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Castro y Gonzalez19 (1987), falam sobre a origem e evolução do assistencialismo social na Colômbia, conceito também ligado ao de caridade e beneficência, os quais se dão antes dos anos 30 do século passado. Nestes se reconhece a origem do que se chama, hoje, de serviço social na Colômbia, determinado por uma condição social e histórica específica.

Na Constituição Colombiana de 1886 foi declarada a educação livre, mas não obrigatória. Nessa época contou-se com a Sociedade Religiosa de São Vicente de Paulo, fundada desde 1857, a qual se responsabilizava pela educação dos pobres.

Segundo Carvajal y Gonzalez, “No ano de 1870 o governo Liberal introduz o social na agenda de seu governo, aspecto que continuou sendo incluído nas agendas dos governos posteriores” (1987: p.11).

Em 1907 existiam em Medellín vários colégios noturnos para estudantes artesãos e operários, os quais eram atendidos pelos Salesianos (Congregação religiosa italiana, masculina). Estes, em 1905, abriram um orfanato para meninos pobres e, em 1912, fundaram o Colégio João Bosco, que em 1921 transformou-se em Escola de Artes e Ofícios de Medellín.

Naquele período, a Sociedade de São Vicente de Paulo criou a ajuda domiciliar. Em 1907 contava com 50 sedes no país, concentrando seus esforços especialmente em Medellín. Suas principais funções eram as visitas domiciliares, doação de bônus, entrega de alimentos, bolsa de emprego e construção de moradias.

A Ação Social Católica na Colômbia teve como centro vital o Círculo de Operários de Bogotá, fundado em 1910 pelo sacerdote Jesuíta, José Maria Campo-

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Antropólogos colombianos, que vêm trabalhando há alguns anos a história da filantropia, caridade e da assistência social no país.

Amor. Seu objetivo era atender por meio dos Patronatos os operários da cidade, tanto das fábricas como os que faziam trabalho manual. Os Patronatos de Medellín foram fundados em função do aumento da mão de obra feminina na cidade. O primeiro foi

mantido pelas empresas, como: Companhia Colombiana de Tecidos Coltejer20, Fábrica

de Escobar Restrepo e Cia., entre outras que assumiam um modelo parecido com os da Sociedade de São Vicente de Paulo, de origem francesa.

Iamamoto e Carvalho, também contextualizam as protoformas do serviço social no Brasil, e deixa ver as semelhanças com as situações vividas na Colômbia,

“As obras caridosas mantidas pelo clero (e leigos) possuem uma longa tradição, remontando aos primórdios do período colonial. A parca e precária infraestrutura hospitalar e assistencial existente até fase bastante avançada do Império se deve quase exclusivamente à ação das ordens religiosas europeias que se implantam e disseminam pelo país”. (2008: pág.165)

Segundo, Maior (1984: p. 260, 266, 264), os patronatos contavam com seções, para seu melhor funcionamento interior, tais como: conferências religiosas, visitas às fábricas, restaurante, que distribuía sopa às operárias, socorro mútuo, com aportes mensais, que atendiam casos de doenças.

Em 1914 foi criado um dormitório para as operárias oriundas de municípios diferentes de Medellín, cuidado pelas Irmãs da Apresentação - Congregação Religiosa, que contava com um médico que atendia às operárias do Patronato. Criam-se outros programas como o da Caixa de Poupanças, a seção do culto com a finalidade de exercícios espirituais e de organizar as conferências, as missas, as primeiras comunhões. Por outro lado era incentivada a criação da Escola Dominical para dar aulas de bordado, leitura, caligrafia, aritmética, gramática e cozinha. Aos que assistiam a estas atividades era dado o direito de beneficiar-se dos programas do Patronato.

Criam-se outras seções para apoiar os programas: a Seção de Propaganda: a qual orienta a prática da boa leitura, distribuição de periódicos, revistas e folhetos; a Seção de Recreação: organizava festas artísticas, reuniões musicais, passeios, rifas e

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Empresa importante na medida em que, segundo informações de colegas fundadoras da profissão, a Universidade Pontifícia Bolivariana foi uma das primeiras empresas a vincular os Assistentes Sociais ao campo de Bem-Estar Social.

celebração de Natal; a Caixa de Empréstimos, com a qual financiavam a consecução de moradia; e a Caixa Dotal: esta funcionava como uma poupança para o momento do matrimônio.

Igualmente no Brasil, Iamamoto e Carvalho apresentam a situação da seguinte maneira:

“A participação do clero no controle direto do operariado industrial remonta, por sua vez, ao surgimento das primeiras grandes unidades industriais, em fins do século passado. É viva a presença de religiosos no próprio interior dessas unidades, que muitas vezes possuíam capelas próprias, onde diariamente os trabalhadores eram obrigados a assistir à missa e a outras liturgias. Nas Vilas Operárias sua presença é constante. No plano sindical, com apoio patronal, desenvolvem iniciativas assistenciais (mútuas, etc.) e organizacionais visando contrapor-se ao sindicalismo autônomo de inspiração anarco- sindicalista”. (pág.165).

Tal situação nos mostra condições semelhantes tanto na Colômbia como no Brasil, onde o trabalho e suas mediações é o que facilita o surgimento da assistência social.

Em 1918 foi fundada a Escola Tutelar, a qual tinha como objetivo enclausurar meninas indigentes e desviadas para dar-lhes educação adequada e levá- las, no futuro, ao trabalho das fábricas.

Em 1919 cria-se o Sindicato com a finalidade de agrupar as operárias de diferentes fábricas da cidade. Sua primeira tarefa foi opor-se às manifestações do Primeiro de Maio, organizada pela Sociedade Socialista de Medellín. As operárias, com panfletos, explicavam os perigos da dita celebração, contrário às celebrações do Patronato, que celebrava com missa, festas recreativas e contava com uma presença de 1.300 operárias. (MAIOR, 1984: p. 264).

Pode-se observar como a influência da Igreja era muito forte e direta, impedindo qualquer ideia que viesse de encontro, sobretudo às ideias do socialismo. A criação do Sindicato Católico tinha como objetivo frear a influência dos conceitos revolucionários e socialistas. Esta era mais uma maneira de agrupar as operárias e catequizá-las, sustentando um controle ideológico permanente.

Surgem diferentes instituições, mais flexíveis e capazes de dar atendimento aos necessitados, com modelos e influência europeia, particularmente da França, sem afastar-se da política e ideologia das diretrizes ditadas pela Igreja.

Dos países da América Latina, nessa época, princípios do século XX, o Chile foi um dos mais influenciadores na criação de ditas instituições, onde a participação privada era maior do que a do Estado. Aparecem médicos, religiosos, mulheres, empresários e autoridades políticas na criação de fundações.

A saúde, dependendo do Estado, contava pelo menos com um hospital em cada Departamento. Antioquia era o Departamento que possuía mais hospitais, desenvolvia programas especiais com as famílias pobres, tais como: o Programa Gota de Leite, programas de higiene para responder ao alto nível de mortalidade infantil, e programas de sala-berço.

Em 1920 foi proibida a mendicância nas ruas, os vadios eram reeducados e reformados. Também nesta mesma década, foram criados os asilos para indigentes e orfanatos para meninos e meninas, os quais cumpriam também uma tarefa educativa.

Nesse período discutem-se os termos de caridade e beneficência. Consegue-se, com a participação do médico, Marcelino Vargas, em 1920, introduzir ao debate a ideia de que a “ajuda institucional não deveria conceber-se como ação de caridade ou beneficência, senão deveria ser considerada um assunto de assistência pública”. Só em 1921 (VARGAS, 1920: p. 28) e depois de várias discussões, o Estado incluiu, com a Ordem nº 51 (segundo a Constituição da época), o novo conceito de Assistência Pública às suas funções. Segundo Vargas, não gerou mudanças na forma de realizar o trabalho, mas sim, na maneira de distribuir os recursos, pois já não se dava atenção aos pobres e indigentes por meio da caridade e beneficência, mas sim, por obrigatoriedade de atenção do Estado.

Segundo Castro y Gonzalez, em 1925 foi fundada a Organização dos Grêmios dos Operários Católicos, cujas ideias mais importantes eram: avivar o casamento católico; respeitar a propriedade privada; combater o excesso do consumo de bebidas alcoólicas; fomentar instrução em todos os níveis; estabelecer caixas de poupança e construção de moradias. Como se vê, estas ações estavam em

concordância com as ideias do grupo da Ação Social, cujo objetivo primordial também era a manutenção das crenças religiosas e da fé para garantir o controle ideológico.

Em 1924 foi criado o Ministério de Instrução e Salubridade Pública, que se dividia em dois: Higiene e Assistência Pública. O primeiro, responsável por atender a infraestrutura urbana em abastecimento de água, esgoto, lixos e as epidemias, também manter atualizadas as estatísticas e levar a cabo campanhas de vacinação. O segundo, responsável por administrar as instituições como hospitais, asilos, orfanatos e a proteção para a infância e habitações para os pobres. (Projeto de lei: 1924).

Em 1930 a metade dos colégios públicos e privados é dirigida por ordens religiosas. A exemplo, os Salesianos, que mantinham estabelecimentos educativos dirigidos pelas Irmãs de Caridade e as damas da classe social média e alta. Construíram albergues para asilar e resguardar os pobres das principais cidades da Colômbia. Contavam com asilo para indigentes, enfermos mentais e órfãos, com o apoio limitado da sociedade privada e do Estado.

A noção de caridade na Colômbia, como no resto dos países latino- americanos, esteve diretamente influenciada, nessa época, pelas Encíclicas Papais, destacando-se entre elas a Rerun Novarum (Papa Leão XIII-1891), que declara como prioridade a criação de um mundo com justiça social, sendo para isso obrigatória a prática da caridade cristã.

A Encíclica dá importância ao mundo do trabalho, à busca da equidade e da justiça. Suas propostas foram relacionadas à classe operária, o que se constituiu em um novo decálogo dos direitos dos trabalhadores e denúncias das injustiças sociais que cometiam as empresas na nova sociedade industrial. Tal encíclica reconhecia os conflitos entre operários e patrões como produto do desenvolvimento industrial, a concentração da riqueza e o empobrecimento das massas. Por sua vez, na Colômbia a igreja procurava que o Estado fosse responsável pelos trabalhadores e lhes garantissem condições mínimas de trabalho e dignidade. Ainda, a mesma encíclica, mostrava o seu temor de que o socialismo se fortalecesse graças ao apoio das maiorias pobres e famintas.

A Encíclica Quadragésima Anno Pio XI retoma o tema da justiça social, especialmente da classe trabalhadora e a construção de um mundo mais equitativo. Segundo a antropóloga Beatriz Castro y Gonzalez (1987), aparece uma nova estratégia de promoção social, apoiada já não na caridade por ser curativa e ocasional, mas na Ação Social por ser preventiva e permanente: “Ação considerada como a influência moral exercida sobre a sociedade, cujo fim era conservar a fé e os hábitos saudáveis, atrair os desviados e viciados ao bom caminho e assim conservar a paz social e intentar a salvação das almas” (Castro y Gonzalez, 1987: p.9). A mesma Ação Social foi apoiada pelos Jesuítas (ordem religiosa francesa), que a considerava como estratégia indispensável para atingir um lugar sobressalente nas organizações operárias e também para criar uma presença católica nas fábricas e sindicatos.

Todo este processo de enfrentamento do social, em suas origens, tem muito clara a participação de sacerdotes, religiosas, leigas e profissionais de diferentes formações, em especial médicos de classe média e alta, além de voluntários influenciados pela Igreja.

Segundo Castro, as primeiras intervenções da profissão do serviço social na Colômbia foram marcadas por um contexto de caridade e beneficência, realidade que vai mudando e se torna mais tecnificada a partir do desenvolvimento do conceito de bem-estar social, determinado, ainda, pelo intervencionismo, com uma visão paternalista da relação entre o Estado e o cidadão.