• Aucun résultat trouvé

A B.E como apresenta Motta (1999, p.21): “Dentro de uma instituição deve estar bem definida quanto à sua organização e funcionamento para que venha facilitar o ensino e a aprendizagem”. Assim, a partir do momento que o aluno tem contato com uma biblioteca organizada, em pleno funcionamento e com horários que atendem as suas necessidades, o usuário se tornará um visitante habitual em busca de leitura e fontes geradoras de novas informações. Desta forma, é pertinente dentro desta pesquisa conhecer como se processa o funcionamento e o horário de atendimento nas B.E’s em estudo.

Para realizar essa análise, utilizei o questionário de observação (Apêndice B p. 232) que havia questões relacionadas especificamente ao funcionamento e ao horário de atendimento desses espaços. Assim, um dos primeiros aspectos observados foi o funcionário da B.E, afinal, para que esse ambiente de leitura funcione é pertinente que haja um responsável. As três bibliotecas pesquisadas em Rio Verde estão sob a responsabilidade de professoras dinamizadoras, todas com curso superior, onde a formação e os motivos que as levaram a trabalhar na B.E discutirei no subitem 2.6 deste capítulo.

Ao acompanhar o trabalho dessas professoras, pude observar questões interessantes ligadas ao funcionamento diário das B.E’s, dentre elas: como é o acesso ao livro nesses espaços. Nas três B.E’s, os alunos têm contato com as obras de maneiras diversas: via empréstimos, aonde o aluno vai diretamente à biblioteca e realiza a escolha do livro; empréstimo via professor de sala de aula, quando a professora vai até a biblioteca, seleciona as obras e a leitura é realizada em sala de aula; e, a outra forma, são as leituras realizadas na própria B.E, nos horários pré-estipulados. Porém, nesse processo de empréstimos de livros, somente na biblioteca Machado de Assis, os alunos possuíam carteirinha para fazer empréstimos, e nas três B.E’s o controle de entrada e saída dos livros se efetua por meio de um caderno de anotações.

Com o intuito se ter informações sobre a movimentação de livros nas bibliotecas pesquisadas, consegui, por meio dos livros de anotações, chegar a um número aproximado de empréstimos realizados diariamente nas três bibliotecas. Na escola Machado de Assis, que possui 926 alunos, o número de empréstimos diário gira em torno de 30(trinta) livros; na escola Fernando Pessoa, com 351 alunos, uma média de 20(vinte) livros são emprestados diariamente e; na biblioteca da escola José de Alencar, que possui 590 estudantes matriculados, o número de empréstimo fica na média de 10(dez) livros por dia, lembrando que esses números dizem respeito a empréstimos espontâneos, ou seja, o aluno de forma livre e sem cobranças vai até a biblioteca e realiza os empréstimos. Diante desses números, é possível notar que ainda são tímidas as iniciativas por parte dos alunos em procurar a biblioteca para realizar um empréstimo, nota-se que falta um trabalho que contemple incentivar os alunos a se aproximarem do espaço da B.E.

Essas informações de acesso aos livros e de como funciona o processo de empréstimo, remetem a Baldi (2009, p. 18), quando afirma que:

Cada biblioteca terá a sua própria organização, mas é importante que, em todas elas, se queremos que a criança se aproxime dos livros e da leitura e deles desfrute o máximo, o acesso seja sistemático, dinâmico e planejado com coerência e preocupação pedagógica. E quanto mais o aluno puder, nesse espaço, escolher livremente suas leituras, melhor!

Fica claro que independente das normas de funcionamento de uma biblioteca, que a liberdade de acesso ao livro é fundamental no processo de aproximação e interação entre livro e leitor. Daí o cuidado que se deve ter nas

bibliotecas onde somente o professor vai às prateleiras e realiza as escolhas pelos alunos, o que foi possível presenciar nas três B.E’s pesquisadas.

Outro aspecto analisado diz respeito ao horário de atendimento nas bibliotecas e o período semanal que os alunos desfrutam desse espaço. Quanto ao horário de funcionamento das B.E’s pesquisadas, nenhuma atende em período integral, de segunda a sexta-feira, isso porque cada biblioteca possui apenas uma professora, dessa forma, os horários de funcionamento ficam alternados, basicamente em três manhãs (07 h às 11 h 30 min.) e duas tardes (13 h às 17 h 30 min.), o que pode comprometer significativamente o acesso dos alunos ao livro e a materiais de leitura. É importante registrar que na escola Machado de Assis, quando comecei as observações, possuía duas professoras dinamizadoras, o que permitia que a biblioteca funcionasse em período integral, porém, como estava faltando professores em sala de aula, uma das funcionárias foi retirada da biblioteca para cobrir a licença de uma professora, o que fez com que a biblioteca passasse a funcionar em meio expediente.

Quanto ao horário de funcionamento, Silva (2009, p.128) alerta que:

O funcionamento de uma biblioteca deve ser cuidadosamente planejado, de modo a atender ao aluno durante o tempo que estiver na escola e fora dela. Portanto, o funcionamento da biblioteca na escola estará circunscrito a dois horários, a saber: Pré-determinados [...] e livres.

Mesmo diante dessas dificuldades no horário de atendimento, nas três bibliotecas, uma vez por semana, os alunos, acompanhados pelo professor da sala de aula, vão à B.E para uma atividade de 45 minutos, geralmente é a Hora do Conto, que é realizada pela professora que trabalha na biblioteca. Dessa forma, é feito um horário semanal contemplando a visita de todas as salas de aula, e, nessas visitas, além da Hora do Conto, os alunos podem realizar empréstimos de livros.

Outro fator que merece destaque quanto às normas de funcionamento das bibliotecas pesquisadas, é que elas são fechadas ao público externo, ou seja, as crianças que não são alunas da escola não podem pegar livros emprestados. Quando me deparei com essa regra no funcionamento das bibliotecas, perguntei as professoras dinamizadoras quem havia estipulado que a B.E não poderia atender a comunidade de fora da escola, e elas me informaram que eram ordens das gestoras.Ao procurar as gestoras e questioná-las sobre essa situação, em entrevista uma delas elas explicou:

Eu tenho uma restrição quanto à comunidade e ao público, a gente não tem um acervo destinado ao público a não ser as crianças, mas nós não emprestamos livros para a comunidade de fora porque já temos certos problemas de devolução de livros com alunos da escola, imagina se a gente emprestar para as pessoas de fora? (Entrevista – 2013).

Outra gestora argumentou:

Nosso espaço é pequeno, e nossa quantidade de alunos é grande, se for abrir para a comunidade de fora, fica inviável, e outra coisa, infelizmente a cultura das pessoas é de estragar, então a gente não abre a biblioteca para a comunidade. (Entrevista – 2013).

Diante do exposto, Cavallo e Chartier (1998, p.199) destacam que:

Estamos ainda longe das ideias modernas da leitura pública como campo de intervenção da sociedade e do estado, da definição institucional da responsabilidade destes últimos na gestão das bibliotecas abertas ao público, da biblioteca entendida como propriedade de todos.

Abrir a B.E para a comunidade é ampliar o espaço de leitura e fomentar o desenvolvimento social, é mister afirmar que a B.E é indispensável para a formação e proporciona o desenvolvimento cultural da comunidade escolar e da sociedade ao seu redor. Logo, favorecer o acesso de todas as pessoas a esse espaço, promove a leitura, a cidadania e a consciência cultural.

Diante dessa premissa, é interessante que as normas de funcionamento e os horários de atendimento das três B.E’s pesquisadas se atentem para os procedimentos que viabilizam a formação de leitores, sem deixar que tais normas e a ausência de atendimento sufoquem as práticas de leituras no ambiente da biblioteca.

2.5 Os Projetos e as Práticas de Incentivo a Leitura Desenvolvidas no dia a dia da

Documents relatifs