A análise dos fluviogramas médios mensais dos rios São Francisco, Grande e Preto permitiu obter os parâmetros hidráulicos médios, característicos das seções de medição de vazão, para os períodos de seca e cheia da bacia.
As séries históricas de medição de vazão (2003 a 2012), de cada estação, foram divididas em dois conjuntos: o primeiro, característico do período de cheia da bacia, composto por todas as medições de vazão realizadas no período compreendido entre os meses de janeiro a março; e o segundo, característico do período seco, referente as medições realizadas entre os meses de julho a setembro.
A Tabela 3, apresenta as características médias do escoamento para cada estação de medição, nos períodos de seca e cheia da bacia.
Tabela 3 – Seções de Medição – Características médias do escoamento
Período Nome Cota
(cm) Vazão (m³/s) Área (m²) Largura (m) V (m/s) V80% (m/s) P (m) Cheia
Bom Jesus da Lapa 459 3905 3894 741,8 1,003 0,768 5,2 Gameleira 483 4186 3801 536,5 1,102 0,706 7,1 Paratinga 405 3992 3107 633,8 1,284 0,775 4,9 Ibotirama 492 4139 3724 586,6 1,114 0,773 6,3 Morpará 564 3956 3968 805,8 1,001 0,720 4,9 Boqueirão 137 258 372 151,1 0,712 0,509 2,5 Fazenda Porto Limpo 123 107 175 62,0 0,626 0,427 2,8
Seca
Bom Jesus da Lapa 168 1107 1492 526,6 0,742 0,292 2,8 Gameleira 172 1323 2079 468,7 0,636 0,236 4,4 Paratinga 165 1153 1476 619,3 0,781 0,300 2,4 Ibotirama 224 1426 2261 529,4 0,631 0,254 4,3 Morpará 299 1332 1892 788,4 0,704 0,295 2,4 Boqueirão 54 165 238 134,5 0,693 0,293 1,8 Fazenda Porto Limpo 75 70 137 62,2 0,511 0,236 2,2
Para o rio São Francisco, as medições referentes ao período de cheia, apresentaram valores médios de vazão cerca de três vezes maiores que o verificado no período de seca. Com relação à velocidade média de escoamento, verifica-se um acréscimo médio da ordem de 40%, com velocidades em torno de 0,65 m/s no período seco da bacia e 1,0 m/s nos meses de cheia.
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No rio Grande e no rio Preto, o período de cheia apresenta um acréscimo de vazão da ordem de 50% com relação ao valor médio dos meses mais secos.
Com relação á velocidade média de escoamento da água, verifica-se na estação Fazenda Porto Limpo uma diferença de 20% entre os dois períodos, enquanto na estação Boqueirão, no rio Grande, não houve variação significativa da velocidade média.
Com relação ao valor da velocidade de escoamento média da água, junto ao leito do rio, 456 %, para os rios São Francisco, Grande e Preto, no período de cheia, este valor é da ordem de 75% da velocidade média de escoamento dá água. Já para o período de seca o valor de 456 % é reduzido para 40% do valor da velocidade média de escoamento.
6.1.3 Caracterização Granulométrica Média
A curva granulométrica média foi construída com a utilização dos dados históricos do período de 2003 a 2012, com o período de seca da bacia representado pelos laudos referentes às amostragens de material de fundo realizadas entre os meses de julho a setembro. Já a curva média do período de cheia utilizou os laudos das amostragens realizadas entre os meses de dezembro e fevereiro.
Os resultados médios estão resumidos na Tabela 4, onde são apresentados os valores para as frações de peneiramento do material de fundo, indicando o percentual retido em cada faixa definida pelos diâmetros característicos.
Tabela 4 – Curvas Granulométricas Médias das estações para o período de seca e de cheia da bacia – Frações de Peneiramento. Fonte: Série Histórica HIDROWEB / ANA
Nome Período Cota
(cm)
Porcentagem que passa - Pk (%) Pela malha da peneira (mm)
15,90 8,00 4,00 2,00 1,00 0,50 0,25 0,12 0,06
Bom Jesus da Lapa Cheia 363 100,0 99,9 99,8 99,3 97,0 82,6 18,3 1,0 0,1 Seca 208 100,0 99,6 99,1 98,0 95,3 78,1 31,0 2,7 0,2 Gameleira Cheia 399 100,0 99,2 97,7 95,0 87,2 59,6 13,7 1,3 0,1 Seca 192 100,0 98,7 96,6 95,8 91,4 70,9 16,0 4,3 0,2 Morpará Cheia 471 100,0 97,8 95,9 94,5 91,5 70,9 9,5 0,5 0,1 Seca 300 100,0 98,7 97,8 96,6 93,9 76,0 13,7 1,2 0,1 Boqueirão Cheia 167 90,2 84,3 70,0 66,0 64,8 56,4 17,1 1,4 0,1 Seca 57 100,0 78,0 67,2 63,1 60,2 52,3 7,5 0,8 0,0
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Na Tabela 5 pode ser verificada a classificação do tipo de sedimento observado em cada estação, representando os valores médios dos períodos de seca e cheia da bacia.
Tabela 5 – Curvas Granulométricas Médias das estações para o período de seca e de cheia da bacia – Tipo de Sedimento. Fonte: Série Histórica HIDROWEB / ANA
Nome Período Cota
(cm)
Tipo de Sedimento (%)
Argila Silte Areia Pedregulho
Bom Jesus da Lapa Cheia 363 0,0 0,1 99,1 0,7 Seca 208 0,0 0,2 97,8 2,0 Gameleira Cheia 399 0,0 0,1 94,9 5,0 Seca 192 0,0 0,2 95,6 4,2 Morpará Cheia 471 0,0 0,1 94,5 5,5 Seca 300 0,0 0,1 96,5 3,4 Boqueirão Cheia 167 0,0 0,1 65,9 34,0 Seca 57 0,0 0,0 63,8 36,2
As Figuras 21, 22 e 23 apresentam graficamente os resultados da Tabela 4, para as estações do rio São Francisco, onde pode ser verificado que não há diferença considerável da composição granulométrica do material de fundo entre as estações, bem como entre os períodos de seca e cheia da bacia.
Figura 21 – Curvas Granulométricas Médias – Estação Bom Jesus da Lapa
0,0 50,0 100,0 0,01 0,10 1,00 10,00 100,00 D iâ m e tr o q u e p a s s a ( % )
Diâmetro das partículas (mm)
Cheia Seca
71 Figura 22 – Curvas Granulométricas Médias – Estação Gameleira
Figura 23 – Curvas Granulométricas Médias – Estação Morpará
As estações apresentam comportamento semelhante, com a maior parcela do material de fundo com diâmetro inferior a 2,0 mm, indicando predominância de areia média na composição granulométrica, com percentual na casa de 90% do material amostrado.
A Figura 24 apresenta as Curvas Granulométricas Médias do período de seca e cheia para a estação Boqueirão, no rio Grande. É possível verificar que o comportamento médio é semelhante para os dois períodos.
0,0 50,0 100,0 0,01 0,10 1,00 10,00 100,00 D iâ m e tr o q u e p a s s a ( % )
Diâmetro das partículas (mm)
Cheia Seca 0,0 50,0 100,0 0,01 0,10 1,00 10,00 100,00 D iâ m e tr o q u e p a s s a ( % )
Diâmetro das partículas (mm)
Cheia Seca
72 Figura 24 – Curvas Granulométricas Médias – Estação Boqueirão
Também pode ser verificado que a composição granulométrica do material de fundo do rio São Francisco é diferente da observada no rio Grande. No primeiro, a maior parte de material é constituída de areia média, com percentual em torno de 90%, enquanto no rio Grande é verificada uma maior distribuição granulométrica, com predominância de areia média, porém com a ocorrência de areia grossa e pedregulho.
6.1.4 Velocidade Crítica Média
O cálculo da Velocidade Crítica U1 3, em termos médios, para as estações de Bom Jesus da Lapa, Gameleira, Morpará e Boqueirão foi feito com base na avaliação da sazonalidade hidrológica da bacia, na definição do período de seca e cheia da região de estudo, bem como na obtenção das características médias do escoamento e da caracterização granulométrica.
Foram definidos os valores de U1 3, para cada estação, referentes aos períodos de seca e cheia da bacia, fazendo uso das informações de granulometria e da profundidade de escoamento.
Os valores de U1 estão apresentados na Tabela 6, onde também são listados os valores médios da velocidade de escoamento da água, na região junto ao fundo do rio (V16 %) e a relação [V16 %/ (U1 3)].
0,0 50,0 100,0 0,01 0,10 1,00 10,00 100,00 D iâ m e tr o q u e p a s s a ( % )
Diâmetro das partículas (mm)
Cheia Seca
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Conforme descrito no item 3.1 a velocidade crítica representa o valor mínimo de velocidade a ser superado pela água, para que se dê inicio ao transporte de sedimento junto ao leito dos rios.
Tabela 6 – Velocidade Crítica Média
Período Estação w1xy(m/s) V16 % (m/s) V16 % / U1 3
Cheia
Bom Jesus da Lapa 0,316 ± 0,014 0,762 ± 0,039 2,2 a 2,6 Gameleira 0,173 ± 0,005 0,701 ± 0,033 3,7 a 4,4 Morpará 0,162 ± 0,006 0,717 ± 0,025 4,1 a 4,8 Boqueirão 0,264 ± 0,004 0,503 ± 0,006 1,9 a 2,0
Seca
Bom Jesus da Lapa 0,212 ± 0,003 0,292 ± 0,005 1,3 a 1,4 Gameleira 0,237 ± 0,015 0,236 ± 0,001 1,1 a 1,2 Morpará 0,179 ± 0,003 0,295 ± 0,017 1,5 a 1,8 Boqueirão 0,504 ± 0,012 0,293 ± 0,008 0,5 a 0,6
No período de seca, nas estações do rio São Francisco, a relação [V16 % / (U1 3)] apresenta condição superior à mínima necessária para o inicio do transporte de sedimentos.
Porém, os valores não se afastam muito da relação unitária. Condição que indica pequena intensidade de movimento das partículas junto ao leito do rio. Nesta condição espera-se que o EFM não seja significativo a ponto de afetar o resultado das medições de vazão realizadas com ADP BT.
A estação Boqueirão, do rio Grande não apresentou condição para transporte de sedimentos na cheia, uma vez que a velocidade da água junto ao fundo não alcança o valor de U1 3. No período de cheia os valores de U1 3 foram superados por V16 % em todas as estações.
O menor valor apresentado para a relação, no período de cheia, foi da ordem de duas vezes, na estação Boqueirão.
Nas estações do rio São Francisco, os valores de V16 % foram até cerca de cinco vezes superiores aos valores de U1 3, na estação de Morpará, indicando a possibilidade de intenso transporte de sedimentos junto ao leito e possível Efeito de Fundo Móvel, fator prejudicial às medições de vazão realizadas com Perfiladores Acústicos e referência BT.
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6.2 Análise da ocorrência do Efeito de Fundo Móvel