L’identification automatique des langues : m´ ethodes & approches
3.1 Syst` emes comparatifs
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O Algarve é hoje significado de turismo, para a maioria da população portuguesa e estrangeira; no entanto, esse é um atributo que foi generalizado pelas gerações mais recentes. A «moda» europeia de férias na praia é algo oriundo do século XVIII, principalmente pelo acesso que alguns industriais britânicos tinham, durante o inverno, às praias no Mediterrâneo, nomeadamente do sul de França, algo que se foi tornando apetecível e cada vez mais acessível com as conquistas dos direitos civis pelas classes trabalhadoras e, sobretudo, com a evolução nos meios de transporte. Para o bem e para o mal, é questionável e inconclusiva a mudança que o turismo provocou ao longo da costa Mediterrânica.
OS DIFERENTES TIPOS DE TURISMO | 3.1.
Segundo José Miguel Iribas28, distinguem-se três categorias do turista: “o viajante, o
veraneante e o turista.”
O “viajante”, como a primeira destas categorias, sinónimo daquele que faz a viagem (é o fundamento para o próprio conceito de turismo), começa a esboçar-se no século XIX. É um estatuto permitido e limitado para a burguesia culta, na procura de afirmação individual e das explorações exóticas e românticas inspiradas pela cultura iluminista, e oportuna na capacidade de mobilidade que a máquina a vapor permite, sendo o comboio o transporte eleito, e o hotel da estação, o alojamento suficiente, A tradição da viagem banaliza-se e gera rituais de coleccionismo onde não se procura mais a novidade, mas sim o carimbo no passaporte como testemunha de presença no lugar.
Com origem, também no século XIX, o “veraneante” caracteriza-se pelos sujeitos da aristocracia que sazonalmente migravam para retiros junto à costa, numa procura por recuperar os meses de trabalho, e por isso, romper com a rotina e com as normas de vida quotidiana. O veraneio surge, assim, intrinsecamente associado à descoberta do espaço litoral pelas monarquias europeias.
O turismo de massas e, com ele, o “turista”, ganha expressão apenas a partir do fim da Segunda Guerra Mundial, com a propagação das férias às classes trabalhadoras, possível no quadro de recuperação económica europeia do pós-guerra, pela disponibilização de frotas aéreas para exploração comercial.
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In Lobo, Susana (2007). A colonização da linha de costa: da marginal ao «resort». Jornal Arquitectos 227. Abril-Junho de 2007, P.18.
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“O «sul» ganha um renovado fascínio e a trilogia sun, sand & sea passa a estar ao alcance de todos, em pacotes de férias organizados. Surgem novos empreendimentos turísticos, moldados pela crescente pressão urbanística sobre o litoral, abrindo a oportunidade de se explorarem diferentes conceitos no planeamento de núcleos de veraneio. “Assim, se, por definição, o viajante atravessa o território, interagindo pontualmente com ele, o veraneante e o turista consomem paisagem, numa relação paradoxal de uso intensivo e monofuncionalista que põe em causa a autenticidade e a capacidade de atracção do cenário natural, e, por isso, a própria sobrevivência da indústria do turismo balnear.” (Lobo, 2007, p.18)29
A GÉNESE DO ALGARVE TURÍSTICO | 3.2.
Depois da exploração da indústria conserveira e dos frutos secos, que ocupou parte significativa na economia regional, num largo período, até à segunda metade do século XX, a redefinição social do Algarve surge nos anos cinquenta e sessenta aquando do florescimento de novas classes sociais, sobretudo oriundas do centro da Europa, resultantes do esforço de recuperação após as duas grandes guerras. A «máquina industrial» que, até 1945, se concentrava na força de produção bélica, começou a «carburar» na reconstrução material e cultural, sobretudo da Europa (epicentro do conflito e zona mais afectada). Acompanhando esta reedificação material e este enriquecimento gerado por esse esforço, a população europeia permite-se à oportunidade de desafogo dos seus mais diversos quotidianos, nascendo assim o turismo disponível para as massas, responsável pelos grandes fluxos migratórios. Litoral, sol abundante e temperatura amena são requisitos suficientes que Portugal disponibiliza para o efeito; o Algarve acrescenta a areia branca, a sua exposição a sul e um ambiente longe das «mordomias» das grandes cidades. É a partir de 1965 que o Algarve se torna destino turístico, sobretudo para ingleses e alemães, inteiramente dependentes do transporte aéreo. Mais uma vez, subsiste a imagem da «ilha do Algarve», pois se até ao século XX seria mais fácil a viagem Lisboa-Algarve por via marítima do que por terra, também depois da construção do aeroporto, em 1965, e mesmo após a primeira ponte de frente para Lisboa, em 1966, seria mais favorável a ligação aérea de qualquer ponto na Europa central até
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Lobo, Susana (2007). A colonização da linha de costa: da marginal ao «resort». Jornal Arquitectos 227. Abril- Junho de 2007, P.18.
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Faro, ou vice-versa. É também, segundo esta analogia, que o Algarve se torna um novo território para os estrangeiros em busca do turismo dos “3 S”30, demorando na abertura aos próprios portugueses que, na época, ainda se «ocupavam» com a Guerra do Ultramar e mesmo ainda na sua maioria, abstinentes deste tipo de turismo, sem contar com os que viajavam até à terra natal, os que «iam a banhos» pouco desciam abaixo do Tejo. Para tal, teriam de viajar de forma pouco cómoda, por terra até ao Algarve, num percurso ferroviário dependente de vários transbordos, ou numa viagem por estradas sinuosas e congestionadas que facilmente durava 7 horas (a era das auto-estradas ainda demoraria outros 50 anos).
Fig. 28_ Em 1965, a viagem terrestre Lisboa- Algarve demorava o dobro do tempo da viagem aérea Londres-Faro ou Berlim- Faro.
Fonte: Autor
A MUDANÇA NA CIDADE DE LAGOS | 3.3.
Em 1948, quase 20 anos antes do plano para a construção um Aeroporto no Algarve, a região foi submetida a um novo sistema de planeamento urbano moderno, aplicado e centralizado pelo Estado Novo, em que foram desenvolvidos, um pouco por todo o País, os Planos de Urbanização ao abrigo da nova legislação urbanística, aplicados na época por Duarte Pacheco. Estes foram também aplicados às mais importantes localidades algarvias, através da acção de Direcção Geral dos Serviços de Urbanização, sobretudo ao longo das décadas de 1940 e 1950. Foram assim divididas 22 localidades algarvias à responsabilidade dos diferentes urbanistas a seu cargo, entre os quais, podemos destacar: o arquitecto João Aguiar, responsável pelo Gabinete de Urbanização do Ultramar, encarregado, aqui, do ordenamento do espaço urbano de Faro e Olhão; os arquitectos Carlos Ramos e Raul Lino
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para a Praia da Rocha e Tavira, respectivamente; e o arquitecto Miguel Jacobetty, que projectou o emblemático Estádio Nacional no Jamor, que orientou aqui uma série de núcleos litorais, como o caso das praias de Albufeira e Armação de Pêra e, mais associado ao tema desta dissertação, a Cidade de Lagos, além de Albufeira e das serranas Caldas de Monchique.
Resultado desta estratégia, chega, em 1957, ao Conselho Superior de obras Públicas o Anteplano de Jacobetty, aprovado no mesmo ano, para a cidade de Lagos, acelerando as obras por via da sua inauguração a 6 de Agosto de 1960, data das Comemorações Henriquinas31.
31
Para Comemoração do 5º Século, sobre a morte do Infante D. Henrique, foram executados alguns projectos de referência, destacando-se, em Lisboa, a reconstrução do Padrão dos Descobrimentos. Mas é em Lagos e Sagres que a obra maior é executada. A construção de uma avenida marginal; a demolição do casario permitindo a
Fig. 29_ Sobreposição do Plano de Urbanização de Miguel Jacobetty, de 1957; sobre a planta da Actual Cidade de Lagos. Legenda:
●
Cidade Pré industrial, dentro de Muralhas8. Praça do Infante D. Henrique; 10. Praça Gil Eanes; 22. Ponte até à Estação Ferroviária; 26. Doca; 27. Aterro da Envolvente da E.N. 125 (Avenida dos Descobrimentos); 28. Áreas de Protecção dos edifícios Classificados como Monumentos Nacionais; 30. Zona da Futura Marina.
Estalagem S. Cristóvão
Fonte: Paula, Rui, (1992). Lagos evolução urbana e património; Lagos: Câmara Municipal, p.118.
Lisboa
Portimão Sagres
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Conforme demonstramos na figura 29, o Plano prevê o aterro da marginal da Ribeira de Bensafrim, e por este, desloca o troço da Estrada Nacional 125, dando origem à actual Avenida dos Descobrimentos, “[…] tendo como consequência as primitivas relações da
cidade com o mar, alterando por completo a escala de valores que existia até aquela altura, […]”32
(Paula, 1994, p.119). Deste plano, além da posterior implantação das grandes massas
edificadas existentes, está implícita a degradação do tecido urbano, desvirtuando a imagem no contexto urbano da cidade. É de salientar, no entanto, a área de protecção em torno da Muralha, impedindo a sua destruição e resultando, hoje, em zonas de jardim. Este é um primeiro anteplano que, tal como outros ao longo do Algarve, resultará na estratégia de massificação do turismo na região e que terá impacto sobre as preexistências, como é o caso da que teve sobre a Estalagem São Cristóvão.
Com maior incidência na problemática aqui evocada, está a legislação hoteleira de 1954. Mal o projecto final da Estalagem de Vicente Castro tinha sido aprovado, a 10 de Fevereiro de 1954, já a nova legislação incentivava ao investimento em equipamentos turísticos, quer no financiamento ou isenção fiscal, quer na própria expropriação de terrenos adjacentes para ampliações, passando também por novos critérios de qualificação, os quais o Empresário Hermano Baptista não quis ficar de parte, tendo pronto e entregue no Secretariado Nacional da Informação Cultural Popular e Turismo (SNI), um novo projecto de ampliação a 28 de Dezembro de 1956, desta vez com um diferente arquitecto.
exposição das muralhas, agora embelezadas com ameias na Porta de S. Gonçalo; a implantação de um espaço ajardinado; a adição de guaritas no Forte Ponta da Bandeira; e a ampliação da Praça da República que recebe uma estátua ao Infante D. Henrique.
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CASO DE ESTUDO I | 3.3.1. AMPLIAÇÃO DA ESTALAGEM SÃO CRISTÓVÃO, 1959 Autor: ARQ. JOSÉ ALBUQUERQUE VELOSO
Os serviços Camarários da Cidade de Lagos aprovam um projecto, cuja Memória Descritiva e Justificativa é assinada pelo Arquitecto José Veloso a 30 de Setembro de 1959, podemos explicar a diferença de datas por se tratar de uma ampliação dividida em três fases.
“ A primeira fase das obras a efectuar na Estalagem S. Cristóvão prevê a correcção das deficiências e faltas que se verificam nas actuais instalações, para que venha a ficar dispondo de um nível de equipamento e serviços que possa., em perfeitas condições, atender às legitimas exigências do turismo de hoje.[…] pela importante posição que a Estalagem São Cristóvão já ocupa dentro do turismo algarvio[…]”33
A proposta, em geral, demonstra uma crítica ao programa de funções, uma vez que, por exemplo, o anterior projecto não previu instalações sanitárias privativas aos quartos de hóspedes, e um lugar específico para recepção de hóspedes que não interferisse com a sala de refeições existente, além de soluções técnicas anteriormente mal resolvidas, como são o isolamento sonoro devido à proximidade com a estrada e a “[…] correcção de alguns dos
mais evidentes excessos expressivos, a cobertura, que será totalmente substituída, até por ter provado ser deficiente, principalmente como isolamento térmico.”34
33
Arq. Veloso, José; Memória Descritiva e Justificativa da Execução de Obras de 1ª fase de ampliação e remodelação da Estalagem S. Cristóvão, Lagos. 1959, pp.1-4.
34 Idem.
Fig. 30_ Representação tridimensional com a proposta de ampliação do Arq. José Veloso a vermelho.
Fonte: Autor
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No rés-do-chão:
“Ampliam-se os serviços de cozinha construindo-se um amplo local de preparação de comida ou cozinha propriamente dita e ocupou-se toda a actual cozinha com o serviço de copa.
Estes serviços ficarão assim satisfatoriamente resolvidos, mesmo tendo em conta as ampliações previstas na segunda e terceira fases, em que será ampliada a zona de refeições com a ocupação do actual local de estar deste piso, e em que os serviços de balcão de empregados de mesa beneficiará da utilização como arrecadação dos actuais sanitários públicos para homens.
Nota-se no entanto, dado que se pretende proceder à referida ampliação da zona de refeições, que somente na segunda fase será possível resolver o problema das circulações neste piso, e o da criação da zona de recepção e dos locais de estar. […]”35
35
Idem.
Fig. 31_ Piso 0; Reprodução do autor, proposta do Arq. José Veloso, sobre a Estalagem do Arq. Vicente Castro. Fonte: Autor.
Legenda:
●
Estalagem São Cristóvão, 1955, pelo Arq. Vicente Castro●
Projecto de ampliação, 1959, pelo Arq. José Veloso Fonte: Autor, baseado na planta existente no Arquivo Municipal de Lagos.
Fonte: Autor
5m 0
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No Piso 1:
“Deslocou-se paralelamente a si mesmo o corredor principal de acesso aos quartos de hóspedes, e ocupou-se o actual corredor com a construção de instalações sanitárias e de banho para quatro destes quartos;
As duas instalações sanitárias existentes como publicas foram tornadas privativas de dois outros quartos;
Eliminam-se dois dos quartos de hospedes existentes, e a área de um deles foi ocupada com a escada de serviço e com duas instalações sanitárias de banho para outros dois quartos;
Ocupou-se a actual zona de estar deste piso com mais uma instalação sanitária e de banho para um novo quarto, já amplo, que se cria sobre a nova cozinha;
Construi-se, uma nova varanda existente em boa localização, de onde se vê a baia, mas que na prática se observa não ser utilizada como local permanência, a nova zona de estar deste piso;
Desapareceram as instalações sanitárias de banho públicas, pois para as fases seguintes da obra deste piso prevê-se que todos os novos quartos de hóspedes disporão destas instalações privativas.
Não foi possível ampliar as áreas dos quartos existentes por ser condicionamento imposto no programa desta remodelação evitar sensíveis alterações da estrutura existente.”36
36 Idem.
Fig. 32_ Piso1; Reprodução do autor, proposta do Arq. José Veloso, sobre a Estalagem do Arq. Vicente Castro no Piso 1. Legenda:
●
Estalagem São Cristóvão, 1955, pelo Arq. Vicente Castro●
Projecto de ampliação, 1959, pelo Arq. José Veloso Fonte: Autor, baseado na planta existente no Arquivo Municipal de Lagos.Fonte: Autor
5m 0
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Embora o Arquitecto Veloso estivesse em desacordo com o critério utilizado no estudo da definição de volumes e composição decorativa do projecto antecedente, ao ponto de o manifestar oficialmente, a sua metodologia no desenho em planta parece conjugar com a métrica utilizada no projecto anterior, nomeadamente no jogo de planos de parede que utiliza para definir e conjugar os espaços existentes.
Através da planta de implantação é evidente que ainda não está o troço da actual Avenida dos Descobrimentos, mas o plano já estava em execução, sendo referenciado por Veloso, uma vez que findou a Memória Descritiva com um parágrafo em que menciona obras existentes na Estrada Nacional 125, alterando por isso, a localização da “[…] ilha de bombas de
fornecimento de combustíveis a automóveis […] para os terrenos a Norte […]”37
, elemento
constituinte do então Posto Rodoviário que a Estalagem complementava; e que, aqui, Veloso defende ser uma vantagem como isolamento ao ruído.
Comparando, em números, os dois projectos sob o ponto de vista do programa, constatamos que as alterações visam melhorar qualitativamente as funcionalidades da preexistência, mais do que ampliar em quantidade. Acrescentou uma zona de recepção, duplicou a área de cozinha, aumentou o número de quartos de 12 para 17 e acrescentou casas- de-banho a todos os quartos, uma ampliação que prevê uma área de implantação de 505m2 e uma área absoluta de construção de 945m2, valores a rondar o dobro da preexistência, 220m2 de área deimplantação e uma área de construção absoluta de 400m2.
Fazendo uma análise comparativa da plasticidade dos dois objectos, mesmo que o projecto não tenha sido materializado, foi-nos possível, através dos desenhos em planta e de alguns alçados incompletos, simular as soluções propostas e usufruir delas como caso de estudo para um exemplo de ampliação de uma preexistência, sendo-nos possível avaliar as
37 Idem.
Fig. 33_ Desenho de Implantação da Ampliação proposta pelo Arq. José Veloso, 1959.
Fonte: Projecto de Ampliação do Posto Rodoviário de Lagos. Arquivo Municipal de Lagos.
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alterações de linguagem entre os dois. É de salientar que, para esta análise, apenas são utilizados os Alçados Noroeste e Sudeste como elementos comparativos, uma vez que os restantes não foram alvo de tanto primor por Vicente Castro.
Alçado Nordeste
Podemos constatar que do alçado exposto na figura são anulados alguns elementos base do original, a platibanda é substituída por um telhado em beirado; a varanda do lado esquerdo desaparece, dando lugar a uma janela de canto como acontecia no canto inferior direito da preexistência; o novo corpo anexado à direita propõe uma maior horizontalidade ao edifício e acaba por contrastar com o anterior; no entanto, o projecto não apresenta solução para a cobertura total, nem representa ou menciona o tipo de revestimento a utilizar nas fachadas, o que irá, certamente, desajustar a simplicidade que apresenta este novo elemento, em contraste com a «explosão» de diferentes constituintes que o seu antecedente apresenta.
Fig.34_ Alçado Nordeste; Reprodução do autor, Estalagem São Cristóvão de 1954, do Arq. Vicente Castro.
Fonte: Autor; Original - Projecto do Posto Rodoviário de Lagos. Arquivo Municipal de Lagos.
Fig. 35_ Alçado Nordeste; Reprodução do autor, proposta de ampliação do Arq. José Veloso, 1959.
Fonte: Autor; Original - Projecto de Ampliação do Posto Rodoviário de Lagos. Arquivo Municipal de Lagos.
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Alçado Sudeste
No Alçado Sudeste é bem perceptível a subversão da cobertura originalmente invertida por Vicente Castro e que Veloso diz ser um excesso de expressividade, substituindo- a pelo tradicional telhado que, no caso deste alçado, desagua sobre as caixas avarandadas do projecto anterior. Aqui é mais evidente o fecho da varanda com vista sobre a baía de Lagos onde ocorre a escada exterior, que resulta, segundo a legenda na Memória Descritiva num
“espaço comum”; a caixa que anteriormente ritmava três vãos de quartos, agora para
solucionar o programa de quartos com casa de banho privativa, resulta no entupimento de um dos quadrados constituintes. Tal como referimos anteriormente, o projecto não apresenta solução para a cobertura, nem representa ou menciona o tipo de revestimento a utilizar nas fachadas, o que irá, certamente, desajustar a leitura que temos de momento.
Fig. 36_ Alçado Sudeste; Reprodução do autor, Estalagem São Cristóvão de 1954, do Arq. Vicente Castro. Fonte: Autor; Original - Projecto do Posto Rodoviário de Lagos. Arquivo
Municipal de Lagos.
Fonte: Autor
Fig. 37_ Alçado Sudeste; Reprodução do autor, proposta de ampliação do Arq. José Veloso, 1959. Fonte: Autor; Original - Projecto de Ampliação do Posto Rodoviário de Lagos. Arquivo Municipal de Lagos.
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No geral, o trabalho do Arquitecto Veloso é bastante interventivo quanto à obra do seu antecedente, e é compreensível e legítimo que assim tenha sido. Contudo não podemos avaliar, aos olhos de outrora, o significado que a primeira obra de Vicente Castro poderia representar hoje; no entanto, apesar da aversão à expressividade manifestada na preexistência, o trabalho, conjuga, em planta, a existência de um módulo rectangular que se multiplica e une vários planos, o que nos remete para o plano de parede que Vicente Castro usa no projecto original a fim de separar a zona de serviços da entrada principal, Também em planta, algumas soluções de programa parecem bem conseguidas, nomeadamente a zona do bar e a implementação de casas-de-banho.
Esta intervenção dá origem a alguma polémica e chega a haver uma nota crítica no
Diário Ilustrado. Mesmo tendo sido entregue e aprovado pelos serviços camarários, algo
corre mal, pois é recusado pela Direcção de Utilidade Turística (DUT) e, mesmo sob o pretexto das Comemorações Henriquinas, o SNI recusa o financiamento pretendido.
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A política de fomentos para a construção de Estabelecimentos Hoteleiros provocada pela legislação de 1954, além desta proposta de ampliação da Estalagem S. Cristóvão, dará origem à multiplicação de projectos e sucessivas ampliações unidades hoteleiras na região, até