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Antes de tentarmos apresentar algumas inferências finais resultantes da análise realizada, é imperativo declarar que os instrumentos utilizados, ao longo do presente projeto, para a recolha de dados se vislumbraram totalmente adequados e essenciais para as conclusões que retirámos, como também pertinentes para as “medições” intermédias e ajustes que fomos realizando, no que ao nosso modus faciendi disse respeito. A este nível

destacamos a utilização dos inquéritos, não apenas como instrumentos de recolha de dados, mas também como ferramentas que nos auxiliaram a afinar a estratégia de abordagem das Visitas de Estudo que implementámos. Neste trilho de pensamento encarreira o emprego das notas de campo, que sendo construídas in situ serviram como momentos de imprescindível reflexão no decurso das duas atividades, ajudando inclusivamente a depurar os procedimentos nelas aplicados. Tenhamos em consideração que o sucesso de uma Visita de Estudo – trabalho de campo que deve ser adequado aos alunos concretos com que nos deparamos – ocorre quando se consegue ir ao encontro das expectativas dos seus participantes, mantendo índices de motivação altos, precavendo possíveis “desorientações” de procedimentos ou comportamentais, que pudessem macular ou até mesmo hipotecar a atividade.

Ainda na senda da verificação da proficuidade dos instrumentos de recolha de dados adotados, destacamos o papel capital dos grupos focais, que encerraram em meditação analítica todo percurso realizado pelos dois grupos de trabalho. Essas opiniões e representações aí construídas e recolhidas, oriundas de alunos com percursos individuais distintos, contribuíram para a ponderação da utilização das Visitas de Estudo no ensino de Línguas.

Após realizada a análise, tendo sido categorizados os dados obtidos, consideramos que é assisado tecer alguns comentários sobre os resultados obtidos. Para tal, recuperemos que o nosso intento desde o início deste projeto se prende com a tentativa de motivar os alunos para o estudo de língua(s), cultura(s) e literatura(s), através da utilização da rua, em contexto de Visita de Estudo, como laboratório de Vida para os alunos (de língua(s), cultura(s) e literatura(s)). Sendo estes fundamentos a estrutura de superfície do projeto, recapitulamos de igual modo que a ambição de formar indivíduos, futuros cidadãos, capazes de interpretar a Vida na sua multiplicidade através da tomada de de consciência de formação continuada, não necessariamente formal, bitolou este estudo em estrutura profunda.

No que respeita às imagens e representações destes alunos presentes nos dados recolhidos, julgamos que alcançámos com estes discentes uma das finalidades a que nos propusemos: perceber, em que medida, atividades como as Visitas de Estudo patrocinam um maior conhecimento dos conteúdos lecionados em contexto de sala de aula. Esta consideração está patente no facto de estes dois grupos de participantes haverem

considerado que esta tipologia específica de ensino não-formal constitui uma oportunidade de desenvolvimento das suas competências e de aquisição de conhecimentos inter e intradisciplinares. Tendo realizado estes alunos uma avaliação das Visitas de Estudo, estamos convictos de que os resultados obtidos convergem para uma apreciação muito positiva dos vários componentes do projeto: construção conceptual das duas visitas, organização da iniciativa, elaboração de materiais de apoio, formação dos participantes em sessões facultativas de traço literário-cultural, modus operandi implementado nas Visitas de Estudo, reflexões elaboradas. Convém sublinhar que estas duas Visitas de Estudo e as Sessões de Literatura foram estruturadas tendo por sustentáculo todos os pressupostos teóricos que escoram este estudo. Nesse seguimento, os dados recolhidos vão ao encontro da leitura teórica que nos serviu de suporte conceptual, porquanto encontrámos representações nestes alunos que atestavam a vivência de uma postura e de uma metodologia diferenciadas em relação às suas experiências anteriores, no que às Visitas de Estudo diz respeito, inclusive numa visão a montante e a jusante da sua realização.

Neste particular, damos especial destaque a algumas dessas representações que valorizam a importância e a benignidade do presente projeto. Em primeiro lugar, segundo as opiniões gerais destes alunos, estas Visitas de Estudo em que os alunos participaram contribuíram para o desenvolvimento das suas competências e para a aquisição e/ou incremento do seu conhecimento. Nesta dinâmica, as representações recolhidas assinalam que, para estes alunos, as duas Visitas de Estudo acentuaram um dialogismo interessante entre a theoria e a praxis, onde as forças vetoriais não são unívocas nem direcionais – observações que muito nos apraz registar, porquanto consideramos que essa é uma das potencialidades mais estimulantes para o sucesso do processo de ensino-aprendizagem. Este movimento pendular entre o raciocínio indutivo para o dedutivo e do dedutivo para o indutivo instila no aluno a curiosidade de conhecer e gosto pelo estudo de um modo velado mas dinâmico.

Incorrendo também nas traves teóricas apresentadas, no que ao domínio da aprendizagem diz respeito, as representações destes alunos vão ao encontro das nossas ambições, sublinhando eles que as Visitas de Estudo contribuem para que o seu conhecimento seja construído e apreendido em laivos vivenciais. Destacamos que estes alunos afirmaram que, nos momentos de ensino não-formal em que participaram, a aprendizagem foi realizada em sensação, em sentimento e em contacto com a Vida.

Particularmente as Sessões de Literatura, no entender dos seus participantes, concorreram para a apreciação da cultura num sentido de banda larga, não só não menosprezando os saberes não académicos, como também vendo no conhecimento veiculado pela escola um pragmatismo imediato na sua vida quotidiana.

Neste seguimento, as representações destes alunos entroncaram na dinâmica de que os momentos de ensino não-formal são importantes como motivadores para o estudo de temáticas oriundas do ensino dito formal. Os participantes nas Visitas de Estudo e nas Sessões de Literatura opinaram que as competências aí desenvolvidas, as matérias trabalhadas e o modo como elas foram abordadas poderão servir como plataforma para explorar sob outro ponto de vista esses mesmos conteúdos. Ao nível do Ensino de Línguas tal circunstância permite um “manuseamento” in loco dos conteúdos.

Outro prisma importante que, neste estudo, foi trabalhado, foi a interpretação do Outro. Nesta área as representações destes alunos permitiram observar que a compreensão do Outro, frutificando num dinamismo de relações interpessoais, foi incrementada e valorizada durante a realização das Visitas de Estudo. Neste particular, gostaríamos de destacar que houve um exercício de compreensão da multiplicidade que o Outro concentra, permitindo que os alunos, em Cidadania, se consciencializassem da necessidade de aceitar a diferença no sentido do crescimento individual, social e cognitivo. Na verdade, quem viaja é mais tolerante porque mais conhecedor de si e do Outro.

Destarte, de todos os elementos apresentados decorre que estas representações veiculadas pelos alunos participantes subscrevem as nossas intenções iniciais, atestando que, no contexto particular em que o projeto foi implementado, os momentos de ensino não-formal no âmbito do Ensino de Língua(s), Literatura(s) e Cultura(s) se constituem como um verdadeiro espaço de liberdade, de reflexão, de conhecimento e de entusiasmo. Essa atitude poderá ser apresentada de um modo aglutinado no conceito oximórico de “errância guiada”, onde o aluno se deixa transportar em deambulação ora pretensamente errante, ora conscientemente conduzida, sendo surpreendido por constatações em contexto de aprendizagem na rua, tendo o professor-guia uma dimensão marcante nesta atitude de apre(e)nder.

Ultimando as ilações relativas à análise de dados, estes revelam na sua generalidade que estes alunos são discentes recetivos a este tipo de iniciativas e procedimentos. De igual forma, os dados espelham que o contexto de implementação do projeto, isto é, a Escola e

toda a ambiência com ela relacionada, é favorável à realização deste tipo de Visitas de Estudo. Estamos bem cientes de que estas características particulares quer do contexto quer dos alunos são uma vantagem que contribui para o sucesso das metodologias implementadas – alunos que se encontrem per se motivados facilitam e contribuem para o êxito das atividades. Assim sendo, estes resultados permitem, exclusivamente, uma leitura circunstanciada, não consentindo por isso grandes generalizações, que poderiam degenerar em extrapolações ou desvirtuações analíticas da própria estratégia.

Considerações Finais

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