As entrevistas – conversa que mantivemos com os alunos, após a aplicação do
FPT nas turmas, tinham como objetivo perceber o que os jovens pensavam da filosofia,
do projeto, das atividades dinamizadas e qual o balanço que faziam do mesmo. Também considerámos importante discutir sobre a possibilidade de voltarem a ter, no ano letivo seguinte, um projeto semelhante na turma e auscultar acerca do feedback com as famílias.
Para melhor compreendermos o ponto de vista dos alunos optámos por dividir a análise nas seguintes categorias: características do Projeto Filosofia Para Todos; dinamização do projeto nas turmas dos quarto e sexto anos no ano letivo de 2010 / 2011 dividida nas subcategorias: atividades dinamizadas e hierarquia das atividades; feedback dos alunos e das famílias e, por fim, conclusões sobre a aplicação do Projeto Filosofia
Para Todos.
3.1. Características do Projeto Filosofia Para Todos
No que concerne esta primeira categoria de análise, os alunos preocuparam-se em afirmar que, nas sessões de filosofia, se desenvolviam atividades interessantes e se aprendiam coisas novas.
No quarto ano, por exemplo, os alunos afirmaram que a sessão de filosofia é
uma forma de descontrair, de aprender, ou que serve para aprendemos a respeitar os outros; serve para expressar o que sentimos e serve para relaxar. Disseram ainda que em filosofia se aprende a expressar os sentimentos e que ela acalma, porque quando estou nervoso e vou ter filosofia fico mais calmo. Assim, o FPT tem, para estes jovens,
uma função calmante, porque quando estão nas sessões de filosofia podem pensar em outras coisas e realizar atividades diferentes e divertidas.
Também para os alunos do sexto ano, as sessões de filosofia foram divertidas
porque a gente descobre que pode fazer muitas coisas divertidas e aprender ao mesmo tempo. Por outro lado, a filosofia ajuda a desenvolver as capacidades e a desenvolver a autoconfiança.
3.2. Dinamização do Projeto nas turmas dos quarto e sexto anos no ano letivo de 2010 / 2011
3.2.1. As atividades dinamizadas
Os alunos das duas turmas consideraram que as várias atividades dinamizadas foram divertidas, diferentes, úteis e importantes, ensinam a respeitar os outros e ajudam a pensar.
Mas é também fundamental referir a afirmação de um dos alunos do quarto ano quando nos disse que desde que as aulas de filosofia começaram tenho suportado
melhor os problemas que eu tenho o que lhe permitia, também um melhor desempenho
nas várias atividades desportivas. Deste modo, as sessões de filosofia têm uma componente lúdica e pedagógica, na perspetiva dos alunos.
3.2.2. Hierarquia das atividades
A atividade preferida por todos os alunos, dos quarto e sexto anos, foi a RS, porque permitia expressar os sentimentos e isso era algo a que os alunos não estavam habituados na escola, mas também porque lhes permitia ver/ouvir os outros a explicarem o que sentiam e como sentiam. Na perspetiva das crianças, as atividades em que todos participam foram as melhores, porque implicavam uma maior interação entre
os intervenientes impedindo que algum jovem fosse preterido em virtude da sua personalidade. É de salientar que, na atividade da CP, os alunos mais participativos e com maior facilidade em discursar perante os outros foram os que se voluntariaram para participar. No caso da RS isso não acontece porque todos participam sem verem nem serem vistos – o olhar do outro, a visão que temos de nós próprios ficará subsumida nesta atividade permitindo, como as próprias crianças dizem: quando os outros não nos
estão a ver, sentimo-nos à vontade e podemos expressar-nos melhor.
3.3. Feedback dos alunos e das famílias
Os alunos do quarto ano afirmaram que, em casa, falavam com os pais sobre as
atividades e um dos alunos disse que depois de ter realizado a atividade do QO tinha ido
para casa e juntamente com o pai quando foi a da primeira música foi pesquisar e falaram sobre isso. Outros alunos disseram que tinham tentado repetir com a mãe ou
com os pais e a irmã as atividades. O que nos parece muito relevante porque
entendemos que as atividades dinamizadas em sala de aula são levadas para a família. Nesta turma, os alunos conversavam com os pais e, porque gostavam das atividades decidiram, eles próprios propor aos seus familiares a repetição, assumindo-se como os dinamizadores das sessões.
Os alunos do sexto ano, apesar de terem com as suas famílias uma relação menos próxima, também referiram que em casa falava com os meus pais e a irmã, ou só
com a mãe (algumas famílias são monoparentais). Um dos alunos disse que falava das
sessões de filosofia essencialmente com a irmã que estava no décimo ano e que ela lhe dizia que ele tinha muita sorte porque ela achava que a filosofia era uma seca e que ele achava que era giro e interessante.
3.4. Conclusões sobre a aplicação do Projeto Filosofia Para Todos – perspetiva dos alunos
O balanço feito pelos alunos do quarto ano foi muito positivo e, todos eles, manifestaram vontade de continuar com o projeto no ano letivo seguinte porque, como eles próprios afirmaram este é muito divertido e aprendem-se muitas coisas novas.
Por sua vez, os alunos do sexto ano consideraram que com o projeto
aprendemos a ser criativos e a usar a nossa imaginação de maneira diferente, que aprendem mais e há um aluno que afirma que deviam ter sessões de filosofia mais vezes por semana!
Face a estas afirmações parece-nos lícito concluir que o FPT teve uma aceitação muito positiva por parte dos alunos e que eles gostariam de voltar a participar no ano seguinte.
4. A entrevista à coautora e co dinamizadora do Projeto Filosofia Para