritos e a interpretação da Bíblia demonstraram a tendência da IPDA de praticar a literalidade dos textos sagrados. Nesse contexto, analisamos a maneira “mirandiana” de inculcação de regras. Uma das rotinas da IPDA nesse sentido está baseada no “culto do RI”, ou “culto de doutrina”, como usualmente é denominado. Todo membro deve assistir a esse culto semanalmente e algumas igrejas realizam-no às quartas-feiras. Os membros que não têm sua presença confirmada nesse culto ficam impedidos de participar da Santa Ceia. Por seu lado, o responsável de cada templo é a pessoa mais indicada para dirigir esse culto, no qual é lido um item do RI e o seu embasamento bíblico, sobre o qual se prega em seguida.
Na IPDA, o casamento é indissolúvel, no que segue o catolicismo. Igualmente segue o
catolicismo quando adota a transubstanciação para os elementos da Santa Ceia. Quanto ao batismo, a IPDA segue parte dos ritos pentecostais, adotando a imersão, porém batizando apenas em águas correntes. Na unção com óleo, o procedimento da IPDA é quase exclusivo, por ungir peças de roupas, documentos, e as próprias pessoas (em suas testas). Isso se dá no final do culto, quando se formam filas diante do púlpito e vários presbíteros se postam com vasilhas de azeite para ungir pessoas interessadas.
O Batismo com o Espírito Santo é parte muito importante no culto da IPDA. De acordo com o “Regulamento Interno” da Igreja, todo dirigente de Igreja deve reservar um dia da semana para um culto específico, quando o “dom de línguas” é incentivado. Esse dom é uma das características que todo obreiro ou obreira deve buscar. Diáconos e presbíteros não são ordenados se não se manifestarem com “línguas estranhas”. Passamos por essa experiência quando, após os testes de respostas a um questionário, todos fomos colocados numa sala à parte, e, ajoelhados, recebemos a imposição de mãos dos presbíteros para que nos manifestássemos nessa glossolalia.
Nos diversos cultos que assistimos nas décadas de 80 e 90 e nos anos de 2007 e 2008, não constatamos qual seria a centralidade do culto. Há pouco espaço para a pregação da palavra. Na liturgia do culto, a oração por revelação divina das enfermidades e das curas parece ser a parte mais importante, sem contar as inúmeras solicitações de ofertas. O dízimo e as várias campanhas têm grande ênfase em todos os cultos que assistimos. Demonstramos que a IPDA mantém uma doutrinação no sentido da busca da santidade, outra característica marcante desta Igreja. A IPDA adotou alguns sistemas de controle para o membro acompanhar seu próprio desempenho nesse quesito: há cartões de uma, duas ou três estrelas, nos quais a pessoa que deseja jejuar algumas vezes por semana ou por mês, anota com um “x”
a sua frequência; há outro cartão, no qual a pessoa anota quantas horas diárias se dedica a ouvir o programa de rádio “A Voz da Libertação”, leitura de Bíblia, freqüência nos cultos, oração em casa e visita a enfermos. Uma pessoa que acumule apenas 30 horas nessas atividades é considerada “desviada”, embora nesse caso não se lhe aplica qualquer punição. Em nosso estudo, levantamos 29 regras de santificação nos preceitos da IPDA.
Preocupados com a preparação acadêmica de seus pregadores, conversamos com a diretora responsável pelo Curso Bíblico Deus é Amor. Trata-se de um curso dado internamente por professores formados pela própria IPDA. Na ocasião de nossa conversa, fomos informados sobre a classe que funciona na Avenida do Estado 5000. Visitamos o local e constatamos que no amplo salão cabem cerca de 400 cadeiras plásticas. Segundo me informou a diretora Eunice Guimarães, o curso é dado por 14 professores. Prevalece ordem proibindo que seus membros estudem teologia e música fora da IPDA. Quanto à música na IPDA, fizemos uma pesquisa em discos e CD’s lançados pela gravadora “A Voz da Libertação”. Comparamos as mensagens de perto de duas mil ocorrências entre as letras do “Livreto de Corinhos”, 236 faixas de discos e hinos da Harpa Cristã, que é o hinário oficial da IPDA, para chegarmos à conclusão de que as mensagens visam especialmente a escatologia, com 10,8% das menções pesquisadas. O maior índice, porém, ficou com mensagens cristocêntricas, representando 11,2%. Exorcismo e cura divina, tão comuns na IPDA, apareceram com índices inexpressivos de 2,1% e 1,9% respectivamente.
O louvor nos cultos da Sede Mundial não é muito privilegiado (num dos cultos que assistimos com DM nenhum grupo de louvor se apresentou), ficando ao encargo de três diferentes grupos: coral, orquestra filarmônica e banda. Num outro culto, a orquestra filarmônica esteve presente, especialmente formada por jovens. A banda já era atuante na década de 80. DM continua proibindo a bateria da banda, mesmo a eletrônica. Esse conjunto costuma acompanhar o pastor Lourival de Almeida nas suas concentrações e em alguns outros eventos. Não há presença feminina no instrumental da banda. Porém, há um conjunto vocal com presença feminina que acompanha a banda, ocasião em que os que tocam também cantam, como é praxe nesses grupos de louvor. A banda é composta por baixo, guitarras e teclados. Não há percussão. Aliás, na orquestra filarmônica, há quatro grupos de percussão, além de vários instrumentos de corda e de sopro; a presença feminina é marcante nesse grupo, representando quase 50%.
Finalmente, encerrando o capítulo 2, abordamos a questão do uso da mídia por parte da IPDA. Desde os primeiros momentos da fundação de sua Igreja, DM preocupou-se com os programas de rádio. Parece que procurou seguir os passos de Manuel de Mello da Igreja “O
Brasil para Cristo”. Nossa pesquisa indicou pelo menos duas práticas adotadas por Mello que DM procurou seguir: programações de rádio e concentrações em clubes, cinemas, teatros e outros locais que permitem grandes aglomerações. A Internet, apesar de apresentar uma “tela” muito similar à da TV tão abominada por DM, não constituiu problema para a IPDA. O site da IPDA revela que essa Igreja está presente no exterior em 14 países e, no Brasil, em todos os estados da federação. Pesquisamos os diversos recursos desse site, o qual é mantido sempre atualizado e com boa qualidade. David Miranda não teve grandes dificuldades para lidar com a questão da imagem na Internet. Ele simplesmente proíbe que seu membro acesse “programas mundanos” pela Internet. Não conseguimos identificar exatamente o que DM quer significar com a expressão “programas mundanos” e antevemos muitas dificuldades com as crianças nas escolas ou nas vizinhanças, podendo navegar livremente sem o controle dos pais por perto quando precisam fazer trabalho em grupo. Também nas escolas essa proibição não tem como se efetivar quando a classe tem acesso livre à Internet para realizar trabalhos escolares.
Os incontáveis programas de rádio (DM fala de 18.000 programas de rádio em sua entrevista) constituem a principal forma de expansão da IPDA. A IPDA também começou com suas revistas e seu jornal a partir da década de 90, quase trinta anos após sua fundação. Hoje, DM dá suas entrevistas por meio desses órgãos, muitos dos quais utilizamos em nossa pesquisa porque DM não dá entrevista para terceiros, quaisquer que sejam eles.
O capítulo 3 aborda a questão da expansão da IPDA, a partir de um galpão industrial no bairro do Glicério, onde ele se instalou em 1979, 17 anos após sua fundação. A maior concorrência que DM sentia naquela época era a de Manoel de Mello. Ambos adotaram o rádio como principal meio de comunicação; ambos pensavam em grandes templos e, nessa corrida, DM conseguiu vantagem porque Mello veio a falecer antes de entrar com programas de televisão que certamente obscureceriam a boa estrela de DM com suas rádios. Há de se considerar, porém, que a rádio representava maior campo de penetração nas classes operárias e mais pobres da Grande São Paulo. Esse era o “mercado” objetivo de DM. Eram pessoas desassistidas pela sociedade, que mais necessitavam da cura de suas enfermidades e da solução dos seus problemas. O segundo meio de evangelismo adotado por DM foi, sem dúvida, a cura divina e o proselitismo. As pessoas mais pobres não tinham tanta facilidade de acesso ao aparelho de TV e os rádios, mesmo os de pilhas, eram baratos e de fácil aquisição e David Miranda sabia se comunicar com as pessoas simples.
Para construir o maior templo, “O Templo da Glória de Deus”, DM teve que demolir o antigo templo, um armazém que a IPDA adquiriu da Cia Paulista de Aniagens, e o reformou
para atender pouco mais de 12 mil fiéis. Antes de iniciar a construção da nova Sede Mundial na Avenida do Estado 4568, a IPDA adquiriu um prédio onde antigamente funcionava a Mesbla. A certidão que levantamos no cartório do registro de imóvel comprova que a Igreja pagou por esse novo prédio na Avenida do Estado 5000, um total de 20 milhões de reais. A IPDA funcionou nesse novo endereço por aproximadamente dois anos enquanto se construía o “Templo da Glória de Deus”. Antes desse investimento, a IPDA já havia investido na construção de um prédio administrativo, no mesmo endereço da Avenida do Estado 4568, o qual ocupou a área onde funcionava a gráfica da IPDA. Isto se deu entre 1998 e 1999.
A maquete do novo templo foi colocada na entrada principal do antigo salão enquanto terminava a construção do prédio administrativo. Era a preparação para inúmeras campanhas a fim de obter fundos para o novo investimento que não seria pequeno. Quando se deparou com dificuldade para demolir o templo antigo e, no mesmo local levantar o novo templo, iniciou uma forte campanha para levantamento de fundos, constantemente divulgada pela sua rede de rádio “A Voz da Libertação”, pela Internet, pelas suas revistas e pelo seu jornal. Uma das formas para obtenção de recursos foi a escala para caravanas manterem a Sede Mundial, sempre cheia aos domingos e em dias especiais, como aniversário da Igreja, aniversário de DM, fim de ano e outras concentrações especiais. Tendo dividido a Grande São Paulo em cinco regiões, cada parte ficou responsável por comparecer com caravanas no domingo em que foi escalada. Assim, o templo sempre permanece lotado em todos os domingos do mês. Por outro lado, no sentido de reafirmar seu carisma para uma grande multidão, Davi Miranda sente a necessidade de espaço cada vez maior e multidão também crescente, sem o que, talvez, sinta seu prestígio decrescer entre os fiéis e isso não atende seus interesses financeiros nem faz brilhar seu ego de “maior pregador de curas divinas” como gosta de ser qualificado.
A Igreja Pentecostal “Deus é Amor” só passou a se preocupar com seu braço social em 1994, quando fundou oficialmente a Fundação Reviver. Note-se que, por 32 anos, a IPDA se manteve preocupada com a evangelização e com o investimento na ampliação da sua Sede Mundial. Antes dessa data havia a distribuição de cestas básicas, que acontecia sob dois diferentes focos; No primeiro caso, o membro da Igreja recomendado pelo seu dirigente poderia receber essa ajuda. No segundo caso, sempre que se organizava uma caravana para vir à Sede Mundial. O responsável era instruído a passar numa favela e convidar as pessoas para o culto, no qual receberiam uma cesta básica. Já descrevemos que a fila para receber a cesta básica deveria ser apenas para quem “aceitasse Jesus”, expressão entre os evangélicos para a pessoa que fizesse sua opção pela conversão àquela nova denominação. Nos anos seguintes, a IPDA começou a atender os idosos num asilo em Sarutaiá, no interior de São Paulo, e as
criancinhas de risco, numa creche no Cambuci. A Fundação Reviver atende crianças em idade escolar na Serra da Cantareira, que pertence ao município de Mairiporã, vizinho à capital paulista.
Abordamos a política da IPDA para abertura de filiais, seu sistema de rodízio de dirigentes de igrejas, suas constantes mudanças e suas normas rígidas para esse tipo de controle. Identificamos, também, a estratégia para a expansão no exterior. A diretoria da IPDA fica responsável por países onde há restrição devido ao preconceito contra o